Publicado em Março - 07 - 2010

Semana do Rato

  • Uma pesquisa feita no Japão em dezembro de 2009 perguntou “Por que um cachorro é melhor que um namorado(a)?” 1077 pessoas responderam (51% de mulheres), e as respostas foram no mínimo interessantes (e divertidas, também) (do site What Japan Thinks, via @Shoujofan):

“Quando você percebe que não precisa de um parceiro(a), pois já tem um cachorro?” (as respostas estão em ordem decrescente de votação)
- quando ele fica feliz em me ver quando eu volto para casa (a resposta mais votada)
- quando ele fica pertinho de mim na hora certa
- quando ele sabe quem é que manda
- quando ele só relaxa se estiver do meu lado
- quando ele está me esperando atrás da porta quando eu volto para casa
- quando ele fica todo animado mesmo que seja só para um passeio
- sempre que eu o chamo, ele vem correndo
- ele não fica nervoso, mesmo que eu esteja de mau humor
- ele chora sempre que eu vou sair
- quando ele está entediado e abaixa a cabeça no chão e olha para mim
- mesmo que eu dê a mesma comida todos os dias, ele come com gosto
- quando ele olha para mim enquanto passeamos
- ele sempre parece que está sorrindo
- mesmo depois de passear, ele sempre está a fim de brincar
- quando ele não fica de mau humor
- quando ele não se aborrece de buscar sempre o mesmo brinquedo
- quando ele me acorda com um sorriso e um beijo apaixonado
- quando ele come os restos no chão
- quando ele fica grogue e enjoado de andar de carro

  • E também no Nerds Somos Nozes: Murilo Andrade critica no artigo “Não Li e Não Gostei” o (mau) hábito do brasileiro, de julgar o valor de uma obra literária por causa do filme feito a partir dela. “O que ninguém tem direito é o de julgar um livro sem nunca tê-lo lido.”

Eu vou na contramão: quando assisto um filme do qual gosto e descubro que foi baseado num livro, vou atrás do livro para ler e comparar. Em 90% dos casos, o livro ganha de lavada.

Mas filmes e livros são dois meios diferentes, cada um com suas peculiaridades e exigências. Acho que uma adaptação deve ser bem feita, ainda que não seja completamente fiel ao livro. Mas se for mudar a história, assuma que é uma história diferente, não diga que é baseada no livro tal.

A exceção à regra, para mim foi o Forrest Gump: gostei mais do filme que do livro, que aliás é bem diferente em forma e essência. O filme é uma obra-prima.

  • Em resposta ao texto do Sr Dioclécio Luz publicado esta semana no Observatório da Imprensa, o blog Champ Vinyl publicou o ótimo artigo de Rob Gordon, “carta aberta ao Sr Dioclécio Luz”, defendendo a turma da Mônica e apontando os erros grosseiros do texto que a atacou. Parabéns, Rob! Aliás, ele recebeu um e-mail da própria Mônica, a filha do Maurício de Sousa, parabenizando-o pelo artigo. Vale a pena ler!
  • E hoje é o dia (ou a noite) da premiação do Oscar. Para ficar por dentro da cerimônia, saber quem são os indicados e conhecer curiosidades sobre a maior festa da indústria cinematográfica, leia os ótimos artigos de Lu Dias no Alma Carioca:

A entrega do Oscar: a maior premiação do mundo

Oscar: como são feitas as escolhas

Oscar: os dez mais

Oscar 2010:todos os indicados ao prêmio (um guia)

Para quem estiver disposto a acompanhar toda a cerimônia, ela começará às 22 horas de hoje (horário de Brasília) e será transmitida pela Globo (depois do Big Brother) e pelo canal pago TNT, além de vários sites da Internet com streaming ao vivo.

Bom domingo!

Publicado em Dezembro - 24 - 2009

Natalício - crônica de Hila Flávia

(texto de autoria da escritora Hila Flávia, publicado no Alma Carioca em 13/12/2009)

Gostei tanto deste texto da Hila Flávia que o escolhi como mensagem de Natal para o blog; desejo a todos os amigos um Natal muito feliz, com muitos bons momentos e que o ano de 2010 nos traga aquilo que precisamos, algumas coisas que queremos e muita energia para continuar nosso caminho e fazer novas realizações.

