Publicado em Fevereiro - 15 - 2013

Semana do Rato

- Fantástico! O artista espanhol Rubén Belloso Adorna faz retratos hiper realistas usando giz pastel. Veja também a Galeria dele no Deviant Art, tem muito mais fotos lá. (fonte: Hypeness)

- Mais um relato de quem comprou (ou ganhou) o Kobo e gostou. Desta vez é o Luciano Santos que conta sua história. (fonte: .Livro)

- Depois de um longo e tenebroso inverno, tem post novo no meu outro bloguinho. O Terracota Blog é sobre artesanato mas de vez em quando também tem receitas por lá; veja como fazer os Muffins de Mandioquinha, receita vegetariana e gostosa!  :-)

- E esta aqui foi testada e aprovada hoje! Omelete vegana de grão de bico. Só troquei a cúrcuma por caldo de legumes em pó, e coloquei também manjericão picado. Nham!! (fonte: Papacapim)

- De Volta para o Futuro condensado em 60 segundos! (via Revista Bula)

- Amanhã (16/2)  à meia-noite, não esqueça de atrasar os relógios em uma hora. Acabou o horário de verão.

- Assista aos cinco curtas de animação indicados ao Oscar. No Omelete (dica de Cinema decente em Mogi, no Facebook)

- Esta lindinha é a Dolly, e ela é um dos mais de mil cães da ABEAC. Este mês a ONG quer vacinar e vermifugar todos os animais, e ainda falta conseguir o valor para 598 cães. O custo da vacina e vermífugo para cada cão é de R$ 30,00. Não pesa muito para ninguém, e vai mantê-los saudáveis e protegidos. Você pode fazer o depósito na conta da Abeac e enviar o comprovante para campanha@abeac.org.br. Para saber quais cãezinhos ainda não tem remedinho e saber mais detalhes, visite o link https://www.facebook.com/events/490545404321643 . Ah, e a Dolly e outros cãezinhos estão prontinhos para adoção!

Banco Itaú(341)
Ag 0772 - c/c 52385-8
ABEAC Associação Bem Estar Animal Amigos da Célia
CNPJ: 06.164.870/0001-82


- Dez alimentos que parecem saudáveis, mas não são. E alguns que são saudáveis, quem diria. (fonte: revista Crescer)

- Quem será o próximo Papa? O Henderson tem um bom palpite, e explica por que ele acha isso. (fonte: Depokafé)

- 85 anos de Oscar - O artista britânico Olly Moss criou uma estátua do Oscar personalizada para cada filme vencedor desde a primeira edição do prêmio. Veja a galeria completa aqui (ou aqui, se você não tiver Facebook). Fonte: Cinema de Buteco

- O Daniduc fala sobre inveja, compartilhamento e deixar ou não de viver para não despertar inveja em ninguém. (fonte: The dude’s talk)

- Esta semana a Tatiana Feltrin falou sobre John Green no 365 Escritores. Awesome! :-)

- Prepare os lencinhos. A Keké Flores conta a história de sua velhinha Hebe, e nos mostra como é importante adotar um cão ou gato idosinho. Já pensou nisso?

- Vejam que ideia bacana para quem mora em casa e quer que os gatinhos curtam o quintal com segurança! A Danielly construiu uma casinha para os gatos, usando material reaproveitado e muita criatividade. Bom para curtir e copiar, os bichanos vão gostar!

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Adotável em destaque

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-  E já que falamos da campanha de vacinação dos cães da ABEAC, a adotável desta semana está lá, esperando um lar e muito carinho! a TAINÁ MAGALI é uma vira-latinha linda de 1 ano, tem porte médio, está castrada e vacinada, é dócil e convive bem com outros cães.

Se você mora em São Paulo e quer adotar a Tainá com amor e responsabilidade, mande um e-mail para queroadotar@abeac.com.br e mencione o nome da cachorrinha. Você também pode ver outros cães para adoção aqui ou, se não pode adotar, que tal ser um padrinho?

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Bom final de semana!

