Publicado em Dezembro - 08 - 2009

Por que o encontro de Copenhague pode ser um desastre

(publicado no Alma Carioca em 07/12/2009)

Está começando (de 07 a 18 de dezembro) em Copenhague a COP15, Convenção do Clima organizada pelas Nações Unidas para discutir o aquecimento global e estabelecer regras para combatê-lo. O Protocolo de Kioto, assinado em 1997, estabelecia regras validas até 2012. Contudo, agora serão discutidas novas metas para a redução da emissão de gases de efeito estufa (especialmente o dióxido de carbono, ou CO2) a serem cumpridas a partir de 2013 ou 2014.

Participarão do encontro ministros do meio ambiente e representantes dos 192 países signatários da Convenção Marco sobre Mudança Climática (UNFCCC), além de autoridades da ONU, presidentes, diplomatas e jornalistas.

O objetivo do encontro é obter o comprometimento dos países com  a redução de 25 a 40% das emissões até 2020 - níveis mais ousados que os do Protocolo de Kioto, que previam reduções de 5% apenas dos países desenvolvidos (Índia e Brasil, por exemplo, não eram obrigados). O sucesso das negociações depende da participação e o comprometimento dos Estados Unidos, segundo maior poluidor do mundo.

Os países com maiores emissões de CO2 são, em ordem decrescente: China, EUA, Rússia, Índia, Japão, Alemanha, Canadá, Grã-Bretanha, Coréia do Sul e Irã. O Brasil está em 17º lugar na lista.

Mas quando se trata de aquecimento global, as decisões não podem ser tomadas como se fosse um problema político, ou seja, pequenas mudanças a longo prazo. O adversário desta vez não são outros países, os partidos de oposição, problemas econômicos, inflação, recessão, nada disso. O adversário é a Física.

Há dois anos a equipe de James Hansen na NASA anunciou que existe um ponto crucial no problema do aquecimento global: Qualquer valor de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera maior que 350 partes por milhão não é compatível “com o planeta onde a civilização desenvolveu-se e para o qual a vida está adaptada”. Esse ponto crucial não mudará: após ser atingido as consequências previstas (aumento de temperaturas, derretimento da calota polar, aumento do nível do mar, etc.) começarão a acontecer.

A física não impõe apenas o ponto crucial, mas também um limite de tempo. A cada ano que não fizermos nada a respeito, o problema ficará muito pior e poderá tornar-se insolúvel - com o derretimento das calotas polares os níveis de metano na atmosfera tornarão impossível voltar à zona de segurança. Mesmo que americanos e chineses proibissem todos os automóveis e fábricas de funcionar, seria tarde demais.

O nível atual de CO2 na atmosfera já atingiu 390 partes por milhão, e os níveis de metano têm aumentado nos últimos anos. Isso quer dizer que já chegamos lá. Não podemos mais “evitar” o aquecimento global, mas apenas evitar que atinja uma escala que destrua nossa civilização.

Infelizmente, quando observamos o cenário político, vemos que este problema continua a ser tratado de forma política: os EUA prometem reduzir 17% de suas emissões até 2020, o que é considerado um número alto para o Senado americano. Na semana passada, o senador Jim Webb escreveu ao presidente Obama:

“Gostaria de expressar minha preocupação com os relatos de que a Administração possa acreditar que tem o poder unilateral de comprometer o governo dos Estados Unidos a certas normas que podem ser decididas em Copenhague…  A frase ‘comprometimento político’ foi utilizada. Como o Sr. sabe, de seu tempo no Senado, apenas uma legislação específica decidida pelo Congresso, ou um tratado ratificado pelo Senado, podem na verdade criar um comprometimento como esse em nome de nosso país”.

Os chineses aparentemente estão preparados para oferecer uma redução de 40% nas emissões até 2020. Por outro lado, os indianos quase destituíram seu ministro do meio ambiente após notícias que ele estaria disposto a comprometer os interesses nacionais ao envolver-se em verdadeiras negociações sobre o aquecimento global. E a oposição australiana demitiu seu líder na última semana por afirmar que desejava comprometer-se um Esquema existente de Redução de Emissões.

Essas notícias mostram que os líderes pretendem lidar com o problema de forma política, como sempre - com sacrifícios mínimos, reduzindo a pressão política  e ‘empurrando com a barriga’, para decidir outras medidas no futuro.

O movimento 350.org está divulgando informações sobre o limite de 350 ppm de dióxido de carbono na atmosfera e a importância das decisões que serão tomadas nestas duas semanas na Dinamarca. Noventa e duas nações, pobres e vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, apóiam este movimento radical. Seus líderes estão dispostos a lutar, pois assinar um acordo brando em Copenhague significaria um pacto suicida para seus países.

Em 24/10, 5200 eventos em 181 países marcaram o “maior dia de ação política na história do planeta”, segundo a CNN. No próximo sábado, 12 de dezembro, acontecerá uma vigília em muitos locais pelo mundo todo para chamar a atenção para a importância do que será decidido agora.

