Publicado em Dezembro - 13 - 2011

The Hunger Games / Jogos Vorazes

May the odds be ever in your favor.

Num futuro pós-apocalíptico, toda a América do Norte é um único país chamado Panem, com uma Capital e 12 distritos. Estes eram 13, mas quando o Distrito 13 liderou uma rebelião contra a Capital, foi dizimado e para punir os restantes e lembrá-los da autoridade e poder da Capital, todos os anos cada distrito sorteia dois tributos, um rapaz e uma moça de 12 a 18 anos, que deverão lutar contra os outros jovens nos Jogos Vorazes até que apenas um sobreviva.

Katniss Everdeen é uma garota de 16 anos que aprendeu a duras penas a arte de sobreviver. Depois da morte do pai, aos 11 anos ela tornou-se responsável por levar comida para casa, para sua mãe e irmãzinha Prim. Graças ao que ela e o amigo Gale caçam ilegalmente nas florestas que circundam a cidade, nenhuma das duas famílias passa fome. O Distrito 12 é o mais pobre de todos, e apenas uma vez teve um vencedor nos jogos.

Katniss e Gale
Katniss e Gale

O nome de Prim é sorteado para os Jogos e Katniss se oferece para ficar no lugar dela. O rapaz sorteado é Peeta Mellark, que uma vez salvou a vida de Katniss, dando a ela dois pães que evitaram que ela e a família morressem de fome e lhe deu novo ânimo para sobreviver. Agora ambos seguirão para a Capital e terão de lutar pela própria vida, e apenas um entre 24 tributos poderá sobreviver.

Este é o resumo dos dois primeiros capítulos de The Hunger Games, que podem ser lidos online em inglês aqui. Já sabia do que tratava a história, e os dois capítulos me conquistaram. Mas o livro vai além, e prende a atenção do leitor do início ao fim.

Suzanne Collins usou a estrutura clássica da saga do herói para compor seu livro: o herói é chamado para uma aventura e deve enfrentar o desconhecido; ele tem a ajuda de um mentor ou guia, e tem uma habilidade especial. Ele entra em um ambiente novo e misterioso, enfrenta perigos, conta com a ajuda de amigos ou aliados, vence seus medos, cumpre sua missão e volta para casa para ensinar o que aprendeu, modificado pela experiência.

Não por acaso, a autora disse que uma das inspirações para compor a história foi o mito de Teseu, em que a cidade de Atenas deve enviar rapazes e moças para serem devorados pelo Minotauro, para compensar a fúria de Creta contra os atenienses pela morte do filho do rei Minos.

Todas essas etapas, compiladas e descritas por Joseph Campbell em O herói de mil faces, estão no livro de Collins, assim como em muitas outras histórias queridas e de sucesso, como Star Wars, Harry Potter e tantas outras. E mais uma vez, temos um ambiente misterioso, hostil, inimigos ocultos e alguma violência.

“- Katniss, é como caçar. Você é a melhor caçadora que eu conheço - diz Gale.

- Não é apenas caçar. Eles estão armados. Eles pensam. - eu completo.

- Você também. E você teve mais prática. Prática de verdade - retruca ele. - Você sabe como matar.

- Não gente - digo.

- E qual é a diferença, no fundo? - diz Gale com um sorriso amargo.

O estranho é que se eu não lembrar que eles são gente, não há diferença nenhuma. “

Narrado em primeira pessoa, acompanhamos Katniss pela escolha dos tributos, a preparação para os jogos, o contraste entre a decadência e o luxo da Capital e o cotidiano de luta contra a fome e a miséria nos distritos, o suspense e a tensão dos jogos, a luta pela sobrevivência, os jogos televisionados que servem para diversão das pessoas na Capital e para reforçar o poder e a opressão sobre os moradores dos distritos. Os jogos são uma espécie de reality show; nunca vemos as câmeras, mas elas estão lá. O público acompanha os momentos de maior tensão, invade a intimidade dos competidores, patrocinadores enviam presentes que ajudam na sobrevivência dos tributos; para receber esses presentes, é preciso conquistar o público, e aqui vale tudo para vencer… ou sobreviver.

Além de serem do distrito mais pobre e o ‘azarão’ dos jogos, Katniss e Peeta enfrentarão competidores dos distritos mais ricos, que são voluntários e passaram a vida toda se preparando para os Jogos. Eles são cruéis, violentos e farão de tudo para vencer. Além disso, os Organizadores dos jogos manipulam o clima, criam catástrofes naturais e animais em mutação para manter o interesse do público.

Peeta Mellark
Peeta Mellark

“Que presa fácil eu sou! Qualquer tributo, até a pequena Rue, poderia me pegar agora, apenas pulando sobre mim e me matando com minha faca, e eu teria pouca força para resistir. Mas se alguém estiver nesta parte da floresta, ignora-me. Na verdade, sinto como se estivesse a milhões de quilômetros de outra alma viva.

