Publicado em Outubro - 07 - 2009

Lipstick - batom e coragem contra o câncer de mama

Vi este filme algumas vezes no canal Fox Life, e achei um modo leve e bem-humorado de tratar um tema tão sério.  Feito para a TV americana, “Lipstick” foi indicado ao Emmy Awards 2007 na categoria de Melhor Filme Produzido para a TV.


A história real de Geralyn Lucas (Sarah Chalke), contada por ela em seu livro “Why I wore Lipstick to my Mastectomy” é um bom exemplo de atitude positiva e determinação diante de uma situação terrível. Geralyn é uma jornalista, produtora de TV e escritora, que aos 27 anos descobriu (durante o banho) um caroço no seio. Após consultar vários médicos, ela decide fazer uma mastectomia.

O filme mostra o apoio que ela recebe das pessoas próximas, como o marido Tyler (Jay Harrington), a família e as amigas, e também de fontes inesperadas, como o motorista de táxi que, ao saber da história dela, pára o carro e lhe conta que ele também é um sobrevivente do câncer, e lhe assegura que tudo dará certo. Ela encontra apoio também nos cabeleireiros que a ajudam a escolher uma peruca, e nas ‘colegas’ de quimioterapia, especialmente Moneisha (Patti LaBelle) uma mulher de espírito forte e divertida, que apesar de sua atitude ‘para cima’, infelizmente não sobrevive à doença.

A chefe de Geralyn, Meredith (Julie Khaner) - que ela admira e secretamente chama de ‘Deusa’ - também é um auxílio inesperado que, além de apoio durante as ausências para o tratamento, lhe conta que também é uma sobrevivente do câncer e lhe dá esperança.

Mesmo com tanta ajuda, o filme não esconde as dificuldades dessa jornada; o medo, a preocupação, a ansiedade por não se sentir desejada após a mastectomia, os enjôos da quimioterapia, a preocupação por não poder engravidar no futuro devido ao risco da carga hormonal na gravidez causar o retorno do câncer, tudo isso é mostrado no filme.

Felizmente tudo deu certo para Geralyn; ela faz a mastectomia e vai para a sala de cirurgia usando um batom vermelho que simbolizava sua atitude positiva (uma parte divertida é quando a enfermeira pergunta qual a marca do batom, pois durou todas as horas da cirurgia), e depois de todo o tratamento e da cirurgia de reconstrução da mama, ela decide posar para uma série de fotos em uma revista e contar sua história.

No final do filme ficamos sabendo que mais tarde ela teve uma filha, e que usou batom vermelho durante o parto. Seu segundo filho nasceu em 2006.

Na entrevista com Geralyn Lucas e Sarah Chalke (link no final do artigo), Geralyn define bem o espírito do filme:

Lifetime: O que foi mais desafiador ao ver este filme tornar-se realidade?
Lucas: Foi a ideia de que estava tudo bem, podíamos rir sobre o câncer, e ainda assim ser muito sensíveis sobre como essa era uma experiência horrível e sombria. Existe uma linha muito tênue entre a comédia e a tragédia, e muitas pessoas não conseguem trilhá-la. Certamente é uma corda bamba, e Sarah dançou nela!”

na foto: Sarah Chalke, Geralyn Lucas (de óculos) e sua filha

Antigamente o câncer era um tabu, e poucas pessoas famosas admitiam publicamente que estavam ou estiveram lutando contra a doença. Nos últimos anos, os depoimentos de várias celebridades e outras pessoas em destaque ajudaram a divulgar informações importantes sobre a doença e sua prevenção. Câncer tem cura, especialmente quando o diagnóstico é feito na fase inicial da doença. E filmes como este ajudam a transmitir essa mensagem. A luta não é fácil, mas há uma esperança.


O câncer de mama é a causa mais frequente de morte por câncer na mulher, e pode ser detectado pelo auto-exame das mamas, mamografia e ultrassonografia. Recomenda-se o auto-exame todos os meses (por exemplo, logo após a menstruação, para não esquecer) e a mamografia anual para mulheres com mais de 40 anos.

O estrógeno protege a mulher, e por isso a incidência de casos é maior após a menopausa. Contudo, a exposição excessiva a hormônios aumenta os riscos de câncer de mama. Converse com seu ginecologista sobre o uso de anticoncepcionais hormonais e se eles são a melhor opção para você, e qual a fórmula mais adequada (existem muitas variações). Não tome pílulas anticoncepcionais sem orientação médica.

Entre os fatores de risco estão:

  • idade acima de 50 anos (mas casos precoces como o de Geralyn também podem acontecer; é bom estar atenta)
  • história própria ou familiar de câncer de mama, especialmente em parentes de primeiro grau – mães, irmãs ou filhas (ou histórico de outros tipos de câncer na família)
  • não ter filhos
  • exposição significativa a raios X
  • ter tido a primeira menstruação muito cedo (com 11 anos ou menos)
  • menopausa tardia
  • classe socieoeconômica alta
  • primeira gestação após os 30 anos
  • dieta rica em gorduras
  • uso prolongado de anticoncepcional oral (ainda é discutível, mas o problema está nas pílulas que contém apenas progesterona - são as pílulas de uso contínuo, que evitam a menstruação – o uso desta pílula por vários anos pode aumentar os riscos de câncer de mama)
E para prevenir, o que devemos fazer?
  • toda mulher após os 20 anos deve fazer o auto-exame mensalmente; o exame clínico deve ser iniciado aos 20 anos e repetido a cada três anos até os 40; a partir disso, anualmente.
  • a primeira mamografia deve ser feita aos 35 anos, repetida aos 40 e então, de dois em dois anos até os 50, quando deve ser feita anualmente.
  • deve-se evitar o ganho excessivo de peso, especialmente após a menopausa
  • evitar o consumo excessivo de álcool; ingerir bebida alcoólica em excesso está associado a um discreto aumento da possibilidade de desenvolver câncer de mama, e o risco está diretamente relacionado à quantidade ingerida. Quanto mais, pior.
  • é bom ter uma dieta rica em alimentos de origem vegetal como frutas, verduras e legumes, e pobre em gordura animal. Uma dieta mais saudável ajuda a diminuir o risco de vários tipos de câncer.
  • fazer exercícios físicos regularmente. O exercício físico normalmente diminui a quantidade de hormônio feminino circulante. Como este tipo de câncer está relacionado aos hormônios, é uma boa ideia manter-se ativa e fazer exercícios sempre.
  • amamentar. A amamentação, especialmente por um longo tempo (um ano ou mais no total de todos os períodos de amamentação) pode diminuir o risco de câncer de mama.

Portanto, não deixe de se cuidar e divulgar essas informações; o câncer é uma doença terrível, mas pode ser evitado e tratado. Nenhuma história precisa ter um final triste; melhor fazer a prevenção e manter uma atitude positiva. E usar um batom vermelho!

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Para saber mais:

Vídeo - entrevista com Geralyn Lucas no Today Show

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