O mundo inteiro, incluindo 200 organizações da sociedade civil que representam milhões de indivíduos, bem como muitos governos e praticamente todos os especialistas e cientistas climáticos estão se unindo em torno do que está sendo chamado de um “Acordo pra Valer” - que se traduz em 3 pontos chave: justo, ambicioso e vinculante. São metas concretas para deixar clara nossa demanda, impedindo políticos de disfarçarem resultados medíocres como uma vitória heróica. (fonte: movimento Avaaz)

Mesmo que daqui a duas semanas os jornais noticiem que o encontro de Copenhague foi um sucesso, e que um acordo otimista foi assinado, as leis da física continuarão a operar, as calotas polares continuarão a derreter, a temperatura continuará a aumentar.

É algo que nunca enfrentamos antes -  e não pode ser enfrentado da maneira de sempre. Esse é o problema.

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Para saber mais:

Publicado em Setembro - 14 - 2009

Ecossistemas: o que aprendemos com os dinossauros

(artigo publicado no Alma Carioca em 10/09/2009)

Recentemente assisti no YouTube ao último episódio da série Família Dinossauro, que não cheguei a ver na TV. Contrastando com o clima alegre da série, este episódio é triste e traz uma mensagem séria: melhor não mexer com a natureza, pois as consequências podem ser catastróficas…

“Ecossistema é o conjunto dos relacionamentos que a fauna, flora, microorganismos e o ambiente, composto pelos elementos solo, água e atmosfera mantém entre si. Todos os elementos que compõem o ecossistema se relacionam com equilíbrio e harmonia e estão ligados entre si. A alteração de um único elemento causa modificações em todo o sistema podendo ocorrer a perda do equilíbrio existente. Se por exemplo, uma grande área com mata nativa de determinada região for substituída pelo cultivo de um único tipo de vegetal, pode-se comprometer a cadeia alimentar dos animais que se alimentam de plantas, bem como daqueles que se alimentam destes animais”. (Fonte: site Wikiducação)

[Atenção: montes de spoilers; se preferir, assista ao episódio antes - vídeos no final do artigo]

Neste episódio,  os dinossauros aguardam a chegada dos besouros que vêm todos os anos no mês de maio. O bando de besouros não chega, e as papoulas que são seu alimento estão espalhando-se por toda parte. Na casa de Dino aparece um único besouro solitário, que espera encontrar os outros de sua espécie para acasalar-se. Charlene vai até o pântano com ele procurar o bando mas não há pântano; a corporação Isso É Assim construiu uma fábrica de creme de frutas no lugar do pântano, que era o local de acasalamento dos insetos; para manter a alta tecnologia da fábrica, eles mataram todos os besouros e isso causou a extinção da espécie.

Sem os besouros, as papoulas crescem e espalham-se desordenadamente, e a empresa tem a brilhante ideia de contratar Dino como relações públicas. Ele sugere que um poderoso desfolhante químico seja pulverizado para matar as plantas. A brilhante ideia funciona tão  bem, que mata todas as espécies vegetais de Pangea, o único continente do planeta.

Robbie: Pai, você vai pulverizar o continente inteiro com veneno? Não há uma alternativa mais segura?

Dino: Como o quê?

Charlene: Bem, podar as plantas o máximo que pudermos, viver com um pouco de desconforto e esperar que a natureza por fim recupere o equilíbrio.

Dino: Isso é inconveniente e demorado; minha ideia é excitante e de alta tecnologia.

Robbie: É, mas você testou essa coisa para ver se é seguro?”

E as ideias brilhantes continuam; o Sr Richfield imagina que se houver nuvens haverá chuva, que trará de volta as plantas. Então ele ordena que sejam jogadas bombas dentro dos vulcões (!) para causar erupções e portanto, nuvens. Mas as enormes nuvens escuras causam o resfriamento global (uma espécie de inverno nuclear) e uma nova era do gelo, que os cientistas estimam que leve algumas ‘dezenas de milhares de anos’ para se dissipar. Com isso, o destino dos dinossauros está selado.

A cena final mostra a família Silva Sauro tentando em vão se aquecer em casa, enquanto Dino pede desculpas à família e Baby pergunta o que vai acontecer com eles. Na TV, o apresentador faz a previsão meteorológica final:

“E agora, uma previsão de longo prazo: neve contínua, escuridão e frio extremo. Aqui é Howard Handupme. Boa noite (pausa) e adeus.”

[fim dos spoilers]

O equilíbrio de um ecossistema é uma coisa muito delicada; como vimos acima, a extinção de uma espécie pode causar o crescimento desordenado de outras espécies, animais ou vegetais. Da mesma forma, a adição de uma nova espécie não nativa em um ecossistema também pode causar desequilíbrio. Foi o que aconteceu quando coelhos foram levados para a Austrália no início do século 20. Sem predadores naturais eles multiplicaram-se, prejudicando outras espécies nativas pela concorrência alimentar.

Outras formas de desequilíbrio podem ser causadas por fatores naturais, como incêndios, enchentes, maremotos,  ou por fatores induzidos pelo homem, como poluição atmosférica, da água, excesso de pesca, aquecimento global, explosão demográfica, desmatamento, queimadas, etc.

