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A mão do hindu / Através do véu

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Apesar de mais conhecido pelas histórias do detetive Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle também escreveu ficção científica, poesias, romances e trabalhos de não ficção. Estes dois contos encaixam-se na categoria de histórias paranormais.

Sir Arthur Conan Doyle

Sir Arthur Conan Doyle

A Mão do Hindu

(The Brown Hand) Publicado em 1899 em The Strand Magazine e mais tarde no volume de contos “Round the Fire Stories”, a história é baseada em uma lenda urbana hindu sobre um homem que teve sua mão amputada e morreu pouco tempo depois, mas continuou vagando pela terra à procura de sua mão perdida.

O conto é narrado pelo Dr Haracre, médico que herdou sua fortuna do tio, Sir Dominick Holden, devido a um episódio curioso ocorrido havia muitos anos.

Sir Holden teve de amputar a mão de um hindu, que a pediu de volta para estar inteiro quando se apresentasse a Alá após sua morte; entretanto, a mão foi perdida em um incêndio e, após sua morte, o fantasma do hindu assombrava o médico e sua esposa todas as noites.

Através de um estratagema, o Dr Haracre consegue tranqüilizar o fantasma e este vai embora, pondo um fim às assombrações noturnas.

“Ao cruzar pela faixa de luz, pude distingui-lo com precisão. Era um homem atarracado, vestido duma espécie de burel escuro, que lhe caía, liso, dos ombros aos pés. Tinha a cor do chocolate e, na cabeça, uma massa de cabelos negros enrodilhada atrás, como certas mulheres usam. Caminhava lentamente, com os olhos fixos na direção dos frascos cheios dos horríveis resíduos humanos. O vulto ergueu as mãos. Não foi bem isso. Ergueu os braços, em gesto de desespero, e percebi que tinha só uma das mãos. O braço direito terminava em um coto.”

Através do Véu

(Through the veil) Neste conto, um jovem casal visita as ruínas de um forte romano na Escócia, onde vivem, e ambos são tomados por recordações dos trágicos acontecimentos durante a destruição do forte e fuga dos romanos, dos quais tomaram parte. A revelação do passado transformou a vida em comum, erguendo uma barreira impossível de ser apagada.

“Nunca falam daquele incidente isolado e estranho em sua vida de casados. Por um instante, a cortina do passado tinha sido afastada, e algum estranho lampejo de uma vida esquecida tinha sido mostrado a eles. Mas o véu caiu, para nunca mais se levantar.”

A Mão do Hindu foi uma das duas histórias selecionadas para o mês de agosto no Desafio Literário 2010, cujo tema foi “Romance Policial”. Escolhi Conan Doyle e foi uma surpresa encontrar contos sobrenaturais, pois o imaginava apenas autor de histórias sobre Sherlock Holmes e, talvez, obras ligadas à medicina.

Os contos são curtos e gostosos de ler, e apesar de não ser exatamente uma história policial, foi uma boa leitura. Já havia lido “Um Estudo em Vermelho” e “O Cão dos Baskervilles” do mesmo autor, e gostei muito. Recomendo todos eles.


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A Lista de Schindler

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“Aquele que salva uma só vida salva o mundo inteiro.” (provérbio Talmúdico)

Oskar Schindler foi um empresário alemão sudeto durante os anos da II Guerra Mundial; aproveitando as oportunidades comerciais dos tempos de guerra, ele entrou para o Partido Nazista, fez amizade com diversos oficiais e conseguiu comprar uma fábrica falida de esmaltados. Mais tarde ele usaria sua posição e influência para salvar a vida de mais de 1200 judeus. Sua história é contada no livro “A Lista de Schindler” (originalmente Schindler´s Ark) do escritor australiano Thomas Keneally, e mais tarde levada às telas por Steven Spielberg.

Oskar e sua esposa Emilie em 1946

A fábrica de esmaltados de Oskar ficava em Cracóvia, na Polônia, e a princípio seus funcionários moravam no recém-criado Gueto de Cracóvia. Após o desmantelamento do gueto em uma ação violenta dos nazistas, os judeus sobreviventes foram levados para o campo de prisioneiros de Plaszóvia, comandado pelo nazista Amon Goeth. Cruel e sociopata, Goeth costumava atirar em prisioneiros sem motivo. Execuções sumárias e espancamentos eram comuns.

Bon vivant, mulherengo e astuto, a princípio Oskar usou seu carisma e habilidades sociais para construir sua carreira de empresário de sucesso. Empregar trabalhadores judeus era um bom negócio nos primeiros anos da guerra, e ele o fez. Mesmo assim, ele repudiava a ideologia e os métodos usados pelos nazistas. Mais tarde, quando percebeu o rumo que as coisas estavam tomando e conheceu as condições em que os judeus tentavam sobreviver, ele empenhou-se cada vez mais para salvá-los. Ao presenciar a Aktion dos nazistas no gueto,  Schindler tomou sua decisão.