Publicado em Fevereiro - 26 - 2012

Semana do Rato

- Já atrasou seu relógio em uma hora? O horário de verão acabou ontem! :-)

Hoje é a cerimônia de premiação do Oscar, então temos vários links legais para você entrar no clima:

- Para quê serve o Oscar? Bruno Carmelo explica como funciona essa premiação e qual a sua importância para a indústria cinematográfica e para nós, reles mortais espectadores (fonte: Outras Palavras)

- 62 vestidos de vencedoras do Oscar de Melhor Atriz, num panorama interessante da moda ao longo de 80 anos de Oscar (fonte: Stylelist)

- Os gatos do Oscar (aham, estamos falando de felinos…) Artigo delicioso da Trinity Carolina no Tudo Gato

- ABCinema - vídeo de animação criado por Evan Seitz com referências de A a Z de filmes famosos. Quantos você consegue identificar? (fonte: Vimeo). Se quiser conferir o gabarito, veja aqui.

- Vergonha no Oscar - João Paulo Mauler lembra momentos embaraçosos e curiosos da festa da Academia (fonte: Fósforo)

E as resenhas da semana, com alguns indicados ao Oscar:

- Bruno Tasca comenta Os Descendentes, indicado a Melhor Filme e Melhor Ator (fonte: Luz, Câmera, Redação)

- Juliana Piesco fala sobre os pontos fortes e fracos de A Invenção de Hugo Cabret, indicado a Melhor Filme e Melhor Diretor (fonte: Fala Cultura)

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- Agora um assunto sério: o pequeno João Pedro, de oito anos,  nasceu com uma alteração genética e precisa de cuidados médicos constantes. Seus pais conseguiram na justiça o direito de receber assistência médica em casa, e uma empresa de enfermagem foi contratada. Como o garoto começou a ter hematomas frequentemente, os pais desconfiaram e instalaram câmeras, que flagaram os maus tratos ao garoto, feitos pela enfermeira.  A polícia de Viamão - RS está investigando o caso. Não dá para entender como uma suposta profissional agride uma criança dessa forma. Vamos continuar acompanhando o caso e divulgando, para que isso não fique impune. (fonte: Zero Hora)

- Before the Play - O pessoal do Baú do Stephen King traduziu o prólogo de O Iluminado. King escreveu um prólogo e um epílogo para a história, mas na época da publicação ambos foram retirados do livro, para reduzir custos. O prólogo foi depois publicado na revista Whispers em 1982. O conteúdo do epílogo é desconhecido até hoje.

- Barbies artísticas: a francesa Jocelyne Grivauld criou Barbies inspiradas em quadros, estátuas e ícones artísticos famosos. Lindas! (fonte: BemLegaus)

- Conheça uma iniciativa legal para ajudar a quem precisa e para praticar o desapego: a Esfera do Bem é um fórum onde você pode anunciar objetos de que precisa ou que quer doar. Os posts são marcados por cidade e fica fácil juntar quem está doando com quem precisa de doação. Conheça, divulgue e anuncie o que você não precisa mais e pode ser útil para alguém!

- E se você está pensando em ter um amiguinho peludo, visite o site Chic é Adotar. Lá você encontrará cães  resgatados de maus tratos e abandono, castrados, vacinados e prontinhos para adoção, com foto e contato com o protetor responsável por eles. O site foi organizado pela Lilian Rockenbach, e os animais estão em São Paulo e região.

“Adotar é um ato de amor e de responsabilidade. Todos os anos milhares de animais são descartados nas ruas, ou se perdem. Se não forem resgatados, morrerão em menos de um ano por fome, doenças, maus tratos, atropelamento etc.. Não existe cão de rua. Todos os animais que vivem nas ruas foram abandonados ou se perderam. Um filhote não sobrevive nas ruas até ficar adulto. Guarda responsável começa na adoção.”

Sou o Renê, 1 aninho, porte médio, me dou bem com outros cães. Me leva pra casa?

Sou o Renê, 1 aninho, porte médio, me dou bem com outros cães. Me leva pra casa?

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Mais cinema:

- O Paulo do Alma Carioca garimpou algumas preciosidades cinematográficas no You Tube e organizou os vídeos com os filmes completos. Confira os links e assista Titanic, Chico Xavier, Bambi, Forrest Gump, Horizonte Perdido e muitos outros filmes.

