Publicado em Janeiro - 13 - 2012

Uma história de abandono com final feliz

Li este artigo no site Care2 em abril de 2011 e fiquei muito emocionada; guardei o link nos favoritos, pensando em traduzi-lo e publicar, pois a história é muito bonita. Ao organizar meus links, reencontrei o artigo e aqui está a tradução. Preparem os lencinhos!

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Cão marcado como “PRÓXIMO” para morrer recebe uma visita surpresa

(Artigo de Laura Simpson, publicado em 19/04/2011 no site Care2 - tradução de Cristine Martin)

The Great Animal Rescue Chase está emocionado em apresentar esta história extraordinária de como os atos mais simples de amor podem resultar nos presentes mais espantosos. O que acontece quando alguém para para olhar um cão sem nome em um abrigo, cuja única identificação é que ele é o “próximo” a ser eutanasiado? Esta é uma história que você não vai esquecer tão cedo.

De Karen Gleason, de New Hampshire

Minha cadela Abby havia falecido recentemente e meu outro cão resgatado, Copper, estava tão triste quanto eu. Ele não queria comer nem brincar no jardim sem a companhia dela. Levei Copper comigo para visitar abrigos e canis durante algumas semanas. Olhei em muitos pares de olhos tristes, mas nenhum havia me tocado o coração, ainda.

Em uma manhã de sábado, tínhamos menos de uma hora antes de sair para o casamento de um amigo, mas meu marido e eu paramos em um abrigo na cidade vizinha. Enquanto ele olhava os cães das primeiras gaiolas, fui imediatamente até o final do corredor, sem saber o motivo. Olhei na última gaiola, e avistei Ben pela primeira vez. Não consegui dizer que tipo de cão ele era, mas era muito grande (cerca de 40 kg), estava encolhido no canto dos fundos e tremendo. Seu pelo preto estava cheio de nós que formavam ‘dreads’ em todo o seu corpo. Seus cotovelos estavam cobertos de feridas grossas e secas. Olhei a plaquinha de identificação para ver se havia mais alguma informação, mas ao lado do nome só havia uma palavra: PRÓXIMO.

Ele era ‘inadotável’?

Peguei uma guia, retirei-o delicadamente da gaiola e o levei até o funcionário de plantão. Meu marido me olhou, imaginando o que eu estava fazendo, mas ele me conhecia muito bem para saber o que se passava em minha cabeça. O homem explicou que Ben estava ali há três dias, mas isso era o suficiente para que soubessem que ele não seria adotado. Ele seria morto naquela tarde, pois certamente não conseguiria um lar, não importando por quanto tempo ficasse lá.

Ele disse que o cão foi abandonado pelo antigo dono porque era “um aborrecimento” e tinha cerca de um ano e meio. O homem achava que era uma mistura de Irish Setter e Labrador preto.

Fui conversar com Copper. Ele não foi muito receptivo com nenhum dos possíveis irmãos ou irmãs que eu lhe havia apresentado.  Olhei em seus olhos e pedi que desse uma chance a este cão, pois ele precisava muito ir para casa conosco. Copper concordou e abanou o rabo em aprovação.

O amor que compartilhamos… não tem preço

Eu disse ao homem no balcão que levaria o cão. Ele perguntou se eu tinha certeza que queria aquele. Eu pedi ao meu marido que pagasse a taxa de 35 dólares para adoção, e fomos para casa.

O Ben tinha bons pulmões. Ele sorriu e ofegou durante todo o caminho até em casa. Depois do banho, como não conseguimos desembaraçar os nós, a maior parte do pelo teve de ser raspada.

Ele passou os próximos 12 anos conosco me fazendo companhia, cuidando de mim quando eu estive doente, acompanhando-nos em ótimas aventuras e mostrando sua gratidão por o termos levado para casa naquele dia. Copper e ele se tornaram bons amigos. Em doze anos Ben nunca pediu nada além de estar ao meu lado. Estou certa que os cães são as criaturas de Deus mais nobres e leais. Não tenho dúvidas de que não salvei Ben nem nenhum dos outros. Eu é que fui salva.

A imagem acima é uma das preferidas de Karen e mostra sua filha Bailey com Ben. Veja mais fotos de Ben aqui.

Você já ajudou um animal?

Às vezes isso é tão fácil quanto ajudar uma tartaruga a atravessar a estrada. Ou quem sabe cuidar de um passarinho com a asa quebrada. Seja qual for seu ato de bondade, queremos saber como foi. Participe dos eventos de The Great Animal Rescue Chase em todo o mundo para ajudar os amantes de animais a salvar mais vidas. Visite nosso site e compartilhe a história e as fotos do seu resgate. Você nunca sabe quem poderá ser inspirado por elas!