“A infâmia de homens nascidos de mulheres e que tinham de escrever cartas para suas famílias (o que diziam nessas cartas?) não era o pior aspecto do que Schindler presenciara. Sabia que eles não tinham vergonha alguma do que estavam fazendo, pois o guarda na retaguarda da coluna não vira necessidade de impedir a garotinha de vermelho de assistir a toda a cena. Mas o pior era que, se não havia a menor vergonha, isso significava sanção oficial. Ninguém mais podia encontrar segurança na idéia de cultura alemã, nem nos pronunciamentos de líderes, que condenavam homens anônimos por terem ultrapassado seus limites, ou por olharem pelas janelas de seus escritórios para a realidade na rua. Oskar tinha visto na Rua Krakusa uma prova da política de seu governo, que não podia ser justificada como uma aberração temporária. Acreditava que os SS estavam cumprindo as ordens de seu líder pois, do contrário, o colega na retaguarda da coluna não teria deixado uma criança assistir à cena.

Mais tarde, nesse dia, depois de ter ingerido uma dose de conhaque, Oskar compreendeu o teorema em seus termos mais claros. Eles permitiam testemunhas, testemunhas tais como a garotinha de verme lho, porque julgavam que as testemunhas iam todas também perecer. (…)

Bem mais tarde, em termos nada característicos do jovial Herr Schindler, o conviva predileto das festas de Cracóvia, o perdulário de Zablocie, isto é, em termos que revelavam - por trás da fachada de playboy - um juiz implacável, Oskar tomou naquele dia uma decisão da qual não mais se afastaria. “A partir daquele dia”, diria ele mais tarde, “ninguém, com capacidade de raciocinar, poderia deixar de ver o que iria acontecer. E agora eu estava resolvido a fazer tudo em meu poder para derrotar o sistema.”"

A vida dos trabalhadores da fábrica de esmaltados ‘Emalia’ era segura, ao menos por enquanto. Uma sopa substanciosa todos os dias e a esperança de sobrevida eram melhores que nada; quando Schindler conseguiu construir seu “sub-campo” junto à fábrica e levou seus funcionários para lá, as coisas ficaram um pouco melhores, sem a presença de Amon Goeth.

“O clima era de frágil estabilidade. Não havia cães. Nem espancamentos.

A sopa e o pão eram melhores e com mais fartura do que em Plaszóvia - cerca de 2.000 calorias por dia, de acordo com um médico que  trabalhava como operário na Emalia. Os turnos eram prolongados, freqüentemente de doze horas, pois Oskar continuava sendo um homem de negócios com contratos de fornecimento de material bélico e o desejo convencional de lucro. Contudo, é preciso dizer que o trabalho não era árduo e que muitos dos seus prisioneiros pareciam ter acreditado na ocasião que aquela atividade era uma contribuição em termos comensuráveis para a sua sobrevivência. “

Em 1944, com a decisão de fechar o campo de Plaszóvia e por consequência, o sub-campo da Emalia, devido ao avanço das tropas russas, o destino dos prisioneiros seria o campo de extermínio de Auschwitz. Oskar usa de toda a sua influência, contatos e suborno para conseguir transferir sua fábrica para Brnenec, na Tchecoslováquia. Para isso, ele precisaria levar seus trabalhadores ‘altamente especializados’ e apenas as pessoas cujos nomes estivessem na lista poderiam seguir para a nova fábrica. Estar na lista significava a vida, e o contrário era a morte certa nos campos.

Esbanjador, Oskar gastava rios de dinheiro em presentes para subornar autoridades, na compra de alimentos para seus funcionários e no que fosse necessário para manter seu esquema de salvamento dos judeus em funcionamento. No final da guerra, ele partiu sem um tostão e por fim, viveu de favores dos amigos e protegidos, os Schindlerjuden que ele havia salvo da morte.

Schindler não fez nada de notável antes nem depois da guerra; mas seus atos durante esses anos terríveis fizeram a diferença para mais de um milhar de vidas. Seus Schindlerjuden o ajudaram e homenagearam durante o restante de sua vida e, ao falecer em 1974, ele foi enterrado em Jerusalém, conforme seu desejo.

Thomas Keneally foi convencido a escrever essa história por Poldek Pffefenberg, um dos sobreviventes da lista, em cuja loja de malas Keneally parou para fazer compras. Após uma longa conversa ele convenceu o escritor, que passou os dois anos seguintes pesquisando e entrevistando sobreviventes,  a contar a história de Schindler.