Em alguns casos o desequilíbrio pode ser revertido a médio ou longo prazo, mas em alguns casos essas perturbações são irreversíveis e acabarão afetando ao próprio homem, que depende do meio ambiente para sua sobrevivência, embora às vezes não se dê conta disso.

Outro fator alarmante é a explosão demográfica humana. A população humana aumenta em progressão geométrica, enquanto os recursos necessários à nossa sobrevivência não. Com o aumento da tecnologia, produzimos cada vez mais lixo e consumimos cada vez mais energia; o desperdício de alimentos é chocante, enquanto milhões sofrem com a fome crônica. Poluímos o planeta sem nos preocuparmos com as consequências que isso trará. Como Dino, não nos preocupamos com as plantinhas, afinal de contas “a maioria dos lanches gostosos não têm nenhum ingrediente natural”.

A solução? O desenvolvimento sustentável. Isso quer dizer “o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro”. (Fonte: site da WWF Brasil)

Isso inclui a redução do consumo de recursos e do uso de matérias primas e produtos, o aumento da reutilização e reciclagem. Os que consomem mais (países desenvolvidos e altamente industrializados) devem reduzir mais o consumo que os países em desenvolvimento. A ideia não é evitar o desenvolvimento econômico, mas utilizar os recursos disponíveis com bom senso e moderação.

Podemos mudar nossos hábitos individuais e pressionar os governos para que adotem políticas macroeconômicas que prevejam a sobrevivência das próximas gerações, em vez de apenas sua sobrevivência até as próximas eleições.

Afinal, só temos um planeta e seus recursos são finitos. Como aprendemos com os dinossauros, se não cuidarmos dele direito, pode ser que não tenhamos dezenas de milhares de anos para esperar a solução.

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O episódio “Changing Nature” (Mudando a Natureza)  foi o último episódio da quarta temporada e foi ao ar na TV americana em 20/7/94. Depois dele, sete outros episódios que foram filmados mas não exibidos na estréia, foram ao ar nas temporadas de reprises nos EUA.

Essa série divertida foi produzida pela Disney em parceria com a Jim Henson Productions e exibida no Brasil de 1992 a 1995 na Globo, em 2003 no SBT e de 2007 a 2009 na Bandeirantes.

Apesar do final triste, fez muito sentido terminar a série assim; apesar de não sabermos a verdadeira causa da extinção dos dinossauros, o episódio nos alerta para qual pode ser a causa da nossa extinção. Melhor não mexer com a natureza.

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Para saber mais:

Vídeo: Mudando a natureza – episódio final da série família Dinossauro

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Publicado em Setembro - 03 - 2009

Energia solar - uma nova alternativa para a produção de energia elétrica

(artigo publicado no Alma Carioca em 01/09/2009)

O uso de fontes alternativas de energia está deixando de ser uma opção e tende a se tornar uma necessidade. Além de poupar o uso de combustíveis fósseis e diminuir a emissão de carbono, estes recursos aproveitam fontes naturais como a energia solar, eólica e geotérmica, ou fontes renováveis como combustíveis vegetais.

O site Grist traz um artigo sobre uma proposta no mínimo curiosa: o autor, David Roberts, propõe a substituição do leito carroçável das rodovias norte-americanas por painéis solares resistentes construídos especialmente para esse fim. Esses painéis conteriam além dos painéis solares para captação da energia solar e sua transformação em energia elétrica, iluminação LED para comunicação em tempo real com os motoristas, unidades de aquecimento (para evitar o congelamento da superfície), linhas de transmissão de energia elétrica em alta voltagem e mesmo estações de recarregamento de veículos elétricos, o que permitiria a substituição de grande parte da frota nacional por veículos elétricos.

ilustração da Solar Roadways

Ele afirma que se todas as rodovias asfaltadas dos EUA fossem substituídas por painéis solares com 15% de eficiência, a rede de energia distribuída resultante forneceria o triplo da eletricidade consumida no país, com emissões zero de carbono e sem a necessidade de infraestrutura energética adicional. Apesar da ideia parecer maluca, o Depto de Transportes dos EUA assinou um contrato de $ 100 mil dólares com a empresa Solar Roadways para a construção de um protótipo.

Os números apresentados pela Solar Roadways estimam que o custo de construção (sem incluir manutenção - conserto de buracos e remoção de gelo e neve) do trecho de uma milha de rodovia asfaltada é de pouco mais de $ 4 milhões de dólares, com duração estimada de sete anos. Eles afirmam que os painéis solares teriam uma duração de 21 anos, quando teriam de ser substituídos. O custo de instalação dos painéis seria equivalente ao do asfalto, com a vantagem da obtenção de energia elétrica e a consequente economia por evitar a construção de usinas elétricas (termoelétricas, nucleares). O mesmo trecho de uma milha de rodovia poderia produzir pelo menos 13.376 kWh de eletricidade.