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Esta história inspiradora mostra um final feliz para um dos inúmeros casos de abandono de animais, o que não é ‘privilégio’ dos americanos. Aqui no Brasil milhares de cães e gatos são abandonados todos os anos, especialmente durante as festas de final de ano e nas férias.

Nunca é demais lembrar que não existe cão de rua; eles foram abandonados ou se perderam, sofrem muito com a fome, sede, atropelamento e maus tratos, ficam doentes, e os filhotes não conseguem sobreviver até a idade adulta.

Ben teve sorte, e foi salvo na “hora H”; infelizmente muitos não têm essa sorte, e esperam anos em abrigos e CCZs pela adoção, que às vezes nunca chega.

A adoção (de animais e, por que não, de pessoas também) nunca deve ser feita por dó ou caridade; ela é um compromisso de amor, para a vida toda. É assumir a responsabilidade por outra vida, que depende completamente de você. Se está pensando em ter um animal, não compre, adote. Além de não contribuir para as criações de fundo de quintal, você estará dando uma nova chance a um animal e abrirá espaço para que outro possa ser resgatado.

Em todas as cidades há CCZs, canis municipais, abrigos, ONGs e protetores independentes com animais disponíveis para adoção. Informe-se, e siga o seu coração.

(Artigo originalmente publicado no Alma Carioca em 04/01/2012)

*     *    *

Onde adotar um animal:

- Bicho de Rua (Porto Alegre)

- Adote um Gatinho (SP)

- Adote Já (Mogi das Cruzes- SP)

- Cão Sem Dono (SP)

- ABEAC (SP)

- Santuário Pit Bull (SP)

- Adotacão (anúncios de animais para adoção em todo o país)

- Adote um Gatinho (Rio de Janeiro)

- Onde adotar animais em Fortaleza - CE

- SOS Bichos (Pouso Alegre - MG)

- ABPA (Salvador - BA)

ou procure o CCZ ou canil municipal em sua cidade; você também pode acolher um cão que esteja abandonado na rua. Pense nisso!

Publicado em Setembro - 23 - 2009

Músicas traduzidas - Skyline Pigeon

Esta música, composta por Elton John e Bernie Taupin, foi lançada no primeiro álbum de Elton, “Empty Sky”. Apesar de tocar nas rádios em 1968, o disco só saiu em 1969. A gravação original não tinha piano, mas um harpsicórdio, órgão e os vocais de Elton John. Em 1972 ele regravou a música, desta vez ao piano.

No Brasil ela fez muito sucesso, lembro que eu tinha um compacto com a música (não lembro qual era o lado B) e o ouvia o tempo todo na minha vitrolinha verde.

Em 1990 Elton John cantou Skyline Pigeon no funeral do adolescente Ryan White, vítima da AIDS. Ao que parece, Elton John gosta de cantar nos funerais dos amigos; ele cantou Candle in the Wind no funeral da princesa Diana. Ele havia composto a música inspirado por Marilyn Monroe. Outra música composta por ele para um amigo falecido foi Empty Garden, em homenagem a John Lennon.

A letra da música fala da busca pela liberdade, seja ela física ou emocional. Com imagens simbólicas e melodia encantadora, esta canção é um clássico e uma das canções mais populares de Elton John.

Ouça a música e acompanhe a letra e a tradução:

Clique aqui para ouvir a música

Skyline Pigeon

(Bernie Taupin / Elton John)

Turn me loose from your hands
Let me fly to distant lands
Over green fields, trees and mountains
Flowers and forest fountains
Home along the lanes of the skyway

For this dark and lonely room
Projects a shadow cast in gloom
And my eyes are mirrors
Of the world outside
Thinking of the way
That the wind can turn the tide
And these shadows turn
From purple into grey

For just a Skyline Pigeon
Dreaming of the open
Waiting for the day
He can spread his wings
And fly away again
Fly away skyline pigeon fly
Towards the dreams
You’ve left so very far behind
Fly away skyline pigeon fly
Towards the dreams
You’ve left so very far behind

Let me wake up in the morning
To the smell of new mown hay
To laugh and cry, to live and die
In the brightness of my day

I want to hear the pealing bells
Of distant churches sing
But most of all please free me
From this aching metal ring
And open out this cage towards the sun

