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Vírus Fatal

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Este filme de 2006 feito para a TV (em cartaz na HBO) fala de uma suposta epidemia mundial causada pelo vírus da gripe aviária, que felizmente não aconteceu (e esperamos que não aconteça nunca; já explicarei por quê).

A história começa com uma infecção de aves na China pelo vírus H5N1, o vírus da gripe aviária. As aves são mortas, e vemos a reação das pessoas que se revoltam com isso e tentam esconder as aves, pois os animais significam sua fonte de renda e seu sustento. Ed Connelly, americano de Richmond, Virgínia, está em visita a uma fábrica na China, mas um funcionário da fábrica está doente.

Quando Connelly volta aos EUA, começa a espalhar o vírus já dentro do avião, sem saber que está doente. Com isso, a doença começa a se espalhar. Através de múltiplas imagens em sequência, podemos compreender como é fácil a transmissão do vírus.

A Dra Iris Varnack (Joely Richardson) vai até a China investigar alguns casos de morte pela gripe aviária, e constata que o vírus deve estar se espalhando entre humanos, em vez de das aves para humanos. Isso é muito grave, e ela informa o governo que há o risco de uma pandemia pior que a Gripe Espanhola de 1918, com possibilidade de até 30 milhões de mortes.

Connelly morre e todas as pessoas que tiveram contato com ele devem ser isoladas. O governador da Virgínia, Mike Newsome (Scott Cohen), ordena que o bairro de Richmond onde Connelly morava seja colocado em quarentena, assim como os bairros onde houver pessoas infectadas. A Dra Iris diz ao governador que a quarentena não adianta, pois as pessoas sentem-se como animais enjaulados, e isso tira delas o sentido de humanidade.

Logo vemos que a médica estava certa; com a progressão da epidemia e o aumento do número de mortes, o egoísmo começa a predominar e as pessoas não se importam com os outros, apenas consigo mesmas. Os hospitais estão superlotados, todos querem remédios e vacinas, na vizinhança em quarentena as pessoas não se aproximam dos vizinhos, ninguém ajuda ninguém.

O pânico se espalha junto com o vírus, e vemos o caos nas cidades; falta comida, a violência aumenta, as autoridades tentam em vão controlar a epidemia, milhares de pessoas morrem, o desespero toma conta de alguns, e a situação traz à tona o melhor e o pior das pessoas.

O filme também mostra pessoas dedicadas, como a enfermeira Alma Ansen (Justina Machado), que trabalha incessantemente no hospital. Seu marido Curtis (David Ramsey) está em missão no Iraque, e mais tarde retorna aos EUA para atuar na Guarda Nacional. Quando os hospitais não comportam mais o número de doentes, as estações de metrô são transformadas em hospitais improvisados, e Alma continua tentando ajudar os doentes. Faltam remédios, vacinas e há milhares de mortos, que a princípio são incinerados; mais adiante no filme, vemos uma enorme vala comum onde são postos os cadáveres de milhares de pessoas, e cobertos com cal. Uma cena chocante.

Após a morte de Ed Connelly, sua esposa Denise (Ann Cusack) entra em depressão e distancia-se da família e de tudo. Sua filha tenta cuidar da família, buscando suprimentos com os militares que guardam o bairro em quarentena e cuidando do irmão menor. O menino também fica doente; isso tira a mãe de seu torpor, e ela começa a cuidar dele. Quando a febre cede, Denise vê que não há comida para dar ao filho, e começa a perceber a situação ao seu redor.

Quando seu filho morre pela gripe, apesar do isolamento e dos cuidados de que sua família desfrutava, o governador Newsome percebe que só o isolamento não adiantava e manda suspender a quarentena. A família de Denise Connelly decide ir embora, e vê o cãozinho da vizinha solto. Ela entra na casa e vê a vizinha inconsciente no sofá. Denise percebe que a velha não tem gripe mas está morrendo de fome, pois não há comida na casa, e a leva para sua casa para cuidar dela.

