Publicado em Fevereiro - 20 - 2011

Semana do Rato

  • Steampunk: o que é isso? Gostei da definição do blog Steampunk RS: “Steampunk é uma visão de máquinas e invenções do presente e do futuro mas com a estética e tecnologia da era vitoriana. Steam significa vapor e Punk nesse caso, a grosso modo a união de coisas à revelia.”. O blog tem muita coisa interessante sobre o gênero, vale a pena dar uma olhada! Por exemplo, a lista de Steampunk na literatura, cinema (com muitas sugestões ótimas!), música, HQ e muito mais. Ou o player steampunk do Winamp.

MP3 player Winamp com skin steampunk

  • Vítimas de Paris Hilton: operação resgata cães abandonados na Califórnia. Depois que peruas e celebridades começaram a andar com cachorrinhos minúsculos a tiracolo, aumentou o número de cães comprados e, depois que a novidade acabou, de cães abandonados. Uma ONG canadense resgatou 60 animais que foram levados para adoção no Canadá. Ainda assim, há muito a ser feito. existem mais de 60 mil chihuahuas abandonados em Los Angeles e este número continua aumentando. Bicho não é acessório! (Fonte: Rede Bichos)
  • O que aprendemos com as comédias românticas? Segundo a Jackeline, um monte de mentiras. Alguns poucos filmes do gênero se salvam, especialmente pelo roteiro original (coisa rara!) e pelo talento dos atores, mas a grande maioria é apenas diversão cor-de-rosa para passar o tempo. Confira o post divertido no Borboletando.
  • Lindo exemplo! Cãozinho cadeirante que perdeu o movimento das pernas após atropelamento é adotado pela família que o salvou. (fonte: ANDA)
  • A evolução (?) do cabelo de Nicholas Cage - no mínimo, curioso… (fonte: Pipoca de Bits)

  • Está em discussão na Holanda uma proposta para evitar o aumento dos maus tratos a crianças pelos pais: injeções obrigatórias de anticoncepcionais para pais fracassados. É meio como colocar a tranca depois que o ladrão entrou, mas pelo menos o assunto está sendo discutido. “Na Holanda, centenas de crianças são separadas dos pais, todos os anos. Frequentemente são famílias em que a dependência química e os problemas psíquicos desempenham um papel importante.” (fonte: Radio Nederland Wereldomroep)

Vietnã em dois tempos:

  • A resenha da Lu Dias em duas partes sobre o filme Apocalypse Now, completíssima e interessante. (fonte: Alma Carioca) parte 1 / parte 2
  • A resenha da Naomi sobre o livro O Coração das Trevas, no qual foi baseado o filme de Francis Ford Coppola. Imperdível! (fonte: Batata Transgênica)

(quando eu crescer, quero escrever como essas duas… rsrs) ;-)

  • E para quem ainda não assistiu o filme (\o), na próxima sexta-feira (25/2) o canal TCM irá exibir Apocalypse Now à noite. Como os horários variam conforme a operadora, melhor conferir na grade de programação da TV.
  • Leia o relatório da assessoria do Dep. Feliciano sobre a visita ao abrigo de Tietê e a situação horrível em que os cães foram encontrados lá. Os animais estão agora sob a guarda da ONG Cão sem Dono, e recebendo cuidados e atendimento veterinário.
  • Pessoal de Salvador! Participe da Lavagem ABPA, no dia 26 de fevereiro de 2001, a partir das 9h. O evento tem por objetivo reunir voluntários para lavarem o Abrigo São Francisco de Assis, com água, sabão e drogas de ação carrapaticida. Além de deixar os canis limpinhos para oa animais do abrigo, será servido um almoço coletivo para todos que participarem do evento. Para participar é só comprar a camiseta do evento (R$ 10,00). Mais informações no site da ABPA.

