Publicado em Junho - 19 - 2009

Blog Dorado

Esta semana o Rato de Biblioteca recebeu mais um presente: a Naomi, aka titia Batata, indicou este humilde bloguinho na sua lista de Blogs Dorados. Ueba!

Fiquei feliz pela lembrança e pela amizade, é gostoso saber que pessoas legais como ela gostam do que há neste cantinho. O Rato agradece comovido!

Segundo as pesquisas da titia, o prêmio original:

Homenageia os melhores blogs e tem sua simbologia nas cores que utiliza.
A cor azul representa paz, profundidade e imensidão.
A cor dourada, a sabedoria, a riqueza e a claridade das idéias.
O prêmio em si representa a união entre os blogueiros.

As regras:
- Colocar o prêmio em situação visível ou linká-lo.
- Anunciar através de um link, o blog que o premiou e premiar até outros 15 blogs, avisando cada blogueiro sobre a premiação.

E as regras que ela recebeu e concedeu, e que portanto são as que também vou usar aqui, são:

1) Mencionar quem lhe ofereceu o selo.
2) Completar a frase “Eu sou Luz e quero iluminar…”
3) Passar o selo para até 15 blogs que consideremos de LUZ, avisando-os da oferta.

Então vamos lá:

1) A  Luciana Naomi do blog Batata Transgênica, que leio há bastante tempo; ela é uma pessoa simpática, alto astral e bem humorada, e uma ótima amiga. Beijão, flor!

2) “Eu sou luz e quero iluminar… as idéias e a criatividade de quem encontrar pelo caminho; com a luz de todos, quem sabe o caminho fique um pouquinho mais claro.” ;-)

3) Alguns blogs que leio sempre e que estariam em minha lista já foram homenageados pela Naomi: além do próprio Batata Transgênica, o Breviário das Horas da Suzana, o Depokafé do Henderson e  o Escreva, Lola, Escreva da Lolinha. Adoro todos eles!  Então vou completar minha lista com outros blogs que também visito sempre e que trazem boas idéias, criatividade, bom humor e nos fazem pensar.

Gostei da idéia da Naomi, e também vou deixar uma amostra do que há de bom em cada blog e por que gosto deles.

And the Oscar goes to…

A Vida Escrita a Mão (Marcia)

“Pepe, o ingrato blackbird que encheu a pança no nosso jardim durante o longuíssimo e gelado inverno e depois se mudou para o jardim maior e mais arborizado do vizinho, continua nos visitando. Não sei quantos pepeletes ele está cuidando este ano, mas ele vem todos os dias, me procura de janela em janela até fazer contato e exigir suas porções diárias de dried mealworms para levar pro ninho.

Pepe está competindo para entrar no Livro Guinness com o record de mais minhocas carregadas no bico de uma vez só. Vê-lo catar uma e derrubar duas é um episódio cômico a parte.”

Bia Badaud

“A obesidade é o alarme, o sinal de que algo não bom está acontecendo. Ao invés de ir buscar o motivo que a fez engordar, a pessoa tenta calar o alarme, tomando remédio. (…)

Pra nós, que somos pouco conscientes das coisas da alma, as doenças e incômodos em geral são avisos, materializações de pedidos de atenção – pedidos de nós mesmos, de nosso ”eu superior”. Não são castigo, não são sinais de fraqueza. Ao contrário, são placas de aviso, ”não siga por aí!” – e a gente, ao invés de pelo menos tentar entender o aviso, ignora a placa, move mundos e fundos pra remover a benevolente pedra que foi posta no caminho, e segue de nariz empinado na rota inicial, como um trator.

O livre arbítrio nos permite fazer isso, ignorar os avisos.

Bom, o que dizem os sábios é que o nosso ”eu superior” sabe muito mais das coisas do que nosso ego consciente.”

Espuminha de Leite (Marta)

Para os jovens que “investiram” no diploma e estão chateados (podiam ter feito faculdade de economia, por exemplo, se tinham foco em jornalismo econômico), vou contar uma historinha. Tenho uma amiga que precisa editar, todo mês, reportagens especializadas, escritas por jovens jornalistas que ainda estão se familiarizando com aquele assunto. Ao mesmo tempo, ela também recebe, para a edição, colunas e artigos escritos por profissionais especializados, que não são jornalistas.

Um dia perguntei a ela o que era mais fácil: ensinar jornalistas a escrever sobre um assunto difícil ou ensinar os articulistas especializados a elaborar um texto mais claro e palatável. Ela não hesitou. Era muito mais fácil editar o texto de um jornalista. Sempre. Moral da história: só se torna jornalista de fato quem tem o dom (ou a técnica) de se comunicar.”

Jóias da Família (Rose)

Certa vez um conhecido me disse que ele achava um absurdo a mulher parar de trabalhar fora “só″ porque casou e teve filhos. Ele tomava como exemplo a própria mãe que, de tanto ficar em casa, tornara-se uma mulher alienada que só sabia falar de novelas.
Eu digo que é excelente a mulher continuar trabalhando fora sendo esposa e mãe, ainda mais se ela puder contar com um apoio logístico, alguém da família ou talvez uma babá santa caída do céu que vai segurar todas as barras quando ela mesma não puder se materializar de um canto a outro da cidade em tempo recorde.
Não é possível comparar as mulheres de trinta, quarenta anos atrás com as mulheres de hoje, que têm ao alcance dos dedos as mais diversificadas fontes de informação. Hoje em dia só fica alienado quem quiser.”

