Publicado em Julho - 02 - 2010
Os Outros
Grace mora sozinha com os filhos em uma mansão na Inglaterra, enquanto seu marido está na guerra. As crianças têm uma doença rara e não suportam a luz. Com a chegada de três novos empregados, fatos estranhos começam a perturbar a paz da família e o suspense vai aumentando até o desfecho surpreendente.
O ambiente isolado da família, as crianças presas dentro de casa, as cortinas sempre fechadas, portas que têm de ser fechadas ao passar de um cômodo a outro, a intransigência de Grace (Nicole Kidman) quanto às regras para proteger as crianças, vão criando uma atmosfera densa que fica cada vez mais opressiva conforme acontecimentos estranhos vão se sucedendo na mansão. Vozes que só as crianças ouvem, a presença de algo ou alguém na casa, portas que se abrem sozinhas, nos fazem grudar na cadeira.
Os empregados, solícitos e simpáticos, parecem guardar algum segredo; Grace vai ficando cada vez mais perturbada em seu esforço para proteger a família.
Os Outros (2001) é um suspense competente, que nos mantém presos à trama que vai se desenvolvendo aos poucos, e Amenábar mostra que sabe que apenas a sugestão consegue causar medo, sem recorrer a sustos e imagens fortes. Tudo aqui é sutil e discreto, o que torna ainda maior o envolvimento com o drama da família.

O contraste entre a angústia discreta de Grace e a curiosidade e o conflito entre as crianças [Anne (Alakina Mann) não acredita que o irmão Nicholas (James Bentley) esteja vendo ou ouvindo a presença de estranhos], além da solicitude da criada Bertha (Fionulla Flanagan), são elementos que criam um clima de mistério que lembra os suspenses de Hitchcock. A mansão envolta em neblina, os passos ecoando nas escadas, o isolamento dos moradores, a tensão entre a mãe e as crianças, o contraste entre luz e escuridão, tudo tem seu lugar na construção deste filme.
O roteiro foi escrito pelo diretor, Alejandro Amenábar, que mais tarde faria Mar Adentro, outro excelente filme. Os Outros não é um filme de terror explícito; suas surpresas e revelações são sutis e inteligentes, e ainda assim nos mantém presos à história. Este é um bom exemplo de roteiro inteligente, boa direção e atuações de primeira que, mesmo com baixo orçamento e sem efeitos especiais, conseguem criar um ótimo filme.
Ainda assim, a trama não é completamente original, e ao chegar ao final do filme nos lembraremos de outros filmes com enredos similares - não dá para nomear nenhum aqui sem estragar a surpresa. Este é um filme excelente; mas se tivesse sido feito antes de 1999, teria sido genial.
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Para saber mais:
- Página do filme no IMDb
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