Publicado em Abril - 27 - 2010

Amor por Acidente

(Mrs Winterbourne, 1996) - Esta deliciosa comédia romântica de troca de identidades conta a história improvável de Connie Doyle (Ricki Lake), uma garota de Nova Jérsei que está grávida do namorado cafajeste, Steve Di Cunzo (Loren Dean).

Após ser dispensada por ele, ela toma o trem para Boston por engano e durante a viagem conhece o casal Hugh e Patrícia Winterbourne (Brendan Fraser e Susan Haskell), que estão indo para a casa da mãe dele para apresentar Patrícia, após seu casamento em Hong Kong.

Eles fazem amizade rapidamente e Connie experimenta a aliança de Patrícia, que também está grávida. Nesse momento, acontece um terrível acidente e o casal Winterbourne morre. Connie sobrevive, e por causa da aliança, é identificada no hospital como Patrícia.

Após o nascimento do bebê, a ’sogra’ Grace Winterbourne (Shirley MacLaine) a leva para sua casa, onde ela é recebida como se fosse mesmo da família. Connie não vê como esclarecer o mal-entendido, e fica feliz com a acolhida calorosa que recebe da família.

O irmão gêmeo de Hugh, Bill Winterbourne (também Brendan Fraser) desconfia que há algo de errado, e começa a investigar. Com o tempo todos se apegam a Connie/Patrícia, inclusive Bill, que a pede em casamento.

Mas as coisas começam a se complicar quando Steve aparece e chantageia Connie. Após algumas confusões, tiros e mais mal-entendidos, a verdade vem à tona e tudo acaba bem.

Apesar de Ricki Lake não ser uma ótima atriz, Shirley MacLaine e Brendan Fraser dão um show de comédia, com seu humor sutil e delicioso. Miguel Sandoval também está divertido como o mordomo cubano Paco. A cena da confissão na porta da igreja já vale o filme todo, que é levinho e ideal para a pipoca do final de semana.

O filme é baseado no romance “Casei-me com um morto”, de Cornell Woolrich, que é o autor do roteiro do clássico de Hitchcock, Janela Indiscreta, e de muitos outros filmes e episódios de séries como Alfred Hitchcock Presents, Thriller e Suspense.

*     *     *

Para saber mais:

  • Página do filme no IMDb

Amor por acidente - cena do tango com Connie e Bill

Publicado em Abril - 25 - 2010

Músicas traduzidas - You’ve got a friend

Esta composição de Carole King, além de linda, é muito conhecida pela gravação de James Taylor em 1971, mesmo ano do lançamento da canção. Ela ganhou o Grammy de melhor música naquele ano, e também de melhor desempenho vocal masculino pela interpretação de James Taylor.

James Taylor e Carole King

James Taylor e Carole King, 2006

Muitos outros artistas gravaram essa linda música, que celebra a amizade que resiste ao tempo e às dificuldades: entre eles estão Michael Jackson, Aretha Franklin, Alanis Morisette, Ella Fitzgerald, Johnny Mathis, Barbra Streisand, Anne Murray, Brooke White (no American Idol 7) e até Vincent Price e os Muppets.

Lembro de um episódio de Anos Incríveis (aquele em que Kevin e Paul brigam, e depois fazem as pazes) em que a música toca no final, enquanto os dois jogam basquete ao pôr-do-sol, e a cena muda para dois adultos jogando basquete no mesmo local. É um final emocionante, que ilustra bem a amizade dos dois, que durou a vida toda.

E hoje é o aniversário de uma grande amiga minha; nossa amizade já dura quase 30 anos, e resiste ao tempo e a alguns milhares de quilômetros de distância. Esta música, cantada por James Taylor, era uma das preferidas dela (lembra quando você me emprestou todos os seus discos do JT e me deixou trazê-los para casa de ônibus para gravar? - tenho a fita até hoje), e este artigo é meu presente singelo para ela. Dadá, esta é para você! :-)

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Para ouvir a música, clique no player e acompanhe com a letra e a tradução. Lá no final do artigo, veja o vídeo de 1971 com James Taylor acompanhado por Carole King ao piano, e também a apresentação de Taylor no Rock in Rio, em janeiro de 1985, para um público de 250 mil pessoas.

Flash required

You’ve Got a Friend

(Carole King)

When you’re down and troubled
And you need a helping hand
And nothing, whoa nothing is going right.
Close your eyes and think of me
And soon I will be there
To brighten up even your darkest nights.

