Publicado em Março - 28 - 2011
Titanic: Rose Dawson’s Story
(Titanic - a história de Rose Dawson - 2010)
O que aconteceu com Rose depois do naufrágio do Titanic e antes de sua visita ao navio Keldysh, onde narra sua história a Brock Lovett? É o que Walden Carrington nos conta neste livro interessante.
“A festa de aniversário oferecida por Molly Brown a Rose DeWitt Bukater em maio de 1911 aconteceu na Casa dos Leões na Pennsylvania Street em Denver, Colorado. Rose gostou de conhecer, entre os convidados, o rico e solteiro Caledon Hockley, que a pediu em casamento. Seu noivado durou até abril de 1912, quando os noivos e acompanhantes retornavam da Europa na viagem inaugural do R.M.S. Titanic.
Um atraente passageiro da terceira classe chamado Jack Dawson convenceu Rose a abandonar seu mundo de alta sociedade antes da colisão do navio com um iceberg. Ela adotou o nome Rose Dawson a bordo do navio de resgate, Carpathia. Rose retornou a Denver com Molly Brown e o colar com o diamante azul que Cal havia deixado no bolso do casaco que lhe deu na noite do naufrágio do Titanic.
Em abril de 1996, Rose estava em casa com a neta Lizzy e viu na TV a notícia sobre o caçador de tesouros Brock Lovett, e sua busca nos destroços do Titanic. Rose percebeu que ele procurava o diamante azul que ela manteve escondido por oitenta e quatro anos. Rose e Lizzy voaram até o navio Keldysh, onde ela contou sua história sobre o naufrágio do Titanic.”
(resumo do livro no site Authonomy)

Kate Winslet como Rose
Rose DeWitt Bukater pertencia a uma classe social que vivia fechada em sua bolha de luxo e elegância, isolada dos problemas da vida comum e do restante da humanidade, o que era natural para eles. Mesmo assim, ela se submetia às regras desse mundo por costume e obediência, e aceitou o noivado com Cal Hockley para resolver os problemas financeiros da mãe, após a morte do pai. Mas Rose queria assumir o controle de sua vida, e sua repulsa à ideia do casamento forçado foi aumentando cada vez mais.
“Eu não desejava brigar com Mamãe por causa de seu desejo de planejar meu casamento com Cal na Filadélfia. Ela foi dependente de meu pai desde que se casaram. Antes disso, ela havia sido dependente de seu pai. Depois de perder a ambos, nunca ocorreu a ela a ideia de ser independente e descobrir uma forma de ganhar a vida. Sua mãe dependeu dos homens da família a vida toda e ensinou Mamãe a também ser assim. Mesmo querendo que eu fosse instruída, Mamãe nunca sugeriu que eu me tornasse independente. Cabia a mim romper essa tradição, mas eu não tinha quem me orientasse naquela direção.”
O livro é interessante para quem gostou do filme e quer rever a história no papel. A parte da história de Rose que é mostrada no filme, especialmente a viagem no Titanic, segue fielmente o roteiro, com os mesmos diálogos (e poderia ser diferente?) e descrições. A única diferença é que, como o livro é narrado em primeira pessoa, não foram incluídas cenas e diálogos dos quais ela não participa. Por exemplo, o diálogo entre Cal e Jack enquanto Rose desce no bote salva-vidas. Ela apenas observa que os dois conversaram e fizeram contato visual, e quando percebe que não poderia deixar Jack no navio e partir em segurança no bote, decide voltar ao Titanic.

Leonardo DiCaprio e Kate Winslet
“Eu não estava acostumada a estar em um novo local e não ter coisas para desembalar, mas certamente não senti falta desse ritual. Quando acabei de comer, coloquei a bandeja ao pé da cama e troquei minhas roupas pela muda limpa e seca que haviam deixado para mim.
Senti que estava começando uma nova vida como sobrevivente do Titanic. Minha mãe parecia uma pessoa diferente, e não queria mais controlar a minha vida. Sempre me lembraria do corajoso oficial que trouxe o bote de volta para salvar minha vida. Depois de conhecer tantas pessoas que não sobreviveram àquela noite, eu sempre me consideraria privilegiada por ter sido resgatada, e feliz por estar viva.”
A vida de Rose após o naufrágio é contada de forma resumida e coerente com as fotos mostradas no quarto dela no Keldysh, no filme; rapidamente a narrativa retorna ao tema do navio, com o telefonema dela a Brock e a viagem ao navio russo.
“Quando Lizzy se formou no colegial em maio de 1986, o Titanic havia sido encontrado no fundo do mar por Robert Ballard e sua equipe, no mês de setembro anterior. Mantive em segredo minha própria experiência no Navio dos Sonhos. Ela sempre seria parte de mim, mas nunca senti a necessidade de compartilhar minhas caras lembranças de Jack Dawson, que me fizeram usar seu sobrenome até que me casasse com Walden Calvert.”