Mas não estou sozinha. Não, eles com certeza têm as câmeras me seguindo agora. Penso nos anos assistindo tributos morrendo de fome, congelando, sangrando, ou desidratando até a morte. A menos que haja uma briga muito boa acontecendo em algum lugar, eu sou a atração.”

Além dos elementos de tensão e aventura, a autora consegue encaixar na trama o romance e a política, e deixa dois ganchos bem colocados para os próximos livros da série: Em Chamas e A Esperança. Não é difícil adivinhar o resultado dos jogos, tendo em vista que há mais dois volumes e a narração é em primeira pessoa. Mas a história nos reserva algumas viradas e surpresas, que é melhor manter em segredo até a leitura.

Aliás, como o filme será lançado em março de 2012, recomendo ler o livro antes de ver o filme. Comecei a ler ‘aos pouquinhos’, mas a certa altura não consegui largar e terminei o livro em dois dias (graças aos céus pelo fim de semana!).

Talvez pelo livro ser destinado ao público jovem, a autora não mostra requintes de violência, e de certa forma ‘poupa’ os personagens principais. Quando Katniss ou Peeta matam, isso acontece por um bom motivo, por acaso ou acidente, ou por misericórdia. Mas quando Cato ou os outros tributos “de carreira” matam, a ambição de vencer os move, e não há nenhuma compaixão.

Katniss passou boa parte da vida sendo o ganha-pão da família, e teve pouco tempo para pensar em si mesma. Ao final dos jogos, ela reflete sobre seus sentimentos, quem realmente é, e em tudo o que teve de fazer para sobreviver. E onde fica a ética nisso tudo.

Essas questões sobre ética, violência e manipulação do público também ficam na cabeça do leitor. É impossível não comparar os Jogos com os incontáveis reality shows que tornaram-se uma praga nas TVs de todo o mundo. Em um mundo sem nenhuma liberdade e com um governo autocrático, o show transforma-se em uma carnificina. Ainda estamos longe disso, mas em nosso mundo atual, até que ponto a mídia chegaria para manter o interesse do público?

“O ataque terminou. Os Organizadores não me querem morta. Pelo menos, não agora. Todos sabem que eles poderiam nos destruir em segundos a partir do gongo inicial. A verdadeira atração dos Jogos Vorazes é assistir aos tributos matarem uns aos outros. De vez em quando, eles matam um tributo só para mostrar aos jogadores que eles podem. Mas na maioria das vezes, eles nos manipulam para nos confrontarmos cara a cara. O que significa que, se não estou mais sendo atacada, deve haver pelo menos um tributo bem próximo.”

Um livro fascinante; uma distopia com elementos mitológicos e que mantém o suspense até além das últimas páginas. Recomendo!

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Trailer legendado:

Ficha:

The Hunger Games, 2008, Scholastic Books, UK

Jogos Vorazes, 2010, Rocco

Autora: Suzanne Collins

Saiba mais:

- Ficha do filme no IMDb ( a ser lançado em março de 2012)

- Leia os dois primeiros capítulos de The Hunger Games no Scribd

- Resenha muito boa de Jogos Vorazes, de Taizze Odelli no Amálgama

- Mais uma boa resenha, de Aione Simões, no Minha Vida Literária

- Resenha da Nanda, do Viagem Literária (ela também resenhou os outros dois livros, links no artigo)

- Monomito ou a jornada do herói, na Wikipédia

- Compre os livros Jogos Vorazes ou The Hunger Games na Livraria Cultura

Publicado em Agosto - 25 - 2011

As duas vidas de Audrey Rose


Janice, Bill e Ivy Templeton eram uma família feliz, até que um estranho aparece em suas vidas com uma história inacreditável: a menina Ivy seria a reencarnação de Audrey Rose, a filha que Elliot Hoover havia perdido em um acidente há onze anos.

Vi este filme há muitos anos e depois li o livro; aliás, várias vezes. Além de ser um suspense envolvente, o tema da reencarnação me interessou muito. No Brasil essa ideia é bem aceita e para muitas pessoas, uma verdade indiscutível. Mas na década de 1970, nos Estados Unidos, não era assim.

Frank De Felitta publicou seu livro em 1975, e dois anos depois escreveu o roteiro para o filme baseado em sua história. Como o filme foi lançado algum tempo depois de O Exorcista, O bebê de Rosemary e A Profecia, não fez tanto sucesso, talvez porque as pessoas esperassem outro filme de terror sobrenatural.

Mas esta história não tem a ver com demônios ou possessão. Elliot Hoover era um cidadão comum, um engenheiro e executivo bem-sucedido com uma boa vida familiar. Mas em 1964 sua vida mudou quando a mulher e a filha morreram em um acidente de carro. A menina ficou presa enquanto o carro queimava, e suportou alguns minutos de puro terror antes do fim.