You just call out my name,
And you know whereever I am
I’ll come running, oh yeah baby
To see you again.
Winter, spring , summer, or fall,
All you have to do is call
And I’ll be there, yeah, yeah, yeah.
You’ve got a friend.

If the sky above you
Should turn dark and full of clouds
And that old north wind should begin to blow
Keep your head together and call my name out loud
And soon I will be knocking upon your door.

You just call out my name and you know where ever I am
I’ll come running to see you again.
Winter, Spring, summer or fall
All you got to do is call
And I’ll be there, yeah, yeah, yeah.
Hey, ain’t it good to know that you’ve got a friend?

People can be so cold.
They’ll hurt you and desert you.
Well they’ll take your soul if you let them.
Oh yeah, but don’t you let them.

You just call out my name and you know wherever I am
I’ll come running to see you again.
Oh babe, don’t you know that,
Winter Spring summer or fall,
Hey now, all you’ve got to do is call.
Lord, I’ll be there, yes I will.
You’ve got a friend.
You’ve got a friend.
Ain’t it good to know you’ve got a friend.
Ain’t it good to know you’ve got a friend.
You’ve got a friend.

You’ve Got a Friend

(tradução - Cristine Martin)

Quando você estiver deprimido e com problemas
E precisar de uma mão amiga
E nada, nada estiver dando certo.
Feche os olhos e pense em mim
E logo eu estarei aí
Para iluminar suas noites mais escuras.

Basta chamar o meu nome
E você sabe que onde eu estiver
Eu virei correndo, sim, baby
Para vê-lo novamente.

(no) Inverno, primavera, verão ou outono
Você só precisa me chamar
E eu estarei aí, sim, sim sim
Você tem um amigo.

Se o céu acima de você
Ficar escuro e se encher de nuvens
E o vento frio do norte começar a soprar
Não perca a calma e chame meu nome bem alto
E logo estarei batendo á sua porta.

Basta chamar o meu nome e você sabe que onde eu estiver
Eu virei correndo para vê-lo novamente.
(no) Inverno, primavera, verão ou outono
Você só precisa me chamar
E eu estarei aí, sim, sim sim
Ei, não é bom saber que você tem um amigo?

As pessoas podem ser tão frias.
Elas o machucam e o abandonam.
Elas levam até sua alma, se você deixar
É mesmo, mas não deixe.

Basta chamar o meu nome e você sabe que onde eu estiver
Eu virei correndo para vê-lo novamente.
Oh, querido, você não sabe que,
(no) Inverno, primavera, verão ou outono
Ei, você só precisa me chamar
Deus, eu estarei aí, sim, eu estarei.
Você tem um amigo.
Você tem um amigo.
Ei, não é bom saber que você tem um amigo?
Ei, não é bom saber que você tem um amigo?
Você tem um amigo.

Vídeo - James Taylor e Carole King (1971)

Vídeo - James Taylor no Rock in Rio (1985)

Publicado em Abril - 25 - 2010

Semana do Rato

Na época pensamos apenas em ter um bichinho manso e que se desse bem com crianças, então compramos um cocker. Mas posso confirmar o que diz a Zel: animais “de raça” têm a saúde muito mais delicada, a coitadinha teve problemas a vida toda, especialmente com os ouvidos, sem falar na via-crucis que foi seu último ano de vida.

Recentemente adotamos a Nina, a vira-lata mais esperta que já vi. Estamos redimidos?

Se você tem um cachorro ou gato ou pensa em ter um, considere adotar um animal. E não deixe de ler o texto da Zel, que está excelente.

  • O @Cardoso sugere: “Enterro Aéreo, no Tibet. Fascinante. Mais nobre que ser comido por vermes”. Já havia ouvido falar desse costume tibetano, que teve origem no respeito e compaixão com todos os seres sencientes e também porque o solo congelado do país era duríssimo e havia poucas árvores, o que inviabilizava enterros e cremações. Bom, é uma forma bem “ecológica” de partir, não há dúvida. Se não se importar com imagens “fortes”, veja aqui como é.
  • O Janio Alcântara (do excelente blog Dusbons) lembra que o filme Ponto de Mutação (Mindwalk) será lançado em DVD no Brasil a partir de maio. É uma boa oportunidade para ver ou rever esse filme filosófico que nos faz refletir.