Apesar de ser uma narrativa de romance, o livro é um ‘romance de não-ficção’; a história é contada com base em diversos depoimentos dos sobreviventes, e nada do que não pôde ser comprovado entrou para o livro. Todos os nomes e acontecimentos são verdadeiros, e Oskar é retratado como era, com todos os defeitos e peculiaridades. A narrativa flui muito bem, e mesmo com tantos detalhes não é um livro cansativo, especialmente do meio para o fim, quando acompanhamos com ansiedade o destino daquelas pessoas e nos revoltamos com as atrocidades cometidas em tempos de guerra.

Felizmente para os 1200 judeus de Schindler, para eles a história teve um bom final. Como eles diziam, “uma hora de vida é ainda vida”. Mas isso não evita a indignação por tudo o que aconteceu, e que esperamos nunca venha a acontecer novamente. Este é um relato honesto e humano de um dos poucos episódios bonitos em meio a tanta crueldade e desprezo pela vida.

O Filme

O livro foi lançado em 1982, e apesar de ter os direitos de filmagem e assumir a produção, Spielberg realizou este filme apenas em 1993, pois não se achava preparado para contar uma história tão importante sendo tão jovem na época. Ele queria entregar a direção a outra pessoa, mas acabou sendo convencido a dirigir o filme, pelo qual não aceitou pagamento algum.

O filme, em preto-e-branco, teve uma produção caprichada e atuações impressionantes tanto de estrelas como Liam Neeson (Schindler), Ben Kingsley (Itzhak Stern) e Ralph Fiennes (Amon Goeth), quanto de atores pouco conhecidos que interpretam com talento e dignidade os sobreviventes da lista.

Com este filme Spielberg finalmente foi reconhecido pela Academia e recebeu seu primeiro Oscar de direção. O filme também recebeu o prêmio de Melhor Filme, em um total de 7 Oscars.

Com a bela música de John Williams, o filme termina com os verdadeiros sobreviventes da lista levando pedras ao túmulo de Schindler. Emocionante. Uma verdadeira obra-prima do cinema, que nos desperta emoções diversas e nos faz pensar sobre a vida e a morte, e como a diferença entre elas pode ser pequena.

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Esta resenha faz parte do Desafio Literário 2010, cujo tema do mês de julho foi “Adaptação para o cinema”. Este mês só atrasei um pouquinho, e a leitura valeu a pena. Recomendo o livro e o filme, que apesar de contarem uma história intensa e triste, também nos lembram que não há bem ou mal isolados, e  como uma pessoa pode fazer a diferença.

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Trailer - Schindler´s List

Seminário dos Ratos

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capa da primeira edição

Seminário dos Ratos é um livro de contos de Lygia Fagundes Telles, publicado pela primeira vez em 1977. Nos 14 contos, ela fala de temas como a morte e os dramas íntimos dos personagens, como o remorso, a repressão, amores não correspondidos e o medo da morte.

Os contos são bem diferentes entre si, apesar dos temas em comum. Os protagonistas podem ser um homem que analisa sua vida e percebe os erros cometidos e as consequências de suas decisões (A Sauna), uma mulher de meia idade que, ao redigir mentalmente uma carta, expõe menos sua indignação e mais suas frustrações e desejos reprimidos (Senhor Diretor), uma mulher que, em um devaneio ou projeção mental, encontra seus familiares em uma reunião de catarse e perdão pelos erros do passado (Noturno Amarelo) ou uma moça suburbana que persegue sua obsessão pelo homem “ideal”, mesmo após décadas após ter casado e constituído família com outro (Pomba Enamorada).

“Pior do que a ausência do amor, a memória do amor.”

(Lua crescente em Amsterdã)

Alguns contos têm elementos sobrenaturais, seja no desfecho das histórias, seja no estilo de narração. Por vezes não sabemos se aquilo é um sonho ou realidade, se é um sintoma de perturbação mental ou algo de outro mundo. Essa ambiguidade torna os contos interessantes e a prosa ágil de Lygia nos envolve no drama das personagens criadas por ela.

Os contos que mais gostei foram A mão no ombro e a divertida Pomba Enamorada; alguns contos foram mais difíceis de compreender, mas no geral é uma boa opção de leitura. Eu já conhecia vários contos de Lygia, mas este foi o primeiro livro de contos dela que li por inteiro. Também havia lido trechos de vários romances no volume dedicado a ela da coleção “Literatura Comentada”, vendida em bancas na década de 80 e que comprei para ajudar na preparação para o vestibular, mas que me mostrou diversos autores novos e muitos futuros livros preferidos.

