Publicado em Agosto - 31 - 2010

Blog Day 2010

Nem lembrava que hoje é o Blog Day (além do Dia da Nutricionista, parabéns para mim, epa, esquece), mas graças ao Frank (obrigada pela indicação!) e à Naomi, vim aqui fazer minha listinha.

O Blog Day foi criado para divulgar blogs de outros países e/ou outras áreas de interesse. No dia 31 de agosto os blogueiros recomendarão novos blogs a seus visitantes, que poderão ampliar sua “rede de leituras bloguísticas” e conhecer novos blogs. Mais informações aqui.

BlogDay instruções:

(copiado da Naomi, senquis, flor!)

1. Liste cinco novos Blogs que você ache interessantes.
2. Escreva uma breve descrição dos Blogs indicados e adicione o respectivo link.
3. Notifique por email esses cinco bloggers de que serão recomendados por você no BlogDay 2010.
4. Publique no BlogDay (no dia 31 de Agosto) esse post.
5. Junte a tag do BlogDay usando este link:
http://technorati.com/tag/BlogDay2010 um link para o site do BlogDay: http://www.blogday.org

Vou fazer como o Frank e indicar blogs de temas diversos e, claro, que visito e gosto. E os cinco blogs (em ordem alfabética) que o Rato recomenda este ano são:

Alma Carioca

Este é um blog/portal de literatura e cultura  do qual tenho o prazer de participar. Criado e administrado por Paulo Afonso Teixeira, o conteúdo do blog é criado pelos colaboradores, e traz contos, crônicas, poemas, artigos de opinião sobre os mais diversos assuntos contemporâneos, vídeos de músicas, análise de filmes, resenhas de livros, enfim, de tudo um pouco. O blog conta também com a colaboração de João Ubaldo Ribeiro, cujas crônicas semanais são publicadas lá.

Além da riqueza e variedade do conteúdo, um aspecto gostoso do blog é a interação entre os autores e os leitores, nos comentários. Ali se discutem ideias, se criticam textos, nascem amizades. Com atualizações diárias e diversos textos novos todo dia, vale a pena visitá-lo diariamente.

Essas mulheres começam a fazer uso de argolas no pescoço após completarem cinco anos de idade, quando é posto o primeiro aro, numa cerimônia realizada durante a lua-cheia. À medida que crescem, as meninas vão tendo seus aros trocados por outros maiores, até atingirem 18 anos. Cada troca exige um ritual, quando uma curandeira massageia delicadamente o pescoço da garota. Os colares são colocados até atingir o número de vinte e cinco, por volta dos 25 anos de idade. Os aros não são tirados nem mesmo para dormir, tendo elas de dormir com travesseiros, para não machucarem o pescoço.

Os Padaung acham que a beleza da mulher é proporcional ao comprimento de seu pescoço. E, para que ele cresça cada vez mais, aros são ali colocados, ainda na infância, de modo que na idade matrimonial, as mulheres já possuam uma distância entre a cabeça e os ombros, entre 25 e 30 centímetros. Elas também usam aros nos pulsos e tornozelos, para que afinem. (texto de Lu Dias)

Baxt

Leio o blog da Barbara Axt há algum tempo. Ela não escreve sempre, mas quando o faz, vale a pena ler. Os assuntos são variados, e sempre com a opinião e o ponto de vista dela, que são divertidos, críticos e sensatos. Nos últimos posts o assunto é o Jonas, que acabou de nascer. E não podia ser diferente, né?

Ficar em casa e cuidar de filhos já foi a única opção de uma mulher. Depois passou a ser uma não-opção, praticamente uma coisa proibida (mulher tem que trabalhar, expandir os horizontes, bla bla bla). Para a maior parte das mulheres do mundo provavelmente a coisa continua não sendo opcional: mulheres pobres têm que trabalhar porque senão ninguém em casa come. Mulheres de certos países muçulmanos conservadores têm que ficar em casa e ponto.

Mas no final das contas, apesar de algumas feministas burras acharem que é um retrocesso a mulher ficar em casa depois de ter filho, as feministas esclarecidas sabem que o objetivo final de toda essa briga é dar às mulheres a OPÇÃO. E para um tanto de privilegiadas, é possível escolher o que fazer. E eu, por sorte, tenho a opção (na medida do possível).

Cachorro Verde

O blog da Sylvia Angélico traz tudo sobre a alimentação natural para cães. E o que é isso? Oferecer , em vez das rações industrisalizadas, dietas caseiras compostas de alimentos crus ou cozidos, balanceada e adequada às necessidades nutricionais do cão. Além das dietas e receitas, o blog tem artigos sobre acupuntura, cuidados com o animal, e muito mais. Acho a ideia interessante e válida, e apesar de ainda alimentar a Nina com ração, estou  considerando a alternativa. Para quem tem cães, é um bom blog a se visitar.

