Publicado em Março - 21 - 2010

Semana do Rato

  • Para começar, boas notícias: Doações de órgãos crescem 22% no primeiro bimestre de 2010 em SP - artigo da Folha mostra que houve um aumento do número de doações em comparação com o mesmo período de 2009. Em 2010 foram realizados (até agora) 397 transplantes de órgãos no estado, sendo 14 de coração, 32 de pâncreas, 228 de rim, 111 de fígado e 12 de pulmão. esse bom resultado é devido à melhora do trabalho de captação nos hospitais e da criação de coordenadores intra-hospitalares de doação e transplante e, 31 hospitais da rede paulista. O hospital que mais notificou doadores em potencial foi o Hospital das Clínicas de SP.

Essa é mesmo uma boa notícia; quantas vidas não foram salvas e sua qualidade de vida melhorada com esses transplantes? Mas ainda há muitos pacientes na lista de espera, que não têm muito tempo para esperar. Esperamos que esse bom trabalho continue. Parabéns!(via @GabSimoes)

  • Em outra reportagem da Folha, uma notícia preocupante que explica porque o transplante de pulmão teve o menor número na lista acima: 95% dos pulmões para transplante são desperdiçados no Brasil. Como os pulmões são o primeiro órgão a se deteriorar após a morte encefálica, sem uma captação cuidadosa e a preservação adequada do órgão até o momento do transplante, muitos órgãos viáveis ficam inutilizados.

O transplante de pulmão é uma cirurgia delicada; por temer o risco de morte devido à cirurgia, muitos médicos não indicam o transplante. Entretanto, a demanda para ese tipo de cirurgia ainda é alta, e de 30 a 50% dos pacientes na fila de espera morrem sem receber o órgão. Com o melhor treinamento das equipes de captação dos principais centros de transplante de pulmão, São Paulo e Porto Alegre, o aproveitamento de órgãos pode aumentar. Tomara.

  • No twitter, sobre a doação e transplante de órgãos:

“Não há NENHUM motivo racional para não doar órgãos. É o supremo último gesto de egoísmo não fazê-lo.” (@Cardoso)

“Se alguém duvida dos malefícios da religião, ela é o motivo para não termos doação de órgãos presumida.” (@Cardoso)

“Você enterra a pessoa com os órgãos dentro, pra não enterrar ela “feia”, toda cortada. Desenterra 3 meses depois e vê como tá.” (@bqeg)

“Eu já assisti a cena da assistente social perguntando e a família falando: melhor não doar. –> Melhor para quem? Melhor pq?” (@MARIANGELABLOIS)

“Sempre fui favorável a q, se a pessoa não for doador, q conste no RG dela: NÃO RECEPTOR DE ÓRGÃOS. Quem não doa não recebe.” (@peresfilho)

“O talmud diz que quem salva uma vida salva o mundo todo. Doadores salvam 5 ou 6, hello, isso te garante uma cobertura no paraíso” (@Cardoso)

“Escolha: seu último ato em vida é ser um herói salvando outras vidas ou ser um fdp egoísta que irá apodrecer embaixo da terra.” (@bqeg)

“O primeiro passo para ser um doador de órgãos é avisar a família sobre sua vontade de salvar vidas. Divulgue!” (@cecilia_tanaka)

  • Todo esse papo sobre doação de órgãos lembra uma coisa legal que aconteceu esta semana: o blogueiro e jornalista Ale Rocha (também daqui de Mogi) tem insuficiência arterial pulmonar, uma doença rara, e precisa fazer um transplante de pulmão. Enquanto aguarda na fila, ele precisa do medicamento Iloprost, caríssimo, que deveria ser fornecido pelo estado.

Um movimento no twitter, iniciado pelo Rodrigo Teixeira (@rod90) acabou chegando ao twitter do governador José Serra (@joseserra), que respondeu ao Alexandre e garantiu que ele receberá o remédio. Legal saber disso, e também ver a participação de muita gente que só quer ajudar e ver um final feliz nessa história. :-)
Para saber mais detalhes da história do Ale Rocha, veja aqui e aqui. E aqui, um texto legal do próprio @AleRocha.