Marjorie Rodrigues

“Aliás, deixa eu fazer aqui um parêntese sobre a “geração saúde” e o discurso pela qualidade de vida e em busca da longevidade. Vocês já devem ter reparado que isso virou moda na imprensa. Semana sim, semana não, tem alguma revista com esse tema na capa. E o que eu acho muito engraçado é que nenhuma dessas matérias questiona o estilo de vida pós-moderno. Nenhuma das reportagens liga os pontos e conclui a obviedade: que o estresse é o mal moderno porque o ritmo do mercado quer tudo para ontem. Não seria algo tão expressivo se não fosse um fenômeno social. Tantas pessoas comem mal porque têm pressa. Tantas pessoas dormem pouco porque trabalham muito. Tantas pessoas são sedentárias porque não têm tempo de se exercitar. E porque existem controles remotos, telefone sem fio, computadores por todo canto, enfim, toda uma parafernália que nos desobriga de levantar a bunda da cadeira. Enfim, é uma ciranda que nos impele a entrar.

Mas, escondendo o óbvio, essas matérias dizem que, se você fica gordo, a culpa é sua. Se você está estressado, a culpa é sua. Se você está cavando um ataque cardíaco para daqui a cinco anos, a culpa é sua. Toda a responsabilidade é atribuída individualmente, como se não houvesse um contexto. E também é individualmente que você tem de sair dessa.”

Palavras Soltas (Juliana)

“Vamos tirar o véu de glamour, celebridade ou importância dessas pessoas. Vereadores, deputados, senadores não são mais do que representantes, simples prepostos em reuniões de condomínio, ou seja, do lugar em que vivemos. Pode ser o condomínio-cidade, o condomínio-estado ou o condomínio-país. Eles não são mais do que meros representantes temporários. Prefeitos, governadores e presidentes não são mais do que síndicos. Eles não são especiais, também não tem super poderes, nem podem mais do que os outros. A síndica do edifício em que eu moro não tem o direito de fazer aquilo que os outros moradores também não tem, só porque é síndica. E ela não faz! Não faz porque é séria e responsável, mas poderia não fazer só porque é consciente da sua função, da sua transietoriedade e do fato de que será destituída desse cargo se o fizer. É um cargo! Uma ocupação profissional. “

Publicado em Junho - 04 - 2009

Informações sobre a gripe suína

Recentemente traduzi as legendas de mais um interessante vídeo de animação, “Como prevenir e reconhecer os sintomas da gripe suína”, que informa sobre os sintomas e tratamento da gripe suína, ou gripe A H1N1.

O vídeo da Howcast é curtinho, apenas 3 minutos, e traz informações sobre os sintomas, formas de contágio, maneiras de prevenir e evitar o contágio e qual o tratamento da doença. Não consegui colá-lo no blog (aparentemente isso só funciona com vídeos do YouTube), mas podem assisti-lo aqui.

E para informações mais aprofundadas sobre a gripe suina e muitos outros assuntos científicos, minha dica do dia é um blog excelente, o Rainha Vermelha, hospedado no site Science Blogs.

Esse é o blog de Atila Iamarino, biólogo e doutorando em evolução de HIV-1, apaixonado por ciência e viciado em informação, que explica em seu blog assuntos tão diversos e interessantes como porque temos diferentes cores de pele e cabelo, alimentos transgênicos, evolução, doenças infecciosas e muito mais.

Atila também colabora com artigos no interessante site Papo de Homem, com temas divertidos sobre ciência e evolução. Não deixe de visitar esses dois blogs!

Sobre a gripe suina, Atila explica:

2. Qual o perigo de um vírus diferente?

O motivo para não sermos imunes ao influenza A depois de uma gripe é que o vírus muta muito [2]. Dois fenômenos são importantes, o drift, onde o vírus acumula pequenas mutações nos genes H e N, suficientes para no ano seguinte nosso sistema imune não reconhecer o vírus. Mais importante (e mais frequente do que se imaginava) é o shift. O shift acontece quando dois influenza diferentes entram na mesma célula e ao saírem misturam seus cromossomos, e dos oito pedaços que levam, alguns são do vírus x e outros do y. Quando isso acontece, o vírus muda abruptamente e nosso sistema imune fica completamente despreparado. É o que faz com que vacinas falhem. Na verdade, existe um atraso entre coletar o vírus e produzir a vacina, de maneira que todo ano temos que estudar o vírus e tentar prever qual vai ser a forma mais importante na epidemia.

As maiores epidemias recentes de gripe ocorreram quando houve rearranjo entre o vírus humano e o vírus aviário, como na gripe asiática de 1957 (H2N2) e Hong Kong 1968 (H3N2). o vírus da gripe espanhola, é H1N1 e aparentemente saltou direto dos patos para o ser humano, sem rearranjo [3]. Quem intermedia o rearranjo, contraindo o vírus humano e aviário? Os porcos e galinhas.