A Virgem, o Menino Jesus e Santa Ana - Leonardo da Vinci

Natalício

Hila Flávia

Brilhou na árvore um vagalume. Não estava preso nos galhos. Apenasmente se encostou um pouco para iluminar. Depois veio outro; e depois outro; e mais um. Num instante mágico pequenas luzes piscavam, de alto a baixo.
E o menino sorriu.
Um sorriso de puro encantamento.
Afinal, era seu aniversário. Não sabia bem porque era ainda um menino, já que, para usar de franqueza, ele fazia mais de dois milênios. A única diferença que tinha dos bebês era que sabia sorrir. Um sorriso consciente, por algo. Os pequeninos até sorriem, mas o motivo é uma barriguinha cheia ou um ataque de extremo bem-estar.
O menino, não. Sorria e sabia porque sorria. Sabia sorrir.
E eu via aquele menino sorrindo. Não queria ter a presunção tamanha de dizer que ele sorriu para mim. Poderia ter sorrido de mim. Os meninos sempre riem de mim, ou para mim, sei lá.
Mas, pensando bem, vou ser presunçosa e afirmar que o menino sorriu para mim.
Então fiquei pensando: como é difícil viver um dia de aniversário em que o aniversariante adota como tema a singeleza.
É a mesma coisa de um adulto que tem loucura por um dia de sol e detesta se deitar tarde, e os amigos lhe oferecem uma noite inteira da maior barulheira.
Dá vontade de gritar!
Só quem não quer ver e não quer ouvir e não quer perceber é que não vê, não ouve e não percebe que ele quer paz.
E o que lhe oferecem?
Algazarra, loucuras, comilança, bebedeira, obrigações cumpridas de procurar parentes que não se procura o ano inteiro, votos formais, presentes acima das posses e abaixo das expectativas, confusão, correria, mau-humor, brigas, descontentamentos, desilusões, violências de toda ordem, enfim, uma festa de aniversário tendo por base um enorme fingimento, uma incomensurável hipocrisia.
Menino, perdão!
A experiência de vida vai dando à gente noção exata das coisas e a medida certa das ações. E sabemos, com o tempo, que o vazio que sente o ser humano, após uma busca frenética, vem do simples fato de que não foi preenchido o que ele tem de mais sublime, de mais doce, de mais delicado: O AFETO.
Percebemos que cada pessoa do mundo é um mundo inteiro.
E em cada coração cabe todo o universo e toda a solidão. E também todo o amor. E toda a esperança. É sozinho que o ser humano resolve ser ou não feliz. É decisão dele, pessoal, intransferível. Ninguém pode decidir por outro a felicidade e ninguém tem, realmente, o poder de tirá-la de ninguém, se a pessoa não quer perdê-la.
No seu aniversário, menino, compreendo, todo ano, porque você não fica velho: porque a esperança é eterna. É tão nova que renasce a cada dia, não somente a cada ano. Esse simbolismo de ano novo é só um lembrete.é só uma comemoração. O que realmente se comemora é o nascer de cada dia, é a estrela luminosa, é a lua, é o sol, são as águas, os pássaros, as cores e os sons. O que realmente se comemora é o AMOR, é a VIDA.
Quer presente melhor?
Ofereço-lhe, menino, de presente, a minha vida, a minha alegria, meu trabalho, minha lida. Meu imenso amor por você.
E não faço isto por bondade não. Ofereço-lhe o que recebi de graça.
E foi me sentindo assim, tão pequena e tão grande, tão cheia de ternura no coração, que me tornei um vagalume e me encostei também na árvore que sombreava o lugar do menino. Brilhei, pisquei, voei, dei cambalhotas, fui para lá e para cá, fiz estripulias.
E ele sorriu para mim.
Desta vez, vi mesmo.

**************************
Neste natal, que o MENINO DEUS sorria para você também.
E encha seu coração de PAZ.
São os votos da Hila Flávia.

*      *       *

E os meus também!

Feliz Natal!