  • Fofuras da semana: para quem não viu ontem no Batata Transgênica, veja o vídeo fofo da amizade entre um gatinho e um… hamster!
  • The Cat House on the Kings é um santuário de gatos (e cães) na Califórnia, onde centenas de animais resgatados vivem em liberdade e harmonia. Lynnea Lattanzio começou a trabalhar como voluntária em um abrigo de animais após seu divórcio e adotou alguns animais. Aos poucos a família felina foi crescendo em em 1992 ela fundou a ONG que já salvou 18 mil gatos e 5 mil cães, esterilizou 40 mil animais e hoje abriga 700 gatos, algumas dezenas de cães e algumas cabras, que ajudam a aparar a grama :-). Os bichinhos são bem cuidados e estão para adoção, mas se não forem adotados, já têm um lar garantido por toda a vida. Saiba mais no site da ONG.
  • Uma coisa interessante que reparei no site é que as doações para a ONG são dedutíveis do Imposto de Renda norte-americano. Uma boa ideia a ser copiada por aqui, não?

Bom domingo!

Publicado em Julho - 07 - 2010

Adaptação

Quando o roteirista Charlie Kaufman foi convidado a adaptar para o cinema o romance The Orchid Thief, de Susan Orlean, ele se deparou com uma tarefa ingrata: apesar do livro ser interessante não havia história, trama, complicações, nada que servisse de base para um bom filme. Então, o Sr. Kaufman transformou um limão amargo em uma torta de limão deliciosa.

Charlie Kaufman: O livro não tem história. Não há história.

Marty: Certo. Então invente uma.”

Com sua conhecida criatividade, Charlie mostra o dilema do roteirista para criar o roteiro, e o filme é construído em camadas: flashbacks de Susan no processo de pesquisa para a reportagem da New Yorker que serviu de base ao livro, as agruras de Charlie Kaufman (Nicholas Cage) tentando espremer um roteiro de onde não havia nada, e o resultado visual do próprio roteiro que está sendo escrito.

Cage, gordinho e careca

A jornalista Susan Orlean (Meryl Streep) vai até a Flórida entrevistar John Laroche (Chris Cooper), acusado de roubar espécies raras de orquídeas com a ajuda dos índios seminoles. Durante as entrevistas, ela percebe como aquele homem estranho vivia movido pela paixão em tudo o que fazia, e quer saber como é se importar apaixonadamente por alguma coisa.

John viveu sempre motivado por alguma paixão; desde a criação de peixes tropicais até as orquídeas, cada interesse seu era cultivado até a exaustão, e depois abandonado sem motivo. Como Susan descreve em seu artigo, “a espiral de lógica e altruísmo e violação das regras em vista de um possível ganho financeiro é a especialidade de Laroche. Quando você percebe que ele é um pilantra, ele revela um motivo subjacente e nobre, mas também lucrativo, para sua pilantragem. Ele adora fazer as coisas do jeito difícil, se assim ele conseguir o que quer, e você fica pensando como ele conseguiu se safar. Ele é a pessoa amoral com mais moral que já conheci”.

Enquanto Charlie luta com seu roteiro, seu irmão gêmeo Donald (Nicholas Cage) resolve que vai tentar a carreira de roteirista e começa um curso com o famoso Robert McKee, o que Charlie diz que é inútil, pois os truques ensinados não garantem que ele escreverá um bom roteiro. Mesmo assim Donald começa a escrever um roteiro absurdo, “Os 3″, com todos os clichês do ramo.

Quanto mais Charlie se esforça para produzir um roteiro, somente consegue ficar fascinado por Susan Orlean e frustrado consigo mesmo. Charlie é inseguro e sem nenhuma auto-estima, enquanto Donald é extrovertido, descontraído e se dá bem com as garotas. Ironicamente, o roteiro de Donald é comprado por uma boa quantia enquanto o de Charlie continua empacado.

A partir do momento em que Charlie decide fazer o curso de McKee e pede ajuda a Donald, o filme muda completamente. A história fica mais ágil, e temos cenas de ação, perseguições, mistério, sexo, drogas e jacarés. O contraste entre os dois primeiros terços do filme e o terceiro ato é brilhante: não distinguimos o que é o roteiro original e o que é o roteiro escrito em conjunto entre Donald e Charlie; mas todos os truques baratos estão ali, inclusive um cascudo deus ex machina.

