Publicado em Janeiro - 30 - 2012
Millenium - Os homens que não amavam as mulheres

A sinopse, todo mundo já deve ter visto: o jornalista Mikael Blomqvist foi acusado de calúnia a um rico empresário sueco, Wennerström, e passa por um mau momento profissional; Mikael é contratado pelo ex-presidente das indústrias Vanger para investigar o desaparecimento e possível assassinato de sua sobrinha-neta Harriet, há quarenta anos. Para ajudá-lo na investigação, entra em cena Lisbeth Salander, uma jovem investigadora que, aliás, já havia investigado Mikael a pedido de Vanger. Lisbeth é inteligente, introvertida e exótica, e as três histórias vão se interligando, com momentos fortes e algum suspense até a resolução do mistério.
Este thriller policial vai muito além de uma boa história; a excelente atuação do elenco, sobretudo de Rooney Mara, indicada ao Oscar de Melhor Atriz por sua interpretação de Lisbeth, a trilha sonora marcante que ajuda a compor o ambiente de mistério e tensão, e a excelente direção de David Fincher, que completam o pacote.
A sequência de abertura já mostra a marca registrada de Fincher: imagens de pesadelo, com sugestão de tortura, efeitos especiais gráficos, música de impacto (no caso, Immigrant Song, do Led Zeppelin, na versão de Karen O, Trent Reznor e Atticus Ross), créditos com tipografia original. Ele já criou outras aberturas de grande impacto, como em Clube da Luta e Se7en (arrepiante!), e repete a dose aqui.
A adaptação do livro de 400 páginas para a tela foi muito bem feita, e mesmo tendo deixado de fora alguns detalhes, consegue manter o ritmo e o interesse do espectador durante as mais de duas horas e meia de filme, que passam voando. Por exemplo, o filme não explica em detalhes o passado de Lisbeth, mas imagino que ficaremos sabendo da história dela nos próximos filmes, que Fincher já disse que quer dirigir. Outro ponto mal aproveitado são os quadros de flores que Henrik Vanger recebe todos os anos. Depois do prólogo e da explicação do mistério a Mikael, não se fala mais no assunto.

Gostei muito da forma com que Fincher usa imagens e informações visuais para as sequências de investigação, quando Mikael e Lisbeth vão compreendendo os detalhes dos assassinatos, e a descoberta da identidade do culpado. As montagens que Mikael faz com as fotos antigas, como se fossem uma sequência animada de slides, são um recurso bem interessante e explicativo, mas juro que gostaria de ter um notebook como o deles: processamento super rápido, bateria de duração quase infinita; essas coisas só acontecem em Hollywood, enquanto na vida real…
Não vi o filme sueco (ainda) e comecei ontem a ler o livro, mas a Lisbeth de Rooney Mara é fascinante; não sabemos exatamente o que aconteceu no seu passado, mas deduzimos que ele não foi nem um pouco agradável. Aos 23 anos, ela está sob a tutela do Estado e é subjugada por um novo tutor sádico e mau caráter, responsável por duas das cenas mais fortes do filme. Lisbeth é quieta, metódica, tem memória fotográfica e excelente lógica e dedução. Sua linguagem corporal é a de quem quer permanecer invisível, com os ombros arqueados para dentro, olhar baixo, um claro contraste com seu visual exótico e chamativo. Ela parece um pequeno pássaro frágil, mas é uma sobrevivente que teve de aprender a se defender. E várias cenas do filme comprovam isso.

"Experimente sair da linha..."
A interpretação “low-profile” de Rooney Mara está perfeita; gostei da reação dela quando Mikael comenta que seus arquivos estão protegidos por senha, e ela pergunta “E daí?”. Na cena em que ela vai fazer (mais) uma tatuagem e o tatuador avisa que vai doer, ela dá de ombros, outra reação que mostra bem o caráter da personagem. São esses pequenos detalhes que comprovam que a indicação dela ao Oscar foi merecida.
Em entrevista, a atriz fala sobre Lisbeth e se ela é uma ‘punk’:
“Não acho. Ser punk ou gótico significa pertencer a um qualquer tipo de movimento ou subcultura. E não é o caso dela, ela não faz nem deseja fazer parte de nada. É como se usasse uma armadura que repele pessoas e as mantém longe de si.” (fonte: www.c7nema.net )

Graças ao Google Translate, vi que a tradução brasileira do título é mais fiel ao original sueco (Män som hatar kvinnor) do que a americana. E faz sentido, tendo em vista a solução do mistério de Harriet e a história da própria Lisbeth.
A trilha sonora de Reznor e Ross também tem destaque; além do cover de Led Zeppelin na abertura, temos a trilha incidental perfeita para acompanhar o roteiro, e até a inusitada música de Enya, que choca pelo contraste entre o som harmonioso e a cena em que é tocada. Mais um ponto positivo.
Este não é um filme leve; mas é uma história envolvente e interessante, e um ótimo suspense policial. Recomendo muito, e com licença, que vou ali continuar a ler o livro…
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Ficha:
Millenium - Os homens que não amavam as mulheres
(The Girl With the Dragon Tatoo) - 2011, EUA - 158 minutos
Direção: David Fincher
Roteiro: Steven Zaillian
Baseado no livro de Stieg Larsson, “Os homens que não amavam as mulheres”
Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Robin Wright, Stellan Skarsgård, Geraldine James, Joely Richardson
Página do filme no IMDb
Outras críticas e resenhas sobre o filme (ótimas, por sinal):
- Millenium: Os homens que não amavam as mulheres - Bruno Tasca, no Luz, Câmera, Redação!
- Divagações: The Girl with the Dragon Tatoo - Renata, no Cinema em Cena
- Em Millenium, David Fincher consegue ser fiel à obra de Stieg Larsson - Ricardo Daehn, no Correio Braziliense
Vídeo - Trailer legendado
Vídeo: Sequência de abertura, com Immigrant Song



