  • Mais um link legal sobre o assunto: A expectativa de quem aguarda um transplante no Brasil - artigo de Samantha Shiraishi (@samegui), com vídeo do Ale Rocha.
  • Não crie um blog se você não sabe português: o  Marcos Lemos lembra em seu artigo esse detalhe importante, que muita gente esquece; se você pretende criar um blog, prmeiro estude português e aprenda a se comunicar corretamente; isso evita um vexame enorme! Vale a pena ler o artigo e os comentários, ótimos (via @Hordones)

Como diz o Marcos: “Um blog é feito basicamente de conteúdo escrito, texto, e sem isso é impossível que um blog dê resultado, tenha visitas e seja considerado. Sinto muito, mas, se você não sabe escrever, não pode ter um blog. Por isso é que vemos tanto plágio, roubo de conteúdo e duplicação: quem não sabe escrever por si mesmo só vai repetir e reproduzir o que outros disseram. Quem não sabe escrever bem, não sabe pensar por si mesmo.”

  • Divorciada aos 10 anos: no artigo de Eliane Brum para a Revista Época, uma história chocante e surpreendente: Nujood, uma menina de 10 anos, pede o divórcio de seu marido de mais de 30 anos de idade, com quem foi casada à força aos nove anos. Apesar da pobreza, tradições e ignorância geral, ela recebeu o apoio do juiz e advogados e tornou-se a primeira esposa-criança a obter o divórcio no Iêmen.

A história de Nujood tornou-se o fio de esperança para outras meninas casadas do Iêmen. Mas o artigo também mostra que, apesar de parecer que estamos bem longe daquele país, aqui no Brasil também acontecem absurdos de machismo e violência contra meninas. Vale a pena ler a reportagem completa.

  • No Batata Transgênica, uma excelente resenha do livro “Minha vida como Gueixa”, em que Mineko Iwasaki conta sua verdadeira história,  após ter processado por calúnia e difamação o escritor Arthur Golden, autor do romance Memórias de uma Gueixa. O artigo está bem completo, e já me deixou com vontade de ler os dois livros, para saber os dois lados da história. Parabéns, @lunaomi!
  • Dica da (@shoujofan): Está sendo produzida uma nova versão de “Assassinato no Expresso do Oriente”, de Agatha Christie; o que me deixou animada é saber que Poirot será interpretado por David Suchet, na minha opinião o melhor Poirot de todos. Eba!!

David Suchet diz: “É um honra ter tal elenco internacional para interpretar esse famoso mistério de assassinato. O escritor, Stewart Harcourt, escreveu um roteiro sofisticado. Sua atenção aos detalhes é impecável.”

  • Você acha que não tem preconceito com pessoas com deficiência física? Que olha para eles como para qualquer outra pessoa? O artigo “A espiã na cadeira de rodas“, de Regina Scharf para a Revista Página 22, nos faz parar para pensar.

Eva Sweeney tem paralisia cerebral, e através de uma cãmera adaptada à sua cadeira de rodas, filma seu cotidiano e mostra como as pessoas costumam tratá-la como criança ou incapaz, e falam apenas com seu acompanhante, como se ela não estivesse ali. O artigo traz um vídeo que mostra exemplos disso. Mas Eva tem uma vida ativa e produtiva, dá conferências, entrevistas, escreve artigos e leva cães para passear, amarrados à sua cadeira. Sua mensagem para as pessoas bem-intencionadas mas sem-noção é: “fale com adultos como adultos. Se as pessoas me tratassem como todo mundo, elas perceberiam que eu sou realmente como todo o mundo”.

Eva também tem um blog, o “The Deal with Disability“. (via @marciaokida, RT de @marcosguinoza)

  • Parece que o primeiro e-book reader brasileiro está chegando: a empresa Mix Tecnologia lançará em junho seu aparelho, o Mix Leitor D. O aparelho tem “tela de 6 polegadas e 400 gramas, comporta cerca de 1.500 livros em versão digital e tem uma bateria que permite mais de 8 mil trocas de páginas. O preço do eletrônico ficará entre R$ 650 e R$ 1.100. A empresa está pleiteando isenções fiscais, já que o produto terá utilidades acadêmicas.” (via @Biblioteconomia, RT de @vmsrueda)
  • E para terminar, depois de tantos assuntos sérios: alegre seu cãozinho e o dono também, com o bigode para cachorro (wth!?) Só vendo mesmo (via @danigpam):

Para saber mais:

Publicado em Junho - 29 - 2009

Transplantes - a lista de espera e o sistema de classificação (parte 2)

(Artigo publicado no Alma Carioca em 28/06/2009)

Continuando a série sobre transplantes, na segunda parte vamos falar sobre a lista de espera e como são classificados os pacientes na fila de espera para um transplante.