O filme de 1990 foi baseado nas ideias contidas nos livros “O tao da Física”, “O ponto de mutação” e “Sabedoria incomum”, de Fritjof Capra, e foi dirigido por Bernt Capra, irmão do autor. Para saber mais sobre livro e filme, leia o artigo de Janio no Dusbons, e também uma análise interessante de Warny sobre o filme, no blog Cinema.

  • A Barbara Axt nota diferenças entre o pensamento norte-americano e britânico no que diz respeito à valorização do conhecimento ou da ignorância no jornalismo científico. Valorização da ignorância? Comassim? Apesar de parecer absurdo, o argumento dela faz todo o sentido. Vejá lá se não é mesmo assim. Gostei especialmente dos parágrafos finais.
  • Esta que vos escreve é um Rato feliz, achei (leia-se: baixei) alguns discos de rock progressivo (Jethro Tull, Jon & Vangelis) que não ouvia há uns 30 anos. Como é bom trabalhar com boa música nos fones de ouvido, o trabalho rende que é uma beleza… e olha que trabalho não faltou esta semana.
  • Já entregou a Declaração do Imposto de Renda? Se ainda não o fez, aproveite o domingo para fazer isso, o prazo final é dia 30 de abril. Agora, com licença que vou lá fazer o meu e já volto…
  • E para terminar,um momento de fofura extrema: o bebê capivara mostra o melhor modo de acordar uma mamãe sonolenta:

Bom domingo!

Publicado em Abril - 24 - 2010

Qual a melhor adaptação de obra literária para o cinema?

E aqui estão os resultados da terceira enquete do Rato: desta vez a pergunta foi “Qual destes filmes você considera a melhor adaptação de obra literária para o cinema?”, e tivemos a melhor participação até agora, com 80 votos. Obrigada, pessoal!

Os resultados mostram uma boa divisão dos votos entre os primeiros colocados, e um vencedor mais que esperado: a maravilhosa versão para o cinema que Peter Jackson realizou para a obra-prima de Tolkien, O Senhor dos Anéis.

O fato de uma história tão extensa e detalhada ter sido contada em quase dez horas de filme, além da paixão do diretor pela história, um elenco excelente e um orçamento mais que generoso, contriubuíram para que esta adaptação estivesse à altura de um dos maiores clássicos da literatura inglesa e mundial. Vitória merecida!

  • O Senhor dos Anéis (2001, 2002, 2003) (22 votos = 28%)
  • Crepúsculo (2008) (15 votos = 19%)
  • Orgulho e Preconceito (2005, com Keira Knightley) (12 votos = 15%)
  • Crônicas de Nárnia: o Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa (2005) (8 votos = 10%)
  • Rebecca (1940, de Hitchcock) (6 votos = 8%)
  • Razão e Sensibilidade (1995) (6 votos = 8%)
  • Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001) (4 votos = 5%)
  • Te amarei para sempre (A mulher do viajante no tempo - 2009) (4 votos = 5%)
  • Marley e Eu (2008) (3 votos = 4%)

O que é interessante é que todos os filmes receberam votos, o que mostra uma grande variedade de opiniões e gostos. Pessoalmente, votei em Rebecca, que considero um filme muito fiel ao livro, além das ótimas atuações de Laurence Olivier, Joan Fontaine e Judith Anderson (como a Sra Danvers). Alfred Hitchcock conseguiu conter um pouco seus caprichos de autor e criou uma obra-prima do cinema, que acabou levando o Oscar de Melhor filme em 1940.

O segundo lugar na lista é a unanimidade entre as adolescentes: Crepúsculo, adaptação do primeiro livro da série sobre vampiros criada por Stephenie Meyer, foi um grande sucesso de público e conseguiu manter o clima e os detalhes do livro, e também seus defeitos. Antes que me batam, esclareço que, na minha opinião, este não é o melhor livro da série, e o filme consegue às vezes ser tão parado e sombrio quanto o livro. Mas estamos falando de adaptações fiéis, e não da qualidade dos filmes. Vamos aguardar se o terceiro filme da série, Eclipse, será tão bom quanto o livro, que pelo visto é o melhor dos quatro.

