Publicado em Janeiro - 22 - 2012

Semana do Rato

- Nikelen Witter fala sobre a arte de abandonar livros… ou como seguir em frente, pois a vida é curta e a lista (de livros para ler) é longa. (fonte: Sapatinhos Vermelhos)

- Com as recentes chuvas em MG e RJ, muitas pessoas perderam tudo e estão desabrigadas. A Luci Cardinelli e a Elaine Gaspareto têm feito campanhas solidárias para ajudar pessoas em dificuldade, e esta semana começaram mais uma campanha, a primeira deste ano. A Carine Gimenez, que mora em Itaperuna e está no 9º mês de gravidez, teve sua casa invadida pelas águas e perdeu muitas coisas necessárias. Felizmente eles conseguiram se salvar e as roupinhas do bebê também. Para ajudar a Carine e outras pessoas vítimas da enchente, a Luci e a Elaine  montaram uma Rifa Solidária, com prêmios doados por outras blogueiras e artesãs. São coisas lindinhas, mas aqui o que importa é ajudar. Veja as fotos dos prêmios, como fazer para comprar e outras informações no Blog Solidário. Ajude e divulgue, esta é uma iniciativa muito legal e que merece a nossa participação. Obrigada!

- Amei esse vídeo, dica da Naomi e da Bruna. Além de fofo, o menininho tem bom gosto!

- Filhos caninos e o bebê - capítulo 1 - A querida Cynthia é “mãe de cachorro” (aliás, de 3 lindos peludinhos) e agora espera o primeiro bebê. Ela e o marido se preparam para que o aumento da família traga só alegrias e uma boa convivência entre o nenê e os cães, pois eles nem cogitaram a hipótese de abrir mão deles. Ela escreveu um artigo excelente sobre os preparativos para acostumar os cães à nova rotina, e avisou que a segunda parte será escrita depois que a Sarah nascer. Um belo exemplo, e boas dicas para quem também não quer abrir mão de seus cães quando o nenê chegar! (fonte: La Dolce Vitta)

- Como seriam as marcas se o mundo fosse dominado pelos coelhos… (?!) Isso foi uma brincadeira do estúdio de design TomatDesign, e bem divertida! (fonte: Hypeness)

- Livros para mexer com a sua cabeça - esta lista é bem interessante, com livros que vão fazer você pensar e além de tudo, são ótimos! Cada título é o link para a respectiva resenha. Já li vários, mas tem muitos que já vão para minha listinha (a interminável…) Entre as obras sugeridas estão Fundação (Isaac Asimov), A sangue frio (Truman Capote), O nome da Rosa (Umberto Eco), Casa de Bonecas (Henrik Ibsen), Cem anos de solidão (Gabriel Garcia Marquez) e muitos outros. Como se pode ver, é uma seleção bem variada… - Fonte: Everything2, dica de Livros e Afins)

- Hoje é o dia da manifestação Crueldade nunca mais, que aconteceu às 10 da manhã no vão do MASP, em SP, e em diversas cidades brasileiras. A população quer mostrar que não suporta mais tanta impunidade. Os maus tratos a animais são crime e devem ser punidos com rigor. E se a lei não é rigorosa, deve ser mudada. Por isso o movimento continua depois das manifestações de hoje, até que a justiça seja feita.  Saiba mais  aqui.

- O caso Dalva chocou a todos há algumas semanas, e esta semana foi destaque da Veja SP. Leia a reportagem aqui.  Acredita-se que ela tenha matado cerca de 30 mil animais nos últimos anos. Os protetores de SP acompanhavam a movimentação dela há vários anos, mas só agora foi possível levantar provas. O que revolta na reportagem é a declaração dela de que “não sabia que matar os animais era crime”. Que cara de pau!

- Trabalhar em casa é moda, necessidade ou privilégio? Uma boa análise do Alexandre Mendes para o site iMasters, vale a pena ler!

- 7 pessoas que poderiam voltar dos mortos para se defender da má fama que ganharam. (Fonte: Puxa Cachorra!)