Quase duas décadas de existência pode parecer pouco para uma experiência alimentar tão fora dos padrões, não é mesmo? Mas se você parar para pensar, canídeos e felídeos se alimentam de carnes e ossos crus há milênios! E nossos cães e gatos nada mais são do que réplicas domésticas desses ancestrais – tão geneticamente idênticos, que cães, por exemplo, podem se reproduzir com lobos e gerar filhotes férteis.

O modelo natural equipou os cães e os gatos com todas as ferramentas morfológicas e metabólicas necessárias para o consumo de carnes, ossos e outros alimentos in natura. Faz muito mais sentido, portanto, oferecer a eles uma alimentação o mais próxima possível daquilo que eles encontrariam na Natureza.

O Fio da Meada

A Silmara Franco escreve pequenos contos e crônicas, sempre com muita poesia, um olhar diferente sobre as coisas do cotidiano, e que nos fazem pensar. Silmara escreve sobre assuntos tão diferentes entre si como a vontade de largar tudo, um tapa recebido na infância, as birras entre casais, trocar de bolsa, mamão papaya. E todos se transformam em suas mãos de escritora.

Assim como teme gastar o móvel que comprou, o sujeito que faz isso – não raro, mulher, como a da história – receia gastar a vida. Usa, mas não abusa. Nunca deita, muito menos rola. Está sempre com um anteparo entre si e a diversão, o risco, a aventura. Teme contato e relacionamento, ainda que com um estofado. Jamais vive, plenamente, o que conquistou. Não quer a mortalidade nem para si, nem para aquilo que o cerca. Não sabe que tudo carece envelhecer. É econômico, dos produtos de limpeza às sensações. Está protegido.

Rainha Vermelha

O blog de Átila Iamarino fala sobre ciência, mas vai além, explicando fatos do cotidiano, o comportamento humano, curiosidades e humor, tudo sob o ponto de vsita científico. Os textos são sérios e também divertidos, e as informações encontradas no blog são precisas; afinal, ele é biólogo e doutorando em evolução do HIV-1.

Antes de tudo, preciso concordar com ele em um ponto. Realmente, o incêndio é puro fruto de negligência. E é uma situação generalizada, são vários os museus biológicos no Brasil (e outros acervos) que estão em situação precária e à beira de um desastre. Para entender melhor isso, ouça com muito carinho nosso podcast Dispersando especial sobre o tema. - Vocês não sabem o orgulho que dá poder apontar um podcast nosso sobre o tema. - Não há justificativa, vem reserva técnica, vai reserva técnica e ninguém investiu no básico, infra-estrutura.

Mas meu ponto é outro. Tenho problemas com esta maldita dicotomia vacinas ou cobras.

Munido da imunidade senil, que sinceramente invejo, Isaias Raw usou o argumento de último apelo, o “como você pode fazer isso enquanto crianças passam fome?” que responde nada e impossibilita qualquer discussão. Como assim o Brasil vai sediar a Copa, enquanto tem gente passando fome? Por que querem curar o câncer, enquanto tem gente passando fome? Por que atravessar a rua, enquanto tem gente passando fome? No caso dele, substitua passando fome por precisando de vacina.

Outros blogs participantes do Blog Day 2010:

Batata Transgênica (Naomi)

IdeiaFix (Frank)

Coruja em teto de zinco quente (Lulu)

Terracota Blog (meu outro blog)

Happy Batatinha (Tábata)

Laurices (Laura)

Publicado em Julho - 26 - 2009

O Rato recomenda: Brincadeira séria

Foi assim: na minha visita diária à Lola, em um dos comentários a Silmara perguntava se ainda dava tempo para participar do concurso de blogueiras, e convidava a ler seu artigo. Fui lá e me encantei.

O artigo é simples, direto, como seu conteúdo. Mesmo que não tenhamos a coragem de fazer tudo aquilo de uma vez, é mais que uma inspiração para mudarmos o que está incomodando em nossa vida.

Como disse Steve Jobs em seu discurso como patrono de uma formatura em Stanford, em 2005: “Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que dizia algo assim: ’se você viver cada dia como se fosse o último, algum dia você estará certo’. Isso me causou uma impressão e tanto e desde então, nos últimos 33 anos, olho no espelho todas as manhãs e me pergunto: ’se hoje fosse o último dia de minha vida, eu gostaria de fazer o que vou fazer hoje?’ E sempre que a resposta foi ‘não’ por muitos dias seguidos, eu sabia que precisava mudar alguma coisa”.