Na minha opinião, no volume de LC sobre Lygia destacaram-se os contos “A confissão de Leontina” (publicado em “O cacto vermelho”, de 1949) e “Apenas um saxofone” (do livro Antes do baile verde, de 1969), trechos do romance “As Meninas” (de 1973) e a interpretação da autora do conto de Machado de Assis, “Missa do Galo”.

Lygia Fagundes Telles (19/04/1923) é advogada e escritora, eleita para a Academia Paulista e a Academia Brasileira de Letras; seus livros  foram traduzidos para diversos idiomas e receberam diversos prêmios. Lygia, junto com seu companheiro Paulo Emilio Salles, adaptou para o cinema a obra de Machado de Assis, Dom Casmurro, no filme Capitu. Após a morte de Paulo Emilio ela assumiu a direção da Cinemateca Brasileira, fundada por ele. Ativa até hoje, Lygia participa de eventos literários e em maio deste ano, participou do programa Letra Livre, da TV Cultura de SP.

Nas palavras de Lygia:

“A função do escritor? Escrever por aqueles que muitas vezes esperam ouvir de nossa boca a palavra que gostariam de dizer. Comunicar-se com o próximo e, se possível, mesmo por caminhos ambíguos, ajudá-lo no seu sofrimento. Na sua fé. Isso requer amor - o amor e a piedade que o escritor deve ter no coração.”

Esta foi a resenha de junho para o Desafio Literário 2010, cujo tema era “livro de escritora brasileira”. Devido ao excesso de trabalho naquele mês, não tive tempo de terminar o livro e publicar a resenha, então, mesmo com atraso, aqui está ela. Agora vou começar um dos livros escolhidos para julho, e espero não atrasar mais!

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O Diabo veste Prada

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Andrea Sachs acabou de sair da faculdade e conseguiu o emprego “pelo qual um milhão de garotas dariam a vida”: assistente da poderosa Miranda Priestly, editora da revista de moda Runway. Andy percebeu rapidamente que seu trabalho não seria fácil; mas ela levou um pouco mais de tempo para perceber o que era importante em sua vida…

Apesar de sonhar em trabalhar como jornalista no The New Yorker, Andrea aceita o emprego porque lhe fora dito que, após um ano como assistente de Miranda, se tudo corresse bem ela estaria apta a uma promoção, podendo até escolher em qual departamento trabalhar. Portanto, seria apenas um ano até conseguir o verdadeiro emprego dos seus sonhos.

Andrea logo percebe que seu trabalho incluía levar o cãozinho das filhas de Miranda ao veterinário, mandar suas roupas sujas para a lavanderia, providenciar para que as saias de Miranda fossem despachadas em seu jato particular para a propriedade de Oscar de la Renta no Caribe,  fazer o impossível para descobrir uma cômoda que Miranda havia visto em um antiquário (qual? em que rua? nem pensar em perguntar a ela), embrulhar os presentes de Natal que seriam enviados em nome de Miranda, providenciar um almoço de 95 dólares que seria jogado no lixo porque Miranda já havia almoçado e esquecera de avisar. E, principalmente, estar à disposição dela 24 horas por dia, 7 dias da semana.

“Para a maioria das pessoas, a campainha do telefone era um sinal bem-vindo. Alguém estaria querendo falar com você, dizer um alô, saber como está, ou fazer planos. Para mim, desencadeava medo, ansiedade intensa, e pânico de fazer parar o coração. (…)

do ponto de vista de Miranda, simplesmente não havia razão, qualquer que fosse, para o celular ser desligado. Nunca deixaria de ser atendido. As poucas razões para tal situação que eu coloquei para Emily, quando recebi o celular - um suprimento padrão Runway - com a instrução de atender sempre, foram rapidamente eliminadas.

-  E se estiver dormindo? - perguntei, de maneira idiota.

-  Acorde e atenda - ela respondeu, lixando uma unha lascada.

-  E em um jantar sofisticado?

-  Seja como qualquer nova-iorquino e atenda à mesa do jantar.

-  Fazendo um exame ginecológico?

-  Não estarão examinando seus ouvidos, estarão? Está bem, entendi.