- Como ajudar um protetor de animais. As dicas da figura abaixo são simples e sensatas; vamos usá-las e divulgá-las, os protetores e os peludos agradecem! (imagem criada pela Lilian Rockenbach, dica do Luiz Augusto @queridocachorro)

- O podcast desta semana do Cinema em Cena é sobre os filmes de Steven Spielberg; como bônus, um vídeo da cena inicial de Os Caçadores da Arca Perdida, feito em stop-motion, super caprichado. Vale a pena ver e ouvir!

- Entenda o que está por trás da SOPA/PIPA: são leis anti-pirataria ou formas de controle social? Excelente artigo do Maxx, do Telecine Brasil, que oferece ótimos filmes em domínio público para download.

- E o pessoal do Pirate Bay desafia #Sopa e #Pipa . (fonte: Anon Reunion BR)

Adotável em destaque 1

Esta semana temos dois adotáveis em destaque: o primeiro é o Friskies, daqui mesmo (Mogi das Cruzes - SP). A Fernanda, voluntária da ONG Adote Já, conta a história dele:

Loiro, lindo, charmoso…  Não estou falando do Brad Pitt, falo de outro gato. Só que este e genuinamente felino. Friskies apesar de todas as suas qualidades está na ONG a espera de um lar há cerca de quatro meses.

E por que tanto tempo? Ele tem que comer uma ração especial para seu intestino. Não precisa ser necessariamente a Royal Intestinal, ele se adaptou bem á CIMIAU que nem é tão cara assim mas quando falamos deste porém, deste pequeno problema intestinal que ele tem as pessoas escolhem um filhote.

Ele está com nove meses, castrado, vermifugado e vacinado.

Dá uma dó ver um gato tão lindo e pensar que metade da vida dele, ele passou dentro de uma gaiola na ONG. Ele merece uma família especial pois é muito carente e carinhoso. Você precisa pegar ele no colo para ver o que faz, se enlaça no seu pescoço e esfrega a cabecinha no seu rosto para fazer e pedir carinho. É tão bonzinho… e conversador, vive miando com a gente todo dengoso…

Se você quiser adotar o Friskies mande um e-mail para adoteja.mogi@gmail.com ou ligue no (11) 4796-2102. O Friskies mora lá na ONG e vc pode vê-lo de segunda a sexta das 10:00 às 18:00 e no sábado das 11:00 às 15:00.

Adotável em destaque 2

E a segunda adotável em destaque é a Ketty, esta filhotona super dengosa! Ela foi resgatada pela Sinara com chiclete grudado em seu pelo, e por isso ganhou o nome de Chiclete. Em pouco tempo a cadelinha foi adotada, e ficamos felizes com isso. Mas infelizmente não era a família certa para ela, pois a filhotinha foi devolvida depois de alguns dias. Como tudo acontece por um motivo, a Ketty (rebatizada depois que voltou para a casa da Sinara) vai encontrar uma família muito melhor, e para sempre! Enquanto isso, ela aproveita a vida boa e dorme de papo pro ar…

Se você quiser adotar essa menina dengosa, fale com a Sinara pelo e-mail sinara@sinarafoss.com. Ela está em Santo Antonio da Patrulha - RS, mas a Sinara pode levar a Ketty até Porto Alegre, se necessário.

ATUALIZAÇÃO EM 26/1/12: a Ketty foi ADOTADA! Ela vai morar em Porto Alegre com a Elizabeth, e enquanto não vai para a casa nova, se diverte com o Tobby (com rabo de leão) e o Duque (preto e branco). Vejam o vídeo:

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Bom domingo!

Publicado em Agosto - 03 - 2010

A Lista de Schindler

“Aquele que salva uma só vida salva o mundo inteiro.” (provérbio Talmúdico)

Oskar Schindler foi um empresário alemão sudeto durante os anos da II Guerra Mundial; aproveitando as oportunidades comerciais dos tempos de guerra, ele entrou para o Partido Nazista, fez amizade com diversos oficiais e conseguiu comprar uma fábrica falida de esmaltados. Mais tarde ele usaria sua posição e influência para salvar a vida de mais de 1200 judeus. Sua história é contada no livro “A Lista de Schindler” (originalmente Schindler´s Ark) do escritor australiano Thomas Keneally, e mais tarde levada às telas por Steven Spielberg.