Isso explica porque a maioria das pandemias de gripe começa na Ásia. Imagine mercados populares lotados de gente, onde se vendem em barracas patos, patos selvagens, galinhas, gansos e porcos. Soma a isso a técnica de alimentação dos porcos, onde eles colocam a gaiola dos patos e das galinhas em cima da dos porcos, e dão comida apenas para as aves. Isso gera as condições ideais para o surgimento de vírus aviários infectando humanos.

4. Por que a gripe suína é perigosa?

Os porcos e as aves domésticas são os “atravessadores” dos vírus que circulam em aves migratórias para os seres humanos. Por isso os vírus que eles nos transmitem são perigosos, por serem muito diferentes do que nosso sistema imune encontra normalmente. Além de poderem ser um ponto de rearranjo entre um vírus diferente e um vírus adaptado ao ser humano.

Aparentemente, o que impede o H5N1 (Gripe Aviária) de ser transmitido de humanos para humanos, é o receptor celular que o vírus usa. Até hoje, H5N1 só foi transmitido de aves para seres humanos (uma possível exceção é uma transmissão entre mãe e filha, mas o contato entre elas foi intenso) porque o vírus infecta melhor o sistema respiratório e digestivo das aves do que o humano.

O perigo é que, as células do sistema respiratório dos porcos são mais parecidas com as nossas, de forma que um vírus adaptado ao porco teoricamente pode ser transmitido entre humanos do que um vírus aviário. [4]

Outro fator preocupante é que o vírus da gripe suína atual tem infectado principalmente jovens. Normalmente, crianças e idosos sofrem de gripe. O padrão de vírus agressivo que ataca jovens, com o sistema imune bem saudável, lembra muito o da Gripe Espanhola de 1918.

8. De qualquer forma, há atitudes individuais que podem ajudar:

Lave bem as mãos, e frequentemente. Ao contrário do que se imagina, é mais fácil contrair o Influenza com um aperto de mão do que com um beijo no rosto. Se alguém resfriado espirra com a mão na frente da boca, e damos a mão a esta pessoa, podemos colocar a mão em contato com o olho e nariz, e contrair o vírus. Ou seja, lave bem as mãos, regularmente, e se estiver gripado, cubra o espirro com um lenço e jogue fora.

Evite aglomerações e locais fechados, principalmente com ar-condicionado. O Influenza dura mais tempo no ar em clima seco e frio, e um lugar fechado com ar-condicionado mistura várias pessoas em condições propícias para o vírus. [5]

E como bem disse o Carlos, DON’T PANIC!
(trechos do artigo “O que você precisa saber sobre a gripe suína”, de Atila Iamarino,  retirado do seu blog Rainha Vermelha)

*   *   *

Link para o vídeo no Howcast:

Mais artigos interessantes do Rainha Vermelha:

Publicado em Junho - 03 - 2009

Panteras Dalit - os intocáveis da Índia buscam seus direitos

Hoje li um artigo da Lu Dias no Alma Carioca - Literatura sobre o movimento dos dalits indianos para reivindicar seus direitos. E quais direitos são esses? Simples: ser considerado um ser humano, que possa ter moradia, educação, um emprego digno, não ser tratado como a escória da Terra simplesmente por ter nascido sem casta.

Parece absurdo, mas é verdade. O odioso sistema de castas vigora na Índia há mais de 3000 anos, e apesar de ser proibido pela Constituição do país, ainda é muito forte entre a população. O artigo da Lu mostra tudo isso, e nos deixa indignados com essa situação de seres humanos, iguais a nós, sem os direitos mínimos de viver como tal.

Quem assistiu ao filme Gandhi ficou horrorizado em ver como ele foi tratado na África do Sul, e no entanto, um século depois o apartheid acabou por lá, muita coisa mudou.

Se os sul-africanos conseguiram (claro que à custa de muito sofrimento, não nos esqueçamos das décadas de prisão de Mandela e os massacres nos guetos), esperamos que os dalits indianos também consigam.

Vamos fazer a nossa parte, denunciando essa situação, divulgando essas informações. É o mínimo que podemos fazer. Além de, claro, incluí-los (e também aos poderosos, por mais luz em seus pensamentos e ações) em nossas orações.

Com a autorização da autora, estou publicando o artigo aqui na íntegra. No final do texto há links para outros artigos de Lu Dias sobre a situação dos intocáveis na Índia, cuja leitura recomendo.

Divulgue você também essas informações, com os devidos créditos à autora e ao site original. A Índia é um país maravilhoso, mas sua realidade é ainda pouco conhecida entre nós.

Namastê!

__________________________________________________________________________

Panteras Dalit (intocáveis)

Lu Dias

(Publicado em 03/06/2009 no site Alma Carioca - Literatura)

Em Bombaim, o poderoso discurso do dr. Ambedkar, ao se converter ao Budismo, é adotado pelos intocáveis instruídos, num movimento militante, que se autodenomina Panteras Dalit.

Cansados, após longos séculos de sujeição a todas as castas, esses dalits rebelam-se, usando o mesmo caminho de Gandhi: a desobediência civil.

Conscientizam-se de que não é mais possível aceitar o engodo de que inexistem. Truque usado pela fraqueza das autoridades indianas e pelo poder do braço forte do hinduísmo, para lhes negar qualquer tipo de direito, quer como cidadãos, quer como seres humanos.