O transplante de fígado de Steve Jobs levantou questões sobre o sistema utilizado nos Estados Unidos (e também no Brasil) para a alocação de órgãos disponíveis para as pessoas que necessitam deles, e sobre a possibilidade de passar para o começo da fila.

No caso de Jobs, os médicos disseram que não houve necessidade e houve pouca oportunidade de burlar o sistema. Sob os procedimentos atuais, qualquer centro de transplantes avalia os potenciais receptores de órgãos na lista de espera, e as classificações mais altas são feitas pela gravidade do estado e por quanto tempo eles estão doentes. Não é permitido passar à frente de um paciente mais doente.

Ainda assim, como o tempo de espera nos Estados Unidos varia conforme a região do país (a Costa Leste e a Costa Oeste têm listas de espera mais longas que os estados do centro), as pessoas podem viajar para um estado com tempo menor de espera e aguardar até que estejam no topo da lista. Pode não parecer justo, mas não é ilegal. Uma pessoa pode mesmo registrar-se em listas de diversos centros de transplante do país.

“Se você tiver acesso a um jato e puder estar em qualquer parte do país em seis horas, terá uma opção maior de programas”, diz o Dr. Michael Porayko, diretor médico de transplantes de fígado da Vanderbilt University, um dos centros do Tennessee que disseram não ter atendido Steve Jobs.

O sistema nacional de doação de órgãos nos EUA é administrado pela United Network of Organ Sharing (UNOS), uma entidade sem fins lucrativos em Richmond, Va, que trabalha sob contrato com o governo federal. Quando um órgão torna-se disponível, eles procuram um paciente com maior necessidade e urgência de transplante no banco de dados da UNOS.

Para qualificar-se para receber um fígado, os pacientes devem ser examinados e parovados para transplante por um médico daquele centro. O sistema de avaliação utilizado pela UNOS é a classificação MELD. Quanto maior a classificação, que vai de 6 a 40, mais doente e mais alto na lista está o paciente.

MELD/PELD

No dia 29 de maio de 2006 o Ministério da Saúde do Brasil publicou a Portaria 1.160, que modifica os critérios de distribuição de fígado de doadores cadáveres para transplante, implantando o critério de gravidade de estado clínico do paciente, desenvolvido na Clínica Mayo e modificado pela United Network for Organ Sharing - UNOS, um modelo matemático que estima o risco de mortalidade de uma pessoa com doença hepática terminal com base em exames laboratoriais de rotina.

Para aferir o critério de gravidade foi adotado o sistema MELD e PELD.

MELD - Model for End-stage Liver Disease - é um valor numérico, variando de 6 (menor gravidade) a 40 (maior gravidade), usado para quantificar a urgência de transplante de fígado em candidatos com idade igual a 12 ou mais anos. É uma estimativa do risco de óbito se não fizer o transplante nos próximos três meses.

O valor MELD é calculado por uma fórmula a partir do resultado de três exames laboratoriais de rotina, ou seja:

  • Bilirrubina, que mede a eficiência do fígado excretar bile;
  • Creatinina, uma medida da função renal e
  • RNI - Relação Normalizada Internacional - uma medida da atividade da protombina, que mede a função do fígado com respeito a produção de fatores de coagulação.

PELD - Pediatric End-stage Liver Disease - é um valor numérico similar ao MELD mas aplicado para crianças com menos de 12 anos, mas leva em conta o resultado laboratoriais de exames diferentes, ou seja:

  • Bilirrubina, que mede a eficiência do fígado excretar bile;
  • Albumina, uma medida da habilidade do fígado em manter a nutrição e
  • RNI - Relação Normalizada Internacional - uma medida da atividade da protombina, que mede a função do fígado com respeito a produção de fatores de coagulação.

Como funciona no Brasil a lista de espera por transplante de fígado com o critério MELD/PELD após a publicação da Portaria 1.160?

Na distribuição de fígados de doadores cadáveres para transplante deverão ser considerados os critério de Compatibilidade/Identidade ABO; Urgência; compatibilidade anatômica e por faixa etária, conforme o que se segue:

  • Quanto à Compatibilidade/Identidade ABO - Deverá ser observada a Identidade ABO entre doador e receptor, com exceção dos casos de receptores do grupo B com MELD igual ou superior a 30, que concorrerão também aos órgãos de doadores do grupo sangüíneo O.
  • Quanto à compatibilidade anatômica e por faixa etária - Os pacientes em lista, menores de 18 anos, terão preferência na alocação de fígado quando o doador for menor de 18 anos ou pesar menos de 40kg.