Dez anos mais tarde, ao buscar a filha na escola, Janice Templeton percebe que um estranho as estava seguindo. Alguns dias mais tarde, o homem se apresenta e pede para conversar com o casal. Ele diz que acredita que Ivy seja a reencarnação de sua filha Audrey Rose, e que ele não deseja nada além de acompanhar o crescimento dela e ajudar, se preciso. Como era de se esperar, os pais não acreditam.

Mas a menina tem pesadelos cada vez piores, queima as mãos no vidro frio da janela e o único que consegue acalmá-la é Hoover.

“-Compreende agora, Mrs. Templeton? É o brado de uma alma atormentada! A senhora suporta escutá-lo? Eu não!

-Então saia de nossas vidas! - bradou Janice - Isso só acontece quando você está por perto. Ivy esteve muito bem e muito saudável durante todos estes anos.

-Não, a senhora se engana! A saúde de sua filha é ilusória. Enquanto o corpo dela abrigar uma alma que não está preparada para aceitar as responsabilidades do carma da vida terrena, não pode haver saúde, nem para o corpo de Ivy, nem para a alma de Audrey Rose. Ambas estão em perigo!

Janice sacudiu a cabeça, como se desejasse livrar-se daquelas palavras.

-Não sei o que está dizendo…

-Estou dizendo que Audrey Rose voltou cedo demais.

Cedo demais? Oh, meu bom Deus, de que estará ele falando?

-Depois da Segunda Guerra Mundial, muitas crianças voltaram cedo demais. Vítimas de bombardeios e dos campos de concentração, atordoadas, confusas pela morte extemporânea, essas almas se apressaram a voltar para um útero, em vez de procurar o novo plano astral que lhes cabia.

Ele é maluco. Bill disse que ele era maluco. Bill tinha razão.

-E assim como elas, o mesmo aconteceu com Audrey Rose: fugiu de um horror e voltou para outro horror, em lugar de permanecer em um plano no qual poderia meditar e aprender a reconstruir a vida passada antes de procurar uma nova vida.

Hoover tinha os olhos marejados e sua voz estava embargada de emoção.

- Audrey Rose voltou cedo demais, Mrs. Templeton. E, por causa disso, Ivy corre grande perigo.”

Aos poucos Janice começa a acreditar que aquela história maluca possa ser verdade, especialmente ao ler os diários que ele lhe enviou, escritos durante os anos em que esteve na Índia. Quando Hoover leva a menina para seu apartamento, após um dos pesadelos, ele é preso e acusado de sequestro.

O caso vai a julgamento e quando Janice depõe a favor de Hoover, dizendo que acredita nele, Bill autoriza uma experiência de regressão induzida pelo hipnotismo para provar que ele está mentindo. A partir daí a tensão e o suspense aumentam, até o clímax terrível.

O livro traz ao final fac-símiles de documentos, recortes de jornal e cartas manuscritas para completar a história e dar a impressão de autenticidade. O artifício funciona bem, mas a história é fictícia. De Felitta disse que teve a ideia a partir de uma experiência de seu filho, que aos seis anos começou a tocar uma peça ao piano, instrumento que ele nunca havia estudado. Ele concluiu que isso só seria possível à luz da reencarnação, e começou a pesquisar para o livro.

Um ponto que sempre me incomodou foi que Ivy nasceu minutos depois da morte de Audrey Rose; segundo a teoria de Hoover, o espírito dela uniu-se ao corpo do bebê prestes a nascer. E que espírito habitava aquele corpo? Segundo ele, nenhum.

Não sabemos ao certo em que momento da gravidez a alma se une ao feto (segundo o Espiritismo, a união começa no momento da fecundação, mas só se completa no nascimento), mas não acredito que um bebê prestes a nascer não tenha uma alma. Quem já sentiu os movimentos do bebê na barriga da mãe não pode acreditar nisso. Também é pouco provável que a alma que habitasse aquele corpo tivesse se afastado para dar lugar à alma de Audrey Rose. Em todo caso, são detalhes usados pelo autor para corroborar sua teoria e dar verossimilhança à história. Basta darmos um desconto e apreciarmos a trama.

O filme de 1977 foi bem fiel à história, pois o roteirista foi o próprio Frank De Felitta. A parte do diário de Hoover foi deixada de fora, e apenas algumas imagens da Índia são mostradas durante o julgamento. Os pesadelos anteriores de Ivy e o relatório da psiquiatra também estão ausentes; Janice apenas menciona que Ivy teve pesadelos várias vezes, sempre perto do seu aniversário. No livro, os pesadelos estão associados à presença de Hoover, que esteve em Nova Iorque quando a menina tinha dois anos e meio, na época dos pesadelos.

Marsha Mason demonstra todas as nuances de sentimentos da mãe que passa da dúvida e incredulidade à aceitação tímida, depois à crença e a firme decisão de proteger sua filha a qualquer custo. A menina Susan Swift também está muito bem, e interpreta bem a transição dos pesadelos à vida atual, sem lembranças do que aconteceu. A sequência do hipnotismo também é muito boa. Pena que Anthony Hopkins tenha tido uma interpretação tão contida e distante; diferente da emoção intensa e contida que ele mostrou em Os Vestígios do Dia, por exemplo. Talvez o ator não acreditasse realmente nas verdades da personagem, quem sabe?

