Publicado em Março - 11 - 2009
Assassinato no Expresso do Oriente
Para mim, este é o melhor livro de Agatha Christie; uma trama muito boa, cenário interessante e Poirot tem que chegar à solução sem nenhum recurso externo, apenas as ‘pequenas células cinzentas’. Já li este livro inúmeras vezes e, mesmo sabendo de cor o que acontece, sempre é uma leitura deliciosa.
A história acontece na década de 30; Hercule Poirot toma o Expresso do Oriente em Istambul e curiosamente, o carro-dormitório de Istambul-Calais está lotado, numa época do ano em que isso é incomum. Monsieur Bouc, diretor da Compagnie Internationale des Wagons Lits, consegue um leito vago para ele.
Os passageiros do trem são de diversas nacionalidades, profissões e classes sociais; entre eles está Samuel Ratchett, um rico americano que propõe um caso a Poirot: ele afirma que tem um inimigo que deseja eliminá-lo e pede ao detetive belga que o ajude a descobrir quem ameaça sua vida. Poirot recusa o caso, dizendo “Se me desculpar a observação pessoal, eu não gosto da sua cara, Monsieur Ratchett”.
No segundo dia de viagem uma tempestade de neve impede o trem de prosseguir viagem e este fica parado no interior da Iugoslávia, cercado pela neve. Na manhã seguinte Ratchett é encontrado morto em sua cabine, com doze punhaladas. A cena do crime está cheia de pistas e indícios; a janela está aberta, há um lenço de cambraia com a inicial “H” e um limpador de cachimbo caídos no chão, e a arma carregada de Ratchett continua sob seu travesseiro.
Após o exame do cadáver com Monsieur Bouc e o Dr. Constantine, um médico grego que viajava no carro de Atenas, Poirot começa a interrogar os passageiros. Todos têm álibis que se confirmam, e aparentemente, nenhuma ligação com a vítima ou motivo. É um desafio para Poirot, que consegue resolver o caso com um desfecho surpreendente. Nada de spoilers aqui, se você ainda não leu este livro, recomendo!
Filme
Se preferir ver o filme, a versão de 1974 é excelente, muito fiel ao livro e muito bem-produzida. Na minha opinião, entre os filmes baseados em livros de Agatha Christie que foram feitos nos anos 70 e 80, este é o melhor. Outros filmes dessa época foram Morte no Nilo, Assassinato num dia de Sol e A maldição do espelho.
O filme recebeu um Oscar, o de Melhor Atriz (Ingrid Bergman), e foi indicado para mais 5: Melhor Ator (Albert Finney), Fotografia, Figurino, Trlha sonora original e Roteiro adaptado. A direção é de Sidney Lumet.
O elenco conta com muitos nomes famosos e ótimos atores e atrizes:
- Hercule Poirot / Albert Finney
- Mr Ratchett / Richard Widmark
- Sra Hubbard / Lauren Bacall
- Coronel Arbuthnot / Sean Connery
- Mary Debenham / Vanessa Redgrave
- Princesa Dragomiroff / Wendy Hiller
- Conde Andrenyi / Michael York
- Condessa Andrenyi / Jacqueline Bisset
- Greta Ohlsson / Ingrid Bergman
- Hildegarde Schmidt / Rachel Roberts
- Hector MacQueen / Anthony Perkins
- Cyrus Hardman / Colin Blakely
- Antonio Foscarelli / Denis Quiley
- Pierre Michel / Jean-Pierre Cassel
- Mr Beddoes (Masterman no livro) / John Gielgud
- Signor Bianchi (Monsieur Bouc no livro) / Martin Balsam
Poirot é interpretado por Albert Finney; na minha opinião ele não é o melhor Poirot, está muito afetado e é quase uma caricatura do famoso detetive (ainda bem que ele só interpretou Poirot neste filme). O que é estranho, pois Finney teve excelentes atuações em Peixe Grande, Erin Brockovich e Um Caminho para dois, além de estar perfeito conmo Churchill em The Gathering Storm.