Antes de começar a comemorar, vejamos os outros aspectos da questão. Os comentaristas do artigo levantam outras questões e sugestões:

  • o asfalto é naturalmente quente, e isso poderia ser usado para converter facilmente em energia elétrica. A sugestão apresentada é o uso de um sistema fechado de tubos plásticos sob o asfalto, cuja água aquecida seria usada em um sistema de turbinas para gerar eletricidade.
  • as rodovias estão sujeitas a detritos (borracha, sujeira, poeira, pólen, óleo, poças de água) e a sobrecargas pelo tráfego de veículos pesados, o que tornaria os custos de manutenção das rodovias solares absurdamente altos.
  • veículos movidos a células de hidrogênio não poluem, não necessitam de “infraestrutura” e podem trafegar fora das principais rodovias. A tecnologia já é bem conhecida e testada, mas ainda não há interesse ($$) que ela seja mais utilizada.
  • somente as regiões mais ricas e urbanizadas do país teriam acesso a tais estradas. As regiões rurais e mais pobres teriam de esperar algumas décadas para se beneficiarem dessa tecnologia.
  • uma sugestão apresentada é a instalação de painéis solares sobre estacionamentos ao ar livre; além de fornecer um pouco de sombra para os veículos, a energia solar captada e transformada em eletricidade seria substancial. Isso já foi feito no estacionamento da cervejaria Sierra Nevada Brewing Company, desde 2007.
  • na Europa já existem painéis solares instalados ao lado das rodovias, para obtenção de energia elétrica; essa parece ser uma alternativa equivalente e mais econômica.

O uso de painéis solares fotovoltaicos para obtenção de energia elétrica não é uma tecnologia nova; contudo eles ainda são pouco utilizados porque o custo por watt é cerca de dez vezes maior que o dos combustíveis fósseis. Atualmente eles são mais usados em zonas rurais para suprir a falta de linhas de transmissão elétrica convencional. Contudo, já existem grandes centrais solares fotovoltaicas em diversos países, especialmente na Espanha, onde estão 40 das 50 maiores centrais. A maior delas fica em Puertollano, Espanha, com 400 mil módulos que produzem 69,6 Mega Watts de potência de pico em corrente contínua, suficiente para o abastecimento de 39 mil residências.

Central fotovoltaica Hércules em Moura

No Brasil já existe um projeto para usar a energia solar para abastecer de energia elétrica os sistemas de irrigação no interior de Minas Gerais. Pesquisadores da UFMG estão desenvolvendo um sistema de irrigação pioneiro, que aproveita a energia elétrica gerada por placas fotovoltaicas de silício para alimentar os motores e acionar as bombas d´água. Os pequenos agricultores da região gastam cerca de R$ 600,00 em energia por hectare, o que representa 30% do custo da produção.

Para o bom funcionamento do sistema são necessários cinco painéis solares por hectare, com custo de instalação de cerca de R$ 10 mil. Apesar do alto investimento, a vida útil das placas é de 25 anos, o que amortizaria esse investimento ao longo do tempo. A região norte de MG tem o clima ideal para o bom aproveitamento da luz solar, com cerca de 10 horas diárias de luz solar. O sistema será testado em plantações de goiaba e abacaxi, que se adaptam bem ao clima da região. O projeto também prevê a realização de cursos e projetos de extensão para os agricultores.

Se em países da Europa como Espanha e Alemanha já existem grandes centrais de captação de energia solar, o aproveitamento dessa tecnologia no Brasil poderia ser muito maior. O lugar menos ensolarado do Brasil (Florianópolis) recebe 40% a mais de energia solar que o lugar mais ensolarado da Alemanha; só em 2007 os alemães instalaram painéis solares em seus telhados que produzem o equivalente em energia elétrica á produção da usina nuclear de Angra 2 (1.200 megawatts). A Alemanha conta com subsídios federais para a produção de energia elétrica a partir da energia solar, e é o pioneiro no incentivo ao uso da energia solar. (fonte: artigo de Herton Escobar)

O problema ainda é o custo da energia elétrica solar, cerca de dez vezes mais que a energia elétrica convencional. Outro problema é a escala, ou seja, a quantidade de energia necessária para abastecer as necessidades nacionais. Uma tecnologia cara como essa precisaria de subsídios e apoio do governo para que pudesse decolar, a exemplo da indústria nacional de álcool combustível, que teve subsídios no início, mas hoje caminha “com as próprias pernas”.Apesar de ser rico em silício, o Brasil não produz painéis fotovoltaicos, que ainda precisam ser importados. Outros países já utilizam tecnologias alternativas à fotovoltaica, que utilizam espelhos para concentrar a radiação solar sobre linhas de fluidos condutores de calor.

O Instituto de Química da Unicamp está desenvolvendo um estudo para barateamento das células fotovoltaicas. A substituição do silício por óxido de titânio pode reduzir em 80% o custo do produto. O óxido de titânio é um pigmento usado em tintas de parede. A pesquisa pretende testar a nova tecnologia em brinquedos e, mais tarde, em pequenos eletroeletrônicos como câmeras digitais. O objetivo é colocar esses artigos no mercado entre 2012 e 2013. Os painéis não precisam ficar expostos diretamente ao sol, pois mesmo com baixa luminosidade as células conseguem gerar eletricidade.