- Resenhas de filmes premiados com o Oscar, aqui no Rato: A Origem, Forrest Gump, O Silêncio dos Inocentes, Ray, My Fair Lady, Entre Dois Amores, A Lista de Schindler

- Nevermind, do Nirvana, analisado música por música por Juliana Piesco (Fala Cultura)

- Momento TOC - Lá vem a Chuva. A Kaká lembra de diversas músicas que falam de chuva. Boas lembranças, com Beatles, Gene Kelly, B J THomas, Mika e até The Weather Girls!  (Caderninho da Tia Helo)

Adotável em Destaque

A peluda linda de hoje é a Rubi. Esta garota já conheceu a maldade do ser humano, foi resgatada com uma grande queimadura nas costas e após um longo tratamento, hoje está recuperada e aguardando adoção. Mas como ela é vira lata e pretinha, tem gente que não quer adotá-la. Pode isso? Tenho dois vira-latas pretinhos e são as criaturas mais fofas e carinhosas que já vi. Recomendo! Rubi é dócil, carinhosa, de porte pequeno e já está castrada. Quem quer adotar esta foquinha linda?

Para ver mais fotos da Rubi, desde o resgate, tratamento e recuperação, veja o álbum de fotos no Facebook (fotos fortes).  Se quiser adotá-la, entre em contato com a Alessandra Egydio (alessandraegydio@ig.com.br) ou o Alessandro Desco (alessandrodesco@gmail.com). A Rubi está em São Paulo.

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Bom domingo!

Publicado em Dezembro - 02 - 2010

O Silêncio dos Inocentes

Uma estagiária do FBI deve conquistar a confiança de um psicopata para capturar um serial killer e salvar sua mais recente vítima antes que ela seja morta e esfolada. Esta história de suspense tornou famoso o psiquiatra e canibal Hannibal Lecter, um dos vilões mais assustadores da literatura e do cinema.

A história é baseada no livro O Silêncio dos Inocentes (1988), de Thomas Harris. Harris já havia apresentado o personagem no romance Dragão Vermelho (1981), e voltou a ele nas sequências Hannibal (1999) e Hannibal - A origem do mal (Hannibal Rising) (2006). Todos os livros foram transformados em filmes, sendo que este último teve duas versões no cinema, em 1986 e 2007.

Hannibal Lecter é um psiquiatra brilhante e também psicopata e canibal. No último livro é explicada a origem de sua fixação pelo canibalismo, devido a eventos traumáticos de sua infância e juventude, durante e após a II Guerra. Tanto em Dragão Vermelho quanto em O Silêncio dos Inocentes ele está preso e é consultado para ajudar na captura de outros serial killers.

Neste livro o FBI está à caça do assassino conhecido como Buffalo Bill, que mata e esfola suas vítimas. A estagiária Clarice Starling é incumbida por seu chefe, Jack Crawford, de entrevistar Lecter e tentar ganhar sua confiança para que ele ajude a descobrir a identidade de Buffalo Bill.

“O herói parte do mundo cotidiano e entra em uma região de maravilhas sobrenaturais: forças fabulosas são descobertas e ele deve conquistar uma vitória decisiva: o herói retorna dessa aventura misteriosa com o poder de conceder dádivas a seus companheiros.” (introdução de O Herói de Mil Faces, Joseph Campbell)

Clarice é um aprendiz que parte em uma missão difícil: ela deve enfrentar o desconhecido (Dr Lecter, que também atua como o mentor do herói) para conquistar uma vitória decisiva, ou seja, derrotar Buffalo Bill (Jame Gumb) e salvar a donzela (Catherine Martin). Ao retornar, ela recebe honras (se torna agente do FBI) e pode ajudar seus companheiros, ou seja, proteger a sociedade contra o mal.

O monomito é simbolizado de forma brilhante nas diversas etapas da história: o momento em que Clarice entra no calabouço do hospital psiquiátrico para encontrar-se com Lecter simboliza a entrada no mundo desconhecido e sobrenatural. Ela recebe ajuda de um mentor e deve enfrentar seus fantasmas, o que acontece durante os diálogos com o psiquiatra canibal. No momento do desafio final, ela está sozinha e deve descer ao abismo (o porão de Gumb) para enfrentar o perigo e derrotá-lo.