Agatha Christie não gostou de algumas adaptações de seus livros para o cinema feitas nos anos 1960, e não estava disposta a vender mais direitos de filmagem dos livros. Quando Nat Cohen (executivo da EMI Films) e o produtor John Brabourne tentaram obter sua aprovação para este filme, tiveram de contatar Louis Mountbatten (pertencente à Família Real Inglesa e sogro de Bradbourne) para ajudá-los a abordar o assunto.
Por fim, de acordo com o marido de A. Christie, Max Mallowan, “Agatha sempre foi alérgica a adaptaçoes de seus livros para o cinema, mas foi convencida a aprovar esta”. Segundo o biógrafo Gwen Robbins, ela teria dito “O filme foi bem feito, exceto por um engano, que foi Albert Finney como meu detetive Hercule Poirot. Eu escrevi que ele tinha o bigode mais fino da Inglaterra – e ele não o tinha no filme. Achei que isso foi uma pena – por que ele o fez assim?” (fonte: Wikipédia)
Outros Poirots memoráveis foram Peter Ustinov (que atuou como Poirot em oito filmes), cujo belga é mais humano e simpático (especialmente em Assassinato num dia de sol, com alguns toques de comédia) e David Suchet, que atuou na série para a TV inglesa, Poirot, e também interpretou a voz (e emprestou o visual) para o videogame ‘Murder on the Orient Express‘. A interpretação de Suchet é elegante e contida e este ator inglês ainda detém o posto atual de Poirot, pois os últimos episódios da série foram lançados em 2008 na Inglaterra.
Por fim, temos Alfred Molina, que interprtetou o belga na adaptação desta história para a TV em 2001. A história foi modernizada e Poirot conta com a ajuda da Internet (!) para localizar informações sobre o passado dos personagens e suas ligações com a vítima. Parece que as ‘pequeninas células cinzentas’ andam meio fora de forma…
O filme também modifica os nomes e detalhes de alguns personagens, mas o desfecho é o mesmo. Se tiver de escolher entre esta versão e a de 1974, fique com o filme mais antigo. E em todo caso, leia o livro antes, vale a pena.
O filme de 1974 pode ser visto no You Tube, em 13 partes: aqui está o link para a primeira parte, e os links seguintes são mostrados ao final do vídeo, ou encontrados nas sugestões à direita.
Só para dar um gostinho, aqui está o vídeo da cena da partida do trem da estação de Istambul:
* * *
Livro: Assassinato no Orient Express (Murder on the Orient Express) - Agatha Christie
Entrada do filme de 1974 no IMDb
Entrada do filme para a TV de 2001 no IMDb
Site oficial de Agatha Christie (em inglês)
Portal com resumo de todos os livros e informações sobre Agatha Christie (em português)
Agatha Christie na Wikipédia (em inglês e em português)
Poirot na Wikipédia (em inglês)
Entrada sobre o filme Assassinato no Expresso do Oriente na Wikipédia (em inglês) – cuidado – cheio de spoilers!
Entrevista com David Suchet no YouTube sobre o videogame Murder on the Orient Express









Ei, Cristine!
Li o livro, mas quanto ao filme, só assisti o de 2001. Realmente, foi uma experiência estranha ver Poirot usando um laptop. Ou até mesmo o fato de uma das pistas encontradas ser uma caneta de palmtop.
Vou assistir o filme de 74, e depois te falo o que achei.
Bjs
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Cristine Reply:
Março 11th, 2009 at 13:28
Ah, o filme de 74 é bem melhor, quando vi aquele laptop não acreditei….
Depois me conte sim!
Beijos!
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por favor conte mais sobre o livro achei interessante mas que na realidade assasinou? o que levou poirot a descobrir após tantas pistas falsas? como ocorreu o assasinato?
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Cristine Reply:
Março 25th, 2012 at 22:05
@Natasha Barbosa de Morais, ah, você não quer que eu estrague o prazer da leitura, né? Posso adiantar que foi uma das soluções mais criativas dos livros de Agatha Christie e das histórias de detetives em geral (tanto na identidade do assassino quanto nas pistas falsas). Leia o livro, você vai gostar.
Abraço!
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