Felizmente no Brasil já temos uma boa utilização da energia solar para aquecimento de água, o que ajuda a economizar energia elétrica através da substituição do chuveiro elétrico (um dos maiores ‘vilões’ da conta de luz das residências) pela água aquecida pelo sol. Tenho um sistema desses instalado em minha casa e o desempenho é realmente excelente, além de uma boa economia no fim do mês. O investimento inicial não é tão alto quanto o dos sistemas fotovoltaicos para obtenção de energia elétrica, mas ainda pode ser considerado alto. Contudo, já existem opções “domésticas” e mais econômicas para a instalação de um sistema de aquecimento solar em casa; o projeto está disponível gratuitamente no site da Sociedade do Sol.

Em suma, a tecnologia para a produção de energia elétrica solar ainda está em desenvolvimento, mas oferece um bom potencial para a substituição de combustíveis fósseis (para bombas e veículos) ou de energia elétrica convencional, especialmente a gerada por termoelétricas, que são muito poluidoras.

Em novembro de 2008 o Ministério das Minas e Energia criou um grupo de trabalho especialmente dedicado ao estudo do aproveitamento da energia solar no país. O grupo espera poder apresentar um plano de trabalho no prazo de seis meses a um ano. Esperamos que o governo brasileiro comece a apoiar e subsidiar essas novas tecnologias para que possamos, além de ser autossuficientes em petróleo, depender cada vez menos dos combustíveis fósseis e diminuir nossa emissão de carbono. O planeta (e nossa economia) agradecem.

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Artigo: “Could we replace the nation´s pavement with solar panels?” – website Grist, 28 de agosto de 2009

Projeto econômico de aquecedor solar de água – site da Sociedade do Sol

Publicado em Julho - 13 - 2009

4 - Doador de órgãos – ser ou não ser

(Artigo publicado no Alma Carioca em 07/07/2009)

(Última parte da série sobre transplantes)

A doação de órgãos é uma decisão pessoal; há pessoas que não concordam em doar seus órgãos, e seu desejo deve ser respeitado. Pela lei brasileira, todos são doadores, a menos que deixem claro o contrário, avisando a família e amigos. Caso essa decisão contra a doação não seja feita em vida, após a morte um familiar (de até segundo grau de parentesco) pode autorizar, por escrito, a retirada dos órgãos. Se você quer ser doador, avise sua família. São eles que entrarão em contato e autorizarão os médicos a fazer o transplante. Avise também seus amigos, avise todo mundo que você quer ser um doador.

Não é necessário nenhum documento, mas se quiser pode fazer uma declaração escrita e levar com você; ela pode vir a ser útil. Uma declaração escrita ou um cartão de doador são um símbolo importante de sua vontade e que poderão ajudar em um momento de tomada de decisão. Algumas famílias podem não autorizar a doação por não conhecerem a vontade do falecido.

Você pode fazer o download do cartão de doador e/ou prencher o Cadastro virtual de doadores aqui.

Todas as religiões têm em comum os princípios da solidariedade e do amor ao próximo que caracterizam o ato de doar. Todas as religiões deixam a critério dos seus seguidores a decisão de serem ou não doadores de órgãos. Para saber qual a posição das principais religiões sobre a doação de órgãos, veja aqui.

Na prática, a doação é feita pela retirada de pacientes com morte encefálica comprovada e após a autorização dos familiares. Morte encefálica é a parada definitiva e irreversível do encéfalo (cérebro e tronco cerebral), provocando em poucos minutos a falência de todo o organismo. É a morte propriamente dita. No diagnóstico de morte encefálica, primeiro são feitos testes neurológicos clínicos, os quais são repetidos seis horas após. Depois dessas avaliações, é realizado um exame complementar (um eletroencefalograma ou uma arteriografia). Pessoas em coma não são doadoras, pois o coma é um estado reversível.

As principais causas de morte encefálica são:

  • Traumatismo crânio encefálico
  • Acidente vascular encefálico (hemorrágico ou isquêmico)
  • Encefalopatia anóxica e tumor cerebral primário

Após a morte encefálica, o coração bate à custa de medicamentos, o pulmão funciona com a ajuda de aparelhos e o corpo continua sendo alimentado por via endovenosa. A família não paga pelos procedimentos de manutenção do potencial doador, nem pela retirada dos órgãos. Os custos são pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Havendo receptores compatíveis, os órgãos são retirados por equipes médicas especializadas, e o corpo é liberado em no máximo 48 horas.A idade do doador não influi no processo de doação, desde que os órgãos estejam em boas condições. A retirada dos órgãos é feita como em uma cirurgia, e o corpo não é desfigurado nem a aparência alterada.

Uma das razões por que existem poucos doadores é o medo da morte. Temos medo de pensar nisso e não decidimos em vida qual nossa posição sobre o assunto. Deixamos isso para lá porque “não acontece comigo ou com minha família” ou “isso só acontece com os outros e eles que decidam”. Apesar de mais cômodo, esse tipo de pensamento evita muitas possíveis doações de órgãos.

