Publicado em Março - 29 - 2010

O Silmarillion


O Silmarillion, livro póstumo de J.R.R.Tolkien, conta a história da criação do mundo por Eru, nos Dias Antigos da Primeira Era. São lendas que contam também a história das Silmarils, a criação da Terra Média e o surgimento dos elfos, anões e homens.

O livro foi organizado pelo filho de Tolkien, Christopher, quatro anos após a morte do pai. Ele reuniu histórias escritas ao longo de toda uma vida, e que devem ter servido de base para a criação de sua obra-prima posterior, O Senhor dos Anéis. Christopher organizou os textos para criar uma narrativa coerente e em ordem cronológica, e dividiu as histórias em cinco livros.

“Na realidade, embora na época não se chamasse O Silmarillion, ele já existia meio século atrás. Em cadernos velhíssimos, que remontam a 1917, podem ser lidas as versões iniciais das histórias mais importante da mitologia, muitas vezes escritas ás pressas, a lápis. Ele nunca foi publicado (ainda que alguma indicação de seu conteúdo pudesse ser depreendida de O Senhor dos Anéis), mas meu pai, durante sua longa vida, jamais o deixou de lado, nem parou de trabalhar nele, mesmo em seus últimos anos.” (trecho do Prefácio de Christopher Tolkien)

Ainulindalë conta a história da criação do mundo por Eru ou Ilúvatar, o ser supremo. Após imaginar o mundo, Eru criou de seu pensamento os Ainur, seres Sagrados, que com sua música deram forma ao que Eru havia imaginado. Mas um Ainu, Melkor, rebelou-se e criou uma música dissonante. Aqui temos um claro paralelo com a criação do mundo e a rebelião de Lúcifer, anjo criado perfeito e que se rebelou, recusando-se a obedecer a Deus e sendo expulso do reino celestial por isso.

Após a música dos Ainur, foram criadas a luz, a água, as florestas, animais e os Filhos de Ilúvatar, os Elfos e os Homens. Contudo, Melkor tentava destruir o que os Ainur haviam criado e buscava o Poder e o domínio de Arda, ou a Terra.

Valaquenta descreve os quatorze Valar, sendo sete Senhores e sete Rainhas, cada qual responsável por um aspecto da Criação. Em seguida somos apresentados aos Maiar, seres criados também antes do mundo, mas inferiores aos Valar. E por fim, há Melkor ou Morgoth, cujo servo Sauron (um Maiar) mais tarde completou a obra de seu mestre e tentou dominar a Terra Média, o que será visto nos livros posteriores de Tolkien.

Quenta Silmarillion conta a história das Silmarils, pedras de luz criadas pelo valar xx e cobiçadas por Morgoth, cuja posse levou a guerras e destruição.

Neste livro também é contada a criação dos elfos, seres imortais, e dos anões. Os elfos eram formados de vários grupos, que se dividiram após a Grande Viagem a partir de Culviénen. Alguns elfos, os Eldar, estabeleceram-se em Valinor, cidade dos Valar, e outros recusaram-se a fazer a viagem.

As Silmarils foram criadas pelo elfo Fëanor, a partir da fusão da luz das Árvores de Valinor, destruídas por Morgoth. Mesmo sendo portadoras da luz sagrada, elas foram a causa de guerras e discórdia.

Neste livro está a bela história de amor entre Beren e Luthien. Beren era filho dos homens e mortal, enquanto Luthien era filha do elfo Elwë (Thingol) e da Maia Melian, e imortal. Ambos são antepassados de Elrond e Elros.

Thingol não desejava que sua filha se unisse a um mortal, e exigiu que este lhe trouxesse uma das Silmarils, que estava em poder de Sauron. Após um combate, Beren foi preso no calabouço de Sauron. Luthien fugiu e foi atrás de seu amado. Com a ajuda de Huan, o terrível cão caçador de Celegorn, que o havia recebido do Valar Oromë, ela conseguiu chegar aos calabouços e libertar Beren. Huan era fiel a Luthien e teria o poder de falar três vezes em sua vida, o que faz para ajudá-la. Após lutas terríveis, Huan é ferido e morre. Beren e Luthien retornam com a Silmaril, e após entregá-la a Thingol, Beren também morre.

Inconsolável, Luthien vai até Mandos, o Valar senhor dos mortos, e canta para ele suplicando pela vida de Beren. Manwë, o Valar mais poderoso, devolve a vida a Beren e dá a ela duas opções: voltar para a terra dos Valar e continuar a ser imortal, mas sem Beren, que não poderia segui-la, ou retornar à Terra Média com Valar e abrir mão de sua imortalidade para viver com ele até o fim de seus dias mortais. Luthien escolhe a segunda opção e deixa para trás sua família imortal.