Outra polêmica é se os filmes da série Harry Potter são boas adaptações dos livros de J K Rowling. HP e a Pedra Filosofal defendeu a franquia na enquete e ficou com o sétimo lugar, quase no finzinho. Esse foi o único filme que conseguiu incluir (quase) todos os detalhes do livro no roteiro, e talvez por isso mesmo tenha deixado um gosto de “amostra grátis”, mostrando um pouquinho de cada episódio sem se aprofundar em nenhum deles. Os melhores filmes de HP, talvez não por coincidência, são os que tomaram uma certa liberdade quanto ao livro e contaram a história ao seu próprio modo, como o Prisioneiro de Azkaban e o Calice de Fogo.

E já está no site a nova enquete do Rato: desta vez perguntamos: “Quando você gosta de um filme, costuma ler também o livro?” Não deixe de votar!

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Publicado em Abril - 23 - 2010

A Casa dos Espíritos

O romance de estreia de Isabel Allende narra a história da fictícia família Trueba, ao longo de quatro gerações e de boa parte do século vinte, culminando no golpe de estado que levou os militares ao poder. Unindo uma narrativa ágil, realismo fantástico e personagens ricos e complexos, a autora criou um romance fascinante.

Apesar de ser um romance de ficção, Isabel Allende reconhece que boa parte da história foi inspirada em sua própria família. O livro foi lançado em 1982 e tornou-se um sucesso imediato, sendo traduzido para mais de 20 idiomas. O país onde acontece a história nunca é identificado, mas é possível saber que a autora está falando de sua pátria, o Chile.

A “casa dos espíritos” é o casarão na esquina que Estéban Trueba constrói na capital para sua esposa Clara. De origem humilde, Estéban trabalhou durante dois anos nas minas para guardar dinheiro e casar-se com Rosa del Valle. Mas a moça morre envenenada por engano e, desiludido, o rapaz decide reerguer a propriedade da família, a fazenda Las Tres Marias.

Estéban é um homem rude e com péssimo caráter. Autoritário e propenso a acessos de cólera, costumava violentar camponesas da sua fazenda e gerou um número enorme de bastardos. Após o casamento isso parou, mas seu mau humor e cólera continuaram até o fim de sua vida. Um de seus netos bastardos, Estéban Garcia, aparece mais adiante na história com o ódio acumulado em gerações contra as injustiças e abusos do patrão.

Muitos anos mais tarde, ele retorna à capital por ocasião da morte da mãe, de quem cuidou a vida toda sua irmã Férula. Estéban decide então pedir Clara, a irmã mais nova de Rosa, em casamento.

Clara é uma alma sensível e possui dons de telepatia, premonição, telecinese e um contato estreito com as almas do “mais-Além”. Ela pede a Férula que vá morar com eles e esta se ocupa do lado prático da vida doméstica, além de idolatrar a cunhada, o que causa ciúmes em seu irmão. Num acesso de fúria e ciúmes, Estéban expulsa a irmã de sua casa, e esta o amaldiçoa.

Estéban e Clara têm três filhos: Blanca e os gêmeos Jaime e Nicolau. Blanca se encanta desde a infância por Pedro Tercero Garcia, filho do capataz de Las Tres Marias. O menino cresce e tem contato com ideias de justiça e direitos dos trabalhadores, o que não agrada ao patrão. O que Estéban também não aprova é o amor de Pedro e Blanca, que se encontram às escondidas.

Quando os amantes são denunciados pelo Conde de Satigny, Estéban descarrega sua ira na filha e na esposa. Clara decide não falar mais com o marido, que casa Blanca com o Conde contra a sua vontade. Pedro consegue fugir e torna-se um cantor popular, que celebra os sonhos de liberdade e justiça do povo oprimido. Blanca mais tarde abandona o marido e volta à casa de Clara, que está cada vez mais ligada às coisas do espírito e menos às coisas da terra. Alguns anos mais tarde, Clara morre tranquilamente, e a única afeição de Estéban agora é sua neta Alba.

O tempo passa e Alba está envolvida com a causa popular, assim como seu tio Jaime e Miguel, irmão da antiga namorada de Nicolau, Amanda.  Estéban Trueba é agora Senador do partido Conservador e luta com todas suas forças e influência para evitar que o candidato de esquerda chegue ao poder.

Quando isso finalmente acontece, apesar dos esforços de Trueba, o país sofre grandes mudanças, e os conservadores, com a ajuda de estrangeiros e dos militares, tramam um golpe de estado. O resultado é o caos e milhares de mortes, torturas e perseguições, das quais são vítimas vários personagens da história.

A última parte do livro é a mais intensa, e contrapõe o amor de Estéban Trueba e sua neta Alba e as diferenças ideológicas entre eles. No cenário violento após o golpe, antigos ódios são abrandados e, se não vemos um final feliz, pelo menos há a redenção para quem odiou durante toda a sua vida.