Não é mais possível serem fantasmas que necessitam de comida, abrigo, saúde e educação.

dalit_7

Reagem contra o entulhamento subumano em que se encontram nas favelas e calçadas das ruas de seu país, fazendo uso da água de esgoto, limpando excrementos humanos, trabalhando como coveiros, lixeiros e vendo seus filhos e idosos mendigarem, impiedosamente, pelas ruas, sendo enxotados como cães sarnentos, onde quer que estejam.

Eles possuem, agora, a consciência de que valem muito menos de que uma vaca, um macaco, um bicho qualquer, dentro do próprio país.

Reagem à cegueira que lhes impõe a sociedade indiana em relação ao saber, quando os impede de ter acesso à educação, como se fossem animais soltos no mato.

Não é mais possível aceitar viver num país, que se diz democrático, sem usufruir dos direitos de cidadãos livres. É preciso romper com um sistema de servidão que dura mais de 3.000 anos.

Não dá mais, para ser a poeira debaixo dos pés de Brahma, ou o desaguadouro dos dejetos da estupidez humana, que lhes nega, até mesmo, o acesso aos templos hindus, onde poderiam descarregar suas dores, diante do  divino.

É preciso reagir contra os estupros feitos contra suas mulheres e crianças. Contra o barraco queimado, porque a crença diz que não podem ter moradia, pois é preciso pagar a dívida do Karma. Dívida essa, nunca contraída, mas criada pelos poderosos espertalhões.

A vigência da Constituição, em todos os seus artigos, precisa ser efetiva. Chega de leis que não passam de espectros, quando vigora, de fato, o poder dos brâmanes e dos xátrias, em todo o país, que eles ousam, absurdamente, chamar de democrático.

A luta pelos direitos civis dos intocáveis encontra motivação nas campanhas dos negros americanos e dos sul-africanos. Se eles podem, os dalits também podem e devem lutar pela  dignidade de serem respeitados como seres humanos.

Mas, as raposas vorazes não querem dividir o osso e ainda contam com a cegueira do Ocidente, que age como se fora os três macaquinhos chineses (não ouço, não vejo, não falo), optando por não se intrometer. A omissão é a resposta certeira dos egocêntricos.

É preciso colocar-se em guarda contra a possibilidade de “essa gentalha” ter direitos, pensam os finórios. Ela não existe, não ocupa lugar no país. É invisível, fantasmagórica. E deverá continuar a sê-lo. Poeira é poeira e no lixo deve ficar.

A luta é encarniçada, com o sangue dos intocáveis banhando o solo do país da “espiritualidade”, num paradoxo maluco, bizarro, sem precedentes na história humana.

Juntos com o dr. Ambedkar, centenas de milhares de párias convertem-se ao Budismo. Muitos outros buscam o Islamismo e mais outros o Cristianismo. E, mesmo ali, ainda sentem o peso velado do preconceito. Pois, as tradições hindus possuem tentáculos nas entranhas de toda a sociedade indiana.

O sistema, dirigido pelas castas altas, usa suas garras afiadas, para não permitir o rompimento dos elos da corrente de aço, que separam os grandes dos pequenos. Há muito poder em jogo. A partilha mudaria a direção da correnteza. É inadmissível a mudança da ordem das peças do tabuleiro indiano. Não se permite alteração no jogo, quando se está ganhando. Rei é rei e pião é pião. E a rainha (Constituição) tem medo de usar sua liberdade de movimento.

A poeira é apenas pó e pronto! É preciso dizimá-la, antes que se transforme numa tempestade, como as vistas no Saara. Para isso, o ódio sai a campo, na terra da “espiritualidade”, fazendo dezenas de milhares de vítimas, que novamente voltam ao pó, de onde jamais deveriam ter saído. Pensam eles – os poderosos.

dalit_5

Qualquer tipo de atrocidade é justificável, para escorraçar os cães nauseabundos e famintos, de modo que reconheçam o lugar, que lhes foi reservado há mais de 3.000 anos. É muita  cara de pau,  exigirem o que não  merecem, se nada são, como definem os  costumes, as tradições  de um povo tão  espiritualizado. Are Baba! Que corja de  bandidos impuros e imundos.

Aldeias dalits são incendiadas. Suas mulheres e crianças estupradas. Homens dalits são aprisionados em emboscadas. Seus líderes ameaçados de terem a cabeça decepada, se continuarem a insistir na busca por direitos, que nunca possuíram.

A poeira tenta resistir ao vendaval, invadindo templos, tentando quebrar o elo de milhares de bizarras tradições, paridas para tornarem os dalits, párias de um país, onde abunda a “espiritualidade”, somente visível para os tolos. ULUCAPATÁ!

A poeira torna-se mais densa, dando cria a líderes dalits em todo o país.

Dalits são queimados, mas, do pó de seus ossos, nascem a coragem de seguir adiante e a certeza de terem sido os primeiros habitantes da Índia, muito antes da invasão do país pela raça ariana. Portanto, merecem e exigem o devido respeito!