Cristine

Publicado em Dezembro - 08 - 2009

Por que o encontro de Copenhague pode ser um desastre

(publicado no Alma Carioca em 07/12/2009)

Está começando (de 07 a 18 de dezembro) em Copenhague a COP15, Convenção do Clima organizada pelas Nações Unidas para discutir o aquecimento global e estabelecer regras para combatê-lo. O Protocolo de Kioto, assinado em 1997, estabelecia regras validas até 2012. Contudo, agora serão discutidas novas metas para a redução da emissão de gases de efeito estufa (especialmente o dióxido de carbono, ou CO2) a serem cumpridas a partir de 2013 ou 2014.

Participarão do encontro ministros do meio ambiente e representantes dos 192 países signatários da Convenção Marco sobre Mudança Climática (UNFCCC), além de autoridades da ONU, presidentes, diplomatas e jornalistas.

O objetivo do encontro é obter o comprometimento dos países com  a redução de 25 a 40% das emissões até 2020 - níveis mais ousados que os do Protocolo de Kioto, que previam reduções de 5% apenas dos países desenvolvidos (Índia e Brasil, por exemplo, não eram obrigados). O sucesso das negociações depende da participação e o comprometimento dos Estados Unidos, segundo maior poluidor do mundo.

Os países com maiores emissões de CO2 são, em ordem decrescente: China, EUA, Rússia, Índia, Japão, Alemanha, Canadá, Grã-Bretanha, Coréia do Sul e Irã. O Brasil está em 17º lugar na lista.

Mas quando se trata de aquecimento global, as decisões não podem ser tomadas como se fosse um problema político, ou seja, pequenas mudanças a longo prazo. O adversário desta vez não são outros países, os partidos de oposição, problemas econômicos, inflação, recessão, nada disso. O adversário é a Física.

Há dois anos a equipe de James Hansen na NASA anunciou que existe um ponto crucial no problema do aquecimento global: Qualquer valor de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera maior que 350 partes por milhão não é compatível “com o planeta onde a civilização desenvolveu-se e para o qual a vida está adaptada”. Esse ponto crucial não mudará: após ser atingido as consequências previstas (aumento de temperaturas, derretimento da calota polar, aumento do nível do mar, etc.) começarão a acontecer.

A física não impõe apenas o ponto crucial, mas também um limite de tempo. A cada ano que não fizermos nada a respeito, o problema ficará muito pior e poderá tornar-se insolúvel - com o derretimento das calotas polares os níveis de metano na atmosfera tornarão impossível voltar à zona de segurança. Mesmo que americanos e chineses proibissem todos os automóveis e fábricas de funcionar, seria tarde demais.

O nível atual de CO2 na atmosfera já atingiu 390 partes por milhão, e os níveis de metano têm aumentado nos últimos anos. Isso quer dizer que já chegamos lá. Não podemos mais “evitar” o aquecimento global, mas apenas evitar que atinja uma escala que destrua nossa civilização.

Infelizmente, quando observamos o cenário político, vemos que este problema continua a ser tratado de forma política: os EUA prometem reduzir 17% de suas emissões até 2020, o que é considerado um número alto para o Senado americano. Na semana passada, o senador Jim Webb escreveu ao presidente Obama:

“Gostaria de expressar minha preocupação com os relatos de que a Administração possa acreditar que tem o poder unilateral de comprometer o governo dos Estados Unidos a certas normas que podem ser decididas em Copenhague…  A frase ‘comprometimento político’ foi utilizada. Como o Sr. sabe, de seu tempo no Senado, apenas uma legislação específica decidida pelo Congresso, ou um tratado ratificado pelo Senado, podem na verdade criar um comprometimento como esse em nome de nosso país”.

Os chineses aparentemente estão preparados para oferecer uma redução de 40% nas emissões até 2020. Por outro lado, os indianos quase destituíram seu ministro do meio ambiente após notícias que ele estaria disposto a comprometer os interesses nacionais ao envolver-se em verdadeiras negociações sobre o aquecimento global. E a oposição australiana demitiu seu líder na última semana por afirmar que desejava comprometer-se um Esquema existente de Redução de Emissões.

Essas notícias mostram que os líderes pretendem lidar com o problema de forma política, como sempre - com sacrifícios mínimos, reduzindo a pressão política  e ‘empurrando com a barriga’, para decidir outras medidas no futuro.