For just a Skyline Pigeon
Dreaming of the open
Waiting for the day
He can spread his wings
And fly away again
Fly away skyline pigeon fly
Towards the dreams
You’ve left so very far behind
Fly away skyline pigeon fly
Towards the dreams
You’ve left so very far behind

Skyline Pigeon

(Tradução de Cristine Martin)

Liberte-me de suas mãos
Deixe-me voar para terras distantes
Sobre campos verdes, árvores e montanhas
Flores e fontes nas florestas
Ir para casa pelas alamedas do céu

Porque esta sala escura e solitária
Projeta uma sombra melancólica
E meus olhos são espelhos
Do mundo lá fora
Pensando em algum modo
Que o vento possa virar a maré
E que essas sombras mudem
De púrpura para cinza

Para apenas um pombo no horizonte
Sonhando com a imensidão
E esperando pelo dia
Em que possa abrir as asas
E voar para longe novamente
Voe para longe, pombo do horizonte, voe
Em direção aos sonhos
Que você deixou para trás

Deixe-me acordar de manhã
Com o aroma do feno recém-cortado
Para rir e chorar, para viver e morrer
No brilho do meu dia

Eu quero ouvir o repicar dos sinos
Nas igrejas distantes cantar
Mas principalmente, me liberte
Deste doloroso anel de metal
E abra esta gaiola em direção ao sol

Para apenas um pombo no horizonte
Sonhando com a imensidão
E esperando pelo dia
Em que possa abrir as asas
E voar para longe novamente
Voe para longe, pássaro do horizonte, voe
Em direção aos sonhos
Que você deixou para trás
Voe para longe, pombo do horizonte, voe
Em direção aos sonhos
Que você deixou para trás

Publicado em Março - 03 - 2009

O Futuro da Humanidade - palestra de Isaac Asimov

Antes de passar à palestra, deixem-me explicar: adoro os livros de Isaac Asimov, e descobri há alguns anos um site excelente sobre ele, o Isaac Asimov Online, criado por Edward Seiler e que tem ótimas informações, dados bibliográficos, classificação de seus livros por assunto e listas dos livros das séries da Fundação e dos Robôs em ‘ordem cronológica’ das histórias. Vale a pena visitá-lo!

No site há um link para esta palestra, em inglês. Como o material foi considerado em domínio público pelo autor da gravação (mais explicações na introdução da palestra, logo abaixo), decidi traduzi-la para que mais pessoas possam conhecer as idéias inovadoras de Asimov, não só quanto a temas de ficção científica, mas em questões do dia-a-dia da humanidade e aonde isso pode nos levar.

O ‘bom doutor’, além de extremamente criativo, era uma pessoa de muito bom-senso. E isso fica evidente ao lermos a transcrição desta palestra, feita há 34 anos, e que no entanto continua atual e pertinente.

O texto é muito longo (mais de 9 mil palavras), mas vale a pena. Por isso dividi o artigo com um link; para continuar a leitura, basta clicar em READ MORE.

Boa leitura!

Para saber mais:

site asimov on Line (em inglês)

Entrada de Isaac Asimov na Wikipédia (em português)

site Império de Isaac Asimov (em português)

O Futuro da Humanidade - palestra de Isaac Asimov

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(texto traduzido de original em inglês, The Future of Humanity, retirado do site Asimov On Line; tradução de Cristine Martin)


Assunto: O Futuro da Humanidade

Local: Newark College of Engineering
Data: 8 de Novembro de 1974

“O documento a seguir é a transcrição de uma palestra dada pelo Dr. Isaac Asimov. Ela vem de uma fita de áudio que mantenho em minha coleção desde a 6ª série. Ela não está disponível em lugar algum; por favor, não me mandem e-mails pedindo cópias. Eu a apresento ao grupo como tributo a um homem que mudou meu modo de pensar quando mais precisei.

Fiz algumas correções quanto a palavras mal colocadas, eliminei quaisquer gaguejamentos, etc. Essas edições não afetaram de modo algum o conteúdo pretendido da apresentação. Após ouvi-la por tantos anos, eu a compreendo completamente.

Enquanto vocês leem isto, tenham em mente que o bom doutor improvisou muitas de suas palestras. Geralmente, quando era solicitado a falar em um dado evento, ele perguntava qual era o assunto desejado e raramente, se tanto, preparava algo para a ocasião. A maior parte do que vocês leem aqui é inglês conversacional, e pode não parecer muito elegante no papel.