Não mais aceitam a inferioridade como uma causa divina, mas como uma cilada preparada pelos descendentes da raça branca, em conluio com o hinduísmo. Tampouco aceitam a dor e o sofrimento como únicos direitos que possuem em vida. Exigem o cumprimento da Constituição indiana.

Mas, as castas ricas não arredam pé. São mais fortes, possuem o comando do país.

Uma tocante “Carta dos Direitos Humanos dos Dalits” foi redigida com fortes apelos à ONU e à Comunidade Internacional. Acreditam os intocáveis, que o mundo, ao tomar conhecimento das atrocidades por eles sofridas, tomaria posição. Expectativa que não se consuma.

As leis do país continuam imorais, de modo que as sentenças variam de conformidade com as castas. Tampouco a Constituição do país garante aos intocáveis os direitos mais elementares, necessários a um ser humano.

Encerro o meu desabafo com os versos do poeta dalit, Namdeo Dhasal:

“Nasci quando o sol enfraqueceu

E lentamente se apagou

No abraço da noite.

Nasci numa viela

Num trapo velho

Cresci como alguém com um parafuso a menos

Comi fezes e cresci.

Me dá cinco centavos, me dá cinco centavos

E pegue cinco palavrões em troca

Estou a caminho do santuário”

Nota: este texto é uma homenagem a todos os homens, que vivem na Terra, como escravos de outros homens.

Namastê!

*     *    *

Para saber mais:

Publicado em Abril - 27 - 2009

O Rato recomenda: “As duas Índias: a da escuridão e a da luz”

Aos que esperam aqui mais artigos sobre filmes e livros, peço desculpas, eles logo estarão de volta. Mas hoje gostaria de recomendar a leitura de um artigo profundo e chocante.

Muitas pessoas tiveram o interesse pela Índia despertado pela novela da Globo, e como escrevi um pouco sobre o assunto o Rato de Biblioteca tem recebido muitas visitas de pessoas que procuram saber mais sobre a Índia.  Sempre recomendo duas ótimas fontes, o Indi(a)gestão e os artigos de Lu Dias no Alma Carioca.

Hoje a Lu escreveu um texto impressionante, que reúne tudo o que a Sandra Bose tem dito e repetido em seu blog, mas de forma condensada. Aos que conhecem apenas a Índia da novela, ou aos que imaginam uma Índia espiritualizada, de gurus e yoga, recomendo esta leitura.

As duas Índias: a da escuridão e a da luz

Lu Dias

“A Índia tem povoado os nossos sonhos desde a infância, quando estudamos em História, a descoberta casual de nosso país, pois, na verdade, os portugueses estavam atrás dos caminhos para a Índia e não de um novo continente. (…)

Hoje, já crescidinhos, deixamos a fantasia de lado, para entender que na Índia real existem dois países: a Índia da Luz e a Índia da Escuridão. E é sobre essa última que falaremos agora, uma vez que a primeira é conhecida além da conta, a ponto de fazer sombra sobre a segunda.

A Índia da Escuridão é aquela que mergulha no Rio Ganges e de lá sai com a boca cheia de fezes, de palha, vê partes de corpos humanos encharcados, búfalos em decomposição, além de ser banhada por sete diferentes ácidos industriais, e ser coberta por um cheiro de carne em putrefação.

É aquela em que, as pessoas nas aldeias, ainda não sabem quantos anos têm. E em que as liteiras de bambu transportam o cadáver embrulhado num pano de cor de açafrão, cuja cremação é de acordo com o montante de achas de lenha, que se pode pagar.

No ponto em que as águas do Rio Ganges tocam as margens, nessa Índia, debaixo das plataformas onde as toras ficam empilhadas, há um grande lamaçal pardo, cheio de guirlandas de jasmim, pedaços de tecidos, pétalas de flores, ossos enegrecidos pelo fogo, cães fuçando por toda parte.

Na Índia da Escuridão vivem os condutores de riquixás, proibidos de circular nos bairros luxuosos de Nova Delhi, na Índia da Luz, para não impressionar os estrangeiros ricos, dando-lhes uma má impressão sobre o país. Esses homens são, na verdade, bestas de carga humana, que mal se aguentam de pé, pois muitos estão vitimados pela tuberculose ou avitaminose.

(…)”

Leia o artigo completo aqui.

Outros artigos de Lu Dias na série Caminho das Índias do Alma Carioca:

e muitos outros, lá no Alma Carioca.

Namastê!

Publicado em Março - 29 - 2009

Alma Carioca: retrato da alma brasileira

A Internet é mesmo interessante: através do Indi(A)gestão, conheci a Lu Dias e seus ótimos artigos sobre a Índia no Alma Carioca - Literatura. E tive a grata surpresa de conhecer mais um ótimo site, que recomendo a todos!

O Alma Carioca - Literatura é um projeto criado e organizado por Paulo Afonso Teixeira, que além deste tem outros sites/blogs:

o Alma Carioca, com informações, fotos, vídeos, crônicas, passeios, enfim, tudo sobre o Rio de Janeiro. Na seção ‘Crônicas’ há textos de escritores consagrados como Affonso Romano de Sant´Anna, Arnaldo Jabor, João Ubaldo Ribeiro, Cora Rónai, Drummond, Luis Fernando Veríssimo e muitos outros. O site também traz lindas fotos do Rio atual e do Rio antigo, e dicas de onde ficar, onde comer e onde se divertir. Uma ótima pedida para quem adora o Rio!