O movimento 350.org está divulgando informações sobre o limite de 350 ppm de dióxido de carbono na atmosfera e a importância das decisões que serão tomadas nestas duas semanas na Dinamarca. Noventa e duas nações, pobres e vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, apóiam este movimento radical. Seus líderes estão dispostos a lutar, pois assinar um acordo brando em Copenhague significaria um pacto suicida para seus países.

Em 24/10, 5200 eventos em 181 países marcaram o “maior dia de ação política na história do planeta”, segundo a CNN. No próximo sábado, 12 de dezembro, acontecerá uma vigília em muitos locais pelo mundo todo para chamar a atenção para a importância do que será decidido agora.

O mundo inteiro, incluindo 200 organizações da sociedade civil que representam milhões de indivíduos, bem como muitos governos e praticamente todos os especialistas e cientistas climáticos estão se unindo em torno do que está sendo chamado de um “Acordo pra Valer” - que se traduz em 3 pontos chave: justo, ambicioso e vinculante. São metas concretas para deixar clara nossa demanda, impedindo políticos de disfarçarem resultados medíocres como uma vitória heróica. (fonte: movimento Avaaz)

Mesmo que daqui a duas semanas os jornais noticiem que o encontro de Copenhague foi um sucesso, e que um acordo otimista foi assinado, as leis da física continuarão a operar, as calotas polares continuarão a derreter, a temperatura continuará a aumentar.

É algo que nunca enfrentamos antes -  e não pode ser enfrentado da maneira de sempre. Esse é o problema.

*       *       *

Para saber mais:

Publicado em Setembro - 14 - 2009

Ecossistemas: o que aprendemos com os dinossauros

(artigo publicado no Alma Carioca em 10/09/2009)

Recentemente assisti no YouTube ao último episódio da série Família Dinossauro, que não cheguei a ver na TV. Contrastando com o clima alegre da série, este episódio é triste e traz uma mensagem séria: melhor não mexer com a natureza, pois as consequências podem ser catastróficas…

“Ecossistema é o conjunto dos relacionamentos que a fauna, flora, microorganismos e o ambiente, composto pelos elementos solo, água e atmosfera mantém entre si. Todos os elementos que compõem o ecossistema se relacionam com equilíbrio e harmonia e estão ligados entre si. A alteração de um único elemento causa modificações em todo o sistema podendo ocorrer a perda do equilíbrio existente. Se por exemplo, uma grande área com mata nativa de determinada região for substituída pelo cultivo de um único tipo de vegetal, pode-se comprometer a cadeia alimentar dos animais que se alimentam de plantas, bem como daqueles que se alimentam destes animais”. (Fonte: site Wikiducação)

[Atenção: montes de spoilers; se preferir, assista ao episódio antes - vídeos no final do artigo]

Neste episódio,  os dinossauros aguardam a chegada dos besouros que vêm todos os anos no mês de maio. O bando de besouros não chega, e as papoulas que são seu alimento estão espalhando-se por toda parte. Na casa de Dino aparece um único besouro solitário, que espera encontrar os outros de sua espécie para acasalar-se. Charlene vai até o pântano com ele procurar o bando mas não há pântano; a corporação Isso É Assim construiu uma fábrica de creme de frutas no lugar do pântano, que era o local de acasalamento dos insetos; para manter a alta tecnologia da fábrica, eles mataram todos os besouros e isso causou a extinção da espécie.

Sem os besouros, as papoulas crescem e espalham-se desordenadamente, e a empresa tem a brilhante ideia de contratar Dino como relações públicas. Ele sugere que um poderoso desfolhante químico seja pulverizado para matar as plantas. A brilhante ideia funciona tão  bem, que mata todas as espécies vegetais de Pangea, o único continente do planeta.

Robbie: Pai, você vai pulverizar o continente inteiro com veneno? Não há uma alternativa mais segura?

Dino: Como o quê?

Charlene: Bem, podar as plantas o máximo que pudermos, viver com um pouco de desconforto e esperar que a natureza por fim recupere o equilíbrio.

Dino: Isso é inconveniente e demorado; minha ideia é excitante e de alta tecnologia.

Robbie: É, mas você testou essa coisa para ver se é seguro?”