Oskar e sua esposa Emilie em 1946

A fábrica de esmaltados de Oskar ficava em Cracóvia, na Polônia, e a princípio seus funcionários moravam no recém-criado Gueto de Cracóvia. Após o desmantelamento do gueto em uma ação violenta dos nazistas, os judeus sobreviventes foram levados para o campo de prisioneiros de Plaszóvia, comandado pelo nazista Amon Goeth. Cruel e sociopata, Goeth costumava atirar em prisioneiros sem motivo. Execuções sumárias e espancamentos eram comuns.

Bon vivant, mulherengo e astuto, a princípio Oskar usou seu carisma e habilidades sociais para construir sua carreira de empresário de sucesso. Empregar trabalhadores judeus era um bom negócio nos primeiros anos da guerra, e ele o fez. Mesmo assim, ele repudiava a ideologia e os métodos usados pelos nazistas. Mais tarde, quando percebeu o rumo que as coisas estavam tomando e conheceu as condições em que os judeus tentavam sobreviver, ele empenhou-se cada vez mais para salvá-los. Ao presenciar a Aktion dos nazistas no gueto,  Schindler tomou sua decisão.

“A infâmia de homens nascidos de mulheres e que tinham de escrever cartas para suas famílias (o que diziam nessas cartas?) não era o pior aspecto do que Schindler presenciara. Sabia que eles não tinham vergonha alguma do que estavam fazendo, pois o guarda na retaguarda da coluna não vira necessidade de impedir a garotinha de vermelho de assistir a toda a cena. Mas o pior era que, se não havia a menor vergonha, isso significava sanção oficial. Ninguém mais podia encontrar segurança na idéia de cultura alemã, nem nos pronunciamentos de líderes, que condenavam homens anônimos por terem ultrapassado seus limites, ou por olharem pelas janelas de seus escritórios para a realidade na rua. Oskar tinha visto na Rua Krakusa uma prova da política de seu governo, que não podia ser justificada como uma aberração temporária. Acreditava que os SS estavam cumprindo as ordens de seu líder pois, do contrário, o colega na retaguarda da coluna não teria deixado uma criança assistir à cena.

Mais tarde, nesse dia, depois de ter ingerido uma dose de conhaque, Oskar compreendeu o teorema em seus termos mais claros. Eles permitiam testemunhas, testemunhas tais como a garotinha de verme lho, porque julgavam que as testemunhas iam todas também perecer. (…)

Bem mais tarde, em termos nada característicos do jovial Herr Schindler, o conviva predileto das festas de Cracóvia, o perdulário de Zablocie, isto é, em termos que revelavam - por trás da fachada de playboy - um juiz implacável, Oskar tomou naquele dia uma decisão da qual não mais se afastaria. “A partir daquele dia”, diria ele mais tarde, “ninguém, com capacidade de raciocinar, poderia deixar de ver o que iria acontecer. E agora eu estava resolvido a fazer tudo em meu poder para derrotar o sistema.”"

A vida dos trabalhadores da fábrica de esmaltados ‘Emalia’ era segura, ao menos por enquanto. Uma sopa substanciosa todos os dias e a esperança de sobrevida eram melhores que nada; quando Schindler conseguiu construir seu “sub-campo” junto à fábrica e levou seus funcionários para lá, as coisas ficaram um pouco melhores, sem a presença de Amon Goeth.

“O clima era de frágil estabilidade. Não havia cães. Nem espancamentos.

A sopa e o pão eram melhores e com mais fartura do que em Plaszóvia - cerca de 2.000 calorias por dia, de acordo com um médico que  trabalhava como operário na Emalia. Os turnos eram prolongados, freqüentemente de doze horas, pois Oskar continuava sendo um homem de negócios com contratos de fornecimento de material bélico e o desejo convencional de lucro. Contudo, é preciso dizer que o trabalho não era árduo e que muitos dos seus prisioneiros pareciam ter acreditado na ocasião que aquela atividade era uma contribuição em termos comensuráveis para a sua sobrevivência. “

Em 1944, com a decisão de fechar o campo de Plaszóvia e por consequência, o sub-campo da Emalia, devido ao avanço das tropas russas, o destino dos prisioneiros seria o campo de extermínio de Auschwitz. Oskar usa de toda a sua influência, contatos e suborno para conseguir transferir sua fábrica para Brnenec, na Tchecoslováquia. Para isso, ele precisaria levar seus trabalhadores ‘altamente especializados’ e apenas as pessoas cujos nomes estivessem na lista poderiam seguir para a nova fábrica. Estar na lista significava a vida, e o contrário era a morte certa nos campos.