Eu detestava esse maldito celular, mas não podia ignorá-lo. Ele me mantinha atada a Miranda como um cordão umbilical, recusando-se a me deixar crescer, ou me soltar ou me afastar da minha fonte de sufocação. Ela ligava constantemente: e como um experimento pavloviano doentio que escapou do previsto, o meu corpo tinha começado a responder visceralmente à sua campainha. Triimm-triimmm. Aumenta o ritmo cardíaco. Trimmmm. Dedos se apertam e ombros se retesam automaticamente. Tríiiimmmmmm. Oh, por que ela não me deixa em paz, por favor, oh, por favor, esqueça que estou viva - o suor irrompe em minha fronte. “

Apesar de não ser preocupada com moda, depois de três meses tentando criar uma aparência aceitável (do ponto de vista deles) para o trabalho com suas próprias roupas, Andy desiste e começa a aceitar roupas e acessórios que o diretor de moda “emprestava” para as garotas. Quando começa a se vestir com roupas de grife, Andrea não recebe mais (tantos) olhares de reprovação de Miranda. Ela até começa a gostar de seu novo visual.

Uma coisa que acabou sendo irritante no livro é que a cada parágrafo havia pelo menos uma dúzia de nomes de grifes famosas, e os preços das coisas e principalmente o desperdício me davam nos nervos. Além do almoço de 95 dólares (!) mencionado acima, que foi para o lixo com taças de cristal e guardanapos de linho acompanhando, havia os cafés da manhã que eram comprados e jogados fora para serem comprados novamente, até que Miranda chegasse e o encontrasse em sua mesa, na temperatura certa.

Também havia as echarpes brancas Hermès, de duzentos dólares cada, as quais Miranda sempre usava uma, seja qual fosse a roupa que estivesse usando, e que esquecia por toda parte. Quando Hermès parou de fabricar aquele modelo, a revista comprou todo o estoque disponível (cerca de quinhentas), para que Miranda nunca ficasse sem sua echarpe branca. Depois de alguns anos de desperdício, ainda havia umas duzentas echarpes, e ninguém gostaria de estar por perto quando Miranda soubesse que elas haviam acabado.

As exigências de 14 a 16 horas por dia de trabalho desumano acabam afetando a saúde de Andrea e seu relacionamento com o namorado Alex e a amiga Lily; Andrea emagrece, não tem tempo para Alex, deixa de dar atenção a Lily, cujo comportamento vai se tornando auto-destrutivo, até que uma crise faz que ela perceba quais são suas verdadeiras prioridades. Andrea abandona Miranda em Paris (não sem antes dizer-lhe um sonoro palavrão) e volta para casa, para ficar com a amiga Lily no hospital. Depois de um tempo ela vende as roupas caríssimas que ganhou da revista ( o que dá um belo pé-de-meia de 38 mil dólares) e começa a trabalhar como jornalista freelancer, vendendo algumas histórias para a revista Seventeen.

Em seu primeiro romance, O Diabo veste Prada (2003), Lauren Weisberger conta de forma ficcionalizada sua experiência como assistente de Anna Wintour, editora da Vogue. O livro recebeu críticas mordazes após o lançamento; Kate Betts, editora de Harper’s Bazaar que também trabalhou com Wintour, aponta a ingratidão de Weisberger, que não reconhece a oportunidade inestimável de trabalhar com uma grande editora de moda.

“Ela esteve dentro de uma das grandes franquias editoriais em um negócio que exerce enorme influência sobre as mulheres, mas parece não ter compreendido quase nada sobre o isolamento e pressão do cargo de sua chefe, ou qual o preço de uma pessoa como Miranda Priestly se tornar um personagem como Miranda Priestly. Certamente há muitas forças sociais em ação no mundo da moda, como em todas as sub culturas, e as Mirandas do mundo, mesmo que pareçam vítimas de sua própria psiciologia, também são um reflexo de nós mesmos - nossas ideias sobre estilo, nossa fome de glamour, nossa necessidade ancestral de um antagonista consumado em um terninho vermelho elegante.” Fonte: resenha no New York Times

Filme

O romance foi adaptado para o cinema em 2006, com Meryl Streep encarnando a terrível Miranda Priestly e Anne Hathaway como Andrea Sachs. O elenco também tem Emily Blunt como Emily, a assistente sênior de Miranda, e Stanley Tucci como o diretor de moda Nigel. Tucci mais tarde trabalhou com Streep como o marido de Julia Child em Julie e Julia.

O roteiro mudou alguns detalhes do filme, como a cena em que Andrea desiste do emprego, o nome e profissão do namorado Nate (Alex no livro), o desfecho do quase relacionamento entre Andrea e o escritor Christian Thompson (Collinsworth no livro) e a personagem da amiga Lily, bem diferente no livro e no filme. O que também mudou foi o motivo por que Andrea teve de ir a Paris, acompanhando Miranda. Mas todas essas mudanças não prejudicaram a história, e deram mais agilidade ao roteiro.