Se você já decidiu ser doador, comunique sua decisão á família e aos amigos; se não quer doar, diga isso a eles também. Mas se ainda está em dúvida, procure se informar mais, pergunte, converse com outras pessoas e tome sua decisão. Aqui em casa as opiniões são divididas, mas todos sabem o que os outros membros da família decidiram. Com diálogo e comunicação, os desejos de todos serão respeitados em caso de uma fatalidade.

Crédito: material de divulgação do site da ADOTE

Crédito: material de divulgação do site da ADOTE

Um modelo de formulário

Para preencher um modelo de doador de órgãos e tecidos, clique aqui.

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Mais informações:

Adote – Aliança Brsileira pela Doação de Órgãos e Tecidos

ABTO – Associação Brasileira de Transplante de Órgãos

Banco de Olhos – Mogi das Cruzes - SP

Blog – Transplante Vida

Artigo: Transplantes de órgãos no Brasil – Revista da Associação Médica Brasileira

Artigo : “O drama do transplante de órgãos” – Isabel Clemente, Marcela Buscato, Ana Aranha, Flavio Machado e Marcelo Zorzanelli – Revista Época, 01/08/2008

Leia também:

Parte 1 - Doação e transplantes de órgãos

Parte 2 - A lista de espera e o sistema de classificação

Parte 3 - O cenário dos transplantes no Brasil

Publicado em Julho - 03 - 2009

3 – O cenário dos transplantes no Brasil

(Artigo publicado no Alma Carioca em 02/07/2009)

Na terceira parte de uma série de 4 artigos, publicados no Alma Carioca e no Rato de Biblioteca, vamos ver como está o cenário dos transplantes no Brasil.

O programa de transplantes no Brasil se destaca pelo crescimento no número de transplantes realizados nos últimos anos e pelo investimento público na especialização das suas equipes com conseqüente aumento do número de equipes habilitadas. O Sistema Único de Saúde (SUS) financia cerca de 86% dos transplantes realizados no Brasil e também subsidia todos os medicamentos imunossupressores para todos os pacientes. E não é pouco; um transplante de fígado custa R$ 50 mil; o transplante de rim com doador vivo sai por quase R$ 15 mil, enquanto que com doador cadáver custa R$ 19 mil. O transplante de córnea, o mais barato, sai por R$ 700,00, enquanto o mais caro, o de medula óssea, custa mais de R$ 66.000,00. A maioria dos planos de saúde não cobre esse tipo de tratamento.

O custo da não realização de transplantes também é alto; além do custo humano, das milhares de pessoas que morrem sem ter a chance de fazer o transplante, o Estado brasileiro consome mais de R$ 1,3 bilhão por ano com diálises e hemodiálises, que poderiam ser suspensas em caso de transplante. Sem falar do sofrimento físico e emocional dos pacientes na fila de espera.

Não existem grandes obstáculos à doação de órgãos no Brasil, visto que todo o processo está regulamentado. A melhor forma de um indivíduo se tornar doador após a morte é avisar os familiares, manifestando, em vida, este desejo. Quando isto ocorre, a família sempre concorda com a doação para satisfazer o “último desejo” deste indivíduo. Embora 60% da população concorde com a doação de órgãos, os profissionais de saúde de terapia intensiva e setores de emergência notificam apenas um em cada oito potenciais doadores.

Estima-se que, todos os anos, seja realizada, no Brasil, apenas a metade do número de transplantes de córnea necessários. A situação é mais grave no caso de rim, um terço, e ainda pior para os pacientes de fígado, um quarto. Os transplantes de coração equivalem a menos de 5% do que seria preciso. As filas de espera crescem tanto que, dependendo do órgão, 10%, às vezes até 30%, dos pacientes morrem antes de ir para a sala de cirurgia.

Mesmo com o grande número de vítimas da violência urbana e do trânsito no Brasil, que poderiam ser doadores, o desperdício é enorme, pois o tempo de aproveitamento do órgão após a retirada do doador cadáver depende do órgão, mas em todos os casos é muito curto.

Segundo estudos do Prof. Valter Duro Garcia, coordenador de transplantes da Santa Casa de Porto Alegre, todos os anos o páis produz de 11 mil a 18 mil doadores de órgãos em potencial, pacientes com morte encefálica mantidos vivos à custa de aparelhos. Ainda assim, para cada transplante realizado, órgãos de 18 pacientes deixam de ser aproveitados. Desde 2001, o total de brasileiros que aguardam órgãos para transplante passou de 43.500 para mais de 66.000 pessoas.

Crédito: material de divulgação do site da ADOTE

Crédito: material de divulgação do site da ADOTE

Em entrevista concedida em 2003, o Dr José Osmar Medina Pestana, que é Diretor do Hospital do Rim e Hipertensão e Presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), fala sobre os transplantes no Brasil.

O perfil econômico das pessoas transplantadas é o baixo poder aquisitivo. A faixa etária média é entre 20 e 50 anos. Da mesma forma que com os pacientes de AIDS, o sistema de saúde pública oferece gratuitamente aos transplantados os melhores medicamentos do mundo, durante toda a vida do paciente.