Lecter e Clarice têm seus momentos mais brilhantes nos diálogos da prisão, em que ela tenta controlar seu medo e insegurança e ele tenta descobrir seus segredos e traumas de infância, como moeda de troca para as informações das quais ela precisa.

“Quando ele voltou a falar, seu tom era suave e agradável.

- Você gostaria de me analisar, policial Starling. Você é muito ambiciosa, não é? Sabe o que você me parece, com sua bela bolsa e seus sapatos baratos? Parece uma caipira. Uma caipira melhorada, limpa, com um pouco de bom gosto. Seus olhos são como pedras baratas do mês - tudo é brilho superficial quando você consegue uma pequena resposta. E por trás delas você é brilhante, não é? Desespera-se para não ser como sua mãe. Uma boa nutrição deu-lhe ossos mais longos, mas você não está fora das minas há mais de uma geração, policial Starling. Você é dos Starlings de West Virgínia ou de Oklahoma? Houve uma decisão de cara-ou-coroa entre a universidade e o Corpo Feminino do Exército, não houve? Vou lhe dizer algo específico sobre você mesma, estudante Starling. No seu quarto você tem um colar de ouro de contas soltas, e sente um choquezinho desagradável quando vê como agora se tornaram sem graça, não é verdade? Tantos cansativos agradecimentos vida afora, tantas mesuras e hesitações, banalizando cada uma daquelas contas. Cansativo. Cansativo. Te-e-edioso. Ser inteligente estraga uma porção de coisas, não é verdade? E ter bom gosto não é bom. Quando você pensar sobre esta conversa, vai se lembrar do estúpido animal ferido no rosto quando você se livrou dele. - E no mais suave dos tons, o Dr. Lecter acrescentou: - Se o colar de contas se tornou sem graça, o que mais perderá a graça no curso da sua vida? Você cisma com isso, não é, durante a noite?

Starling levantou a cabeça para encará-lo.

- O senhor enxerga longe, Dr. Lecter. Não nego nada do que acabou de dizer. Mas eis uma pergunta que está me respondendo agora mesmo, quer queira quer não: O senhor tem energia suficiente para voltar essa sua percepção de alta potência em direção a si mesmo? É difícil encarar isso, descobri nos poucos últimos minutos. O que é que o senhor acha? Questione-se e revele a verdade. Que assunto mais adequado ou mais complexo poderia encontrar? Ou será que tem medo de si mesmo?

- Você é uma pessoa dura, não é, policial Starling?

- Razoavelmente, sim.

- E odiaria pensar que é uma criatura comum. Isso não iria feri-la? Por Deus! Bem, você está longe de ser comum, policial Starling. Mas tem medo de sê-lo. De que tamanho são as contas do seu colar, sete milímetros?

- Sete.

- Deixe-me fazer uma sugestão. Arranje algumas contas olho-de-tigre avulsas e enfie-as alternadamente com as contas de ouro. Você poderá querer colocar duas-para-três ou uma-para-duas, conforme lhe parecer melhor. As contas olho-de-tigre vão refletir a cor dos seus olhos e os reflexos de seu cabelo. Alguém já lhe mandou um presente de namorado?

- Claro.

-  Estamos em junho. O Dia dos Namorados está a apenas uma semana. Bem, você está esperando algum presente?

- Nunca se sabe.

- Não. Nunca se sabe… Eu tenho estado a pensar sobre o Dia dos Namorados. Ele me lembra algo engraçado. Agora que estou pensando nisso, ocorre-me que eu poderia torná-la muito feliz no Dia dos Namorados, Clarice Starling.

- Como, Dr. Lecter?

- Mandando-lhe um maravilhoso presente. Terei que pensar nisso. Agora, por favor, dê-me licença. Adeus, policial Starling.

- E o estudo?

- Um recenseador tentou avaliar-me certa ocasião. Comi o fígado dele com favas e um grande vinho. Volte à escola, pequena Starling!