O livro é excelente e, apesar de longo, consegue prender a atenção nas mais de trezentas páginas. Com muitos detalhes e personagens secundários (muito bem construídos, por sinal), os episódios são narrados alternadamente por Estéban (na primeira pessoa) e por Alba (na terceira pessoa). O motivo das duas narrativas é explicado por ela no epílogo.

Uma curiosidade é que as quatro gerações de mulheres Del Valle têm nomes com o mesmo significado: Nívea del Valle é a mãe de Rosa e Clara. Clara del Valle Trueba é a mãe de Blanca, que por sua vez é a mãe de Alba. Como Clara explicou, “os nomes repetidos criavam confusões nos cadernos da vida”. Daí, os nomes diferentes que significam a mesma coisa. Em certo ponto, Clara comenta que Alba poderá recorrer a nomes estrangeiros para continuar o costume, quando tiver uma filha.

Não é surpresa que Clara mencione a futura filha de Alba; neste romance, as mulheres dominam a trama. Nívea, com a plácida aceitação de sua condição de esposa e mãe, protege Clara dos problemas do mundo e incentiva seus dons de clarividência. Clara, apesar de absorta e alheia ao mundo prosaico, mostra uma grande força interior quando se vê diante das dificuldades da vida. Férula no íntimo não aceita os sacrifícios que teve de fazer e mostra toda sua natureza amorosa  retribuindo com cuidados e dedicação o amor que recebe de Clara. Blanca sabe o que quer, e sua determinação a mantém no caminho de seu coração, ainda que tenha de enfrentar oposição e dificuldades, e é uma mulher capaz de grandes sacrifícios pelos que ama. Alba cresceu protegida  e cedo tomou contato com as injustiças do mundo, através dos olhos do amor e dos amigos. Os sofrimentos por que passou poderiam ter-lhe despertado o ódio, mas ao rever a história de sua família pôde compreender que nenhum acontecimento é inútil, e que os destinos de todos estão entrelaçados.

“Em alguns momentos tenho a impressão de que já vivi isto e que já escrevi estas mesmas palavras, mas compreendo que não sou eu, mas  outra mulher, que escreveu nos seus cadernos para que eu viesse a servir-me deles. Escrevo, ela escreveu, que a memória é frágil e o transito de uma vida é muito breve e sucede tudo tão depressa que não conseguimos ver a relação entre os acontecimentos, não podemos medir a consequência dos actos, acreditamos na ficção do tempo, no presente, no passado e no futuro, mas também pode ser que tudo aconteça simultaneamente, como diziam as irmãs Mora, que eram capazes de ver no espaço os espíritos de todas as épocas.

Por isso, a minha avó Clara escrevia nos seus cadernos para ver as coisas na sua dimensão real e para enganar a má memória. E agora procuro o meu ódio e não consigo encontrá-lo.”

Filme

Em 1982 a história foi adaptada para o cinema com direção de Bille August e um elenco de estrelas. O filme tornou-se um sucesso de público, pois concentrou-se na história de amor de Estéban (Jeremy Irons) e Clara (Meryl Streep) e de Blanca (Winona Ryder) e Pedro (Antonio Banderas).

Toda a parte política da história, que no livro tem papel importante para compreender o caráter e as motivações das personagens, aqui é apenas um cenário. Mesmo o terremoto, que muda o curso de várias vidas e tem consequências trágicas, é mencionado apenas de passagem.

Ainda assim, o filme é adorável e, como sempre, Meryl Streep, Jeremy Irons e Glenn Close (Férula) confirmam o grande talento que têm.

Eu havia visto o filme quando foi lançado em vídeo, há mais de 20 anos, e não lembrava de muita coisa. Quando terminei de ler o livro decidi rever o filme, e tive a impressão de serem duas obras diferentes. Para que a longa história coubesse em pouco mais de duas horas de filme, reduziram-se muitos detalhes e episódios vividos por Blanca e Alba foram reunidos em uma personagem só (no caso, Blanca). Para isso, o espaço cronológico da história também foi encurtado em uns 20 anos.

Não é fácil adaptar um livro tão rico em histórias interessantes e detalhes para uma narrativa tão curta, mas o esforço valeu a pena. O filme é bem-feito e interessante, mas ainda assim, recomendo: não deixe de ler o livro, é muito melhor.