Valerie Thomas: Quem sabe Susan Orlean e Laroche poderiam se apaixonar, e…

Charlie Kaufman: Certo. Mas o que estou dizendo é, não quero nada de sexo ou armas ou perseguições de carros, sabe… ou personagens aprendendo lições profundas de vida ou amadurecendo ou gostando um do outro ou superando obstáculos e se dando bem no final. Quero dizer… o livro não é assim, e a vida não é assim. Apenas não é. E… tenho certeza disso.”

O filme mistura de forma brilhante realidade e ficção, personagens reais e fictícios; Charlie, Susan, Laroche e McKee são reais, enquanto Donald não existe. Ainda assim, o roteiro é assinado por Charlie e Donald Kaufman, e ambos foram indicados para o Globo de ouro e o Oscar de melhor roteiro (apesar de a Academia ter avisado que, em caso de vitória, ambos dividiriam a mesma estátua). Meryl Streep traz uma atuação impecável como sempre, e Nicholas Cage divide-se entre a cara de cachorrinho pidão de Charlie e o jeito de moleque safado de Donald.

Kaufman brinca com a realidade e cria soluções criativas e incríveis, como fez em Quero ser John Malkovich e Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Na minha opinião, ele é um dos melhores roteiristas de Hollywood, e craque em criar roteiros pra lá de originais. Como ele mesmo diz no filme, quando lhe perguntam por que ele não cria algo maluco como em ‘Malkovich’, “este é material alheio, não posso mexer com o trabalho dos outros dessa forma“. E ainda assim o fez, e muito bem. Recomendadíssimo!

Adaptação (Adaptation), 2002
Roteiro: Charlie e Donald Kaufman
Direção: Spike Jonze

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Para saber mais:

Trailer - Adaptação

Publicado em Junho - 17 - 2009

A Lenda do Tesouro Perdido

A Lenda do Tesouro Perdido (2004)

Quem se interessaria por um filme em que estudiosos fanáticos pela história de seu país, que citam a constituição de cor e procuram antigos artefatos históricos que ninguém sabe se existiram? Detalhe: eles são de outro país, não do seu. Parece pouco interessante, mas nas mãos de Jerry Bruckheimer e Joe Turteltaub, e com um orçamento polpudo, temos uma aventura divertidíssima e muito interessante.

Os estudiosos são Benjamin Franklin Gates (Nicholas Cage) e Riley Poole (Justin Bartha, o noivo desaparecido de Se Beber Não Case), seu ajudante e nerd de plantão; o artefato em questão é um tesouro cujas pistas de sua localização estão no verso da Declaração de Independência e o país, é claro, são os Estados Unidos.

Para complicar a história, há outro explorador rival em busca do tesouro, o ex-colega Ian Howe (Sean Bean), que abandona Ben e Riley e resolve encontrar o tesouro sozinho, e Sadusky (Harvey Keitel), um agente do FBI que está no encalço deles depois que… bem, depois que eles roubam a Declaração de Independência.

Abigail: Vocês são caçadores de tesouros, não?

Ben: Somos mais um tipo de protetores de tesouros.

O pai de Ben, Patrick Gates (Jon Voight) é contra o roubo da Declaração (na verdade, para que Ian não a roube primeiro), mas por fim acaba envolvido na caça ao tesouro e ajudando Ben e Riley.

Patrick: (para Abigail) E ele arrastou vocês dois para essa maluquice?

Abigail: Literalmente.

Riley: Eu fui voluntário.

Ben e Riley ainda contam com a ajuda de Abigail Chase (Diane Kruger), curadora do museu e que une-se a eles para proteger a integridade do precioso documento. Com muitas reviravoltas, perseguições e surpresas, além das doses esperadas de citações históricas (pipoca também é cultura!), temos um filme tão envolvente quanto a trilogia Piratas do Caribe, também produzida e dirigida por Jerry e Jon. Não disse que eles sabem o que fazem?

A Lenda do Tesouro Perdido: O Livro dos Segredos (2007)

Três anos depois do lançamento do primeiro filme, temos a continuação (A lenda do tesouro perdido: O Livro dos segredos). Continuações raramente prestam, mas esta aqui surpreendeu. É um filme tão gostoso quanto o primeiro, com o mesmo elenco e algumas adições preciosas, como a excelente Helen Mirren, que interpreta Emily Appleton, a professora universitária e pesquisadora que é a mãe de Ben. Ela e o ex-marido não se falam há 32 anos, o que dá margem a algumas piadinhas e reminiscências ‘carinhosas’ do ex-casal.