Hannibal Lecter, educado até o último momento, não lhe voltou as costas. Foi recuando da barreira para trás até chegar ao seu leito e, deitando-se, ficou tão alheio a ela como um cruzado de pedra esticado em sua tumba.”

O livro segue com um suspense crescente e narrativa ágil e detalhada, conforme Starling e Crawford seguem as pistas que Lecter sutilmente deixa escapar, mas mesmo assim exigindo lógica e raciocínio para serem decifradas.

“Starling estudara psicologia e criminologia numa boa escola. Durante a vida pudera observar algumas das horríveis e precipitadas formas com que o mundo destrói as coisas. Mas realmente não tinha jamais imaginado que às vezes os seres humanos produzem, atrás de um rosto com aparência humana, uma mente cujo prazer era aquilo que jazia na mesa de porcelana em Potter, West Virgínia, na sala forrada de papel decorado com rosas. Seu primeiro encontro com uma mente daquele tipo chocou-a mais do que qualquer coisa que pudesse ver em mesas de autópsia. Tal conhecimento ficaria entranhado na sua pele para sempre, e ela sabia que tinha de criar uma crosta ou aquilo a penetraria.”

Jame Gumb, o serial killer que retirava a pele de suas vítimas, foi criado a partir de quatro assassinos reais: Ed Gein (que fazia roupas com a pele de suas vítimas; ele também foi a inspiração para a criação de Norman Bates, de Psicose), Ted Bundy (que oferecia dicas psicológicas para ajudar a capturar outros assassinos) e Gary Heidnik (que mantinha as vítimas em seu porão).

Filme

A versão cinematográfica deste livro, dirigida por Jonathan Demme (1991), foi o terceiro filme a conquistar os cinco prêmios principais: Melhor Filme, Direção, Melhor Roteiro (adaptado), Melhor Ator e Melhor Atriz. Até então, somente Aconteceu naquela noite (1934) e Um Estranho no ninho (1975) haviam conseguido essa façanha.

Demme acertou na escolha do elenco: Jodie Foster (Clarice) mostra “a força e a determinação necessárias para o papel” (conforme Demme) ao mesmo tempo em que transmite seu drama interno, especialmente nas cenas com Lecter. Com este papel ela ganhou seu segundo Oscar e mais seis outros prêmios.

Ted Levine (Jame Gumb), apesar de não tão aclamado quanto Hopkins, também criou um vilão complexo e sutil; ele não é um gay ou travesti, mas uma mente atormentada que deseja ser sua mãe para, de certa forma, trazê-la de volta. A cena da dança causou controvérsia entre a equipe de produção, mas Ted insistiu em fazê-la, para mostrar ao público como o personagem se sentia em relação a si mesmo.

A interpretação magistral de Anthony Hopkins criou um Lecter educado, com boas maneiras, voz baixa; um contraste com seus feitos e com seus companheiros de prisão. No livro sua cela tem grades, mas os produtores decidiram usar uma grossa parede de plexiglas com furos (aproveitados na interpretação de Hopkins), que aumentou a sensação de proximidade e a tensão das cenas. Seus 17 minutos em cena foram a interpretação mais curta a ganhar o Oscar de Melhor Ator. Merecido.

E aí, vai encarar?

O filme procura mostrar o ponto de vista (literalmente) de Clarice, para criar uma identificação entre o público e ela. Hannibal e outros personagens olham diretamente para a câmera quando falam com Clarice, e quando ela responde, olha para um ponto ligeiramente afastado do centro da câmera. Esse recurso intensifica o suspense nas cenas entre Jodie Foster e Anthony Hopkins, com uso de vários close-ups que tornam o personagem dele ainda mais assustador. Por breves instantes no final, já no porão, o ponto de vista da câmera muda para Jame Gumb, o que torna a cena ainda mais tensa.

Jonathan Demme também usa alguns recursos de Hitchcock, como mostrar a identidade do vilão para o público, sem que o personagem saiba disso. Isso funciona muito bem para criar o suspense; um exemplo é a sequência da invasão da casa à procura de Jame Gumb. Os cortes e a ação simultânea confundem o espectador e aumentam o efeito da revelação. Edição de gênio!

