Publicado em Março - 30 - 2012

Os Pilares da Terra

Este romance de Ken Follett conta a história da construção da catedral da fictícia cidadezinha de Kingsbridge, durante o período da história inglesa conhecido como Anarquia, até o assassinato de Thomas Beckett. Os personagens históricos aparecem como coadjuvantes, enquanto o centro da trama mostra as vidas de pessoas comuns, pequenos nobres, monges e bispos.

Pode parecer um assunto pouco interessante, mas Follett consegue prender a atenção do leitor nas mais de mil páginas dos dois volumes. A família de Tom Construtor vaga pelas estradas e florestas à procura de trabalho e comida, pois Tom ficou desempregado depois que Aliena, a filha do conde de Shiring, recusou casar-se com William Hamleigh e este cancelou a construção da nova casa. Entretanto, seu sonho é construir uma catedral. Sua mulher Agnes morre no parto e eles abandonam o bebê, que é salvo por um monge.

Tom e sua família prosseguem à procura de trabalho junto com Ellen e seu filho Jack, que moravam na floresta. Eles chegam à aldeia de Kingsbridge ao mesmo tempo que o prior Philip, que trouxe consigo o bebê abandonado, Jonathan. O garoto Jack põe fogo na velha igreja para que Tom seja contratado para construir a igreja nova.

William, Jack, Alfred, Tom e a pedreira da discórdia...

Durante os anos seguintes o prior Philip, Tom e seus filhos e aprendizes Alfred e Jack lutam para construir a catedral, enfrentando a falta de dinheiro, as oscilações dos poderosos no poder, de cujas decisões dependiam para conseguir a madeira e a pedra necessárias, a crueldade de William, que quer a todo custo vingar-se de Aliena, que também vive na aldeia e tornou-se uma próspera negociante, e a ambição de Waleran Bigod, que não se detém por nada para ter cada vez mais poder na igreja.

“Philip sentiu-se magoado e humilhado. O quadro era claro como o cristal: o bispo Waleran queria o condado de Shiring, com sua pedra e sua madeira, para construir o castelo, não a catedral. Philip fora tão-somente uma ferramenta, e o incêndio da Catedral de Kingsbridge, uma desculpa conveniente. Ele próprio e a catedral incendiada só tinham servido para despertar a religiosidade do rei, de modo a fazê-lo conceder o condado a Waleran.Philip viu-se como Waleran e Henry deveriam vê-lo: ingênuo, condescendente, cheio de sorrisos e reverências, enquanto o levavam para o abatedouro. Como o tinham julgado bem! Confiara neles, submetera-se à sua opinião, chegara inclusive a suportar suas desconsiderações com um sorriso corajoso, por achar que o estivessem ajudando, enquanto o tempo todo o traíam.

Ficou chocado com a falta de escrúpulos de Waleran. Relembrou a tristeza que vira nos olhos dele quando examinara a catedral em escombros. Naquele momento vislumbrara a piedade fundamente enraizada no seu coração. Waleran devia pensar que fins piedosos justificavam meios desonestos, a serviço da Igreja.

Philip nunca acreditara nisso. Eu jamais faria com Waleran o que ele está tentando fazer comigo.

Nunca se vira antes como simplório. Gostaria de saber onde errara.”

Apesar do tema principal ser a construção da catedral, as mulheres da história são fortes e decididas: Aliena perde sua vida confortável de filha de conde, é estuprada, consegue sobreviver à fome e à miséria, dá a volta por cima e torna-se próspera, perde tudo, e por fim consegue casar-se com o homem que ama, depois de  2 filhos e 15 anos de luta com a igreja para oficializar sua união. Ellen sempre foi forte e independente, e abandona o convento para ficar perto do homem que ama; quando ele é assassinado, ela cria o filho sozinha na floresta. Ao conhecer Tom, ela percebe que pode amar novamente, e segue com ele, apesar de não aceitar nenhuma imposição da igreja. Considerada bruxa, ela prefere viver sozinha novamente a abrir mão de suas ideias e liberdade.

Aliena é que era mulher de verdade...

A trama tem todos os elementos necessários para uma boa história: um cenário interessante, com alguns fatos reais como plano de fundo, personagens bem construídos, especialmente Philip, Aliena e Jack, se bem que os vilões da história são bem ‘planos’: William Hamleigh é cruel, bruto e vingativo, e o bispo Waleran Bigod é ambicioso e obstinado. Também temos uma longa guerra civil, romance, montes de obstáculos para complicar a trama, reviravoltas políticas e, o que mais me agradou, uma descrição minuciosa de como era a vida no século 12.

Follett deve ter feito uma excelente pesquisa; lendo o livro ficamos sabendo como eram as casas, a comida, a higiene (ou a falta dela), como o povo era supersticioso e como a igreja conseguia controlar as massas administrando essa superstição. Especialmente interessante é o episódio da Madona que Chora; com um discurso convincente, Jack consegue o apoio dos padres de Canterbury e a devoção do povo em sua viagem de volta da França até a Inglaterra; eles contribuem com o pouco que têm para a construção de uma catedral para a Madona, uma estátua de madeira cujos olhos de pedra vertiam água quando havia uma mudança brusca de temperatura, o que o povo considerava um milagre.

Também aprendemos como era feita a construção de igrejas, como eram calculadas as proporções, os ângulos, quais as ferramentas que os mestres construtores usavam, a transição do estilo romano para o estilo gótico de arquitetura (e os motivos estruturais para tal) e os desastres e sucessos da construção da catedral de Kingsbridge durante mais de três décadas.

Os Pilares da Terra são a nobreza, o clero e o povo; durante o período mostrado no romance, a nobreza aos poucos vai perdendo o poder absoluto após um período de abusos dos barões feudais e passa a ser regulada, se não controlada, pela igreja. O povo ainda sofre nas mãos de reis e nobres tiranos e incompetentes, e depende deles e da igreja para saber em que direção seguir. Ainda restariam vários séculos até que eles pudessem assumir o controle de suas vidas. A igreja, auxiliada pela forte superstição geral (até mesmo nobres e monges eram vítimas dela), tem forte influência sobre o povo, e tenta atraí-los mais, através de sermões (uma novidade) e da participação das pessoas, para aos poucos melhorar as condições de vida delas.  O prior Philip é um homem de fé, que deseja uma catedral em seu priorado, para louvar a Deus e atrair movimento e prosperidade à cidade, o que beneficiaria a todos. Seu forte senso de justiça é um contraponto ao egoísmo e ambição desmedidos dos poderosos.

“Os sermões estavam se tornando mais comuns nas igrejas. Eram raros no tempo em que Philip era garoto. O abade Peter sempre fora contra, dizendo que representavam uma tentação para o padre favorecer a si próprio. A visão antiga era de que os membros da congregação deveriam ser meros espectadores, testemunhando silenciosamente os misteriosos ritos sagrados, ouvindo as palavras latinas sem entendê-las, confiando cegamente na eficácia da intercessão do padre. Mas as idéias mudaram. Os pensadores progressistas já não viam os fiéis como observadores mudos de uma cerimônia mística. A Igreja deveria ser uma parte integrante da vida deles, presente desde o batizado, passando pelo casamento e nascimento dos filhos, até a extrema-unção e o enterro em solo consagrado. Deveria ser a dona de suas terras, seu juiz, empregador ou comprador.