Mesmo assim o filme é bom, e um drama competente. O livro, como sempre, é mais detalhado, e uma narrativa envolvente. Recomendo ambos, mas entre os dois, prefiro o livro.

“Não há final. A alma nasce e morre. Tampouco, havendo existido uma vez nunca deixa de existir… Ela está além do tempo, do que aconteceu e do que há de vir”. (Bhavagad-Gita)

Ficha:

- As duas vidas de Audrey Rose
Frank De Felitta, 1974
1984, Abril Cultural

- As duas vidas de Audrey Rose  (Audrey Rose)
1977
Direção: Robert Wise
Roteiro: Frank De Felitta
Elenco: Marsha Mason, Anthony Hopkins, John Beck, Susan Swift
Ficha no IMDb

- Compre o livro na Estante Virtual

- Crítica do filme no 50 anos de filmes

- Análise do livro segundo a filosofia espírita (fonte: uema.com.br)

- Assista ao filme no YouTube (em 8 partes, em inglês, sem legendas)

- Seleção de filmes para o Halloween, no Rato

Parte 1:

Publicado em Março - 28 - 2011

Titanic: Rose Dawson’s Story

(Titanic - a história de Rose Dawson - 2010)

O que aconteceu com Rose depois do naufrágio do Titanic e antes de sua visita ao navio Keldysh, onde narra sua história a Brock Lovett? É o que Walden Carrington nos conta neste livro interessante.

“A festa de aniversário oferecida por Molly Brown a Rose DeWitt Bukater em maio de 1911 aconteceu na Casa dos Leões na Pennsylvania Street em Denver, Colorado. Rose gostou de conhecer, entre os convidados, o rico e solteiro Caledon Hockley, que a pediu em casamento. Seu noivado durou até abril de 1912, quando os noivos e acompanhantes  retornavam da Europa na viagem inaugural do R.M.S. Titanic.

Um atraente passageiro da terceira classe chamado Jack Dawson convenceu Rose a abandonar seu mundo de alta sociedade antes da colisão do navio com um iceberg. Ela adotou o nome Rose Dawson a bordo do navio de resgate, Carpathia. Rose retornou a Denver com Molly Brown e o colar com o diamante azul que Cal havia deixado no bolso do casaco que lhe deu na noite do naufrágio do Titanic.

Em abril de 1996, Rose estava em casa com a neta Lizzy e viu na TV a notícia sobre o caçador de tesouros Brock Lovett, e sua busca nos destroços do Titanic. Rose percebeu que ele procurava o diamante azul que ela manteve escondido por oitenta e quatro anos. Rose e Lizzy voaram até o navio Keldysh, onde ela contou sua história sobre o naufrágio do Titanic.”

(resumo do livro no site Authonomy)

Kate Winslet como Rose

Rose DeWitt Bukater pertencia a uma classe social que vivia fechada em sua bolha de luxo e elegância, isolada dos problemas da vida comum e do restante da humanidade, o que era natural para eles. Mesmo assim, ela se submetia às regras desse mundo por costume e obediência, e aceitou o noivado com Cal Hockley para resolver os problemas financeiros da mãe, após a morte do pai. Mas Rose queria assumir o controle de sua vida, e sua repulsa à ideia do casamento forçado foi aumentando cada vez mais.

“Eu não desejava brigar com Mamãe por causa de seu desejo de planejar meu casamento com Cal na Filadélfia. Ela foi dependente de meu pai desde que se casaram. Antes disso, ela havia sido dependente de seu pai. Depois de perder a ambos, nunca ocorreu a ela a ideia de ser independente e descobrir uma forma de ganhar a vida. Sua mãe dependeu dos homens da família a vida toda e ensinou Mamãe a também ser assim. Mesmo querendo que eu fosse instruída, Mamãe nunca sugeriu que eu me tornasse independente. Cabia a mim romper essa tradição, mas eu não tinha quem me orientasse naquela direção.”

O livro é interessante para quem gostou do filme e quer rever a história no papel. A parte da história de Rose que é mostrada no filme, especialmente a viagem no Titanic, segue fielmente o roteiro, com os mesmos diálogos (e poderia ser diferente?) e descrições. A única diferença é que, como o livro é narrado em primeira pessoa, não foram incluídas cenas e diálogos dos quais ela não participa. Por exemplo, o diálogo entre Cal e Jack enquanto Rose desce no bote salva-vidas. Ela apenas observa que os dois conversaram e fizeram contato visual, e quando percebe que não poderia deixar Jack no navio e partir em segurança no bote, decide voltar ao Titanic.