*    *   *

Este livro foi minha escolha para o Desafio Literário no mês de Abril, cujo tema eram os escritores latino-americanos. Adorei ter lido Isabel Allende, e não por coincidência ela tem sido um dos autores mais lidos do desafio este mês. Já descobri, através de ótimas resenhas, mais livros dela que quero ler:

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Clique para comprar o livro (em inglês) na Livraria Cultura

Para saber mais:

Trailer - A Casa dos Espíritos

Publicado em Abril - 18 - 2010

Semana do Rato

  • Adorei a dica da Naomi, do Batata Transgênica: As 15 maiores fortunas da ficção. Essa é uma lista criada pela revista Forbes, e o comentário sobre o primeiro lugar da lista está ótimo, vejam lá quem é…
  • A Pâm, do blog Garota It, teve uma ideia super legal: o Follow Friday Blogs, que só fui descobrir esta semana, e adorei! Os autores de blogs literários podem deixar o link para um artigo de sua escolha e assim todos podem conhecer novos blogs. Mas só valem blogs literários ou artigos que falem de livros, e as postagens de links só podem ser feitas nas sextas-feiras. Já deixei uma sugestão de leitura do rato por lá.

Quem quiser conferir as sugestões já publicadas, visite o Garota It para ver os links dests semana (os links só ficam visíveis por uma semana). E se seu blog tem um artigo legal sobre livros, deixe seu link lá na próxima sexta-feira.

  • Dica interessantíssima: no dia 24 de abril, às 22 horas, o History Channel exibe o episódio “A mitologia de Tolkien” da série Confronto dos Deuses. O episódio inédito conta um pouco da história do autor de O Senhor dos Anéis e de seu universo particular, criaturas e personagens fantásticos. Também mostra que a ficção moderna é capaz de criar mitos tão poderosos quanto os deuses da antiguidade e revela ainda “as influências que levaram o escritor a colocar sua saga no papel e lembra que, entre as várias intenções de Tolkien, estava o desejo de criar uma mitologia para a Inglaterra com os livros O Silmarillion e a trilogia O Senhor dos Anéis.” (viia @tvmagazine)
  • Em tempo: o show do Paul MacCartney em Moscou, sobre o qual falei semana passada, será exibido no canal Multishow nesta segunda-feira, dia 19/04, às 23:30h. Ainda dá tempo de ver! :-)
  • Momento mãe coruja: as filhotas acabaram de lançar a nova versão do Dreaming Dolls, site criado por elas e que está no ar desde 2003. O Dreaming Dolls é um site para publicação de ‘dolls’ e pixel art criadas pelos usuários, e a nova versão tem recursos de avaliação, comentários e compartilhamento das dolls em redes sociais.

Para quem não conhece, as bonecas podem ser criadas do zero ou a partir de ‘bases’, que são os corpinhos sem detalhe algum. Todos os detalhes, roupas, maquilagem, acessórios, cabelos, são desenhados com o mouse ou tablet. Minha única tentativa de pixel art foi o famoso ratinho aqui do blog, e olha que deu um trabalho danado!  Aqui estão algumas dolls publicadas nas galerias do site:

  • Dica da Lola para jovens e não tão jovens assim: guardem dinheiro. Mesmo quem não tem um “escorpião no bolso” como a Lolinha (e eu também, by the way) pode aproveitar as sugestões dela para começar a poupar o quanto antes e garantir seu pé-de-meia no futuro. Não deixem de ler também os comentários, que estão muito bons.
  • Mais uma Lolla; agora a do blog Hello Lolla, falando sobre a mania de vestir menininhas como se fossem adultas, com maquilagem, futilidades mil e salto alto, pelamordedeus? ao que parece na Inglaterra essa mania é bem pior, e além do estrago psicológico de ‘queimar etapas’, aí se soma o estrago anatômico de usar salto para quem está com os ossinhos em formação. Não deixe de ler o ótimo post da Lolla: Caindo do salto.
  • Você sabe com que frequência se deve trocar a esponja de lavar louças? Leia o artigo cheio de dicas lá no blog Naco Zinha:
  • Momento fofura extrema: Gatos em seus momentos “invisíveis“; as legendas inspiradas causam boas risadas com os gatinhos fofos. Como aperitivo, o “karaokê invisível”. Veja mais gatinhos aqui. (dica da @danigpam, RT de @euqueru)

Bom domingo!

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