A gente sabe disso, mas nem sempre temos coragem de mudar. Vamos deixando para lá, nos acomodando, até que algo sério acontece para nos dar uma boa sacudida.

Às vezes a sacudida é mais leve, arejada e poética, como o artigo abaixo. Que tal deixar que mensagens nas quais ‘tropeçamos’ façam o papel de catalisador em nossas vidas, antes que esse papel caiba a alguma tragédia?

Recomendo também a leitura do blog da Silmara, o Fio da Meada. Ela escreve crônicas ótimas e deliciosas, e já virei ‘freguesa’.

Agora é só começar a mudança… ;-)

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Para saber mais:

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Brincadeira séria - Silmara Franco

Faz de conta: você acordou, ligou para o salão e marcou um horário. Na hora do almoço, foi lá e pediu: Corta bem curto. O cabeleireiro não acreditou no que ouvia. Afinal, seus quase cinquenta centímetros de cabelo sempre foram, na sua cabeça (literalmente), uma espécie de atestado da sua feminilidade. Mas agora eles teriam de ser curtos. Para que suas ideias ficassem longas. Ele colocou a mão um pouco abaixo do seu ombro: Mais ou menos aqui? Você segurou a mão dele, levou-a na altura da sua orelha, e disse: Tosa.

Depois você passou naquela loja onde tem uns vestidos moderninhos e coloridos. Você entrou e pediu aquele cor de laranja com borboletas, muito mais curto do que os que você costuma usar. Aproveitou e pediu a sapatilha da vitrine. Arrancou o seu terninho bege, sua camisa branca e seu escarpim marrom. Deixou tudo por lá mesmo, no provador. E quando a vendedora perguntou o que fazer com aquilo, você disse: Queima.

Quando você retornou ao trabalho, uma hora depois do horário de costume, com aquele vestidinho e com os cabelos daquele jeito, a roda em torno de você foi se formando. Uns, animadíssimos. Outros, nem tanto. Alguns reprovaram. Como as coisas já não andavam muito bem por ali, sua chefe lhe chamou no final do dia para conversar, e avisou que as coisas não poderiam continuar daquele jeito, ou ela teria que substituir você. E você disse: Substitui.

Saindo de lá deu vontade de jantar naquele bistrô aonde você acha que só deveria ir no dia do seu aniversário ou outra data importante. Você mal encostou seu carro e já veio o dono da rua, dizendo que eram dez pratas para parar ali. E, como você não deu bola, o homem começou aquela conversinha surrada dizendo, na entrelinha da entrelinha, que um eventual não-pagamento antecipado incorreria em riscos indesejáveis na pintura do seu bólido. Você pegou o celular, digitou três números, mostrou o visor para o homem e, já com o dedo na tecla “ligar”, disse: Risca.

Faz de conta que você chegou em casa e sua filha de dezessete anos estava na sala com o namorado. Você teve que contar de novo a história daquele vestido e daquele cabelo e, como chovia, sua filha sondou se o rapaz poderia dormir ali. E, enquanto jogava no lixo aquela agendinha que você só usava no trabalho, você disse: Pode.

Quando se deitou para dormir, aquele anjo que costuma vir conversar com você antes do sono se empoleirou na cabeceira da sua cama. Elogiou o cabelo, o vestido, a decisão no trabalho, o presente de não-aniversário, o chega-pra-lá no dono da rua, a atitude com a filha. Só por curiosidade, perguntou que bicho havia mordido você. E você, se ajeitando no travesseiro e já desligando o abajur, disse: Nenhum.

No dia seguinte, vendo que eram dez da manhã e você ainda não havia se levantado, sua filha entrou no quarto, vocês conversaram e no final ela perguntou como é que vocês viveriam dali para frente. Com certa ironia, ela arriscou dizer que com as bolsas e os badulaques que você produzia e vendia nos finais de semana é que não seria. E você disse: Sim.

À tarde, você procurou o dono daquele galpão que você havia visto para alugar, perfeito para uma oficina, e fez uma oferta. O homem coçou a cabeça, pediu um pouquinho mais, e você disse: Fechado.

À noitinha, você foi até a casa dos seus avós, assim, de surpresa. E, de surpresa, você os beijou. E quando eles perguntaram o que era aquilo, você disse: Amor.

Faz de conta que foi assim. Faz de conta que foi desse jeito que você virou a mesa. Que resolveu não perder mais tempo, fazer o que gosta e ser do jeito que você, só você, acha que fica mais bonita.

Faz de conta que você morreu. E que alguém lhe deu a oportunidade de voltar para um terceiro tempo.

Então. Agora vai lá e faz tudo de verdade.

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