Mas a maior diferença, embora sutil, é que a Miranda do filme chega a ser quase humana; ela se cansa, sofre com o divórcio, até desabafa com Andrea. No livro, ela é uma rainha de gelo, uma deusa cruel e inatingível, e a autora não deseja despertar a mínima simpatia pelo personagem. Quando ela é interpretada por Meryl Streep, tudo é possível, até transformar Miranda em um ser humano. Na verdade, é exatamente a interpretação de Streep que transforma esta adaptação em um ótimo filme.

A transformação visual de Andrea também é bem marcante no filme; de patinho feio em roupas caipiras, meias grossas e sapatos baixos e fechados, ela se transforma em um modelo de elegância na última moda, com roupas modernas, saias curtas, saltos altos, e sempre em preto e branco (provavelmente também de grife, mas eu não saberia dizer a diferença).

No filme, Andrea chega a compreender e admirar Miranda: “Miranda é vista como o diabo porque é mulher. Se fosse homem, suas ações seriam vistas como ótimas”. Ponto para o machismo.

Nigel: Me avise quando sua vida pessoal virar fumaça; então você estará pronta para uma promoção.”

Esta foi a resenha de maio para o Desafio Literário 2010. O tema deste mês foi chick-lit, que não é o meu gênero preferido de leitura. Até que dei sorte, pois o livro foi interessante e eu já estava com boa disposição para lê-lo, por ter gostado do filme.  Como na maioria das vezes, há diferenças entre o livro e o filme, e neste caso foi um empate técnico. O livro é mais detalhado (especialmente no calvário de Andrea e nas tarefas absurdas que ela tem de cumprir), mas a interpretação de Meryl Streep vale o ingresso. Ou a locação.

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Aladdin

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Este foi o livro reserva escolhido para o mês de fevereiro no Desafio Literário. Como o livro principal que escolhi (Psicanálise dos contos de fadas) é enorme e meu tempo estava curto este mês, resolvi escrever sobre o livro reserva, mas não abandonei o principal não; assim que terminar de lê-lo faço a resenha aqui no Rato.

Para esta resenha, li o e-book em inglês, disponível para download no Projeto Gutemberg (link no final do artigo).

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Aladdin é um conto tradicional de origem medieval, que faz parte das histórias d’As Mil e uma Noites (ou Arabian Nights, em inglês). O conto foi incluído na coletânea original durante o século 16 pelo tradutor francês, Antoine Galland, que o ouviu de um contador de histórias.

Uma amiga minha, que é egípcia, me contou que tem um dos raros exemplares em árabe de Arabian Nights, pois esses livros foram destruídos pelo Ministério da Cultura do Egito, porque traziam ‘insinuações sexuais’. Ela lembrou também que há muito tempo, quando Bagdá era um centro cultural da região, livros foram atirados ao rio no Iraque por um exército, para que seus cavalos pudessem atravessar. Com isso, muitos exemplares das Mil e uma Noites foram perdidos. Absurdo, não?

A história é bem diferente da que conhecemos pela versão da Disney. Além de violenta e machista, é bem rica em detalhes e reviravoltas.

Aladdin era filho de um falecido alfaiate, que vivia com sua mãe e não pensava em trabalhar. Um dia ele e a mãe recebem a visita de um homem que lhe diz ser seu tio, e pede a Aladdin que o acompanhe. Fora da cidade o homem atira um pó ao fogo e da terra surge uma caverna fechada por uma porta de pedra. O ‘tio’ lhe dá um anel para dar sorte e diz a Aladdin para descer e não tocar em nada além de uma velha lâmpada, que deveria trazer para ele. O rapaz obedece e quando retorna com a lâmpada, recusa-se a entregá-la antes de sair da caverna. O mágico enfurecido fecha a caverna e o abandona lá. Por dois dias Aladdin lamenta sua sorte, e quando chora esfrega o anel no rosto. Então surge o gênio do anel, que o tira dali.

Aladdin retorna à sua casa com a lâmpada e algumas frutas, que na verdade eram pedras preciosas. Sua mãe esfrega a lâmpada para limpá-la, e o gênio da lâmpada aparece. Aladdin pede comida ao gênio, e depois disso vive feliz e despreocupado com sua mãe.

Um dia eles ouvem uma ordem do Sultão para que todos ficassem em casa, pois sua filha passaria pelas ruas no caminho para o banho. Aladdin consegue vê-la e se apaixona, e diz à mãe que terá de casar com ela. Sua mãe leva as ‘frutas’ para o Sultão e pede a mão da princesa para seu filho. O Sultão, cheio de cobiça, concorda em casá-los dali a três meses, mas antes de dois meses a princesa se casa com o filho do Vizir.