Apesar de ser uma história sombria e assustadora, há poucas cenas de violência gráfica; o que assusta são os fatos, não o que é mostrado. Ainda assim, em uma sequência temos o canibal em ação, pois além de ser necessário para o desenvolvimento da trama, não devemos esquecer que aquele gentleman é na verdade um monstro assassino.

Filme e livro são excelentes; uma história muito bem contada, com simbolismos e personagens complexos, interpretada e dirigida com maestria, e que certamente mereceu todos os prêmios recebidos. Recomendadíssimo!

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Para saber mais:

Trailer - O Silêncio dos Inocentes

Publicado em Novembro - 16 - 2010

16 - Meme literário - um livro que gostei e que virou filme

Dia 16 - Um livro que gostei e que virou filme

Adoro esta história, e já li o livro diversas vezes. Não demorou muito para ser transformada em filme, pois dois anos após a publicação do livro, Alfred Hitchcock dirigiu Rebecca, sua primeira produção nos Estados Unidos e que ganhou o Oscar de melhor filme em 1940.

O romance de Daphne du Maurier é interessante e bem escrito; a segunda Sra De Winter, que narra o livro, conta suas lembranças de quando conheceu o viúvo Max de Winter, sua chegada e a vida na mansão Manderley, onde vivia à sombra da primeira esposa, a misteriosa Rebecca.

“— Frith, chamei, entrando na biblioteca certa manhã de verão com uma braçada de lilases. Frith, onde posso encontrar um vaso grande para estas flores ? Os do jardim de inverno são muito pequenos.
— O vaso de alabastro do salão foi sempre usado para os lilases, senhora.
— Será que vale a pena ? Poderá quebrar-se.
— Mrs. de Winter sempre usou o vaso de alabastro, senhora.
— Está bem…
O vaso de alabastro me foi então trazido já com água, e nele arranjei os galhos um a um; o suave perfume invadiu o quarto, misturando-se com o cheiro da grama recém-cortada, vindo pela janela. E pensei: “Rebecca também fez isso. Tomou os lilases, como eu, e pô-los um por um no vaso
branco. Não sou a primeira a fazer isso. Este vaso é de Rebecca, este lilás é de Rebeca”. Ela teria errado pelos jardins, como eu, usando o grande chapéu de palha que eu vira no jardim de inverno, caído atrás dumas almofadas, e teria ido até o canteiro dos lilases, assobiando talvez, cantarolando uma canção qualquer, chamando pelos cães, levando consigo a tesoura que eu usava agora.”

Em um clima envolvente de tensão e segredos aos pouco revelados, a história se encaminha para o clímax e desfecho surpreendentes. Curiosamente,  nunca sabemos o nome da narradora e segunda Sra de Winter. Um recurso inventivo da autora, que consegue reforçar a impressão de baixa auto-estima da personagem. Para ela, tudo girava em torno de Rebecca.

O filme de Hitchcock é uma obra-prima, que merece ser visto várias vezes. Laurence Olivier e Joan Fontaine estão excelentes, e Judith Anderson criou uma Sra Danvers perfeita, transmitindo toda a obsessão da governanta pela falecida patroa. Recomendadíssimo!

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Rebecca no IMDb

Rebecca na Wikipedia (em inglês)

Veja os links dos outros participantes no dia 16 no Blog da Happy Batatinha.

Ficha:

Rebecca (1938)

Daphne Du Maurier

Compre o livro na Estante Virtual (não encontrei nas livrarias online)

Publicado em Maio - 03 - 2010

Gran Torino

Gran Torino (2008) é o filme mais recente de Clint Eastwood, em que ele volta a interpretar um personagem durão que acaba envolvendo-se com seus vizinhos asiáticos e vencendo seus preconceitos. Um bom filme, este pode ser o último trabalho do ator e diretor, que pretende se aposentar.

Walt Kowalski (Clint Eastwood) é um operário aposentado da Ford e veterano da Guerra da Coréia. O filme começa com o funeral de sua esposa Dorothy, e podemos perceber que Walt não se dá muito bem com a família, nem com o padre que tenta reconfortá-lo, muito menos com a vizinhança.