Esperava-se que as pessoas, cada vez mais, fossem cristãs todos os dias, e não apenas aos domingos. Precisavam mais do que simples rituais, de acordo com o moderno ponto de vista: queriam explicações, ordens, encorajamento, exortações.”

William Hamleigh é o diabo em pessoa; furioso por ter sido rejeitado por Aliena, ele passa a vida toda tentando prejudicá-la, obcecado por ela. Para isso ele estupra, queima aldeias, explora seus servos, mata, alia-se ao poderoso da vez, sem nenhum escrúpulo. Ele protagoniza cenas de violência gratuita e a certa altura estamos torcendo para que seu fim chegue logo.

“Uma verdadeira fúria se apossava de Aliena sempre que ela viajava pelas propriedades que tinham feito parte do condado do seu pai.

As valas bloqueadas, cercas quebradas e currais desmantelados a irritavam; os campos estragados a deixavam triste; e as aldeias desertas partiam-lhe o coração. Não eram só as más colheitas. O condado poderia ter alimentado seus habitantes, inclusive naquele ano, se a administração houvesse sido correta.

Mas William Hamleigh não tinha noção de como administrar a terra. Para ele, o condado era uma arca do tesouro que lhe pertencia, e não uma propriedade que alimentava milhares de pessoas.

Quando seus servos não tinham comida, morriam de fome. Quando seus rendeiros não lhe podiam pagar, ele os expulsava das suas terras. Desde que se tornara conde a área cultivada diminuíra de tamanho, porque as terras de alguns rendeiros expulsos haviam retornado ao seu estado natural. E ele não tinha cérebro para ver que aquilo, a longo prazo, não era do seu interesse.

O pior era que Aliena se sentia parcialmente responsável. A propriedade era de seu pai, e ela e Richard não haviam conseguido recuperá-la para a família.”

Minissérie

Em 2010, estreou nas TVs do Canadá, EUA e Alemanha uma minissérie de oito capítulos baseada no livro de Ken Follett. A série foi exibida em 2011 no Brasil, no canal TCM.

Com excelente produção, orçamento de 40 milhões de dólares e um bom elenco, a história é contada de forma envolvente, se bem que foram feitas diversas alterações em detalhes da trama, para tornar tudo mais atraente para a tela. Por exemplo, fica mais interessante a morte do vilão em uma queda espetacular do que passar o resto da vida como um monge penitente, ou um acusado inocente cantando enquanto morre na fogueira (com bônus de uma tripla maldição sobre os responsáveis por sua morte) do que ‘apenas’ enforcado. E assim por diante.

Outros detalhes foram acrescentados ao roteiro, como a participação muito maior de Regan Hamleigh nas tramas políticas do bispo Waleran, inclusive com uma sugestão de incesto e a grande influência e controle que exerce sobre os atos do filho. Sua morte e a do marido, o conde Percy, também são bem diferentes entre livro e filme.

A minissérie é muito boa, e me fez querer ler o livro, cujas mais de mil páginas foram devoradas em menos de um mês. O único senão é que quando lia, eu imaginava os personagens com os rostos dos atores, o que é inevitável quando se vê o filme antes de ler o livro.

Philip, um cordeiro inteligente entre lobos...

Mesmo assim, talvez por causa das inúmeras alterações para o roteiro da série, a leitura acabou ficando ainda mais interessante. Foi quase como ler uma nova história. Diversas passagens, como o assassinato de Thomas Beckett, a peregrinação de Jack pela Europa, a conclusão da história de Jonathan, estão ausentes do filme. Aliás, o assassinato do arcebispo é narrado de forma literária, mas exatamente como é descrito nos documentos históricos. O livro também é bem mais detalhado, o que não torna a história cansativa, pois os detalhes enriquecem a história e nem sentimos as páginas e o tempo passarem.

Recomendo o livro e a minissérie (disponível em DVD), ambos excelentes. O livro teve uma continuação, Mundo Sem Fim, lançado em 2007 e que narra a história dos descendentes de Jack e Aliena 157 anos mais tarde, ainda em Kingsbridge, tendo como cenário a Guerra dos Cem Anos e a Peste Negra. Já está na minha lista de leituras!

Ficha:

Os Pilares da Terra (The Pillars of the Earth), 1989

Autor: Ken Follett

Tradutor: Paulo Azevedo

Editora Rocco, 1992 - 2 volumes (496 e 608 páginas)

Para saber mais:

The Pillars of the Earth, na Wikipedia

World Without End / Mundo sem fim, na Wikipedia

Minissérie Os Pilares da Terra, no IMDb

Resenha do livro feita pela Karine (Caderninho da Tia Helô)

-  Compre o livro (vol. 1 e vol. 2) e o DVD na Livraria Cultura

Trailer: Os Pilares da Terra

Publicado em Outubro - 19 - 2009

QB VII

QB VII é um livro especial para mim. Li-o pela primeira (de muitas) vezes quando era pequena, e fiquei impressionada com as histórias contadas no julgamento. Foi a primeira vez que eu ouvi falar do Holocausto, bem antes de aprender a respeito nas aulas de História. Depois disso, li muitos outros romances sobre o assunto, como O Dossiê Odessa (Frederick Forsyth), Exodus (também de Leon Uris), Os Meninos do Brasil (Ira Levin) e Holocausto (Gerald Green), entre outros. Não se deixa um livro destes ao alcance de uma criança de 12 anos impunemente.

O romance de Leon Uris (1924 – 2003) conta o julgamento de libelo entre o médico polonês Adam Kelno e o escritor (e judeu) Abraham Cady. Cady é o autor do romance “O Holocausto”, e em certa passagem do livro acusa Kelno de ter realizado muitas experiências de castração de judeus no (fictício) campo de concentração de Jadwiga, durante a 2ª Guerra Mundial. Kelno, então, move uma ação judicial exigindo o pedido de desculpas público e uma indenização por parte de Cady. O julgamento acontece na Corte nº 7 dos Tribunais da Rainha (Queen´s Bench Court VII), em Londres.

Primeira Parte – O Queixoso

O livro é dividido em 4 partes: na primeira parte, conhecemos a história do queixoso, Dr. Adam Kelno.

Em novembro de 1945, o médico Adam Kelno chega a um campo de refugiados na Itália e após sua recuperação, começa a trabalhar como médico. Conhece a enfermeira Angela Brown (Leslie Caron), com quem se casa mais tarde. Em 1947, pouco antes do nascimento de seu filho, Kelno descobre que o governo polonês pediu sua extradição para a Polônia, para ser julgado como criminoso de guerra. Isso significaria sua condenação e morte certas. Enquanto o processo de extradição se arrasta por dois anos, Adam fica preso. Por falta de provas e após o testemunho de uma das vítimas de Jadwiga que não o identificou, ele é considerado inocente das acusações e libertado.

Depois disso, Adam, Angela e o filho Stephan mudam-se para Sarawak, em Bornéu. Lá ele tenta melhorar a vida e a saúde dos nativos, mas depara-se com os tabus, preconceitos e tradições da cultura local, e a burocracia dos funcionários públicos britânicos. A certa altura, exasperado, Adam reclama:

“— Lá no baixo Lemanak eles pescam com lanças, caçam com zarabatanas, e lavram o campo com pedaços de pau. Quando se consegue meter uma idéia na cabeça deles vem um Clifton-Meek e a enterra num monte de papel.