O blog Dicas do Timoneiro, como o nome diz, tem dicas úteis e interessantes em diversas categorias (computador, reparos domésticos, alimentos, casa e jardim, cultura, economia, saúde e férias e lazer). Por exemplo, entre as dicas do blog temos Como fazer uma horta caseira, Colocar laje sem mexer no telhado, Como sobreviver à crise, Surfe e mergulho em Paraty, Dez conselhos para viver bem e, para os blogueiros, Como ter renda extra com seu blog.  Variado e interessante!

O blog O Barquinho tem assuntos variados, fotos, cultura, notícias. E o blog Latitude 23 traz notícias e informações sobre ecologia, natureza e turismo no estado do Rio de Janeiro.

*   *   *

E por fim, o espaço cultural que me conquistou, o Alma Carioca - Literatura. O site conta com a colaboração voluntária de diversos escritores e oferece crônicas, contos, poesias,vídeos, fotos. Um site de conteúdo variado e excelente.

O site foi criado em junho de 2008. Nos primeiros 4 meses de ‘vida’ já contava com mais de 1.000 textos, tanto de colaboradores quanto de escritores consagrados. Entre os textos dos quase 70 colaboradores destacamos:

Hila Flávia - A hora de mudar de vida

Pois é! A vida vai passando e a gente nem se dá conta. Isso porque espelho é objeto mentiroso e o ser humano gosta mesmo é de se enganar. E, para tanto, haja tinta no cabelo, haja cirurgia plástica, haja qualquer coisa que diminua a consciência da idade que avança inexoravelmente. Sempre penso no porquê das coisas e acho que o que abala as pessoas é a proximidade da morte. Não que exista senha para morrer. Mas estarmos na linha de frente da batalha nos dá uma chance a menos. Isso é verdade. Verdade também é que quem não está preparado para morrer, não está preparado para viver. A vida é um risco constante e o comportamento de avestruz, não querendo enxergar o mais óbvio, não leva a nada. (…)

(leia mais aqui)

Edgard Santos - A televisão em nossos dias

Acho que possuir uma mente livre e desapegada constitui enorme dádiva para o ser humano. Vivemos rodeados de influências as mais diversas, elas nos chegam sem que nos demos conta. Não medem hora nem lugar. A televisão é uma delas. A diferença fundamental está em seu campo de ação e este é medido pela nossa vontade. É querer ou não ser um fantoche, manipulado pela ditadura da comunicação. Hoje não é diferente do ontem, mas a tecnologia materialista confunde a mente do incauto. A informação é cavilosa; um prato cheio de iguarias tentadoras. A fome do ser e ter é suprida. A vontade de conhecer se embota e a ilusão faz a festa. (…)

(leia mais aqui)

Nina Araújo - Circular (Nina Araújo e Pat Borato)

As idéias cativam as abelhas
No frio elas quase invadem
E o doce que delas ardem
Sustentam todas as teias

As idéias cativam os rios
Contôrno elas nunca fazem
E a pororoca nos cios
Desovam os peixes capazes

As idéias cativam os homens
E a moda recria e age
O novo nasce de outros nomes
Embora com a mesma plumagem

Terezinha Pereira - Pontos negros na linha de encontro do céu com o mar

Como todas as mulheres daquela aldeia à beira-mar, ela tecia rendas com fios de puro branco. Enquanto durava a tecitura, como as outras, ela também ficava à beira-mar. A cada manhã, acompanhava a partida dos homens da aldeia _ pais, maridos, noivos, filhos_ que saíam em busca do sustento do lar. Ao entardecer, com belos rendados nas mãos, as mulheres da aldeia se emocionavam com o surgir de pontos escuros lá na linha do horizonte. Eram minúsculos pontos que iam crescendo e tomando forma de barcos. Um momento de grande júbilo, a chegada dos homens com seus barcos cheios de peixes ou não. (…)

(Leia mais aqui)

Lu Dias - A Índia e as Superstições / Are Baba

Em meio ao mosaico de crenças e cerimônias religiosas, as superstições encontraram um terreno fértil na Índia. Falaremos de crenças antigas e atuais.

E, dentro dessa seara, encontramos tudo que é capaz de tornar o homem “feliz” ou “infeliz”, “próspero” ou “pobreco”: oblações, encantamentos, exorcismos, astrologia, oráculos, votos, quiromancia, adivinhação, ledores de fortuna, encantadores de serpentes, faquires, iogues, homens santos, misticismo, feitiçaria, arte divinatória, magias, mantras, receitas encantadas, feiticeiros, nigromantes, videntes, sonhos, sinais dos céus ou de buracos abertos nas roupas pelos ratos (Em vez de matar o ratinho por que furou sua roupa, veja aí um bom auspício: você vai comprar uma roupa nova.). (…)

(leia mais aqui)

Lu Dias começou há alguns meses uma série de artigos sobre a Índia no Alma Carioca que têm recebido muitas visitas e comentários. Muito bem escritos, eles abordam diversos temas da cultura e cotidiano daquele país, sempre mostrando a verdade e detalhes desconhecidos da maioria das pessoas. Entre os mais de 30 artigos, destacamos:

E a boa notícia é que você também pode participar do Alma Carioca! Se você gosta de escrever, pode enviar seus textos para publicação no site. O assunto pode ser algo que tenha sido vivido ou imaginado, podendo ser um conto, uma crônica, um poema ou um texto qualquer. O texto deve ser inédito na internet, não tendo sido publicado anteriormente em outro site ou blog.