E as ideias brilhantes continuam; o Sr Richfield imagina que se houver nuvens haverá chuva, que trará de volta as plantas. Então ele ordena que sejam jogadas bombas dentro dos vulcões (!) para causar erupções e portanto, nuvens. Mas as enormes nuvens escuras causam o resfriamento global (uma espécie de inverno nuclear) e uma nova era do gelo, que os cientistas estimam que leve algumas ‘dezenas de milhares de anos’ para se dissipar. Com isso, o destino dos dinossauros está selado.

A cena final mostra a família Silva Sauro tentando em vão se aquecer em casa, enquanto Dino pede desculpas à família e Baby pergunta o que vai acontecer com eles. Na TV, o apresentador faz a previsão meteorológica final:

“E agora, uma previsão de longo prazo: neve contínua, escuridão e frio extremo. Aqui é Howard Handupme. Boa noite (pausa) e adeus.”

[fim dos spoilers]

O equilíbrio de um ecossistema é uma coisa muito delicada; como vimos acima, a extinção de uma espécie pode causar o crescimento desordenado de outras espécies, animais ou vegetais. Da mesma forma, a adição de uma nova espécie não nativa em um ecossistema também pode causar desequilíbrio. Foi o que aconteceu quando coelhos foram levados para a Austrália no início do século 20. Sem predadores naturais eles multiplicaram-se, prejudicando outras espécies nativas pela concorrência alimentar.

Outras formas de desequilíbrio podem ser causadas por fatores naturais, como incêndios, enchentes, maremotos,  ou por fatores induzidos pelo homem, como poluição atmosférica, da água, excesso de pesca, aquecimento global, explosão demográfica, desmatamento, queimadas, etc.

Em alguns casos o desequilíbrio pode ser revertido a médio ou longo prazo, mas em alguns casos essas perturbações são irreversíveis e acabarão afetando ao próprio homem, que depende do meio ambiente para sua sobrevivência, embora às vezes não se dê conta disso.

Outro fator alarmante é a explosão demográfica humana. A população humana aumenta em progressão geométrica, enquanto os recursos necessários à nossa sobrevivência não. Com o aumento da tecnologia, produzimos cada vez mais lixo e consumimos cada vez mais energia; o desperdício de alimentos é chocante, enquanto milhões sofrem com a fome crônica. Poluímos o planeta sem nos preocuparmos com as consequências que isso trará. Como Dino, não nos preocupamos com as plantinhas, afinal de contas “a maioria dos lanches gostosos não têm nenhum ingrediente natural”.

A solução? O desenvolvimento sustentável. Isso quer dizer “o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro”. (Fonte: site da WWF Brasil)

Isso inclui a redução do consumo de recursos e do uso de matérias primas e produtos, o aumento da reutilização e reciclagem. Os que consomem mais (países desenvolvidos e altamente industrializados) devem reduzir mais o consumo que os países em desenvolvimento. A ideia não é evitar o desenvolvimento econômico, mas utilizar os recursos disponíveis com bom senso e moderação.

Podemos mudar nossos hábitos individuais e pressionar os governos para que adotem políticas macroeconômicas que prevejam a sobrevivência das próximas gerações, em vez de apenas sua sobrevivência até as próximas eleições.

Afinal, só temos um planeta e seus recursos são finitos. Como aprendemos com os dinossauros, se não cuidarmos dele direito, pode ser que não tenhamos dezenas de milhares de anos para esperar a solução.

*   *   *

O episódio “Changing Nature” (Mudando a Natureza)  foi o último episódio da quarta temporada e foi ao ar na TV americana em 20/7/94. Depois dele, sete outros episódios que foram filmados mas não exibidos na estréia, foram ao ar nas temporadas de reprises nos EUA.

Essa série divertida foi produzida pela Disney em parceria com a Jim Henson Productions e exibida no Brasil de 1992 a 1995 na Globo, em 2003 no SBT e de 2007 a 2009 na Bandeirantes.

Apesar do final triste, fez muito sentido terminar a série assim; apesar de não sabermos a verdadeira causa da extinção dos dinossauros, o episódio nos alerta para qual pode ser a causa da nossa extinção. Melhor não mexer com a natureza.

