Publicado em Junho - 04 - 2009
Informações sobre a gripe suína
Recentemente traduzi as legendas de mais um interessante vídeo de animação, “Como prevenir e reconhecer os sintomas da gripe suína”, que informa sobre os sintomas e tratamento da gripe suína, ou gripe A H1N1.
O vídeo da Howcast é curtinho, apenas 3 minutos, e traz informações sobre os sintomas, formas de contágio, maneiras de prevenir e evitar o contágio e qual o tratamento da doença. Não consegui colá-lo no blog (aparentemente isso só funciona com vídeos do YouTube), mas podem assisti-lo aqui.
E para informações mais aprofundadas sobre a gripe suina e muitos outros assuntos científicos, minha dica do dia é um blog excelente, o Rainha Vermelha, hospedado no site Science Blogs.
Esse é o blog de Atila Iamarino, biólogo e doutorando em evolução de HIV-1, apaixonado por ciência e viciado em informação, que explica em seu blog assuntos tão diversos e interessantes como porque temos diferentes cores de pele e cabelo, alimentos transgênicos, evolução, doenças infecciosas e muito mais.
Atila também colabora com artigos no interessante site Papo de Homem, com temas divertidos sobre ciência e evolução. Não deixe de visitar esses dois blogs!

Sobre a gripe suina, Atila explica:
2. Qual o perigo de um vírus diferente?
O motivo para não sermos imunes ao influenza A depois de uma gripe é que o vírus muta muito [2]. Dois fenômenos são importantes, o drift, onde o vírus acumula pequenas mutações nos genes H e N, suficientes para no ano seguinte nosso sistema imune não reconhecer o vírus. Mais importante (e mais frequente do que se imaginava) é o shift. O shift acontece quando dois influenza diferentes entram na mesma célula e ao saírem misturam seus cromossomos, e dos oito pedaços que levam, alguns são do vírus x e outros do y. Quando isso acontece, o vírus muda abruptamente e nosso sistema imune fica completamente despreparado. É o que faz com que vacinas falhem. Na verdade, existe um atraso entre coletar o vírus e produzir a vacina, de maneira que todo ano temos que estudar o vírus e tentar prever qual vai ser a forma mais importante na epidemia.
As maiores epidemias recentes de gripe ocorreram quando houve rearranjo entre o vírus humano e o vírus aviário, como na gripe asiática de 1957 (H2N2) e Hong Kong 1968 (H3N2). o vírus da gripe espanhola, é H1N1 e aparentemente saltou direto dos patos para o ser humano, sem rearranjo [3]. Quem intermedia o rearranjo, contraindo o vírus humano e aviário? Os porcos e galinhas.
Isso explica porque a maioria das pandemias de gripe começa na Ásia. Imagine mercados populares lotados de gente, onde se vendem em barracas patos, patos selvagens, galinhas, gansos e porcos. Soma a isso a técnica de alimentação dos porcos, onde eles colocam a gaiola dos patos e das galinhas em cima da dos porcos, e dão comida apenas para as aves. Isso gera as condições ideais para o surgimento de vírus aviários infectando humanos.
4. Por que a gripe suína é perigosa?
Os porcos e as aves domésticas são os “atravessadores” dos vírus que circulam em aves migratórias para os seres humanos. Por isso os vírus que eles nos transmitem são perigosos, por serem muito diferentes do que nosso sistema imune encontra normalmente. Além de poderem ser um ponto de rearranjo entre um vírus diferente e um vírus adaptado ao ser humano.
Aparentemente, o que impede o H5N1 (Gripe Aviária) de ser transmitido de humanos para humanos, é o receptor celular que o vírus usa. Até hoje, H5N1 só foi transmitido de aves para seres humanos (uma possível exceção é uma transmissão entre mãe e filha, mas o contato entre elas foi intenso) porque o vírus infecta melhor o sistema respiratório e digestivo das aves do que o humano.
O perigo é que, as células do sistema respiratório dos porcos são mais parecidas com as nossas, de forma que um vírus adaptado ao porco teoricamente pode ser transmitido entre humanos do que um vírus aviário. [4]
Outro fator preocupante é que o vírus da gripe suína atual tem infectado principalmente jovens. Normalmente, crianças e idosos sofrem de gripe. O padrão de vírus agressivo que ataca jovens, com o sistema imune bem saudável, lembra muito o da Gripe Espanhola de 1918.
8. De qualquer forma, há atitudes individuais que podem ajudar:
Lave bem as mãos, e frequentemente. Ao contrário do que se imagina, é mais fácil contrair o Influenza com um aperto de mão do que com um beijo no rosto. Se alguém resfriado espirra com a mão na frente da boca, e damos a mão a esta pessoa, podemos colocar a mão em contato com o olho e nariz, e contrair o vírus. Ou seja, lave bem as mãos, regularmente, e se estiver gripado, cubra o espirro com um lenço e jogue fora.Evite aglomerações e locais fechados, principalmente com ar-condicionado. O Influenza dura mais tempo no ar em clima seco e frio, e um lugar fechado com ar-condicionado mistura várias pessoas em condições propícias para o vírus. [5]
E como bem disse o Carlos, DON’T PANIC!
(trechos do artigo “O que você precisa saber sobre a gripe suína”, de Atila Iamarino, retirado do seu blog Rainha Vermelha)
* * *
Link para o vídeo no Howcast:
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