Maiores informações sobre como participar podem ser encontradas aqui.

Você também pode participar através dos comentários nos textos que lhe agradaram. Os escritores participam ativamente dos comentários, com feedback simpático e inteligente com os leitores. Um ambiente nota dez!

Fico feliz em poder divulgar este site que me encantou e convido todos os leitores do Rato a visitarem o Alma Carioca - Literatura. Vale a pena!

Gostou dos gatinhos? Você pode ajudá-los!

Para saber como, veja os artigos de Paulo Afonso, Interferindo na Natureza e Gatos de Sorte. Os felinos agradecem!

*   *   *

Site Alma Carioca

Blog Dicas do Timoneiro

Site Alma Carioca: Literatura

Publicado em Março - 14 - 2009

O fascínio sobre a Índia

Quando publiquei o artigo Incredible India! percebi que o interesse por aquele país aumentou bastante, provavelmente devido à novela da Globo e ao Oscar recebido pelo filme “Quem quer ser um milionário?”. Vejo nas estatísticas do blog que muitos chegam aqui procurando informações sobre ‘costumes indianos’ (a pesquisa com maior incidência), ‘fotos da Índia e seus costumes’, ‘blogs sobre a Índia’, ‘como é a Índia realmente?’, ‘palavras sobre o pais indiano’, ‘qual o melhor livro sobre costumes sobre a Índia’ e até ‘bolsas artesanais da Índia’. Realmente, os brasileiros querem saber mais sobre a Índia.

Recebi por e-mail esta mensagem da Profª Sandra Bose, que tenta descobrir uma explicação para esse fascínio pela Índia. Realmente é um país interessantíssimo, com uma cultura muito rica e variada, e muito diferente da nossa. Admiro o trabalho da Profª, que em seu blog Indi(A)gestão mostra a verdadeira face da Índia.

Ao conhecermos um país com seus defeitos e qualidade, seus problemas e seu potencial, não deixaremos de gostar dele. Ao contrário, somente conhecendo todos os aspectos de uma cultura e um país podemos realmente apreciá-lo. Amamos o Brasil por termos nascido aqui, mas reconhecemos que ainda temos muitos problemas a superar. Não existe um país perfeito para morar, assim como não existem pessoas perfeitas. E a variedade de pessoas, costumes, tradições, culinária, músicas, produção cultural, tudo isso enriquece um país e é o que nos atrai a ele.

Estou publicando abaixo a mensagem da Profª Sandra Bose, e recomendo que visitem e leiam o blog Indi(A)gestão. Muitos fatos e imagens podem ser chocantes para quem espera uma Índia ‘de novela’, mas conhecer a verdadeira Índia não a tornará menos interessante e atraente. Depois do texto, algumas informações interessantes sobre o país.

Om Shanti

*   *   *

“Namaskar

Brasileiros e portugueses são igualmente atraídos pelos encantos da distante Índia.

Mas o que os leva a ter fascínio por um país sobre o qual não conhecem quase nada?

Não sabem quantos estados a Índia possui, qual é seu regime político, quais são suas religiões, tradições culturais, comidas, história, mitologia, geografia, línguas etc.

Mesmo assim, recebo diariamente dezenas de emails e comentários no meu blog Indiagestão dizendo, “sempre amei a Índia, não sei porque mas sempre tive vontade de conhece-la”; e isso muito antes da atual novela Caminho das Índias entrar no ar.

A questão é por que tantas pessoas nutrem um carinho por um país que mal conhecem?

Atribuo a explicação para este fato, às aulas de história do ensino fundamental. Quando somos crianças a primeira coisa que aprendemos na escola em relação a história de nosso país é que os portugueses ao tentarem descobrir uma rota marítima para a Índia acabaram por encontrar o Brasil.

Quando ouvimos isto, nossa imaginação infantil corre solta, e esta história acaba virando um fascínio para nós, pois tem além de tudo um sabor de aventura. Inconscientemente fica registrado que se os portugueses, nossos colonizadores e portanto seres superiores (é assim que funciona para o nosso inconsciente infantil), se deram ao trabalho de lançar tamanha empreitada já naquela época, para alcançar uma terra tão distante como a Índia, é porque com toda certeza valeria muito a pena!

A imaginação corre solta e cria-se uma imagem de um país fascinante e incrível. Assim nasce o fascínio brasileiro pela Índia. Este fascínio ficou no inconsciente coletivo e por isso mesmo todos dizem adorar a Índia, sem no entanto conhece-la.

Claro que há ainda pessoas que acreditam que aqui viveram em vidas passadas, mas este assunto eu deixo a encargo dos místicos.