Leonardo DiCaprio e Kate Winslet

“Eu não estava acostumada a estar em um novo local e não ter coisas para desembalar, mas certamente não senti falta desse ritual. Quando acabei de comer, coloquei a bandeja ao pé da cama e troquei minhas roupas pela muda limpa e seca que haviam deixado para mim.

Senti que estava começando uma nova vida como sobrevivente do Titanic. Minha mãe parecia uma pessoa diferente, e não queria mais controlar a minha vida. Sempre me lembraria do corajoso oficial que trouxe o bote de volta para salvar minha vida. Depois de conhecer tantas pessoas que não sobreviveram àquela noite, eu sempre me consideraria privilegiada por ter sido resgatada, e feliz por estar viva.”

A vida de Rose após o naufrágio é contada de forma resumida e coerente com as fotos mostradas no quarto dela no Keldysh, no filme; rapidamente a narrativa retorna ao tema do navio, com o telefonema dela a Brock e a viagem ao navio russo.

“Quando Lizzy se formou no colegial em maio de 1986, o Titanic havia sido encontrado no fundo do mar por Robert Ballard e sua equipe, no mês de setembro anterior. Mantive em segredo minha própria experiência no Navio dos Sonhos. Ela sempre seria parte de mim, mas nunca senti a necessidade de compartilhar minhas caras lembranças de Jack Dawson, que me fizeram usar seu sobrenome até que me casasse com Walden Calvert.”

Gloria Stuart como Rose

O livro de Walden Carrington ainda não foi publicado, mas está disponível na íntegra para leitura online no site Authonomy, da editora HarperCollins. Para resolver o problema das centenas de originais recebidos diariamente pela editora, foi criado o site onde autores podem enviar seus textos. Eles podem ser lidos por qualquer pessoa, e avaliados e comentados por usuários registrados (geralmente outros autores). Os originais com melhor avaliação pelos pares são escolhidos mensalmente e enviados a uma equipe de editores internacionais da HarperCollins para avaliação e possível publicação.

Pessoalmente acredito que o livro poderia se beneficiar do centenário do naufrágio e ser publicado a tempo de aproveitar a data; mas como não conheço a política editorial da casa, não sei se consideraram o livro adequado para publicação. Outro ponto polêmico é a utilização de personagens e diálogos de terceiros; não sabemos o que James Cameron pensa  a respeito, nem quais são as questões legais em relação a seu roteiro.  Se eu fosse o autor, tentaria uma edição independente na Amazon como e-book; com uma boa divulgação, quem sabe não teria o mesmo sucesso de Amanda Hocking?

O livro é extenso (quase 400 páginas, segundo a numeração incluída pelo autor no texto) e teve uma pesquisa caprichada, especialmente nas descrições de Denver do início do século. É mais que uma simples fan fic, mas não chega a ser um trabalho totalmente original. De qualquer forma, é uma leitura gostosa e interessante, que vai agradar aos fãs de Titanic.

ATUALIZAÇÃO EM 06/12/11:

A leitora Suelen comentou que não conseguiu ler o livro online, e realmente ele foi retirado do site Authonomy em novembro. Encontrei o comentário do autor, Walden Carrington, em seu perfil no Authonomy:

Thanks to everyone who emailed Twentieth Century Fox about the deletion of Titanic: Rose Dawson’s Story on 11-4-11. But that’s enough. They received a wealth of emails from authonomy members and are welcome to request the revised manuscript delivered to HarperCollins United Kingdom on 10-31-11. It could be published in New York and sell very well while Titanic is playing in theaters worldwide in three dimensions.

I will always remember my authonomy experience and treasure the many comments posted on my work. Finding my comments about other books on web sites designed to promote them has been very gratifying. My hope in writing a novelization of Titanic was to enhance the cinematic experience and expand on the story while passing on valuable life lessons to cherish for a lifetime. “

Portanto, parece que a Fox pediu a retirada do texto do site, provavelmente por violação de direitos autorais. O autor coloca-se à disposição de editoras (ou da própria Fox) que queiram publicar seu original e aproveitar a popularidade da história, que voltará aos cinemas em 3D em abril de 2012, para lembrar o centenário do naufrágio.

Bom, não temos opção a não ser aguardar que alguma editora publique o livro; uma pena que a disputa por direito$ autorai$ evite a publicação de histórias baseadas em personagens de outros autores. O livro era bem interessante e poderia ter sido publicado, provavelmente venderia muito bem…

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Ficha:

Titanic: Rose Dawson’s Story

Walden Carrington

Enviado em 03/06/2010

Disponível para leitura online no site Authonomy

103384 palavras

(tradução de trechos do livro: Cristine Martin)

Publicado em Março - 23 - 2011

Ensina-me a viver (Harold and Maude)



Harold (Bud Cort) é um jovem que adora simular suicídios para atormentar a mãe; Maude (Ruth Gordon) é uma mulher de 79 anos que, como Harold, frequenta enterros, mas é cheia de vida e ignora as regras e convenções da sociedade. Quando estas duas pessoas tão diferentes se conhecem, é o início de um relacionamento que mudará a vida de Harold, que vai literalmente aprender a viver.