Nas cenas seguintes vemos que os Connelly começam a organizar a vizinhança em serviços voluntários para ajuda e apoio mútuos; a solidariedade retorna, e as pessoas agora se ajudam. Alma e Curtis descobrem que vão ter um filho, e Alma para de trabalhar no hospital.

Apesar do número de mortes começar a diminuir, a Dra Iris explica que isso era esperado e também aconteceu na Gripe Espanhola; as pessoas adquirem certa resistência ao vírus, mas em uma segunda fase uma nova mutação causará muito mais mortes que antes, e eles devem se preparar. Quando recebem a notícia de muitas mortes em uma aldeia em Angola, Iris e sua equipe vão até lá para investigar.

O cenário é devastador – todas as pessoas na aldeia estão mortas. Mesmo que isso tenha ocorrido por causa da baixa imunidade e resistência daquelas pessoas, isso é sinal que a nova mutação do vírus já está acontecendo. E na cena final, vemos um bando de aves migratórias em voo, indicando que a pandemia se tornará incontrolável.

*     *     *

Apesar do filme parecer pessimista e catastrófico, caso o vírus H5N1 passasse a ser transmitido entre humanos esse cenário terrível poderia acontecer. Felizmente o vírus ainda só é transmitido das aves para os humanos, pois ele é muito mais perigoso que o vírus H1N1, causador da gripe suína.

O número de mortes pela gripe aviária é baixo por causa da transmissão ave-humana e pelas medidas efetivas que são tomadas, como a separação do comércio de aves domésticas e silvestres na China, o extermínio de todas as aves de criação próximas de locais infectados e o sequenciamento e acompanhamento dos vírus aviários por laboratórios do mundo todo. Tudo isso diminui a probabilidade do surgimento de uma linhagem humana do vírus, o que seria o começo de uma catástrofe como a mostrada no filme, pois o vírus H5N1 (altamente perigoso) costuma matar mais de 50% dos infectados.

Apesar dos EUA atualmente estarem preocupados com o aumento de casos da gripe suína, tendo o Presidente Obama declarado a epidemia de gripe suína uma emergência nacional, ela não é um problema tão sério quanto uma suposta epidemia de gripe aviária. O vírus H1N1, causador da gripe suína, apesar de ser facilmente transmitido entre humanos (altamente infectante), não tem tanta virulência e pode ser controlado com o uso de medicamentos como o Tamiflu em pacientes corretamente diagnosticados.

A declaração do estado de emergência aumenta a capacidade dos hospitais, médicos e postos de saúde de atender ao aumento da demanda por tratamento em um eventual novo pico de infecções pelo vírus H1N1. Com o estado de emergência, as autoridades não precisam seguir algumas exigências burocráticas federais e o estabelecimento de planos de emergência pode ser feito com maior rapidez. Isso é essencial em caso de uma epidemia.

Portanto, não há motivo para pânico. Apesar dos americanos adorarem um filme-catástrofe (onde tudo acontece nos EUA), alguns deles podem ter um resultado positivo; por exemplo, as pessoas podem perceber que há um perigo potencial e começar a tomar medidas práticas de prevenção, como por exemplo evitar aglomerações e lavar as mãos com frequência; ao menos por aqui esses foram bons resultados da preocupação com a gripe suína.

O filme está disponível no YouTube (em 9 partes, em inglês e sem legendas - veja vídeo no final do artigo); conforme o texto do usuário que publicou os vídeos,”esta é a verdadeira essência da programação preditiva, lembranças suprimidas de uma situação que foi implantada através do uso de filmes de cinema e programas de TV. O tema do filme apresenta uma crise ainda não enfrentada pelo público, e então mostra reações específicas que afetarão de forma subconsciente a reação racional dos espectadores caso tais eventos ocorram no mundo real”.

Visto por tal perspectiva, um filme como esse pode ter efeitos indesejáveis caso uma epidemia ocorra; esperamos que isso continue apenas na ficção.

Para saber mais:

Vídeo: Fatal Contact: Bird Flu in America (parte 1)

veja também: parte 2 / parte 3 / parte 4 / parte 5 / parte 6 / parte 7 / parte 8 / parte 9

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