— Bem, Kelno, com o tempo vai entender a inutilidade de tanto esforço. As coisas aqui andam muito lentamente. E, depois, a maioria dos ibans são gente boa, só que pensam e vivem de um modo diferente do nosso.

— São uns selvagens, uns miseráveis selvagens.

— O senhor acha realmente que sejam selvagens?

— O que mais posso pensar?

— Isto é muito inesperado vindo do senhor, Doutor Kelno.

— O que quer dizer?

— Nós não procuramos nos meter na vida passada de quem chega aqui. Mas o senhor foi prisioneiro num campo de concentração. O que quero dizer é que, depois do que passou na Polônia, tudo obra de um povo civilizado, parece-me um tanto difícil estabelecer quem realmente sejam os selvagens neste mundo.”

Depois de 15 anos brigando com a burocracia inglesa e dedicando-se a melhorar as condições de vida dos nativos, o trabalho de Adam sobre desnutrição é publicado e reconhecido, e ele é sagrado Cavaleiro. A família, então, volta para a Inglaterra. Terrence Campbell, filho de um amigo de Adam, vai junto com eles para estudar medicina em Londres.

O Dr Kelno instala-se em um bairro simples de Londres e volta a clinicar. Um dia, Terry Campbell mostra a ele o livro de Abe Cady, recém-publicado e sucesso de vendas, e o trecho que menciona Kelno. Este fica furioso por ter sido caluniado e decide processar o escritor, o editor e o impressor do livro.

Segunda parte – Os Acusados

Nesta parte conhecemos a história de Abraham Cady. Filho de um padeiro, este adolescente rebelde decide escrever a história do irmão Ben após a morte deste na Guerra Civil espanhola, e envia seu manuscrito para o editor David Shawcross, que lhe dá conselhos e lhe diz para reescrever a história para que possa ser publicada. O livro é um sucesso. Abe então alista-se na Força Aérea Canadense e parte para a guerra. Ele é ferido em combate e no hospital conhece Samantha, com quem se casa mais tarde.

A carreira de escritor de Abe vai de vento em popa; seus livros crescem em sucesso mas declinam em qualidade; da mesma forma, após vinte anos e dois filhos (Ben e Vanessa), seu casamento está em crise. Abe é mulherengo e frustrado por não conseguir escrever o que deseja e o que acha que deveria. Abe e Samantha se divorciam, e ele parte para a Europa e Jerusalém para pesquisar sobre os judeus e escrever seu próximo livro.

O Holocausto é lançado e 1965 e muito bem recebido pela crítica e público. Enquanto descansa sobre os louros de seu trabalho recente, Abe recebe um telegrama de David Shawcross, que o alerta do processo de libelo movido contra ele por Adam Kelno.

Terceira Parte – Instruções aos Advogados

Após a notícia do processo, ambas as partes começam o processo de preparação para o julgamento. Então somos apresentados ao sistema judiciário inglês, os diversos prédios e cargos, e aos atores do próximo ato: advogados, assistentes e o juiz, e do longo processo de elaboração do processo e contato com as testemunhas, especialmente da defesa.

Quarta Parte – O Julgamento

Em 16 de abril de 1967 começa o julgamento do processo de libelo. Após a apresentação de abertura Sir Robert Highsmith, advogado de Kelno, lê para o júri o trecho de O Holocausto onde Kelno é citado:

“Ele mostrou um exemplar de O Holocausto e o abriu, com lentidão estudada, na página 167. Outro momento se passou enquanto ele olhava para cada homem e mulher do júri, separadamente. Então, começou a ler, pausadamente.

— “De todos os campos de concentração nenhum foi mais infame do que o de Jadwiga. Foi aqui que o Coronel-Médico Adolph Voss, da SS, organizou um campo de experiências com o propósito de criar métodos de esterilização em massa, usando cobaias humanas, e o Coronel-Médico Otto Flensberg, também da SS, e seus assistentes levaram a efeito estudos igualmente horripilantes com os prisioneiros. No notório Alojamento V, uma cirurgia experimental secreta era dirigida pelo Dr. Kelno, que perpetrou mais de quinze mil operações experimentais sem o uso de anestésico.” Senhores e senhoras do júri, deixem-me repetir esta passagem… “mais de quinze mil operações experimentais sem o uso de anestésico.” “

Adam Kelno faz o juramento e começa seu depoimento. Ele nega ter feito as cirurgias para remoção de ovários e testículos sadios, mas admite ter feito algumas dezenas dessas cirurgias para remover órgãos danificados pelas experiências de Voss, que expunha alguns judeus de Jadwiga a doses maciças de raios-X. Ele afirma que as cirurgias eram feitas com anestesia local, pois a anestesia geral não estava disponível, e que era dada uma injeção prévia de morfina antes da raquidiana. Kelno diz que fez as cirurgias para salvar a vida dos pacientes, pois Voss ameaçara que os ajudantes enfermeiros as realizariam, caso os médicos se recusassem.

Entretanto, quando começam os depoimentos das testemunhas da defesa, conhecemos histórias terríveis de crueldade e castração de pessoas sadias, mortes por hemorragia decorrentes de operações mal feitas, experiências com choques elétricos entre presos judeus para testar os limites da resistência humana antes da loucura, histórias de sacrifícios para salvar outras pessoas, descrições do inferno na terra que era Jadwiga.

“Ele estudou o pedido de Bannister. Legalmente parecia muito bem redigido, e qualquer juiz inglês poderia dar seu parecer sem muita hesitação.

Mas, por alguma razão, ele continuou a contemplá-lo, sem realmente prestar muita atenção à leitura. O que via era aquele desfile sem fim.

Aquele julgamento haveria de marcá-lo para o resto da vida. Ele os vira… seres humanos… mutilados. Já não era mais a culpa ou a inocência de Kelno que se tornava importante, mas sim o que um homem podia sofrer nas mãos de um outro homem. Por um momento ele conseguiu atravessar a fronteira e entender aquela estranha lealdade de um judeu para com outro judeu. Os judeus que viviam livremente, na Inglaterra, sabiam que estavam livres graças a um acaso do destino, que não os conduzira a Jadwiga. Cada judeu sabia que o genocídio poderia ter sucedido com ele e toda à sua família, e que apenas haviam sido poupados por esse acaso do destino. Gilray simpatizara muito com os dois belos jovens, o filho e a filha de Cady. Afinal, eles eram meio ingleses.

No entanto, enquanto o tempo se mantinha estático, Gilray pensava também como um inglês, e não poderia nunca entender, completamente, um judeu. Poderia ser amigo deles, trabalhar com eles, mas não os entenderia. Ele era como os homens brancos que nunca podem entender completamente os negros. Como os negros que nunca podem entender os brancos. Como todos os homens normais que podem ser amigos e tolerar os homossexuais, mas não podem nunca entendê-los.

Há em todos nós essa espécie de resistência em entender o que é diferente de nós.”

Por fim, após um longo julgamento de vários meses, o júri delibera em uma hora e meia o veredito e a sentença. Eles decidem a favor de Kelno e estipulam a indenização em meio penny, a menor moeda do reino.