Gloria Stuart como Rose
O livro de Walden Carrington ainda não foi publicado, mas está disponível na íntegra para leitura online no site Authonomy, da editora HarperCollins. Para resolver o problema das centenas de originais recebidos diariamente pela editora, foi criado o site onde autores podem enviar seus textos. Eles podem ser lidos por qualquer pessoa, e avaliados e comentados por usuários registrados (geralmente outros autores). Os originais com melhor avaliação pelos pares são escolhidos mensalmente e enviados a uma equipe de editores internacionais da HarperCollins para avaliação e possível publicação.
Pessoalmente acredito que o livro poderia se beneficiar do centenário do naufrágio e ser publicado a tempo de aproveitar a data; mas como não conheço a política editorial da casa, não sei se consideraram o livro adequado para publicação. Outro ponto polêmico é a utilização de personagens e diálogos de terceiros; não sabemos o que James Cameron pensa a respeito, nem quais são as questões legais em relação a seu roteiro. Se eu fosse o autor, tentaria uma edição independente na Amazon como e-book; com uma boa divulgação, quem sabe não teria o mesmo sucesso de Amanda Hocking?
O livro é extenso (quase 400 páginas, segundo a numeração incluída pelo autor no texto) e teve uma pesquisa caprichada, especialmente nas descrições de Denver do início do século. É mais que uma simples fan fic, mas não chega a ser um trabalho totalmente original. De qualquer forma, é uma leitura gostosa e interessante, que vai agradar aos fãs de Titanic.
ATUALIZAÇÃO EM 06/12/11:
A leitora Suelen comentou que não conseguiu ler o livro online, e realmente ele foi retirado do site Authonomy em novembro. Encontrei o comentário do autor, Walden Carrington, em seu perfil no Authonomy:
“Thanks to everyone who emailed Twentieth Century Fox about the deletion of Titanic: Rose Dawson’s Story on 11-4-11. But that’s enough. They received a wealth of emails from authonomy members and are welcome to request the revised manuscript delivered to HarperCollins United Kingdom on 10-31-11. It could be published in New York and sell very well while Titanic is playing in theaters worldwide in three dimensions.
I will always remember my authonomy experience and treasure the many comments posted on my work. Finding my comments about other books on web sites designed to promote them has been very gratifying. My hope in writing a novelization of Titanic was to enhance the cinematic experience and expand on the story while passing on valuable life lessons to cherish for a lifetime. “
Portanto, parece que a Fox pediu a retirada do texto do site, provavelmente por violação de direitos autorais. O autor coloca-se à disposição de editoras (ou da própria Fox) que queiram publicar seu original e aproveitar a popularidade da história, que voltará aos cinemas em 3D em abril de 2012, para lembrar o centenário do naufrágio.
Bom, não temos opção a não ser aguardar que alguma editora publique o livro; uma pena que a disputa por direito$ autorai$ evite a publicação de histórias baseadas em personagens de outros autores. O livro era bem interessante e poderia ter sido publicado, provavelmente venderia muito bem…
* * *
Ficha:
Titanic: Rose Dawson’s Story
Walden Carrington
Enviado em 03/06/2010
Disponível para leitura online no site Authonomy
103384 palavras
(tradução de trechos do livro: Cristine Martin)






Mesmo que em geral a tradução dos títulos de filmes seja lamentável, desta vez acertaram: Ensina-me a viver é um bom título e dá a dimensão do que seja esta história. Comovente e divertida, nos faz pensar no que significa viver, e em como nossos problemas são insignificantes comparados ao grande cenário. Harold percebe isso quando nota a tatuagem no antebraço de Maude; quem tem aqueles números não despreza o privilégio de estar vivo.






Um menino e um cavalo são os únicos sobreviventes de um naufrágio. Uma amizade nasce destes dois seres solitários, que salvam a vida um do outro mais de uma vez. Este filme belíssimo, produzido por Francis Ford Coppola e com roteiro de Melissa Mathison, conta a história desta amizade improvável.