Na verdade Walt é um sujeito mal-humorado, de poucos amigos, que contenta-se com a companhia da cadela Daisy e de algumas latas de cerveja. Ele irrita-se com os vizinhos, especialmente com a família asiática que mora ao lado. A família Lor é Hmong (como a personagem Sue explica, Hmong não é um lugar, é um povo) e são muito unidos, mantendo suas tradições e costumes.

O bairro em que vivem é perturbado pela presença de gangues de diversas etnias, e Spider, líder da gangue Hmong e parente dos Lor, tenta trazer Thao (Bee Vang) para a gangue. Thao é um garoto tímido que obedece a mãe e a irmã Sue (Ahney Her) (não há um pai na família, provavelmente este é falecido) e ajuda no jardim e com os serviços domésticos, e por isso não é considerado como “chefe da casa” nem mesmo pelos parentes. Após expulsar, sob a mira do rifle, a gangue de Spider de seu gramado quando tentavam levar Theo, Walt torna-se o herói da família Lor, que lhe traz comida e presentes.

Mesmo assim, a gangue Hmong consegue convencer Theo a participar, e seu teste de iniciação será roubar o automóvel de Walt, um Gran Torino 1972 impecavelmente conservado. O furto é impedido por Walt e seu rifle, e o garoto foge. Depois disso a família obriga Thao a trabalhar durante uma semana para Kowalski, para pagar sua dívida e por ter sujado o nome da família. Walt manda o garoto fazer trabalhos na vizinhança e aos poucos, vai se apegando a ele e à irmã, a quem salva do assédio de outra gangue.

“Thao: Eles queriam me levar. Ficaram loucos da vida porque eu estraguei minha iniciação.

Walt: É, você é um idiota por querer se  meter com aquela gangue. Mas qual era sua iniciação?

(Thao aponta para o carro)

Walt: Meu Gran Torino?”

A partir daí a amizade entre ele e os jovens vai crescendo, e a situação com a gangue vai piorando cada vez mais, até o ponto em que algo tem de ser feito. Os Lor querem vingança, mas Walt quer justiça. O final não chega a ser surpreendente, pois podemos perceber o rumo das coisas na última parte do filme, mas não deixa de ser impactante.

“Walt: Você tem a vida inteira pela frente, mas eu, eu termino coisas.”

É impressionante acompanhar a sólida carreira de Clint Eastwood e perceber que, aos 78 anos, ele consegue dar tanta vida a um personagem durão como Walt Kowalski, e ao mesmo tempo mostrar sua fragilidade e a constatação de como o mundo à sua volta mudou, e que ele não é mais necessário. No decorrer do filme ele percebe que “tem mais em comum com esses asiáticos que com sua própria família“, e vai abrandando seu preconceito em favor de uma preocupação e afeto genuínos.

Como Walt diz ao Padre Janovich (Christopher Carley), “Você não sabe nada sobre a vida e a morte. Você é um virgem estudioso de 27 anos que gosta de segurar a mão de velhinhas supersticiosas e prometer a elas a vida eterna“.  E mais tarde, o Padre comenta que “Walt com certeza não tinha problemas em dizer o que pensava. Mas ele estava certo. Eu não sabia nada sobre a vida ou a morte, até conhecê-lo… e, nossa,  como eu aprendi.”

Apesar de não ser o melhor trabalho de Eastwood, Gran Torino é um filme muito bom, que mostra o talento do veterano ator e diretor. Como disse o crítico de cinema Roger Ebert, “Que outra figura na história do cinema tem sido ator por 53 anos, diretor durante 37 anos, ganhou dois Oscars de direção, mais dois pelo Melhor Filme, recebeu o Thalberg Award e aos 78 anos consegue dirigir a si mesmo e parecer malvado como o inferno? Ninguém.”

E ele realmente começa o filme como um cara antipático e quase insuportável, e aos poucos vamos, se não gostando, pelo menos simpatizando com ele, e compreendemos o motivo de sua decisão final. Eastwood domina o filme, e sua direção impecável consegue atuações regulares dos atores coadjuvantes, que são realmente de etnia Hmong e foram escolhidos em testes de atuação. Os atores que interpretam os dois irmãos não fazem feio, e o resultado é um filme bem acima da média.