Como diz Abe Cady, “Ninguém vai ganhar este caso. Somos todos perdedores”. As verdades trazidas à tona durante o julgamento mexeram com antigas feridas, relembraram uma época negra que, naqueles anos, ninguém queria lembrar. Mas essas verdades não podem ser esquecidas.

O Holocausto, ou Shoah, foi uma abominação tão grande que os próprios nazistas duvidavam que alguém pudesse acreditar na verdade, se a soubessem. Quando os aliados chegaram aos campos de concentração o cenário dantesco que encontraram era inacreditável: pilhas de mortos, fornos crematórios para assassinatos em massa, cadáveres ambulantes arrastando-se pelo lugar, em condições desumanas de doença e desnutrição.

Hoje, depois de mais de sessenta anos após o final da guerra que acreditava-se ter sido a “guerra para acabar com todas as guerras”, não tivemos um só ano em que não houvesse algum país em guerra no planeta. Já presenciamos outros genocídios, ataques a civis, massacres, ditaduras sangrentas, crueldade sem limites.

Durante uma guerra os valores são invertidos; soldados são recompensados por matar o “inimigo”, enquanto os mesmos atos seriam condenáveis em uma situação normal. Pessoas pacíficas revelam seu egoísmo e crueldade quando em situações extremas; outras podem revelar abnegação e heroísmo dos quais nem suspeitavam.

Da mesma forma, indivíduos com tendências sádicas e sérias perversões morais, se estiverem em um contexto de guerra e em posição de comando, podem ser os responsáveis por verdadeiros genocídios como os que ocorreram nos campos de concentração. A morte tornou-se banalizada; as vidas humanas não valem nada. Sob a desculpa de experimentos científicos, verdadeiras atrocidades são cometidas. É o inferno na terra.

“— Por quê? Por que Kelno moveu esta ação? Claro, eu sei que ele tem que ser o peixe maior do aquário. Ele se sente inferior, então tem que procurar lugares onde seja superior aos outros. Em Sarawak, em Jadwiga, na clínica de operários em Londres.

— Kelno? É uma figura trágica — disse Bannister. — Ele tem uma paranóia qualquer, isto é óbvio. Sendo assim, ele não pode ter nenhum tipo de introspecção. Acho que ele não diferencia o certo do errado.

— E o que fez com que ele ficasse assim?

— Talvez alguma crueldade sofrida enquanto era criança. A Polônia tornou-o anti-semita. Era uma válvula para sua doença. Sabe, Cady, os cirurgiões são uma estranha fauna. Às vezes parece-me que se alimentam de sangue. Enquanto Adam Kelno se encontrou em um país civilizado, a cirurgia satisfazia as suas necessidades. Mas quando se pega um homem assim para colocá-lo em um lugar onde toda a ordem social foi abolida, ele se transforma em um monstro. E então, quando voltou para a sociedade civilizada, e retomou sua posição de cirurgião correto, esqueceu o que ficou para trás, sem ter consciência de culpa.

— Depois de tudo o que ouvi naquele tribunal — disse Abe —, depois de compreender o que as pessoas podem ser obrigadas a fazer, e depois de ver que o holocausto continua sempre e sempre, sinto que estamos destruindo nosso mundo e que não poderemos mais nos salvar. Nós poluímos nosso planeta e todas as criaturas que vivem nele. Juro por Deus, nós estamos nos destruindo uns aos outros. Acho que nós já passamos dos limites de tempo e de espaço e que agora não é mais uma questão de “se” mas de “quando” tudo vai acabar. E, do modo como estamos nos comportando, acho que Deus deve andar muito impaciente.

— Oh, Deus tem bastante paciência — disse Thomas Bannister. — Nós, mortais, somos tão pomposos que vivemos imaginando que em toda a eternidade, e em todo o universo imenso, nós somos os únicos que sofremos a experiência humana. Eu sempre acreditei que tudo isso já aconteceu antes, aqui mesmo nesta terra.

— Aqui?… Como?

— Bem, na mente de Deus, o que representará um bilhão de anos a mais ou a menos? Talvez já tenha havido outras civilizações há milhões e milhões de anos, das quais não se saiba nada. E, depois que esta civilização na qual estamos vivendo se destruir, tudo vai recomeçar, daqui a uns cem milhões de anos, depois que o mundo tiver se recomposto. Então, pode ser que uma dessas civilizações, digamos, daqui a uns cinqüenta bilhões de anos, dure para toda a eternidade, porque os homens aprenderam a tratar bem uns aos outros.”

A Minissérie

QB VII foi transformado em uma minissérie de TV em 1974. Estrelada por Anthony Hopkins (Adam Kelno) e Ben Gazzara (Abe Cady), esta foi a primeira produção de TV no formato de minissérie, que inaugurou uma década de excelentes produções como Raízes, Holocausto, Jesus de Nazaré, Pássaros Feridos e diversas histórias de Sidney Sheldon.

Apesar de ser visualmente datada, com o estilo de produção e fotografia típicos da época, a história envolvente e as excelentes interpretações fazem a minissérie valer a pena. Anthony Hopkins rouba a cena como Kelno; ele consegue transmitir a confiança e simpatia do médico prisioneiro de guerra que se dedica ao bem estar dos pacientes, e começamos a torcer por ele durante o julgamento. Contudo, após a reviravolta final, vemos os melhores momentos de Hopkins, durante seu segundo testemunho. Seu embaraço e nervosismo nos fazem duvidar do que acreditamos até agora, e queremos que tudo aquilo não seja verdade.

Ben Gazzara interpreta Abe no padrão da TV americana; o herói galã mulherengo que se redime escrevendo um bom livro e abraçando sua origem judaica. As cenas de amor entre Gazzara e Juliet Mills (Samantha) e mais tarde com Lee Remick (Margaret), com violinos ao fundo, seriam um bom momento para ir tomar um cafezinho, a não ser que não queiramos perder o andamento da trama.

Houve algumas modificações na adaptação da história para a TV; os rios de Sarawak transformaram-se no deserto do Kuwait; as personagens Laura Margarita Alba e Lady Sarah Wydman foram unidas em Lady Margaret Weidman, interpretada por Lee Remick. Terrence Campbell não existe no filme, e em seu lugar está Stephan, o filho de Kelno. Mas são apenas detalhes que não prejudicam o ritmo da história.

Apesar da história ser ficção e de não ter existido um campo de concentração chamado Jadwiga (ao que eu saiba), horrores semelhantes aos descritos no livro e minissérie aconteceram realmente, apesar de algumas pessoas ainda hoje não acreditarem que o Holocausto tenha acontecido.

Leon Uris escreveu o livro baseado em um episódio verdadeiro: após o lançamento de seu livro Exodus, o médico polonês Dr. Wladislaw Dering, que havia trabalhado em Auschwitz, o processou por calúnia no livro. O caso foi levado a julgamento e o médico ganhou a causa e a indenização de meio penny (e os custos de 20 mil libras pelo processo).

Em resumo, o livro e a série são excelentes; mesmo tendo lido e visto muitas obras sobre o Holocausto, ao reler o livro depois de algumas décadas, o choque de ler as descrições das atrocidades e de imaginá-las reais ainda é o mesmo.