Com os suicídios simulados, Harold tenta chamar a atenção da mãe, uma rica viúva cujas preocupações são os eventos sociais e “encaminhar” o filho na vida, seja para a carreira militar (como o tio) ou no casamento com uma das candidatas que lhe apresenta. A única vez que a mãe teve alguma reação foi quando pensou que ele havia morrido na explosão do laboratório de química da escola, e por isso Harold tenta despertar essa reação novamente, como uma criança que quer chamar atenção - qualquer tipo de atenção.

A condessa Mathilda (no livro, ou Marjorie, no filme) Chardin, ou simplesmente Maude, já teve sua cota de perdas e sofrimento. Em vez de lamentar o passado, Maude vive intensamente a cada dia e aprecia a natureza, as pessoas, as mudanças e transformações. Como dizia um sábio persa que ela cita, “isto também passará”; não adianta se apegar a situações, coisas ou momentos: tudo é transitório.

Com essa filosofia e alegria de viver, Maude mostra ao entediado Harold que a vida é um bem precioso, que cada pessoa é única e tem suas qualidades e defeitos, que as distinguem das demais. E mesmo assim, temos que crescer juntos. Construir pontes, e não muros.

“Então decidi”, ele afirmou solenemente, “que gostava de estar morto”.

Maude ficou quieta por um instante. Então falou calmamente.

“Sim, compreendo. Muitas pessoas gostam de estar mortas. Mas elas não estão mortas na verdade. Estão apenas fugindo da vida. Eles são jogadores, mas pensam que a vida é um treino e ficam se poupando para mais tarde. Então sentam no banco e o único campeonato que verão passa diante de seus olhos. O tempo está acabando, e eles podem entrar a qualquer momento”.

Maude pulou, gritando palavras de incentivo. “Vamos, rapazes! Vamos lá, arrisquem-se! Até se machuquem, quem sabe? Mas joguem o melhor que puderem”. Como se liderasse uma torcida no estádio lotado, ela gritou, “Vai time! Me dê um V. Me dê um I. Me dê um D. Me dê um A. V-I-D-A. VIDA!”

Ela sentou-se ao lado de Harold, muito elegante e séria. “Senão,” informou, “você não terá nada para comentar no vestiário”.

Maude me lembrou Rose, depois do Titanic. Ambas perderam tudo e tiveram de começar do zero (coincidentemente, na América). E as duas decidiram viver a vida plenamente, viver o máximo de experiências que pudessem, desfrutar o aqui e o agora. Outro ponto em comum é quando Maude joga ao mar o presente que recebeu de Harold, pois “agora eu sempre saberei onde ele está”. Parece familiar?

“Maude”, ele disse, “você está chorando”.

Maude segurou o passaporte. “Estava lembrando o quanto isto significava para mim”, disse lentamente. “Foi depois da guerra; eu não tinha nada - a não ser minha vida. Como eu era diferente naquela época; e ainda assim, como eu era a mesma pessoa.”

Harold estava perplexo. “Mas… você nunca chorou antes. Nunca pensei que você chorasse. Pensei que estivesse sempre alegre”.

“Oh, Harold”. Ela suspirou, puxando o cabelo. “Você é tão jovem. O que eles lhe ensinaram?” Ela enxugou as lágrimas que caíam pelo rosto. “Sim, eu choro. Choro por você. Choro por isto. Choro pela beleza, seja um pôr-do-sol ou uma gaivota. Choro quando um homem tortura seu irmão… quando ele se arrepende e implora pelo perdão… quando esse perdão é recusado… e quando é concedido. Alguém ri. Alguém chora. Duas características exclusivamente humanas. E a principal coisa na vida, meu querido Harold, é não ter medo de ser humano”.

Harold piscou para afastar as lágrimas nos olhos. Ele tinha um nó na garganta; então engoliu em seco. Afastando-se, tomou a mão dela nas suas. Então, tocando gentilmente sua face, enxugou as lágrimas dela.”

Esta comédia de humor negro de 1971 foi dirigida por Hal Ashby (Shampoo, Amargo regresso, Muito além do jardim) e escrita por Colin Higgins, que após o lançamento do filme transformou o roteiro em romance (disponível no Scribd, e uma leitura bem gostosa). Higgins dirigiu Golpe Sujo e Como eliminar seu chefe, e escreveu o roteiro destes dois filmes, além de Ensina-me a viver, A melhor casa suspeita do Texas e a minissérie Minhas Vidas, em parceria com Shirley MacLaine. A trilha sonora do filme tem músicas de Cat Stevens.

Mesmo que em geral a tradução dos títulos de filmes seja lamentável, desta vez acertaram: Ensina-me a viver é um bom título e dá a dimensão do que seja esta história. Comovente e divertida, nos faz pensar no que significa viver, e em como nossos problemas são insignificantes comparados ao grande cenário. Harold percebe isso quando nota a tatuagem no antebraço de Maude; quem tem aqueles números não despreza o privilégio de estar vivo.