O Dr. José Osmar conta que nos países desenvolvidos existe a tendência de distribuir os órgãos de maneira mais utilitária, por exemplo, evitar transplante em pessoas de mais idade ou dar preferência a pessoas com melhores condições sociais. No Brasil isso não acontece, pois todas as pessoas em condições clínicas são igualmente candidatas ao transplante, e aguardam na lista única.

Como o Brasil é um país muito grande, é difícil fazer uma lista do país inteiro, pois a distribuição dos órgãos depende do tempo de preservação do órgão, que não pode ser ultrapassado. No estado de São Paulo existe uma lista única de alguns órgãos, mas dependendo do local ela tem de ser regional. A distribuição regional tem a vantagem da família que doou ver o benefício. Além disso, com a divulgação na região é criada a cultura do transplante e aumentam as doações.

Ele cita o caso do banco de órgãos de Sorocaba (SP), que criou um sistema de procura de córneas nas duas funerárias da cidade. As famílias de todos os que morriam eram procuradas para doarem as córneas e atualmente, mais de 90% das pessoas que morrem são doadoras de córneas. Hoje não existe fila de espera por córnea naquela cidade.

Outro ponto importante apontado é que o problema não é a autorização da família, pois 70% das famílias concordam com a doação; o problema está na estrutura do sistema de saúde e notificação dos órgãos disponíveis para transplantes. De cada 12 potenciais doadores, ou seja, pessoas com morte encefálica comprovada e que continuam com acompanhamento médico, somente uma é notificada. Deve haver envolvimento dos médicos com o programa de transplante, pois eles precisam notificar que há órgãos disponíveis de um doador em potencial a tempo de retirar os órgãos e realizar o transplante.

Ainda assim, é importante a realização de campanhas informativas com a sociedade, para que as pessoas saibam mais sobre os transplantes e a doação de órgãos. No último mês de abril o Fantástico exibiu uma série de reportagens sobre transplantes, e com isso o número de doações aumentou bastante. Com a divulgação de informações, participação dos médicos e a maior organização do sistema de saúde, quem sabe a fila de espera possa diminuir.

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Mais informações:

Leia também:

Publicado em Junho - 29 - 2009

Transplantes - a lista de espera e o sistema de classificação (parte 2)

(Artigo publicado no Alma Carioca em 28/06/2009)

Continuando a série sobre transplantes, na segunda parte vamos falar sobre a lista de espera e como são classificados os pacientes na fila de espera para um transplante.

O transplante de fígado de Steve Jobs levantou questões sobre o sistema utilizado nos Estados Unidos (e também no Brasil) para a alocação de órgãos disponíveis para as pessoas que necessitam deles, e sobre a possibilidade de passar para o começo da fila.

No caso de Jobs, os médicos disseram que não houve necessidade e houve pouca oportunidade de burlar o sistema. Sob os procedimentos atuais, qualquer centro de transplantes avalia os potenciais receptores de órgãos na lista de espera, e as classificações mais altas são feitas pela gravidade do estado e por quanto tempo eles estão doentes. Não é permitido passar à frente de um paciente mais doente.

Ainda assim, como o tempo de espera nos Estados Unidos varia conforme a região do país (a Costa Leste e a Costa Oeste têm listas de espera mais longas que os estados do centro), as pessoas podem viajar para um estado com tempo menor de espera e aguardar até que estejam no topo da lista. Pode não parecer justo, mas não é ilegal. Uma pessoa pode mesmo registrar-se em listas de diversos centros de transplante do país.

“Se você tiver acesso a um jato e puder estar em qualquer parte do país em seis horas, terá uma opção maior de programas”, diz o Dr. Michael Porayko, diretor médico de transplantes de fígado da Vanderbilt University, um dos centros do Tennessee que disseram não ter atendido Steve Jobs.

O sistema nacional de doação de órgãos nos EUA é administrado pela United Network of Organ Sharing (UNOS), uma entidade sem fins lucrativos em Richmond, Va, que trabalha sob contrato com o governo federal. Quando um órgão torna-se disponível, eles procuram um paciente com maior necessidade e urgência de transplante no banco de dados da UNOS.

Para qualificar-se para receber um fígado, os pacientes devem ser examinados e parovados para transplante por um médico daquele centro. O sistema de avaliação utilizado pela UNOS é a classificação MELD. Quanto maior a classificação, que vai de 6 a 40, mais doente e mais alto na lista está o paciente.

MELD/PELD

No dia 29 de maio de 2006 o Ministério da Saúde do Brasil publicou a Portaria 1.160, que modifica os critérios de distribuição de fígado de doadores cadáveres para transplante, implantando o critério de gravidade de estado clínico do paciente, desenvolvido na Clínica Mayo e modificado pela United Network for Organ Sharing - UNOS, um modelo matemático que estima o risco de mortalidade de uma pessoa com doença hepática terminal com base em exames laboratoriais de rotina.

Para aferir o critério de gravidade foi adotado o sistema MELD e PELD.