Aladdin pede ao gênio da lâmpada que traga a cama com o casal para sua casa, e que leve o noivo para passar a noite lá fora, no frio. A seguir, ele deita-se ao lado da princesa assustada e dorme tranquilamente. De manhã, ele ordena ao gênio que leve o casal de volta. Isso se repete por várias noites, até que o noivo pede o cancelamento do casamento, e Aladdin consegue se casar com a princesa, não sem antes exibir muitos sinais de riqueza ao Sultão, a seu pedido. Tudo, é claro, obra do gênio.

Tudo corre bem, até que o mágico retorna, após ouvir rumores sobre Aladdin e sua boa fortuna. Ele se disfarça em pobre comerciante e bate à porta do palácio de Aladdin pedindo para trocar lâmpadas velhas por novas. A princesa, sem saber do valor daquela lâmpada  velha que estava no salão, a entrega ao mágico. Este prontamente a esfrega e pede ao gênio que leve o palácio para a África. Aladdin, desesperado,  vai até lá com a ajuda do gênio do anel e envenena o mágico com a ajuda da princesa.

O gênio traz o palácio de volta para a China (!) e tudo continua bem, até que o irmão mais novo do mágico africano chega para vingar a morte do irmão e procura Aladdin, disfarçado como uma curandeira famosa que ele havia matado. A princesa e Aladdin acreditam na história, mas são alertados pelo gênio sobre a verdadeira identidade e intenções da ‘curandeira’. Aladdin então mata o mágico e ele e a princesa vivem felizes para sempre.

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Apesar de Aladdin ser um conto do Oriente Médio, para os contadores de histórias medievais, a China seria o extremo Leste do mundo conhecido, enquanto o Marrocos (na África) seria o extremo oeste. A violência contida no conto original também era comum nas histórias da época, e também nas versões originais de vários contos de fadas europeus (por exemplo, João e Maria, Chapeuzinho Vermelho e até A Bela Adormecida).

As histórias das Mil e Uma Noites eram transmitidas oralmente, e não eram destinadas a crianças, mas ao público adulto. Não haviam livros escritos, e os contadores de histórias transmitiam histórias folclóricas tradicionais das culturas árabe, persa, indiana, egípcia e da mesopotâmia. Os manuscritos árabes mais antigos são do século 14, mas acredita-se que as histórias datam do século 9. As versões escritas reuniram todas as histórias em uma estrutura comum: o rei persa Shahryar descobre a infidelidade da esposa e decide casar com uma sucessão de virgens, matando cada uma na manhã seguinte ao casamento. Scheherazade se oferece como esposa do rei e à noite começa a lhe contar uma história, mas não a termina. Curioso, o rei poupa sua vida para ouvir o final.  Isso se repete por 1001 noites.

Adaptações

A história de Aladdin foi adaptada várias vezes para o teatro e também para a TV, na série criada por Shelley Duvall e exibida pela TV Cultura, “Contos de Fadas”.

Nessa versão, dirigida por Tim Burton, os dois gênios foram interpretados por um só ator (James Earl Jones); outros atores famosos interpretam Aladdin (Robert Carradine), a princesa Sabrina (Valerie Bertinelli) e o mágico africano (Leonard Nimoy). O episódio, assim como as versões anteriores para o teatro, basearam-se no conto original , mas desde 1992 a versão mais conhecida é a do desenho animado dos estúdios Disney.

O desenho da Disney

Aladdin é um longa metragem de animação em 2D dos estúdios Disney, e que foi lançado em 1992. Este foi o filme baseado em historias das Mil e Uma Noites mais bem-sucedido financeiramente. Como é tradição na empresa, a história foi modificada para se adaptar ao padrão Disney e omitiu a parte violenta, eliminou personagens e adicionou outros.

Aqui não há o gênio do anel; o gênio da lâmpada (Robin Williams) só pode conceder três desejos, com “algumas limitações”, e deseja a liberdade. O mágico africano e o vizir são um só personagem, Jafar (Jonathan Freeman), e a princesa Jasmine (Linda Larkin) é uma moça voluntariosa e que deseja ser livre e poder escolher com quem quer casar. Pela lei decretada por seu pai, o Sultão, ela só pode se casar com um príncipe, e nenhum deles a agrada, até que ela conhece Aladdin, que se apresenta como príncipe Ali (claro, obra do Gênio).

Aladdin (Scott Weinger, de Três é Demais) é um ladrãozinho de rua com bom coração que deseja casar com a princesa; a mãe de Aladdin não aparece no desenho, e uma bela canção composta por Alan Menken e Howard Ashman foi eliminada quando os roteiristas decidiram remover a personagem da mãe do roteiro. Felizmente a música (e alguns storyboards com som gravado) estão presentes nos extras do DVD; vale a pena ver. Confira o vídeo com a música “Proud of Your Boy”, gravada para o DVD por Clay Aiken, no final do artigo.