*     *     *

Para saber mais:

Vídeo: Mudando a natureza – episódio final da série família Dinossauro

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Publicado em Setembro - 03 - 2009

Energia solar - uma nova alternativa para a produção de energia elétrica

(artigo publicado no Alma Carioca em 01/09/2009)

O uso de fontes alternativas de energia está deixando de ser uma opção e tende a se tornar uma necessidade. Além de poupar o uso de combustíveis fósseis e diminuir a emissão de carbono, estes recursos aproveitam fontes naturais como a energia solar, eólica e geotérmica, ou fontes renováveis como combustíveis vegetais.

O site Grist traz um artigo sobre uma proposta no mínimo curiosa: o autor, David Roberts, propõe a substituição do leito carroçável das rodovias norte-americanas por painéis solares resistentes construídos especialmente para esse fim. Esses painéis conteriam além dos painéis solares para captação da energia solar e sua transformação em energia elétrica, iluminação LED para comunicação em tempo real com os motoristas, unidades de aquecimento (para evitar o congelamento da superfície), linhas de transmissão de energia elétrica em alta voltagem e mesmo estações de recarregamento de veículos elétricos, o que permitiria a substituição de grande parte da frota nacional por veículos elétricos.

ilustração da Solar Roadways

Ele afirma que se todas as rodovias asfaltadas dos EUA fossem substituídas por painéis solares com 15% de eficiência, a rede de energia distribuída resultante forneceria o triplo da eletricidade consumida no país, com emissões zero de carbono e sem a necessidade de infraestrutura energética adicional. Apesar da ideia parecer maluca, o Depto de Transportes dos EUA assinou um contrato de $ 100 mil dólares com a empresa Solar Roadways para a construção de um protótipo.

Os números apresentados pela Solar Roadways estimam que o custo de construção (sem incluir manutenção - conserto de buracos e remoção de gelo e neve) do trecho de uma milha de rodovia asfaltada é de pouco mais de $ 4 milhões de dólares, com duração estimada de sete anos. Eles afirmam que os painéis solares teriam uma duração de 21 anos, quando teriam de ser substituídos. O custo de instalação dos painéis seria equivalente ao do asfalto, com a vantagem da obtenção de energia elétrica e a consequente economia por evitar a construção de usinas elétricas (termoelétricas, nucleares). O mesmo trecho de uma milha de rodovia poderia produzir pelo menos 13.376 kWh de eletricidade.

Antes de começar a comemorar, vejamos os outros aspectos da questão. Os comentaristas do artigo levantam outras questões e sugestões:

  • o asfalto é naturalmente quente, e isso poderia ser usado para converter facilmente em energia elétrica. A sugestão apresentada é o uso de um sistema fechado de tubos plásticos sob o asfalto, cuja água aquecida seria usada em um sistema de turbinas para gerar eletricidade.
  • as rodovias estão sujeitas a detritos (borracha, sujeira, poeira, pólen, óleo, poças de água) e a sobrecargas pelo tráfego de veículos pesados, o que tornaria os custos de manutenção das rodovias solares absurdamente altos.
  • veículos movidos a células de hidrogênio não poluem, não necessitam de “infraestrutura” e podem trafegar fora das principais rodovias. A tecnologia já é bem conhecida e testada, mas ainda não há interesse ($$) que ela seja mais utilizada.
  • somente as regiões mais ricas e urbanizadas do país teriam acesso a tais estradas. As regiões rurais e mais pobres teriam de esperar algumas décadas para se beneficiarem dessa tecnologia.
  • uma sugestão apresentada é a instalação de painéis solares sobre estacionamentos ao ar livre; além de fornecer um pouco de sombra para os veículos, a energia solar captada e transformada em eletricidade seria substancial. Isso já foi feito no estacionamento da cervejaria Sierra Nevada Brewing Company, desde 2007.
  • na Europa já existem painéis solares instalados ao lado das rodovias, para obtenção de energia elétrica; essa parece ser uma alternativa equivalente e mais econômica.

O uso de painéis solares fotovoltaicos para obtenção de energia elétrica não é uma tecnologia nova; contudo eles ainda são pouco utilizados porque o custo por watt é cerca de dez vezes maior que o dos combustíveis fósseis. Atualmente eles são mais usados em zonas rurais para suprir a falta de linhas de transmissão elétrica convencional. Contudo, já existem grandes centrais solares fotovoltaicas em diversos países, especialmente na Espanha, onde estão 40 das 50 maiores centrais. A maior delas fica em Puertollano, Espanha, com 400 mil módulos que produzem 69,6 Mega Watts de potência de pico em corrente contínua, suficiente para o abastecimento de 39 mil residências.