O que vocês leem aqui, apesar de eterno, é um produto de seu tempo. 1973 viu o fim de muito otimismo trazido dos anos 60, e o embargo do petróleo era a primeira inconveniência real experimentada pelos “baby-boomers” da América em escala nacional. Muitas famílias de classe média precisavam então do salário de duas pessoas, e o custo de vida estava subindo.

Vinte e dois anos se passaram desde que o bom doutor apresentou isto, e o conteúdo ainda carrega uma verdade universal. Mesmo que isto seja a única coisa que você leia, produzida pelo falecido Dr. Asimov, poderá ter uma boa ideia quanto ao nível de sua sabedoria. Eu sinceramente duvido que este mundo possa ver novamente outro indivíduo com habilidades remotamente próximas das dele.

Por favor, note que este material NÃO está protegido por direitos autorais, e eu o estou colocando em domínio público.

B. Torre
8 de junho de 1995″


INTRODUÇÃO (pessoa não identificada)

É agora com grande prazer que lhes apresento um homem que é provavelmente o escritor de ficção científica mais prolífico do mundo hoje. E, ele é também um homem muito erudito…e não vou falar mais, porque ele é muito mais esperto que eu. Apenas vou… bem, isto não é falar demais, mas… vou trazê-lo até aqui agora. Ahhn… por favor, recebam o Dr. Isaac Asimov.

(aplausos)


Palavras do Dr. Asimov:

Obrigado, obrigado. Eu tenho… vocês podem ouvir o que estou dizendo, ou terei de me inclinar até isto aqui?

(sem resposta)

Vocês podem me ouvir quando eu falo assim? Alguém?

(algumas pessoas respondem que podem entendê-lo.)

OK.

Minha viagem de Newark até aqui foi muito emocionante.

(risadas do grupo)

Porque, vocês sabem, minha correspondência vai para meu escritório. Que não é onde moro. E quando me disseram que iriam me buscar, eu cuidadosamente escrevi uma carta bem clara explicando exatamente onde moro. O que inevitavelmente fez que eles mandassem o pessoal para meu escritório.

(risadas suaves do grupo)

Enquanto eu estava lá na rua, esperando pelo carro, ouvido o tique-taque dos minutos passando, percebendo que eu deveria estar aqui às oito horas… fiquei desesperado. Finalmente chamei minha esposa ao interfone e disse: “Ligue para o escritório e pergunte se há alguns idiotas lá procurando por mim”(risos)

Ela fez isso e me chamou de volta, dizendo que era lá que eles estavam, e que ela havia dito a eles para virem aqui. Eu disse: “Por que você fez isso? São quatro quarteirões. Eles nunca vão conseguir!”

(risos)

Eles quase não conseguiram.

(risos)

Tive de esperar mais dez minutos.

(risadas fracas)

Então, mas finalmente chegamos aqui cinco minutos adiantados. E batemos em uma porta fechada.

(risadas fracas)

E um guarda de segurança abriu e disse: “Você não pode entrar”.

(risadas fortes)

E os dois rapazes que estavam comigo, que pareciam estudantes de faculdade… tipos bem insípidos…

(risadas fracas)

…disseram: “Tudo bem com a gente”, ele disse, “Mas este é o palestrante”. E o guarda olhou para mim e disse: “Este é o palestrante?” E eles disseram que sim. “Eu ouvi dizer que o palestrante está lá em cima”

(risadas bem fortes)

E então entramos por outra porta onde não havia nenhum guarda.

(risos)

E aqui estou eu. Agora, aquele outro palestrante não vai dizer uma palavra a vocês, mas aposto que ele vai receber o cachê.

(risos)

Ahhh… Mas de qualquer modo, agora vocês percebem por que odeio viajar. Minha discussão sobre o futuro do homem se aplica muito, muito bem ao que acabou de acontecer comigo, como vocês logo vão ver. Deixem-me explicar.

Uma vez, quando eu não tinha nem dezenove anos, escrevi uma história chamada “Trends” (tendências). Foi a primeira história que vendi a John Campbell para a velha “Astounding Science Fiction”. Ela apareceu no número de julho de 1939.

E nela eu falei da primeira viagem ao redor da Lua e de volta à Terra . Eu a situei na década de 1970. A primeira tentativa, que foi um fracasso, foi em 1973. E a segunda tentativa, que foi um sucesso, foi em 1978. O voo verdadeiro aconteceu em 1968, então fui conservador em dez anos. Além disso, meu voo foi tudo o que houve, enquanto que na vida real o voo ao redor da Lua foi precedido de todos os tipos de voos orbitais e sub-orbitais, e acoplamentos, e correções de meio-curso, e satélites de comunicação, e satélites de navegação… tudo o que há sob o sol.