Em uma guerra todos são perdedores; embora imaginemos que podemos resistir à pressão e à crueldade como as que ocorreram nos campos de concentração, é impossível saber ao certo quem poderia resistir e quem sucumbiria ao lado negro que todos nós trazemos no íntimo. Rezemos para que nunca tenhamos que descobrir isso na prática.

*     *     *

Para saber mais:

Publicado em Setembro - 14 - 2009

Ecossistemas: o que aprendemos com os dinossauros

(artigo publicado no Alma Carioca em 10/09/2009)

Recentemente assisti no YouTube ao último episódio da série Família Dinossauro, que não cheguei a ver na TV. Contrastando com o clima alegre da série, este episódio é triste e traz uma mensagem séria: melhor não mexer com a natureza, pois as consequências podem ser catastróficas…

“Ecossistema é o conjunto dos relacionamentos que a fauna, flora, microorganismos e o ambiente, composto pelos elementos solo, água e atmosfera mantém entre si. Todos os elementos que compõem o ecossistema se relacionam com equilíbrio e harmonia e estão ligados entre si. A alteração de um único elemento causa modificações em todo o sistema podendo ocorrer a perda do equilíbrio existente. Se por exemplo, uma grande área com mata nativa de determinada região for substituída pelo cultivo de um único tipo de vegetal, pode-se comprometer a cadeia alimentar dos animais que se alimentam de plantas, bem como daqueles que se alimentam destes animais”. (Fonte: site Wikiducação)

[Atenção: montes de spoilers; se preferir, assista ao episódio antes - vídeos no final do artigo]

Neste episódio,  os dinossauros aguardam a chegada dos besouros que vêm todos os anos no mês de maio. O bando de besouros não chega, e as papoulas que são seu alimento estão espalhando-se por toda parte. Na casa de Dino aparece um único besouro solitário, que espera encontrar os outros de sua espécie para acasalar-se. Charlene vai até o pântano com ele procurar o bando mas não há pântano; a corporação Isso É Assim construiu uma fábrica de creme de frutas no lugar do pântano, que era o local de acasalamento dos insetos; para manter a alta tecnologia da fábrica, eles mataram todos os besouros e isso causou a extinção da espécie.

Sem os besouros, as papoulas crescem e espalham-se desordenadamente, e a empresa tem a brilhante ideia de contratar Dino como relações públicas. Ele sugere que um poderoso desfolhante químico seja pulverizado para matar as plantas. A brilhante ideia funciona tão  bem, que mata todas as espécies vegetais de Pangea, o único continente do planeta.

Robbie: Pai, você vai pulverizar o continente inteiro com veneno? Não há uma alternativa mais segura?

Dino: Como o quê?

Charlene: Bem, podar as plantas o máximo que pudermos, viver com um pouco de desconforto e esperar que a natureza por fim recupere o equilíbrio.

Dino: Isso é inconveniente e demorado; minha ideia é excitante e de alta tecnologia.

Robbie: É, mas você testou essa coisa para ver se é seguro?”

E as ideias brilhantes continuam; o Sr Richfield imagina que se houver nuvens haverá chuva, que trará de volta as plantas. Então ele ordena que sejam jogadas bombas dentro dos vulcões (!) para causar erupções e portanto, nuvens. Mas as enormes nuvens escuras causam o resfriamento global (uma espécie de inverno nuclear) e uma nova era do gelo, que os cientistas estimam que leve algumas ‘dezenas de milhares de anos’ para se dissipar. Com isso, o destino dos dinossauros está selado.

A cena final mostra a família Silva Sauro tentando em vão se aquecer em casa, enquanto Dino pede desculpas à família e Baby pergunta o que vai acontecer com eles. Na TV, o apresentador faz a previsão meteorológica final:

“E agora, uma previsão de longo prazo: neve contínua, escuridão e frio extremo. Aqui é Howard Handupme. Boa noite (pausa) e adeus.”

[fim dos spoilers]

O equilíbrio de um ecossistema é uma coisa muito delicada; como vimos acima, a extinção de uma espécie pode causar o crescimento desordenado de outras espécies, animais ou vegetais. Da mesma forma, a adição de uma nova espécie não nativa em um ecossistema também pode causar desequilíbrio. Foi o que aconteceu quando coelhos foram levados para a Austrália no início do século 20. Sem predadores naturais eles multiplicaram-se, prejudicando outras espécies nativas pela concorrência alimentar.

Outras formas de desequilíbrio podem ser causadas por fatores naturais, como incêndios, enchentes, maremotos,  ou por fatores induzidos pelo homem, como poluição atmosférica, da água, excesso de pesca, aquecimento global, explosão demográfica, desmatamento, queimadas, etc.

Em alguns casos o desequilíbrio pode ser revertido a médio ou longo prazo, mas em alguns casos essas perturbações são irreversíveis e acabarão afetando ao próprio homem, que depende do meio ambiente para sua sobrevivência, embora às vezes não se dê conta disso.

Outro fator alarmante é a explosão demográfica humana. A população humana aumenta em progressão geométrica, enquanto os recursos necessários à nossa sobrevivência não. Com o aumento da tecnologia, produzimos cada vez mais lixo e consumimos cada vez mais energia; o desperdício de alimentos é chocante, enquanto milhões sofrem com a fome crônica. Poluímos o planeta sem nos preocuparmos com as consequências que isso trará. Como Dino, não nos preocupamos com as plantinhas, afinal de contas “a maioria dos lanches gostosos não têm nenhum ingrediente natural”.

A solução? O desenvolvimento sustentável. Isso quer dizer “o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro”. (Fonte: site da WWF Brasil)

Isso inclui a redução do consumo de recursos e do uso de matérias primas e produtos, o aumento da reutilização e reciclagem. Os que consomem mais (países desenvolvidos e altamente industrializados) devem reduzir mais o consumo que os países em desenvolvimento. A ideia não é evitar o desenvolvimento econômico, mas utilizar os recursos disponíveis com bom senso e moderação.

Podemos mudar nossos hábitos individuais e pressionar os governos para que adotem políticas macroeconômicas que prevejam a sobrevivência das próximas gerações, em vez de apenas sua sobrevivência até as próximas eleições.

Afinal, só temos um planeta e seus recursos são finitos. Como aprendemos com os dinossauros, se não cuidarmos dele direito, pode ser que não tenhamos dezenas de milhares de anos para esperar a solução.

*   *   *

O episódio “Changing Nature” (Mudando a Natureza)  foi o último episódio da quarta temporada e foi ao ar na TV americana em 20/7/94. Depois dele, sete outros episódios que foram filmados mas não exibidos na estréia, foram ao ar nas temporadas de reprises nos EUA.

Essa série divertida foi produzida pela Disney em parceria com a Jim Henson Productions e exibida no Brasil de 1992 a 1995 na Globo, em 2003 no SBT e de 2007 a 2009 na Bandeirantes.

Apesar do final triste, fez muito sentido terminar a série assim; apesar de não sabermos a verdadeira causa da extinção dos dinossauros, o episódio nos alerta para qual pode ser a causa da nossa extinção. Melhor não mexer com a natureza.