Esbanjador, Oskar gastava rios de dinheiro em presentes para subornar autoridades, na compra de alimentos para seus funcionários e no que fosse necessário para manter seu esquema de salvamento dos judeus em funcionamento. No final da guerra, ele partiu sem um tostão e por fim, viveu de favores dos amigos e protegidos, os Schindlerjuden que ele havia salvo da morte.

Schindler não fez nada de notável antes nem depois da guerra; mas seus atos durante esses anos terríveis fizeram a diferença para mais de um milhar de vidas. Seus Schindlerjuden o ajudaram e homenagearam durante o restante de sua vida e, ao falecer em 1974, ele foi enterrado em Jerusalém, conforme seu desejo.

Thomas Keneally foi convencido a escrever essa história por Poldek Pffefenberg, um dos sobreviventes da lista, em cuja loja de malas Keneally parou para fazer compras. Após uma longa conversa ele convenceu o escritor, que passou os dois anos seguintes pesquisando e entrevistando sobreviventes,  a contar a história de Schindler.

Apesar de ser uma narrativa de romance, o livro é um ‘romance de não-ficção’; a história é contada com base em diversos depoimentos dos sobreviventes, e nada do que não pôde ser comprovado entrou para o livro. Todos os nomes e acontecimentos são verdadeiros, e Oskar é retratado como era, com todos os defeitos e peculiaridades. A narrativa flui muito bem, e mesmo com tantos detalhes não é um livro cansativo, especialmente do meio para o fim, quando acompanhamos com ansiedade o destino daquelas pessoas e nos revoltamos com as atrocidades cometidas em tempos de guerra.

Felizmente para os 1200 judeus de Schindler, para eles a história teve um bom final. Como eles diziam, “uma hora de vida é ainda vida”. Mas isso não evita a indignação por tudo o que aconteceu, e que esperamos nunca venha a acontecer novamente. Este é um relato honesto e humano de um dos poucos episódios bonitos em meio a tanta crueldade e desprezo pela vida.

O Filme

O livro foi lançado em 1982, e apesar de ter os direitos de filmagem e assumir a produção, Spielberg realizou este filme apenas em 1993, pois não se achava preparado para contar uma história tão importante sendo tão jovem na época. Ele queria entregar a direção a outra pessoa, mas acabou sendo convencido a dirigir o filme, pelo qual não aceitou pagamento algum.

O filme, em preto-e-branco, teve uma produção caprichada e atuações impressionantes tanto de estrelas como Liam Neeson (Schindler), Ben Kingsley (Itzhak Stern) e Ralph Fiennes (Amon Goeth), quanto de atores pouco conhecidos que interpretam com talento e dignidade os sobreviventes da lista.

Com este filme Spielberg finalmente foi reconhecido pela Academia e recebeu seu primeiro Oscar de direção. O filme também recebeu o prêmio de Melhor Filme, em um total de 7 Oscars.

Com a bela música de John Williams, o filme termina com os verdadeiros sobreviventes da lista levando pedras ao túmulo de Schindler. Emocionante. Uma verdadeira obra-prima do cinema, que nos desperta emoções diversas e nos faz pensar sobre a vida e a morte, e como a diferença entre elas pode ser pequena.

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Esta resenha faz parte do Desafio Literário 2010, cujo tema do mês de julho foi “Adaptação para o cinema”. Este mês só atrasei um pouquinho, e a leitura valeu a pena. Recomendo o livro e o filme, que apesar de contarem uma história intensa e triste, também nos lembram que não há bem ou mal isolados, e  como uma pessoa pode fazer a diferença.

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Para saber mais:

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Trailer - Schindler´s List

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