Central fotovoltaica Hércules em Moura

No Brasil já existe um projeto para usar a energia solar para abastecer de energia elétrica os sistemas de irrigação no interior de Minas Gerais. Pesquisadores da UFMG estão desenvolvendo um sistema de irrigação pioneiro, que aproveita a energia elétrica gerada por placas fotovoltaicas de silício para alimentar os motores e acionar as bombas d´água. Os pequenos agricultores da região gastam cerca de R$ 600,00 em energia por hectare, o que representa 30% do custo da produção.

Para o bom funcionamento do sistema são necessários cinco painéis solares por hectare, com custo de instalação de cerca de R$ 10 mil. Apesar do alto investimento, a vida útil das placas é de 25 anos, o que amortizaria esse investimento ao longo do tempo. A região norte de MG tem o clima ideal para o bom aproveitamento da luz solar, com cerca de 10 horas diárias de luz solar. O sistema será testado em plantações de goiaba e abacaxi, que se adaptam bem ao clima da região. O projeto também prevê a realização de cursos e projetos de extensão para os agricultores.

Se em países da Europa como Espanha e Alemanha já existem grandes centrais de captação de energia solar, o aproveitamento dessa tecnologia no Brasil poderia ser muito maior. O lugar menos ensolarado do Brasil (Florianópolis) recebe 40% a mais de energia solar que o lugar mais ensolarado da Alemanha; só em 2007 os alemães instalaram painéis solares em seus telhados que produzem o equivalente em energia elétrica á produção da usina nuclear de Angra 2 (1.200 megawatts). A Alemanha conta com subsídios federais para a produção de energia elétrica a partir da energia solar, e é o pioneiro no incentivo ao uso da energia solar. (fonte: artigo de Herton Escobar)

O problema ainda é o custo da energia elétrica solar, cerca de dez vezes mais que a energia elétrica convencional. Outro problema é a escala, ou seja, a quantidade de energia necessária para abastecer as necessidades nacionais. Uma tecnologia cara como essa precisaria de subsídios e apoio do governo para que pudesse decolar, a exemplo da indústria nacional de álcool combustível, que teve subsídios no início, mas hoje caminha “com as próprias pernas”.Apesar de ser rico em silício, o Brasil não produz painéis fotovoltaicos, que ainda precisam ser importados. Outros países já utilizam tecnologias alternativas à fotovoltaica, que utilizam espelhos para concentrar a radiação solar sobre linhas de fluidos condutores de calor.

O Instituto de Química da Unicamp está desenvolvendo um estudo para barateamento das células fotovoltaicas. A substituição do silício por óxido de titânio pode reduzir em 80% o custo do produto. O óxido de titânio é um pigmento usado em tintas de parede. A pesquisa pretende testar a nova tecnologia em brinquedos e, mais tarde, em pequenos eletroeletrônicos como câmeras digitais. O objetivo é colocar esses artigos no mercado entre 2012 e 2013. Os painéis não precisam ficar expostos diretamente ao sol, pois mesmo com baixa luminosidade as células conseguem gerar eletricidade.

Felizmente no Brasil já temos uma boa utilização da energia solar para aquecimento de água, o que ajuda a economizar energia elétrica através da substituição do chuveiro elétrico (um dos maiores ‘vilões’ da conta de luz das residências) pela água aquecida pelo sol. Tenho um sistema desses instalado em minha casa e o desempenho é realmente excelente, além de uma boa economia no fim do mês. O investimento inicial não é tão alto quanto o dos sistemas fotovoltaicos para obtenção de energia elétrica, mas ainda pode ser considerado alto. Contudo, já existem opções “domésticas” e mais econômicas para a instalação de um sistema de aquecimento solar em casa; o projeto está disponível gratuitamente no site da Sociedade do Sol.

Em suma, a tecnologia para a produção de energia elétrica solar ainda está em desenvolvimento, mas oferece um bom potencial para a substituição de combustíveis fósseis (para bombas e veículos) ou de energia elétrica convencional, especialmente a gerada por termoelétricas, que são muito poluidoras.