O filme ganhou os Oscars de melhor trilha sonora (Alan Menken) e melhor canção original (A Whole New World, de Alan Menken e Tim Rice).

Robin Williams dá um show à parte como a voz do Gênio; ele improvisou tanto durante as gravações que por fim havia mais de 16 horas de material gravado, e nem tudo era adequado para o público infantil. A sequência inicial, do contador de histórias/vendedor de lâmpadas, foi totalmente improvisada. Williams também canta a música de abertura (Arabian Nights), na qual alguns versos foram alterados depois de reclamações de uma organização árabe norte-americana. Os versos “vão cortar sua orelha pra mostrar pra você como é bárbaro o nosso lar” foram alterados para “é uma imensidão, o calor e a exaustão, como é bárbaro o nosso lar”. Os VHS de 1993 e os DVDs trazem a alteração em inglês. Na dublagem brasileira, só o DVD foi alterado.

Gostei de ler a versão original do conto de fadas e poder compará-lo com a animação da Disney. Mesmo diferentes, cada um tem seus méritos e são duas obras distintas, criadas para públicos diferentes. Para quem lê em inglês, vale a pena conferir o texto do Projeto Gutemberg. E o desenho da Disney é uma obra-prima de som e imagem que merece ser revista vezes sem fim. Recomendo ambos.

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Para saber mais:

Vídeo: Proud of Your Boy, cantada por Clay Aiken

Desafio Literário 2010 (By RG) - estou nessa!

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Fiquei sabendo ontem do Desafio Literário 2010 (By RG), organizado pela Vivi do blog Romance Gracinha. Apesar das inscrições já terem se encerrado, ela gentilmente me aceitou na lista de participantes, e já preparei minha lista de livros para ler este ano (obrigada, Vivi!).

A ideia é ler um livro por mês, e quando terminar, fazer a resenha do livro, que deverá ser publicada no próprio blog do participante ou no blog do Desafio Literário até o último dia do mês. Como um dos temas deste blog são livros, vou publicar minhas resenhas aqui mesmo, no Rato de Biblioteca.

Para cada mês devemos escolher um livro principal e um livro reserva, caso mudemos de ideia, ou não encontremos o livro principal escolhido. Na minha lista estão livros que eu pretendia ler, e que já estavam na minha listinha de leituras futuras. Então, provavelmente vou ler também os livros reserva, ainda que demore mais um tempo.

Os temas para cada mês, e os livros que escolhi, são:
Janeiro - romance de banca

  • Sense and Sensibility (Razão e Sensibilidade)- Jane Austen

Fevereiro - conto de fadas revisitado

  • Psicanálise dos contos de fadas - Bruno Bettelheim
  • Aladdin

Março - clássico da literatura universal

  • Moby Dick - Herman Melville
  • O Silmarillion - J. R. R. Tolkien

Abril - escritor(a) latino americano

  • A casa dos espíritos - Isabel Allende

Maio - chick lit

  • O diabo veste Prada - Lauren Weinsberger

Junho - escritora brasileira

  • Água Viva - Clarice Lispector
  • Seminário dos Ratos - Lygia Fagundes Telles

Julho - livro adaptado para o cinema

  • A lista de Schindler - Thomas Keneally
  • High Fidelity (Alta Fidelidade) - Nick Hornby

Agosto - romance policial

  • A mão do hindu - Arthur Conan Doyle
  • O natal de Poirot - Agatha Christie

Setembro - romance histórico

  • As vinhas da ira - John Steinbeck
  • Topázio - Leon Uris

Outubro - lição de vida

  • Tuesdays with Morrie (A última grande lição) - Mitch Albom

Novembro - romance de Portugal

  • Ensaio sobre a cegueira - José Saramago

Dezembro - livro que contenha no título a palavra coração

  • Perto do coração selvagem - Clarice Lispector
  • Coração parahybano - Clotilde Tavares

Que tal? É uma boa ideia, assim lemos bastante e ficamos conhecendo muitos outros livros através das resenhas dos outros participantes.

Para mais informações sobre o Desafio, para saber quem está participando e ler as resenhas dos outros leitores, visite http://desafioliterariobyrg.blogspot.com/ e acompanhe as resenhas e comentários durante o ano. E se você ficar interessado em algum livro resenhado, que bom! Já tem uma boa sugestão de leitura para começar.

Grande abraço, e boas leituras!

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