Profª Sandra Bose”

www.indiagestao.blogspot.com

*   *   *

Fatos sobre a Índia

Nome: República da Índia

Capital: Nova Delhi

Maior cidade: Mumbai (antiga Bombaim), com quase 14 milhões de habitantes

Área: 3.287.240 km2

População: 1.147.995.904 (estimativa em 2008)

Idiomas oficiais: hindi e inglês (além de mais 28 dialetos e idiomas oficiais)

Forma de governo: república federal parlamentar; tem 28 estados e 7 territórios federais

Com sua grande área e diversidade de clima, topografia e vegetação, a Índia tem características culturais diferentes em suas várias regiões. Quatro das principais religiões do mundo, hinduísmo, budismo, jainismo e sikhismo originaram-se lá, enquanto o zoroastrismo, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo chegaram no primeiro milênio da era cristã e deram forma à diversidade cultural da região.

A Índia é a 12ª maior economia do mundo, mas ainda sofre de altos níveis da pobreza, analfabetismo, e má nutrição. Uma sociedade pluralista, multilingue, e multi-étnica, a Índia é igualmente o berço de uma diversidade de animais selvagens em uma variedade de habitat protegidos. O país tem diversos parques e santuários de proteção da vida selvagem. Recomendo o artigo de Verônica Theulen sobre os contrastes da Índia.

(…) “Natureza no seu estado primitivo, sagrada, total, plena, é rara de se ver por aqui. O mundo natural que se vê aqui é o reflexo da mente humana, tal qual como pode ser produzida por esta multidão. O que se encontra aqui é a realidade interior. É reflexo do que há na alma humana. Então, como não se surpreender que o mesmo país que se intitula como o mais espiritualizado do mundo, é o que também traz uma natureza totalmente destruída, como qualquer outro não espiritualizado. O que se vê é um completo colapso. Uma terra colapsada. Um lugar miserável em termos de políticas e ações em prol da conservação. É como ter em suas mãos um livro onde quase todas as páginas foram arrancadas, destruídas e profanadas. E quando se depara com algumas, esquecidas, últimas páginas sagradas dessa natureza selvagem, da vida silvestre abundante, da fauna exuberante, dos lugares extraordinários, é difícil conter a emoção. ” (…)

Texto de Verônica Theulen

Um dos aspectos da cultura indiana, apesar de oficialmente banido, é o sistema de castas da Índia, característico dos hindus, não só na Índia, mas também no Nepal. Apesar de a televisão atenuar bastante o problema, o preconceito contra as castas inferiores e os ‘dalits’ ainda é muito forte no páis; eles são proibidos de entrar nos templos; 60 milhões de dalits (de um total de 300 milhões) são explorados através do trabalho forçado; a maioria das pessoas de castas altas não querem que sua comida seja preparada por dalits, por medo de tornarem-se imundos; 66% dos dalits são analfabetos. Para mais informações, leia o artigo do Indi(a)gestão.

O país é o maior produtor mundial anual de filmes para o cinema. A produção cinematográfica local concentra-se em Bombaim, Noida, Madrasta e Hiderabade. Os filmes indianos geralmente incluem muitas cenas de música e dança. Estas músicas costumam expressar emoções e paixões, que variam entre o amor, tragédia, triunfo e celebração. Os filmes têm geralmente entre duas a três horas de duração, com intervalo. Para saber mais sobre o cinema indiano, visite o blog de Ibirá Machado, o Cinema Indiano.

Apesar de ser o berço de grandes figuras religiosas e humanitárias como Gandhi, Paramahansa Yogananda, Madre Teresa, Rabindranath Tagore e inúmeros santos e gurus, a Índia dos dias atuais sofre com a violência, fome, miséria, discriminações sociais, preconceitos, e dificilmente seu povo (ou pelo menos a maioria dele) pode ser considerado ‘espiritualizado’. Além dos dalits, as mulheres sofrem com a discriminação e a violência. Apesar de campanhas do governo para tentar evitar essa prática, é grande o número de abortos de fetos femininos, a ponto de os médicos evitarem divulgar o sexo da criança depois de exames de ultrassom. Poucas meninas vão à escola. Os pais não vêem necessidade em uma menina estudar visto que logo vai casar, procriar e cuidar dos filhos. Recomendo o artigo da Profª Sandra sobre a vida difícil da mulher na Índia.

E como ‘aperitivo’ para todas as informações que vocês encontrarão no Indi(a)gestão, não deixem de ler o ótimo (e bem-humorado) artigo de Lu Dias, Polianteia sobre a Índia, com uma ’síntese das coisas imagináveis e inimagináveis’ que ela encontrou no blog da Profª Sandra. Lu Dias é colaboradora do excelente blog Alma Carioca, do Paulo Afonso Teixeira. Lá você encontrará diversos artigos sobre a Índia, além de muitos outros assuntos interessantíssimos. Recomendo!

(PS: Você não sabe o que é polianteia? Vá descobrir no artigo da Lu!) ;-)

*   *   *

Blog Indi(A)gestão

Blog Cinema Indiano

Blog Alma Carioca

Entrada sobre a Índia na Wikipédia (em português)

Cinema Indiano na Wikipédia (em português)

Site do Consulado Geral da Índia (em português), com muitas informações úteis

Artigo de Veronica Theulen: Índia, país do sagrado ao profano

Related Posts with Thumbnails