Em novembro de 2008 o Ministério das Minas e Energia criou um grupo de trabalho especialmente dedicado ao estudo do aproveitamento da energia solar no país. O grupo espera poder apresentar um plano de trabalho no prazo de seis meses a um ano. Esperamos que o governo brasileiro comece a apoiar e subsidiar essas novas tecnologias para que possamos, além de ser autossuficientes em petróleo, depender cada vez menos dos combustíveis fósseis e diminuir nossa emissão de carbono. O planeta (e nossa economia) agradecem.

*    *   *

Artigo: “Could we replace the nation´s pavement with solar panels?” – website Grist, 28 de agosto de 2009

Projeto econômico de aquecedor solar de água – site da Sociedade do Sol

Publicado em Julho - 17 - 2009

Os “Pseudo-tímidos”

(crônica publicada em 10/07/2009 no Alma Carioca)

Outro dia li uma crônica de Clarice Lispector sobre os tímidos, que têm vergonha de viver. Ela se classifica entre os tímidos ousados, que apesar de sua incrível timidez são capazes de gestos audaciosos, atiram-se ao desconhecido, voluntariam-se para situações inusitadas e inesperadas.

Não sou tímida. Não sou ousada. E detesto classificações, apesar de adorar a análise e observação dos seres humanos, seu comportamento, suas causas e consequências, a importância do contexto, do ambiente, das pessoas que os cercam e como tudo isso junto explode em uma salada maravilhosa que é um ser humano único e imprevisível.

Há pessoas que são realmente tímidas. Outras, apesar de não o serem, aparentam timidez. Por quê? Arrisco alguns palpites: Por exemplo, é mais fácil “ser tímido”; isso me poupa de muita situação embaraçosa (escrevo na primeira pessoa para facilitar os exemplos, não me classifiquem, por favor). Se sou “oficialmente” tímida, ninguém espera que eu cante na apresentação do colégio, nem que eu me candidate a presidente de qualquer clube, grêmio, associação ou seja lá o que for. Não esperam que eu me destaque em nada, e essa expectativa diminuída a meu respeito me livra de muita ansiedade inútil. Isso não impede que eu me arrisque; se eu tiver sucesso, será uma surpresa para todos, pois ninguém o espera. Portanto, ninguém cobra.

Outra vantagem: dos ousados espera-se grandes atitudes, grandes e fortes opiniões, enquanto que aos tímidos nem se pergunta a opinião, oh, ela vai ficar encabulada, além do que, será que ela tem alguma opinião? Isso me dá a oportunidade de manter minhas opiniões (sim, os pseudo-tímidos têm opinião!) para mim mesma; isso é muito conveniente, especialmente em assuntos espinhosos, lugares de convívio público como o ambiente de trabalho, ou as duas coisas juntas.

Quando uma pessoa “atirada” toma uma atitude de vanguarda, as pessoas pensam: “Lá vai ele de novo!” e observam, esperando o sucesso (Ele teve coragem e se deu bem) ou o fracasso (Quem mandou se meter nisso, eu sabia, não podia mesmo dar certo). Nas primeiras vezes isso choca, mas com o tempo esse tipo de atitude é esperada dessas pessoas. Lembram-se das feministas dos anos 60 e 70? Das primeiras pessoas que resolveram viver de modo diferente? Daqueles que largaram “tudo” e foram trabalhar em outra coisa, ou fazer o que queriam?

Se um pseudo-tímido tomar uma atitude de vanguarda, não se assustem: ele sabe o que está fazendo. Pensou bastante, e decidiu que é exatamente isso o que quer. Diferentemente dos tímidos, que geralmente estão agindo por impulso.

Mas uma coisa é certa: tímidos, ousados, pseudo-tímidos, de qualquer modo que sejamos, na hora de enfrentar o desconhecido é normal sentir aquele friozinho na barriga, afinal, somos humanos; no fim da estrada pode estar o sucesso ou o fracasso, mas com certeza aprenderemos com a experiência. Teremos feito nossas escolhas. E teremos vivido.

Pois duro mesmo é se arrepender de não ter escolhido.

(texto escrito em 2006, e nunca antes publicado)

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