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Para saber mais:


Trailer - Gran Torino (legendado)

Publicado em Março - 14 - 2010

Semana do Rato

  • Biblioteca de NY vira refúgio durante a crise econômica; o artigo de Lúcia Guimarães (Estadão) conta que o número de visitas à biblioteca pública de Nova Iorque aumentou no último ano: foram 40 milhões de visitas em 2009, entre desempregados buscando auxílio para fazer o currículo, crianças cujos pais perderam acesso a babás e creches e pessoas que fazem empréstimos de livros físicos e digitais, ou os leem no confortável Rose Reading Room (veja o vídeo mostrando a sala).

O artigo traz uma entrevista com Paul LeClerc, diretor da Biblioteca, que discute a parceria com o Google para digitalização de obras em domínio público, o dilema da preservação da cultura daqui para a frente e o papel das bibliorecas em economias emergentes. Vale a pena ler! (via @Shoujofan, RT de @memoriaviva)

  • Depois do Oscar, vem o Troféu PdUBT: a @lunaomi analisa os erros e acertos do tapete vermelho com o bom humor de sempre. Adorei o ‘troféu Origami’ e o ‘troféu Yacht Club’… :-)
  • Sniffing out bedbugs: cães são usados na localização e combate aos percevejos (bedbugs) em Nova Iorque; depois da proibição do uso de inseticidas como o DDT, os percevejos tornaram-se uma praga que infesta os imóveis novaiorquinos. Cães de abrigo treinados apresentam 96% de acerto na localização dos insetos.

Ao localizar um foco de infestação o cão dá o alerta, por exemplo batendo com a patinha no colchão. Os donos dos cães precisam assumir um compromisso não muito agradável: manter os percevejos em casa e deixar-se morder por eles de vez em quando, pois os bichos sobrevivem apenas por algum tempo alimantando-se de sangue humano. Um pequeno sacrifício que resulta em uma grande ajuda.

Além de percevejos, os cães treinados na J&K Canine Academy também localizam cupins, bombas e alguns tipos de câncer. (via @MotherNatureNet)

  • Para rir (de nós mesmos): Tabela de equivalência de tempo na Internet (via @vitorhugobr) Como diz o Vitor, “Fala se não é verdade? No twitter é o que mais se vê, rs.” Também acho! (quem nunca disse “um segundinho!”?)
  • Agora, falando sério: a @samegui escreveu um artigo muito interessante sobre a gravidez e o parto de cadeirantes; ao contrário do que se pode imaginar, a mulher cadeirante pode sim ter vida sexual ativa e ser mãe, mas é preciso tomar alguns cuidados especiais. Vale a pena ler.
  • Por que um Big Mac custa mais caro do que uma salada nos EUA? o artigo do AlterNet mostra que os enormes subsídios oferecidos pelo governo norte-americano aos produtos de origem animal (carne, laticínios) e a falta dos mesmos subsídios para frutas e vegetais garantem o hambúrguer baratinho e dificultam o consumo de vegetais, que deveriam ser a base de uma dieta saudável. Não é a toa que os níveis de obesidade nos EUA são alarmantes. Mas esse não é o único problema causado pelos subsídios. Mais detalhes sobre esse assunto no meu artigo publicado no Alma Carioca, “Os subsídios agrícolas, o Big Mac e a salada”.

  • Amigos lançam selo de livros e faturam R$ 220 mil com apenas uma obra: conheça a história dos amigos Alexandre Ottoni e Deive Pazos, que se uniram ao amigo e autor Eduardo Spohr para criar o selo editorial Nerdbooks em 2009. Com apenas um livro publicado, “A batalha do apocalipse”, o trio já faturou alto e tem recebido propostas de outros autores inciantes. Eles pretendem editar outros livros que tenham potencial de vendas dentro do nicho deles.

Leia a história completa no artigo de Marcus Vinicius Pileggi no site Pequenas Empresas, Grandes Negócios.

  • Lembram daquele programa “Acredite se quiser”, apresentado pelo finado Jack Palance? o @fwtoogood (do blog Ideiafix) conta a história do criador do “believe it or not” original, Robert Ripley. As histórias são incríveis, não deixe de ver.


Um ótimo domingo a todos!!

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