Ensina-me a viver também foi levada aos palcos brasileiros por Glória Menezes e Arlindo Lopes, e deve ter sido uma experiência e tanto. Confira se a peça ainda está em cartaz em SP (previsto até 27/03/11 no Teatro das Artes) e não perca!

(tradução de trechos do livro - Cristine Martin)

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Trailer - Harold and Maude

Publicado em Janeiro - 18 - 2011

Nossas Vidas

O que têm em comum dois monges da época medieval, um casal de camponeses apaixonados na Irlanda do século 11, um viúvo triste em Portugal no ano 1500, que acaba de perder a esposa querida de tantos anos, uma mãe solteira que parte em busca de uma nova vida no Oeste americano, uma indiana que morre no parto no início do século 20?

Estas e outras histórias são contadas em Nossas vidas, romance de Sinara Foss que traz o tema da reencarnação e de almas gêmeas que se encontram ao longo de várias épocas.  Os contos curtos, interessantes e aparentemente desconexos, se encontrarão na história final, que se passa nos dias atuais.

“- Prazer em te conhecer, Silvie! - Ele estende a mão que ela olha ainda com medo. Por fim ela decide estender a sua também.

- Prazer em te conhecer também, Mark. - Ela sorri pela primeira vez.

Não tem mais medo dele. Sente-se bem ao seu lado e tem a sensação de que o conhece há muito tempo. Vê que todos os seus temores iniciais são infundados e que pode confiar nele. Seus olhos demonstram que ele é justo e bom e que é incapaz de fazer mal a ela e a menina.”

O casamento de Saionara está em crise, e em meio aos problemas que enfrenta ela sente-se fascinada por um homem que não conhece. Enquanto procura resolver sua vida, ela acaba descobrindo que viveu outras vidas e que o dono daqueles olhos verdes pode ter sido sua alma gêmea, com quem dividiu várias existências.

“Naquele dia, pela primeira vez o rapaz a olha quando passa por elas. Ele a olha bem nos olhos e ela percebe que seus olhos são verdes, muito verdes. Por um momento leva um choque, os olhos dele são os olhos com os quais ela sonha há anos. Quantas vezes acordara

no meio da noite com a certeza de ter olhado naqueles olhos? Quantas vezes acordara pela manha com a certeza de que aqueles olhos pertenciam a alguém muito importante na sua vida? Mas como ela é espírita, sempre pensara que os olhos eram de alguém importante do seu passado. No momento que seus olhares se encontram um frio lhe percorre a espinha e sua boca fica seca. Meu Deus? Por que isso? Quem é esse homem e por que eu me sinto assim? Por que eu sonho com os olhos dele há tanto tempo? Que papel ele tem na minha vida?”

A autora, sempre preocupada com os animais e o meio ambiente, desta vez apresenta uma história intimista e pessoal, com toques de romantismo e esperança. Ainda que a morte separe duas almas que se amam e se entendem, resta a esperança de novos encontros em vidas futuras.

E o que diz a doutrina Espírita sobre a afinidade dos espíritos?

P- A afeição que dois seres mantiveram na Terra prossegue sempre, no mundo dos espíritos?

R- Sim, sem dúvida, se ela se baseia numa verdadeira simpatia; mas se as causas de ordem física tiveram maior influência que a simpatia, ele cessa com as causas. As afeições entre os Espíritos são mais sólidas e mais duráveis que na Terra, porque não estão subordinadas ao capricho dos interesses materiais e ao amor-próprio.”

(Livro dos Espíritos, pág. 172, 39ª edição - 1979)

No mundo espiritual, os semelhantes se atraem; pessoas com afinidades e com a mesma vibração costumam prosseguir juntas seu caminho através de várias vidas. Da mesma forma, pessoas com vibrações negativas atraem outros espíritos sofredores, o que só agrava sua situação.

Neste livro conhecemos duas pessoas que se encontraram diversas vezes, e que mesmo sem se reconhecerem sentiram-se atraídas e viveram juntas em diversas vidas. Esse tema também foi abordado por Shirley MacLaine em diversos romances,  em que ela conta como reconheceu pessoas em sua vida atual que haviam convivido com ela antes, e dos problemas, alegrias e dores que haviam partilhado em outras existências.

Não por acaso deixamos de recordar as nossas vidas anteriores; devemos prosseguir sem lembranças do bem ou mal que recebemos e fizemos, para que isso não influencie nossas decisões em uma nova etapa da existência. Esse reconhecimento só é permitido se for benéfico para a compreensão de um problema ou se ajudar a superar um trauma ou fixação.

Neste romance, Sinara explora essa possibilidade de forma clara e interessante; as histórias iniciais são pequenos contos independentes, e o conto final explica e reúne todos os anteriores.  Uma história interessante e gostosa de ler, e que fala de amor e esperança.