O vilão da vez é Mitch Wilkinson (Ed Harris, de quem gosto mais quando faz papéis de vilão), que mostra provas que o bisavô de Ben Gates teria estado envolvido na conspiração do assassinato de Lincoln. Para provar a inocência do bisavô e limpar o nome dos Gates, ele decide encontrar um… tesouro (claro, afinal o nome original da franquia é National Treasure), que os confederados estariam procurando para financiar a Guerra de Secessão e ajudá-los a separar-se do norte.

Emily: Você é um caçador de tesouros, não?

Mitch: Sou apenas um homem, tentando deixar sua marca na história.

E novamente temos muitas pistas, que são desvendadas com a facilidade que só vemos nos filmes; policiais franceses que também conhecem a constituição americana de cor (claro, foi escrita sob influência de Montesquieu!) e os conhecimentos do amigo hacker, que desarma alarmes em 25 segundos, bagunça sistemas de segurança supostamente invencíveis (no exterior – os sistemas de segurança americanos SÃO invencíveis) e invade os computadores do departamento de trânsito londrino, além de mais um sequestro.

Ben: Há mais alguém atrás do tesouro.

Riley: Claro que há mais alguém atrás do tesouro. É o axioma da caça ao tesouro.

Podemos perceber o merchandising em todo o filme (ei, alguém tem de pagar a conta, não?). Riley usa computadores e celulares da Apple para invadir os tais sistemas, Patrick por sua vez usa os da HP e o trio detona um Mercedes novinho, com direito a câmera na traseira e monitoramento no interior do carro. Ah, sem esquecer o Porsche vermelho de Riley.

Em outra cena há uma paródia do governador Schwarzenegger em seus áureos tempos, no filme True Lies, quando ele sai da água e está vestido a rigor por baixo do traje de mergulho (e sem amassar nem perder o vinco!). Na verdade, a cena original também é uma paródia da elegância absurda de James Bond. Adoro!

Há a previsível repetição de piadas do primeiro filme (”Você não sabe mesmo negociar, não?”) e também um gancho para o terceiro filme, que provavelmente também trará o presidente americano (Bruce Greenwood, de Star Trek e Deja Vu), e talvez mais um tesouro perdido.

Apesar dos americanos adorarem seu próprio umbigo, desta vez fizeram dois filmes ótimos; não os leve a sério, apenas pegue a tigela de pipoca e divirta-se!

Curiosidades:

  • Ben, Patrick e John Gates têm os nomes dos fundadores norte-americanos (Benjamin Franklin, Patrick Henry e John Adams). Abigail Chase é uma combinação de Abigail Adams, esposa de John Adams, e Samuel Chase, signatário da Declaração de Independência e membro da Suprema Corte dos Estados Unidos.
  • Os mocinhos usam Google e os vilões usam Yahoo para pesquisas na Internet.
  • Devido a seu papel em “A Rainha” (2006), Helen Mirren foi convidada para conhecer a rainha Elizabeth II, mas não pôde aceitar pois estava filmando “O Livro dos Segredos” em Dakota do Sul.
  • No filme “A Rocha” (1996), o personagem de Nicholas Cage recebe informações que levam a um rolo de microfilme que contém segredos do governo, incluindo informações sobre o assassinato de John Kennedy (como supostamente está contido no Livro dos Segredos). Ed Harris interpreta o vilão em ambos os filmes.
  • Jon Voight interpretou Franklin Roosevelt em Pearl Harbor (2001), e Bruce Greenwood (o “presidente”) interpretou John Kennedy em “Thirteen Days” (2000)

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  • Entrada no IMDb: A lenda do tesouro perdido (2004)
  • Entrada no IMDb: A lenda do tesouro perdido: o Livro dos segredos (2007)

Trailer: A lenda do tesouro perdido

Trailer: A lenda do tesouro perdido: o Livro dos segredos

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