
capa da primeira edição
Seminário dos Ratos é um livro de contos de Lygia Fagundes Telles, publicado pela primeira vez em 1977. Nos 14 contos, ela fala de temas como a morte e os dramas Ãntimos dos personagens, como o remorso, a repressão, amores não correspondidos e o medo da morte.
Os contos são bem diferentes entre si, apesar dos temas em comum. Os protagonistas podem ser um homem que analisa sua vida e percebe os erros cometidos e as consequências de suas decisões (A Sauna), uma mulher de meia idade que, ao redigir mentalmente uma carta, expõe menos sua indignação e mais suas frustrações e desejos reprimidos (Senhor Diretor), uma mulher que, em um devaneio ou projeção mental, encontra seus familiares em uma reunião de catarse e perdão pelos erros do passado (Noturno Amarelo) ou uma moça suburbana que persegue sua obsessão pelo homem “ideal”, mesmo após décadas após ter casado e constituÃdo famÃlia com outro (Pomba Enamorada).
“Pior do que a ausência do amor, a memória do amor.”
(Lua crescente em Amsterdã)
Alguns contos têm elementos sobrenaturais, seja no desfecho das histórias, seja no estilo de narração. Por vezes não sabemos se aquilo é um sonho ou realidade, se é um sintoma de perturbação mental ou algo de outro mundo. Essa ambiguidade torna os contos interessantes e a prosa ágil de Lygia nos envolve no drama das personagens criadas por ela.
Os contos que mais gostei foram A mão no ombro e a divertida Pomba Enamorada; alguns contos foram mais difÃceis de compreender, mas no geral é uma boa opção de leitura. Eu já conhecia vários contos de Lygia, mas este foi o primeiro livro de contos dela que li por inteiro. Também havia lido trechos de vários romances no volume dedicado a ela da coleção “Literatura Comentada”, vendida em bancas na década de 80 e que comprei para ajudar na preparação para o vestibular, mas que me mostrou diversos autores novos e muitos futuros livros preferidos.
Na minha opinião, no volume de LC sobre Lygia destacaram-se os contos “A confissão de Leontina” (publicado em “O cacto vermelho”, de 1949) e “Apenas um saxofone” (do livro Antes do baile verde, de 1969), trechos do romance “As Meninas” (de 1973) e a interpretação da autora do conto de Machado de Assis, “Missa do Galo”.
Lygia Fagundes Telles (19/04/1923) é advogada e escritora, eleita para a Academia Paulista e a Academia Brasileira de Letras; seus livros  foram traduzidos para diversos idiomas e receberam diversos prêmios. Lygia, junto com seu companheiro Paulo Emilio Salles, adaptou para o cinema a obra de Machado de Assis, Dom Casmurro, no filme Capitu. Após a morte de Paulo Emilio ela assumiu a direção da Cinemateca Brasileira, fundada por ele. Ativa até hoje, Lygia participa de eventos literários e em maio deste ano, participou do programa Letra Livre, da TV Cultura de SP.
Nas palavras de Lygia:
“A função do escritor? Escrever por aqueles que muitas vezes esperam ouvir de nossa boca a palavra que gostariam de dizer. Comunicar-se com o próximo e, se possÃvel, mesmo por caminhos ambÃguos, ajudá-lo no seu sofrimento. Na sua fé. Isso requer amor - o amor e a piedade que o escritor deve ter no coração.”
Esta foi a resenha de junho para o Desafio Literário 2010, cujo tema era “livro de escritora brasileira”. Devido ao excesso de trabalho naquele mês, não tive tempo de terminar o livro e publicar a resenha, então, mesmo com atraso, aqui está ela. Agora vou começar um dos livros escolhidos para julho, e espero não atrasar mais!
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Para saber mais:
- Lygia Fagundes Telles na Wikipedia
- Lygia Fagundes Telles no Releituras
- Comunidade Lygia Fagundes Telles