Para mais informações sobre o MELD/PELD, veja aqui.

A fila única

No Brasil, os candidatos a um transplante de órgãos devem inscrever-se na Fila Única. A inscrição na lista de candidato ao transplante é feita pelo hospital ou médico responsável na Central Nacional de Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO). Pessoas em diálise que necessitam de um novo rim podem fazer a inscrição por meio da equipe médica do Centro de Diálise.

A lista única para transplantes obedece a critérios cronológicos, morfológicos, imunológicos e de gravidade. Os pacientes são escolhidos através de um programa informatizado do Sistema Nacional de Transplantes que indica os receptores mais adequados, segundo critérios previamente definidos. Ninguém pode alterar a seqüência da lista única.

Cada inscrito recebe um número e sua posição na lista pode ser acompanhada junto à Central de Transplantes de cada Estado, pessoalmente, através de procuração  ou pela internet. Mais informações podem ser obtidas pela Central de Transplantes do seu Estado. Acesse:  http://dtr2001.saude.gov.br/transplantes/cnncdo.htm

Como funciona a “fila única”

Para selecionar os possíveis receptores que receberão os órgãos, são levados em conta:

  • grupo sanguíneo (O, A, B, AB);
  • idade, peso e altura do doador;
  • o tempo de espera para o transplante;
  • compatibilidade HLA (tecidos imunologicamente compatíveis) - no caso de transplante de rim, quando disponível.  Se houver empate, o desempate é feito pelo tempo de espera, idade, painel de reatividade e urgência. A numeração na fila não importa.

Se o “primeiro” da fila não receber o órgão de determinado doador, ele não perde o seu lugar, que continua  reservado.

Caso o transplante não aconteça, a Equipe de Transplantes explicará os motivos ao Ministério Público. Assim, ninguém é privilegiado e é uma maneira de garantir a transparência do Sistema.

Atenção: não é permitida a inscrição simultânea em dois Centros Transplantadores.

Em casos de urgência, alguns pacientes na Fila têm prioridade em relação aos outros acientes. Isso acontece quando há risco de morte do receptor caso o transplante não seja realizado. O Ministério da Saúde define claramente os critérios para os casos de urgência:

Rim

  • Ausência de via de acesso para tratamento através da diálise;
  • Doador criança menor de 12 anos. Como os rins são muito pequenos, só servem para crianças.

Fígado

  • Hepatite fulminante;
  • Retransplante indicado no período de 48 horas após o transplante anterior.

Coração

  • Retransplante indicado no período de 48 horas após o transplante anterior;
  • Choque cardiogênico;
  • Internação em unidade de terapia intensiva e medicação vasopressora;
  • Necessidade de auxílio mecânico à atividade cardíaca.

*   *   *

Mais informações:

Adote – Aliança Brsileira pela Doação de Órgãos e Tecidos

ABTO – Associação Brasileira de Transplante de Órgãos

Banco de Olhos – Mogi das Cruzes - SP

Blog – Transplante Vida

Artigo: Fila Única – site da Roche

Artigo: “A transplant that is raising many questions” -  Denise Grady e Barry Meier - New York Times, 23/06/2009

Leia também:

Publicado em Junho - 26 - 2009

Doação e transplantes de órgãos – parte 1

Com a notícia do recente transplante de fígado de Steve Jobs, surgem muitas perguntas e comentários sobre os transplantes.

Este é o primeiro artigo de uma série sobre transplantes e doação de órgãos, que será publicada no Alma Carioca e no Rato de Biblioteca. Este é um assunto importante e polêmico, e vamos tentar falar de todos os aspectos.

A necessidade do transplante

O transplante é talvez a última esperança de cura para pessoas com insuficiências orgânicas terminais e que já tentaram outros tratamentos, sem sucesso. É um procedimento médico com enormes perspectivas e que depende, além de uma avaliação completa do paciente e de cuidados intensivos durante e depois da cirurgia, da disponibilidade do órgão necessário. Não existe transplante sem doador.

O transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão de uma pessoa doente (o RECEPTOR) por outro órgão ou tecido normal de uma pessoa viva ou morta (o DOADOR).

Entre os órgãos necessários para transplantes estao o coração, rins, pâncreas, pulmões, fígado e intestinos. Além desses órgãos, também podem ser transplantados tecidos como córneas, pele, ossos, valvas cardíacas e tendões.