*     *     *

Para saber mais:

Vídeo: Mudando a natureza – episódio final da série família Dinossauro

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Publicado em Junho - 30 - 2009

Vila Sésamo

Quem assistiu à Vila Sésamo original levante a mão!  Mesmo denunciando a idade, muita gente vai adorar lembrar dessa série simpática que foi exibida em preto e branco de 1972 a 1974 pela TV Cultura e pela Globo, de 1974 a 1977 somente pela Globo e desde 2007 está novamente na TV brasileira, em uma versão moderna, colorida e com novos bonecos, na TV Cultura e TV Rá-Tim-Bum.

A série original é uma criação do Children´s Television Workshop, que convidou o bonequeiro Jim Henson para trabalhar no segmento dos bonecos do programa. Ela vem sendo exibida nos Estados Unidos desde 1969 (é o programa da TV americana há mais tempo no ar, com 39 temporadas e 4186 episódios) e também é vista por crianças (e adultos) de mais de 120 países, sendo que foram produzidas 25 versões independentes. A versão brasileira foi a primeira adaptação do programa fora dos EUA.

A idéia original é divertir e ensinar as crianças em idade pré-escolar as letras, números, conceitos de maior e menor, mais e menos, alto e baixo, noções de higiene e convivência em grupo, tudo com a participação de atores e bonecos.

Um dos bonecos mais conhecidos e queridos da Vila Sésamo é o Garibaldo, ou Big Bird. No Brasil ele foi interpretado pelo saudoso Laerte Morrone, e nos EUA por Caroll Spinney. Outros bonecos famosos são Enio e Beto (Ernie e Bert), o peludo Gugu, que morava em um barril, o Funga-Funga, Pipoca, Jujuba e Bidu. Os bonecos da versão brasileira foram criados por Naum Alves de Souza.

Na versão original brasileira a Vila Sésamo era o lar de alguns personagens queridos de carne e osso, como Gabriela (Araci Balabanian), casada com Juca (Armando Bogus), o caminhoneiro Antonio (Flávio Galvão) e a doce professorinha Ana Maria (Sonia Braga). Interagindo com os bonecos e com algumas crianças, eles ensinavam as crianças num clima de brincadeira e amizade.

Muppet Show

Após a participação dos bonecos em alguns episódios de Saturday Night Live, em 1975 e 1976, Jim Henson começou o novo projeto de um programa de TV com esquetes dos bonecos. Em 1976 ele conseguiu apoio de Lew Grade, um empresário britânico, e começou a filmar os episódios na Inglaterra. Entre o elenco de pano estão o charmoso Caco (Kermit the frog, cuja voz era feita pelo próprio Henson) e sua eterna apaixonada, a rosada e temperamental Miss Piggy (cuja voz era feita por Frank Oz). Outros bonecos inesquecíveis são Gonzo, Fozzie Bear, o Animal, o Chefe sueco e Statler e Waldorf, os dois velhinhos do balcão, que não perdoavam ninguém e faziam algumas das piadas mais divertidas do show.

Vila Sésamo transformou-se em uma franquia lucrativa, com bonecos, brinquedos, roupas e muitos fimes, como “Onde está o Garibaldo”, “Os Muppets conquistam Nova York” e “Um Conto de Natal dos Muppets”. Todos os famosos de Hollywood queriam fazer uma pontinha na Vila Sésamo, no Muppet Show ou nos filmes, mas também, além da boa publicidade, quem não gostaria de contracenar com Miss Piggy?

Entre a enorme lista de celebridades que visitaram a Vila Sésamo americana estão Buzz Aldrin, David Beckham, Barbara Bush, Johnny Cash, Robert de Niro, os Harlem Globetrotters, Michael Jackson, Yo-Yo Ma, Christopher Reeve, os Simpsons, Barbara Walters e o Super-homem.

O programa também fez sua ‘pontinha’ em diversos filmes de Hollywood; lembram da cena em que ET fica olhando enquanto Gertie (Drew Barrymore) assiste a Vila Sésamo, falando junto com a TV? Quando Forrest Gump conhece o filho, eles ficam assistindo juntos a Vila Sésamo; e em “Ray”, é mostrado um clipe de Ray Charles em Sesame Street.

A nova versão que está no ar na TV brasileira é bem produzida, colorida e mantém o padrão de bom conteúdo da série original; para quem tem crianças pequenas, é uma ótima opção, melhor que muitos desenhos atuais, sem contar as novelas e big brothers da vida, que com certeza não são programa para crianças pequenas. Mas os adultos também vão adorar assistir junto com os pequenos.

Para terminar, uma boa surpresa que descobri no YouTube: quem ouviu esta música vai lembrar na hora, e com certeza todos vão ficar com ela na cabeça pelo resto do dia (ou da semana…): o famoso “MahnaMahna” da Vila Sésamo, aqui na versão apresentada no Muppet Show (mas a música e a “coreografia” são as mesmas). Vamos matar as saudades? (vídeo no final do artigo)

Curiosidades:

  • Frank Oz, que faz a voz de Bert e miss Piggy, também é a voz de outros muppets como Animal, o monstro do biscoito e Fozzie Bear, além de Yoda em Guerra nas Estrelas.
  • Jim Henson, criador dos bonecos, fazia as vozes de Kermit (Caco) e Ernie; após a morte de Jim em 1990, Kermit foi retirado do show e só aparecia em reprises. Steve Whitmire assumiu a voz do sapinho e de Ernie até 2000; depois dessa data, a Jim Henson Company não está mais envolvida na produção do show, e outro ator faz hoje a voz de Ernie.
  • O Garibaldo brasileiro era azul; as duas hipóteses para o ‘blue bird’ são que a fantasia amarela havia ficado horrível e, para economizar, resolveram pintá-la de azul; a outra versão diz que a cor azul dava melhor contraste na tela, pois o programa era em preto-e-branco.
  • Apesar da tradução de Sesame Street ser Rua Sésamo (ou gergelim), o nome escolhido foi Vila Sésamo, pois o ambiente familiar onde as crianças conviviam na época não era a rua, mas a vila. Felizmente essa idéia não surgiu agora, ou o programa poderia se chamar “Shopping Sésamo”. (rsrs)
  • A música “Sing” dos Carpenters foi lançada na Vila Sésamo americana, e mais tarde chegou ao terceiro lugar na parada da Billboard.
  • A série Família Dinossauro foi baseada em uma idéia que Jim Henson teve no final dos anos 80. O conceito básico era de uma ’sitcom’ com bonecos animatrônicos sobre uma família de dinossauros e o estilo de vida tóxico de sua sociedade. Na época a idéia foi considerada maluca, e o projeto acabou sendo produzido após a morte de Henson em parceria com a Disney e a Jim Henson Productions, de 1991 a 1994.

Para saber mais:

  • Verbete de Sesame Street na Wikipédia (em inglês)
  • Verbete da Vila Sésamo na Wikipédia (em português)
  • Entrada de Sesame Street no IMDb
  • Canal de Sesame Street no YouTube
  • Lista de celebridades que visitaram a Vila Sésamo americana
  • Verbete do Muppet Show na Wikipédia (em inglês)

Vídeo: MahnaMahna

Publicado em Maio - 12 - 2009

Adam Lambert - o próximo American Idol?