MELD - Model for End-stage Liver Disease - é um valor numérico, variando de 6 (menor gravidade) a 40 (maior gravidade), usado para quantificar a urgência de transplante de fígado em candidatos com idade igual a 12 ou mais anos. É uma estimativa do risco de óbito se não fizer o transplante nos próximos três meses.

O valor MELD é calculado por uma fórmula a partir do resultado de três exames laboratoriais de rotina, ou seja:

  • Bilirrubina, que mede a eficiência do fígado excretar bile;
  • Creatinina, uma medida da função renal e
  • RNI - Relação Normalizada Internacional - uma medida da atividade da protombina, que mede a função do fígado com respeito a produção de fatores de coagulação.

PELD - Pediatric End-stage Liver Disease - é um valor numérico similar ao MELD mas aplicado para crianças com menos de 12 anos, mas leva em conta o resultado laboratoriais de exames diferentes, ou seja:

  • Bilirrubina, que mede a eficiência do fígado excretar bile;
  • Albumina, uma medida da habilidade do fígado em manter a nutrição e
  • RNI - Relação Normalizada Internacional - uma medida da atividade da protombina, que mede a função do fígado com respeito a produção de fatores de coagulação.

Como funciona no Brasil a lista de espera por transplante de fígado com o critério MELD/PELD após a publicação da Portaria 1.160?

Na distribuição de fígados de doadores cadáveres para transplante deverão ser considerados os critério de Compatibilidade/Identidade ABO; Urgência; compatibilidade anatômica e por faixa etária, conforme o que se segue:

  • Quanto à Compatibilidade/Identidade ABO - Deverá ser observada a Identidade ABO entre doador e receptor, com exceção dos casos de receptores do grupo B com MELD igual ou superior a 30, que concorrerão também aos órgãos de doadores do grupo sangüíneo O.
  • Quanto à compatibilidade anatômica e por faixa etária - Os pacientes em lista, menores de 18 anos, terão preferência na alocação de fígado quando o doador for menor de 18 anos ou pesar menos de 40kg.

Para mais informações sobre o MELD/PELD, veja aqui.

A fila única

No Brasil, os candidatos a um transplante de órgãos devem inscrever-se na Fila Única. A inscrição na lista de candidato ao transplante é feita pelo hospital ou médico responsável na Central Nacional de Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO). Pessoas em diálise que necessitam de um novo rim podem fazer a inscrição por meio da equipe médica do Centro de Diálise.

A lista única para transplantes obedece a critérios cronológicos, morfológicos, imunológicos e de gravidade. Os pacientes são escolhidos através de um programa informatizado do Sistema Nacional de Transplantes que indica os receptores mais adequados, segundo critérios previamente definidos. Ninguém pode alterar a seqüência da lista única.

Cada inscrito recebe um número e sua posição na lista pode ser acompanhada junto à Central de Transplantes de cada Estado, pessoalmente, através de procuração  ou pela internet. Mais informações podem ser obtidas pela Central de Transplantes do seu Estado. Acesse:  http://dtr2001.saude.gov.br/transplantes/cnncdo.htm

Como funciona a “fila única”

Para selecionar os possíveis receptores que receberão os órgãos, são levados em conta:

  • grupo sanguíneo (O, A, B, AB);
  • idade, peso e altura do doador;
  • o tempo de espera para o transplante;
  • compatibilidade HLA (tecidos imunologicamente compatíveis) - no caso de transplante de rim, quando disponível.  Se houver empate, o desempate é feito pelo tempo de espera, idade, painel de reatividade e urgência. A numeração na fila não importa.

Se o “primeiro” da fila não receber o órgão de determinado doador, ele não perde o seu lugar, que continua  reservado.

Caso o transplante não aconteça, a Equipe de Transplantes explicará os motivos ao Ministério Público. Assim, ninguém é privilegiado e é uma maneira de garantir a transparência do Sistema.

Atenção: não é permitida a inscrição simultânea em dois Centros Transplantadores.

Em casos de urgência, alguns pacientes na Fila têm prioridade em relação aos outros acientes. Isso acontece quando há risco de morte do receptor caso o transplante não seja realizado. O Ministério da Saúde define claramente os critérios para os casos de urgência:

Rim

  • Ausência de via de acesso para tratamento através da diálise;
  • Doador criança menor de 12 anos. Como os rins são muito pequenos, só servem para crianças.

Fígado

  • Hepatite fulminante;
  • Retransplante indicado no período de 48 horas após o transplante anterior.

Coração

  • Retransplante indicado no período de 48 horas após o transplante anterior;
  • Choque cardiogênico;
  • Internação em unidade de terapia intensiva e medicação vasopressora;
  • Necessidade de auxílio mecânico à atividade cardíaca.

*   *   *

Mais informações:

Adote – Aliança Brsileira pela Doação de Órgãos e Tecidos

ABTO – Associação Brasileira de Transplante de Órgãos

Banco de Olhos – Mogi das Cruzes - SP

Blog – Transplante Vida

Artigo: Fila Única – site da Roche

Artigo: “A transplant that is raising many questions” -  Denise Grady e Barry Meier - New York Times, 23/06/2009

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