Então vocês podem ver como eu estava errado. De fato, eu estava ainda mais errado que isso, porque quando eu escrevi minha história, em 1939…38, ela foi publicada em 39… quando escrevi essa história, eu tinha ideias definidas sobre como um voo espacial aconteceria.

Em primeiro lugar, eu fiz meu inventor construir uma espaçonave em seu quintal.

(risadas fracas)

Em segundo lugar, eu tinha a atitude de que qualquer homem suficientemente bom para construir uma espaçonave era bom o suficiente para pilotá-la.

(risadas fracas)

O que eu quis dizer era que o inventor era o astronauta, uma grande economia de tempo e trabalho.

(risadas fracas do grupo)

Além disso, não me preocupei em estabelecer bases de computadores em nenhum lugar… especialmente, não no Texas. Porque hoje em dia, para ser perfeitamente honesto com vocês, e isso é o que eu gostaria de ser, perfeitamente honesto. Para ser perfeitamente honesto com vocês, eu realmente não vejo qual é o grande problema sobre chegar à Lua com computadores e as correções de meio curso. Sei que vocês são um bando de engenheiros, e vocês sabem melhor que eu, mas eu pergunto… uma vez que vocês tenham deixado a atmosfera, vocês vêem ou não vêem a Lua?

E se vocês vêem a Lua, é só ir até ela, não?

(risadas mais fortes)

Na verdade, a única coisa que me deixou confuso… a única coisa que me deixou confuso nessa história é de onde lançar a espaçonave. Eu vivi no Brooklyn toda a minha vida, e olhando ao redor percebi que não havia um lugar de onde lançar uma espaçonave com segurança…

(risadas)

… sem causar a ira dos cidadãos.

E então pensei que seria melhor lançá-la de algum lugar fora do Brooklyn. E isso me deixou imediatamente encrencado porque eu não sabia, com certeza, se existia algum lugar fora do Brooklyn.

(risos)

Quer dizer, ouvi alguns rumores a respeito, mas eu sou um sujeito muito difícil de enganar. Eu gosto de provas concretas. Mas percebi que tinha de fazer alguma coisa, então eu lancei a nave… a espaçonave… dos limites mais distantes do mundo conhecido. Para ser mais preciso, na Cidade de Jersey.

(risadas muito fortes)

Não estou brincando. Eu realmente o fiz. E ainda assim, eu vendi esta história.

(risadas)

Não apenas vendi esta história, mas ela foi reimpressa cinco vezes. A última vez, em 1973. Naquela época, eu suspeitava que a maioria das pessoas podiam perceber que os detalhes na minha história estavam errados.

(risadas fracas)

Bem, por que isto, vocês se perguntam? Eu lhes digo. A história não foi impressa por causa de qualquer um dos detalhes de engenharia… desculpem a expressão. Ela foi publicada porque eu tinha algo que o editor nunca havia visto antes. Eu havia postulado a resistência a um voo espacial. Havia uma grande organização de pessoas na terra que ficavam doentes com qualquer coisa sobre as pessoas tentarem sair para o espaço. Eles achavam que as pessoas deveriam ficar na terra e cuidar de seus próprios negócios. E isto nunca havia sido postulado antes. Nunca!

Até aquele momento, o único modo que a viagem especial havia sido tratada era ou o herói ir para Deneb ou algum lugar desse tipo, e lutar com os homens-ostras de lá,

(risadas fracas)

… e casar com a linda princesa que põe ovos,

(risadas fracas)

…sem qualquer referência seja da terra ou das pessoas que vivem lá. Por outro lado, o único modo de lidar com o voo espacial era ter o herói pousado na Lua, ou em outro lugar parecido, e então fazê-lo voltar e ser recebido com um desfile com chuva de papel picado, com todos muito felizes com seu ato heróico.

Nunca ocorreu a ninguém que realmente poderia haver alguma resistência ao conjunto da ideia; as pessoas deviam pensar que era uma ideia estúpida e um desperdício de dinheiro.

Depois que escrevi a história, novamente, ninguém teve a ideia. Não acho que alguma outra história tenha aparecido, onde houvesse algum tipo de oposição ao voo espacial. Digo, a princípio. Até a época em que a oposição apareceu.

E então vocês devem pensar como é possível que um rapazinho de dezoito anos, muito simples e ingênuo, que literalmente e honestamente duvidava se havia algum lugar fora do Brooklyn. Como era possível que ele pudesse ver algo tão claro, que cabeças mais velhas e mais duras não conseguiram ver?

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