Alguns transplantes podem ser feitos com tecidos e órgãos de doadores vivos, como o de medula óssea, de rim ou de parte do fígado. Mas a maioria dos transplantes precisa de doadores cadáveres, o que leva à necessidade de uma maior conscientização da população para que mais pessoas disponham-se a doar seus órgãos e tecidos após a morte, o que pode melhorar e/ou salvar a vida de muitas pessoas.

Em alguns casos de insuficiência renal, é necessário o transplante conjunto de rim e pâncreas, o que impede a doação de rim de um parente. Soube de um caso desses recentemente; o filho de uma conhecida precisava desse tipo de transplante duplo e, apesar da família se oferecer para a doação de rim, ele teve de aguardar na fila (que na época, tinha mais de 11 mil pessoas na frente dele), enquanto fazia hemodiálises diárias. Infelizmente, ós órgãos necessários não chegaram a tempo e o rapaz faleceu há alguns meses.

A doação de órgãos exige o cumprimento de alguns critérios mínimos de seleção. Não existe restrição absoluta à doação de órgãos a não ser para aidéticos e pessoas com doenças infecciosas graves. Em geral, fumantes não são doadores de pulmão. Na maioria dos casos, pessoas saudáveis com morte devida a acidentes são os doadores mais frequentes; é claro, desde que a família autorize a doação a tempo para o aproveitamento dos órgãos. Para isso, deve ser constatada a morte encefálica.

Um único doador pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de pelo menos 25 pessoas. Podem ser feitos transplantes de 2 rins, 2 pulmões, coração, fígado, pâncreas, 2 córneas, 3 válvulas cardíacas, ossos do ouvido interno, cartilagem costal, crista ilíaca, cabeça do fêmur, tendão da patela, ossos longos, fascia lata, veia safena, pele. Já foi feito o transplante de uma mão completa.

Quem pode receber?

Há muitas doenças cujos pacientes podem se beneficiar de um transplante. Entre as principais indicações para transplantes estão os pacientes:

CORAÇÃO - portadores de cardiomiopatia grave de diferentes etiologias (Doença de Chagas, isquêmica,reumática, idiopática, miocardites);

PULMÃO - portadores de doenças pulmonares crônicas por fibrose ou enfisema;

FÍGADO - portadores de cirrose hepática por hepatite, álcool ou outras causas;

RIM - portadores de insuficiência renal crônica por nefrite, hipertensão, diabetes e outras doenças renais;

PÂNCREAS - diabéticos que tomam insulina (diabetes tipo I) em geral, quando estão com doença renal associada;

CÓRNEAS - portadores de ceratocone, ceratopatia bolhosa, infecção ou trauma de córnea;

MEDULA ÓSSEA - portadores de leucemia, linfoma e aplasia de medula;

OSSO - pacientes com perda óssea por certos tumores ósseos ou trauma

PELE - pacientes com grandes queimaduras.

E quem não pode doar?

Para que uma pessoa possa ser doadora, não deve haver contra-indicações clínicas e laboratoriais à doação. Mas de forma geral, não devem ser considerados doadores:

  • Pacientes portadores de insuficiência orgânica que comprometa o funcionamento dos órgãos e tecidos que possam ser doados, como insuficiência renal, hepática, cardíaca, pulmonar, pancreática e medular;
  • Portadores de enfermidades infecto-contagiosas transmissíveis por meio do transplante, como soropositivos para HIV, doença de Chagas, hepatites B e C, e todas as demais contra-indicações utilizadas para a doação de sangue e hemoderivados. As sorologias para estas doenças devem ser realizadas o mais breve possível. Quando não disponíveis, as equipes de captação providenciam sua realização;
  • Pacientes em sepse ou em Insuficiência de Múltiplos Órgãos e Sistemas (IMOS);
  • Portadores de neoplasias malignas, excetuando-se tumor restrito ao sistema nervoso central, carcinoma basocelular e carcinoma de cérvix uterino in situ e
  • Doenças degenerativas crônicas e com caráter de transmissibilidade.

No cenário dos transplantes todos são importantes – pacientes, médicos e doadores – e a escassez de órgãos, mais acentuada no Brasil que em outros países, somente será resolvida com a educação e a conscientização de toda a população sobre a importância da doação, os fatos e estatísticas, os aspectos práticos, culturais e religiosos, para que aumente o número de órgãos disponíveis e mais pessoas possam se beneficiar desse procedimento médico.

Mais informações:

Leia também:

Related Posts with Thumbnails