A oitava temporada de American Idol está chegando ao fim. Daqui a pouco começam as apresentações dos Top 3 e amanhã saberemos quem estará na final (as reprises no canal Sony do Brasil acontecem no próximo sábado e domingo - 16 e 17 de maio, às 19 h).

A temporada passada revelou muitos candidatos talentosos, como David Archuleta, Brooke White, Jason Castro e, claro, o vencedor David Cook, que mostrou seu talento em interpretações memoráveis como Billie Jean, Hello e Eleanor Rigby.

E quando eu já acreditava que aquela havia sido a melhor temporada de todas, este ano tivemos uma grande variedade de estilos e muitos novos talentos, como Anoop Desai, Allison Iraheta, Matt Giraud, e os três semi finalistas: Kris Allen, Danny Gokey e Adam Lambert.

Todos são ótimos e já têm lugar garantido nas gravadoras a partir do próximo ano, mas um deles chama a atenção por seu excepcional talento e originalidade: Adam Lambert.

Este rapaz de 27 anos tem um grande alcance vocal, muita experiência nos palcos e domínio completo de cena, com interpretações teatrais e emocionantes. Ele foi o único que recebeu aplausos de pé do exigente (ou chato?) Simon Cowell,depois de sua apresentação de Mad World, do Tears for Fears. Polêmico e versátil, ele vai do rock pesado às baladas delicadas, passando por interpretações inusitadas, como sua versão de “Ring of Fire”, de Johnny Cash.

Com Adam não há meio termo: ou adoramos suas interpretações, ou detestamos. Pessoalmente, estou no primeiro grupo (rsrs). Se acho que ele vai ganhar? Não sei. A polêmica sobre sua sexualidade pode dividir os votos dos americanos, e talvez a Fox prefira que um concorrente mais ‘certinho’ como Danny ou Kris leve o título. Não sabemos se os votos são manipulados, mas os comentários dos juízes com certeza influenciam o rumo da votação, feita apenas nas duas horas seguintes ao show.

Com certeza qualquer um dos três merece ser o vencedor; arrisco um palpite que talvez Kris Allen seja o vencedor. Depois do susto da semana passada, quando ele já estava certo que seria eliminado, e acabou tendo a agradável surpresa de saber que era um dos três semi finalistas, quem sabe ele acabe chegando até a final e surpreendendo a todos? Além de uma bela voz e boas interpretações, ele tem a boa aparência e a juventude que as gravadoras adoram. Como diz Kara, ele é bem “commercial”. E canta bem!

Contudo, Simon já declarou que quer ver uma final Danny x Adam. Amanhã saberemos se ele estava certo… ou não.

*   *   *

Fichas Técnicas:

  • Adam Lambert - 27 anos, natural de Los Angeles, Califórnia, canta desde os 10 anos e já participou de diversas produções teatrais.
  • Danny Gokey - 29 anos, natural de Milwaukee, Wisconsin, conquistou a simpatia da América por ter perdido a esposa quatro semanas antes da audição para AI e por tentar superar sua dor dedicando-se ao concurso. Seu grito final em “Dream On” na semana passada já ficou famoso, e virou até ringtone (!)
  • Kris Allen - 23 anos, natural de Conway, Arkansas. É casado (casou-se logo após as audições e revelou o fato durante a temporada). Toca piano e violão.

Confira abaixo o vídeo de Adam cantando Mad World:

Outros vídeos das melhores apresentações deste ano no American Idol:

Danny Gokey - What Hurts the most

Kris Allen - How Sweet it is (to be loved by you)

Adam Lambert - Ring of Fire

Publicado em Março - 24 - 2009

Além da Imaginação

Este seriado fantástico (em todos os sentidos) tem algumas histórias que ficam na memória; todo mundo consegue lembrar de pelo menos um episódio que marcou tanto que não conseguimos esquecê-lo.

Para mim, o episodio que ficou foi “A Little Peace and Quiet”. Eu lembrava de toda a história, que vi na TV há mais de 20 anos (pelo que lembro foi exibido na Globo), e resolvi procurar saber mais sobre ele na Internet.

Achei na Wikipédia a lista de todos os episódios e temporadas, e foi aí que descobri o nome original, e soube que ele foi exibido na TV americana em 27/09/1985, junto com outro ótimo episódio, “Shatterday“. Estes dois segmentos formavam o primeiro episódio da primeira temporada da série em cores que começou nos anos 80.

Twilight Zone, ou Além da Imaginação, foi uma série criada por Rod Serling. Cada episódio (156 na série original, em preto-e-branco) unia elementos de fantasia, ficção científica, suspense ou horror, e geralmente tinha um final inesperado e surpreendente. Além do próprio Serling, que escreveu quase dois terços dos episódios, a série apresentava histórias de escritores famosos no gênero como Charles Beaumon, Richard Matheson, Harlan Ellison e Ray Bradbury.

Além de criar, produzir e escrever muitos episódios de Twilight Zone, Serling foi o roteirista de alguns clássicos, como O Planeta dos Macacos (1968) e Requiém para um Lutador (1962), além do telefilme Galeria do Terror (Night Gallery, de 1969), com três episódios. Um dos episódios (Eyes) foi estrelado por Joan Crawford e dirigido pelo estreante Steven Spielberg.

The Time Element

Diretor: Allen Reisner

Roteiro: Rod Serling

O episódio piloto de Twilight Zone, “The Time Element”, foi exibido em 24/11/1958. Esta história sobre viagens no tempo mostra um homem, Peter Jenson (William Bendix) que conta a seu psiquiatra (Martin Balsam) que tem tido um sonho recorrente: ele está em Honolulu logo antes do bombardeio de Pearl Harbor em 1941, e acredita que realmente esteve lá. O médico lhe diz que as viagens no tempo são impossíveis devido ao paradoxo temporal. Ainda assim, ele continua tendo o mesmo sonho, no qual tenta avisar e evitar o bombardeio, mas sem resultado. Durante uma sessão psiquiátrica ele adormece e volta a seu sonho, mas desta vez ele é atingido por disparos dos aviões e morre. Quando a câmera volta ao consultório, o médico está sozinho, e não tem pacientes naquele dia. Quando ele vai ao bar vemos a foto de Jenson na parede sobre o balcão; o barman diz ao médico que Peter trabalhava ali como barman, mas foi morto em Pearl Harbor.

Com este roteiro, Serling uniu os elementos fundamentais do que seria uma das séries clássicas da TV: temas de fantasia e ficção, a narração de abertura e de encerramento e o final surpreendente. Mas em 1957, quando o episódio foi filmado, estes elementos ainda não atendiam aos padrões da rede, e a série foi adiada. Após sua exibição em 1958, público e crítica tiveram opiniões favoráveis e a CBS decidiu produzir a série. Este episódio foi reprisado poucas vezes, e está disponível no YouTube em seis partes:

Parte 1 / parte 2 / parte 3 / parte 4 / parte 5 / parte 6


Temporadas

A série original foi ao ar de 1959 a 1964, em 5 temporadas, com a abertura clássica e a apresentação de Serling, muito imitada (inclusive em um episódio de Anos Incríveis, lembram?). Apesar de ter ótimos episódios, que inseriam temas contemporâneos como a guerra nuclear, o macartismo e a histeria coletiva em histórias de ficção e suspense, a série não teve o sucesso esperado nos EUA.