O livro está em catálogo e pode ser comprado diretamente no site da autora, por e-mail ou pela livraria Cultura. Sinara Foss também é a autora de Divagações de Sissi, Memórias de um cachorro velho, Mulheres e Sissi no Futuro, que será lançado em abril de 2011.

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Ficha:

Nossas Vidas - encontro de duas almas gêmeas ao longo da história (2008)

Sinara Foss

1ª edição - Editora Biblioteca 24×7

Mais Sinara Foss no Rato:

Publicado em Dezembro - 13 - 2010

Memórias de um cachorro velho

Este foi o primeiro romance de Sinara Foss, escritora gaúcha preocupada com os direitos e a proteção dos animais. O livro é narrado pelo cachorro Xôlo, que conta sua história desde o nascimento em uma fazenda, as muitas dificuldades por que passou até a velhice tranquila depois de adotado por uma família que amava os animais.

O livro é bem escrito e interessante, apesar de algumas lágrimas serem inevitáveis. Através da narrativa do cão somos apresentados à maldade humana, que prefere sacrificar um cão ferido a procurar socorro, que abandona um animal à própria sorte apenas por ter sarna, que joga filhotes como se fosse uma bola. Enfim, coisas que infelizmente vemos por aí e que nos deixam perplexos com a capacidade do homem em fazer mal ao seu semelhante, seja humano ou animal, e com a insensibilidade diante do sofrimento alheio.

Mas esta não é apenas uma história triste. Depois de muito sofrimento, Xôlo encontra uma família que o acolhe, trata dele e o recebe como mais um filho canino. A história é verdadeira, e este cão por fim teve a sorte que muitos não tiveram.

“Decidi contar a minha vida não porque achei que daria um livro interessante. Existe uma razão muito maior do que essa por trás disso. Uma razão muito digna. Eu quero que vocês que leram a minha vida se conscientizem que um animal também tem sentimentos, que um animal também tem direito à vida, que um animal consegue ou não ser feliz da mesma forma que as pessoas. Eu queria que as pessoas mudassem o modo como tratam os animais…

(…)

Pensem antes de agredir um animal, pensem antes de deixá-lo passar frio, pensem antes de queimar, machucar, bater, escorraçar um animal. Pelo menos uma vez, coloquem-se no lugar dele!”

Sinara tem um estilo próprio de contar histórias; através dela os animais ganham voz, narram suas alegrias e tristezas, em linguagem acessível e objetiva. Em Divagações de Sissi, a cachorrinha conta sua história e a dos outros animais da família, e levanta temas como o vegetarianismo, o direito dos animais, o preconceito e o meio ambiente. Aqui Xôlo coloca o dedo (ou a pata) na ferida da crueldade humana, no abandono e desprezo sofrido pelos animais, e mostra como é possível salvar uma vida e ganhar um amigo.

“Aprendi a amar as meninas e a mãe delas. Elas me curaram. Me deram novamente a vida, me deram carinho… e eu então nem precise de convite e passei a viver ali.

Não era preciso falar nada; eu pertencia àquela casa.

As pessoas que me conheceram quando eu estava doente não conseguiam acreditar em seus próprios olhos ao me verem depois. Paravam na rua e sem parar de me olhar perguntavam para as minhas donas:

-Escuta… esse não é aquele cachorro seco e sarnento que andava aí pelas ruas, é?

- É, é aquele mesmo. Nada como carinho, atenção e cuidados para recuperar um doente…

-Bah! E eu pensava que ele nem tinha mais cura! É difícil de acreditar que seja aquele coitado daquele cachorro mendigo!

Isso acontecia sempre, sempre. As pessoas não acreditavam na minha recuperação. Eu mesmo custava a acreditar. A felicidade havia me remoçado, a felicidade havia me dado novamente forças e vontade pra viver.”

Lançado em 1996, o livro teve sua primeira edição esgotada e em breve será lançada a segunda edição. Além de “Memórias”, a autora escreveu “Mulheres” (2008), livro de contos cujos temas são a vida e reflexões de mulheres de diversas idades e situações; “Nossas vidas - encontro de duas almas gêmeas” (2008), que conta a história de um casal através de várias vidas e em diversos períodos da história; e “Divagações de Sissi” (2010), em que a cadelinha narradora conta sua vida e incentiva o respeito e o amor aos animais. Estes três romances estão em catálogo e podem ser comprados pela Livraria Cultura ou pelo site da autora.

Memórias de um cachorro velho é um romance sensível, que despertará nos leitores a compreensão e empatia com as alegrias e os sofrimentos dos animais. Ao lê-lo percebemos a importância da adoção de animais adultos, que por não terem mais a fofura de filhote estão mais sujeitos ao abandono e à solidão. Se adotar é luxo, adotar um animal adulto é duplamente importante, e este livro cumpre seu papel de conscientização e educação. Recomendo.

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Ficha:

Memórias de um cachorro velho (1996)

Sinara Foss

1ª edição - edição do autor (esgotada)

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