Após o filmeTwilight Zone - The Moviede 1983, com quatro episódios dirigidos por John Landis, Steven Spielberg, Joe Dante e George Miller, a CBS concordou em fazer uma nova série (first revival), que foi exibida de 1985 a 1989, com 3 temporadas (respectivamente com 58, 21 e 30 episódios), com diretores e roteiristas famosos como Wes Craven, Peter Medak, Harlan Ellison, Ray Bradbury, Joe Dante, Robert Silverberg, Stephen King, Richard Matheson, Jeannot Szwarc e outros.

A terceira série (second revival) foi apresentada de 2002 a 2003, com 44 episódios. A reação de crítica e público foi desfavorável, e série acabou sendo cancelada. Alguns episódios também estão disponíveis no YouTube.

A Little Peace and Quiet

Diretor: Wes Craven

Roteiro: James Crocker

“Não seria bom se, apenas uma vez, todos se calassem e parassem de aborrecê-lo? Não seria ótimo ter tempo para concluir um pensamento ou mergulhar em um devaneio? Pensar em voz alta sem ter de explicar exatamente o que quis dizer? Se você tivesse esse poder, ousaria usá-lo, mesmo sabendo que o silêncio tem suas próprias vozes… de um lugar Além da Imaginação?”

Penny (Melinda Dillon, de O Príncipe das Marés) é uma dona-de-casa completamente atordoada com marido, quatro filhos e um cão que exigem sua atenção o tempo todo; os filhos falam e gritam, o cão late, o marido reclama, a máquina de lavar faz barulho e um dos filhos põe uma cobra na frigideira junto com o bacon do café da manhã.

Um dia, ao cuidar do jardim, ela encontra uma caixa enterrada e dentro, uma corrente e relógio dourados. Ela gosta do objeto e começa a usá-lo. Mais tarde, durante uma crise de falatório e reclamações da família, ela grita ‘Calem-se’ e todos param onde estão, ‘congelados’. A princípio ela fica espantada, mas logo percebe que aquilo é causado pelo relógio, que consegue parar o tempo. Ao dizer ‘continuem falando’, tudo volta ao normal.

Penny começa a aproveitar seu novo brinquedinho para fazer compras calmamente no supermercado, tomar o café da manhã sem gritos e correria. Mas uma noite, o marido a chama para ver uma notícia na TV: o primeiro míssil soviético acaba de entrar no espaço aéreo americano. Desesperada, Penny grita e tudo congela. Ela caminha pela cidade e vê pessoas desesperadas, carros em colisão, uma cena de caos congelado e pessoas olhando para cima. Então, horrorizada, ela vê um míssil parado no céu logo acima da cidade.

O que você faria? Viveria eternamente sozinha ou continuaria o tempo e morreria (instantaneamente)? Esse final foi mesmo arrepiante.

O epísódio não tem a tradicional narrativa de encerramento.

Ao revê-lo depois de 24 anos pude perceber que a história é um pouco datada, pois em 1985 ainda havia a Guerra Fria e a ameaça potencial de uma guerra nuclear (hoje felizmente essa é uma possibilidade remota); naquela época também havia poucos efeitos especiais disponíveis e o ‘congelamento’ dos personagens era feito à moda antiga, ou seja, marido e crianças ficam parados enquanto mamãe se espanta. Impossível manter uma criança completamente parada… Mas esses detalhes não estragam o show.

O episódio está disponível no YouTube em três partes; está em inglês e sem legendas, mas mesmo que você não saiba uma só palavra de inglês, a história é tão clara que dá para entender o que se passa.

Página do episódio na Wikipédia e no IMDb

Vídeo no YouTube: parte 1 / parte 2 / parte 3

Shatterday

Diretor: Wes Craven

Roteiro: Harlan Ellison / Alan Brennert

Este é o primeiro episódio da primeira temporada da nova série ‘Além da Imaginação’, e foi baseado no conto “Shatterday” de Harlan Ellison, que foi publicado em 1975 na revista Gallery.

“Algumas pessoas pressionam para obter o que precisam; outras, para obter o que querem. Algumas pessoas, como Peter Jay Novins, apenas pressionam. Se o fizerem muito forte e por muito tempo, alguma coisa pressionará de volta… de algum lugar Além da Imaginação”.

Peter Jay Novins (Bruce Willis, no início da carreira) está em um bar e, ao ligar para outra pessoa, sem querer liga para casa e alguém atende. A pessoa que atende ao telefone é ele mesmo, Peter Jay Novins. A princípio ele pensa tratar-se de uma brincadeira de algum amigo, mas depois liga de novo para casa e ‘Peter’ atende. Após conversarem, ele começa a acreditar que o segundo Peter é seu alter ego. Ele diz que vai para casa, mas seu outro eu lhe diz para não fazer isso. Então Peter pergunta se ambos podem viver vidas normais, mas o homem do outro lado da linha diz que a vida de Peter é terrível, e que isso irá mudar.

Peter: (para seu alter ego do outro lado da linha) O que quer dizer com eu não consigo te ruma vida feliz? O que sabe sobre isso?

Peter: O que eu sei sobre isso? Com quem acha que está falando? Sou eu, Novins. Eu!

Peter: Não há nada de errado com minha vida! Nem uma coisa! Nada!

(nervoso)

Peter: Então o que há de errado, espertinho?

Peter: Tudo! Cada pequeno pedacinho está errado. E a parte triste é que você sabe disso e ainda assim não tenta consertar. Bem, isso vai mudar. De agora em diante, isso vai mudar.”

Peter fica assustado com a perspectiva de perder sua vida. Aos poucos, seu outro eu vai consertando as coisas que Peter havia feito errado: faz as pazes com sua mãe e a convida para morar com ele, cancela uma campanha publicitária pouco ética que Peter havia criado para um cliente, reata amizades e relacionamentos com pessoas que Peter havia negligenciado.

Enquanto um Peter continua realizando mudanças em sua vida, o outro Peter adoece. A princípio parece que Peter tem sua personalidade dividida, e aos poucos vai percebendo as consequências de seus erros, e deixa que seu ‘lado melhor’ assuma o controle. Ou pode ser algo mais sobrenatural…

No último dia Peter recebe a visita de seu alter ego no hotel. Este lhe diz que ele deve aceitar o fato que está sendo substituído, e que está se tornando uma lembrança. O novo Peter pergunta se há alguma coisa que ele teria feito, se as coisas fossem diferentes; Peter diz que não. Eles apertam as mãos, despedem-se, e o antigo Peter desaparece.

“Peter Jay Novins, vencedor e vítima de uma breve luta pela custódia da alma de um homem. Um homem que perdeu a si mesmo…em um campo de batalha solitário, em algum lugar Além da Imaginação”.

Página do episódio na Wikipédia e no IMDb

Vídeo no YouTube: parte 1 / parte 2 / parte 3

*   *   *

Entrada de Twilight Zone na Wikipédia (em inglês)

Entrada de Além da Imaginação na Wikipédia (em português)

Lista de episódios na Wikipédia (em inglês)

Crítica (ótima!) de “Além da Imaginação - o filme”, no Valise de Cronópio - o site

Vídeo: abertura clássica de Twilight Zone

Vídeo: abertura do episódio piloto, na estréia em 02 de outubro de 1959

Related Posts with Thumbnails