O Quenta Silmarillion é o livro mais longo e também conta muitas outras histórias de elfos e homens, da criação de reinos e grandes batalhas.

Akallabêth conta a história da queda de Númenor, o reino dos homens, na Segunda Era. Elros e Elrond descendiam dos elfos edain e eldar, e também dos Maiar. “Com efeito, os Valar não podem retirar a dádiva da morte, que chaga aos homens vinda de Ilúvatar; mas na questão dos meio-elfos, Ilúvatar conferiu-lhes o poder de decidir. E eles resolveram que deveria ser conferido aos filhos de Eärendil o direito de escolher o próprio destino.” Elrond escolheu ficar entre os Primogênitos, e Elros abriu mão de sua imortalidade e tornou-se o primeiro rei dos homens.

Dos Anéis de Poder e da Terceira Era’ conta como os elfos fizeram os Anéis de Poder. Sauron então em segredo criou o Um Anel, para governar todos os outros. Entretanto os três anéis criados por último pelos elfos eram os mais poderosos, pois tinham os poderes do Fogo, da Água e do Ar, e foram confiados aos Sábios, que os ocultaram e nunca mais os usaram abertamente enquanto Sauron manteve o Anel governante.

Preocupado, Sauron distribuiu os anéis restantes aos outros povos da Terra Média, “tentando atrair para sua influência todos os que desejassem um poder secreto maior do que o atribuído à sua espécie. Sete anéis ele deu aos anões; mas aos homens deu nove, pois os homens se revelaram, nesse aspecto como em outros, os mais propensos a se submeter à sua vontade.”

O descendente de Elros, Isildur, arrancou o Anel Governante da mão de Sauron com o toco da espada de Elendil, Narsil. “Então Sauron foi derrotado por algum tempo e abandonou seu corpo. Seu espírito fugiu para longe e se ocultou em lugar ermo. E por muitos anos ele não voltou a assumir forma visível.” Esse foi o início da Terceira Era do mundo, depois dos Dias Antigos e dos Anos Escuros.

O restante da história é contado nos outros livros de Tolkien, O Hobbit e O Senhor dos Anéis.

O livro é complementado por diversas árvores genealógicas dos elfos e homens, um extenso glossário e alguns mapas. Na verdade essas árvores genealógicas e mapas são muito úteis durante a leitura, pois ajudam a compreender melhor a relação entre os diversos personagens. Eu ia lendo e consultando-os o tempo todo.

Gostei muito da leitura, apesar de não ser um livro fácil devido ao grande número de personagens e histórias, e do grande espaço de tempo abrangido. Se não nos lembramos que elfos, Maiar e Valar são imortais, fica difícil acompanhar o fio da meada.

Como eu já havia lido O Senhor dos Anéis, muitos nomes eram familiares, e isso ajudou na leitura. Ainda assim, pretendo continuar a série e ler O Hobbit, e reler a trilogia do Senhor dos Anéis.  São obras-primas, muitíssimo bem escritas e fruto da imaginação e dedicação extraordinárias de Tolkien. Recomendo!

Este artigo faz parte do Desafio Literário 2010, organizado pela Vivi, do Romance Gracinha. O tema deste mês foram os Clássicos da Literatura Universal, e há muitos livros excelentes entre os escolhidos; para ler outras resenhas de ótimos livros escritas pelos outros participantes do Desafio, veja os links do mês de março.

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Para saber mais:

Publicado em Março - 28 - 2010

Semana do Rato

  • O Lázaro Freire, psicanalista e fundador do maior grupo de discussão sobre Espiritualidade e Filosofia, a Lista Voadores do Yahoo, publicou um texto excelente sobre os usos e abusos do daime, os riscos físicos e psíquicos de se tomar o chá sem orientação e acompanhamento médico e as distorções que são feitas do uso original da substância, fora de contexto. Recomendo o texto do Lázaro, é bem claro e informativo. (via @LazaroFreire)
  • The Story of bottled water: Annie Leonard ataca novamente, e desta vez mostra a demanda fabricada criada pelas emperesas de água engarrafada para aumentar o consumo de seu produto, que gera uma quantidade absurda de lixo, nem sempre reciclado. A alterantiva é beber água de torneira, e que esta seja pura e saudável. Bom, aqui em Mogi não arrisco a beber água de torneira (que de vez em quando vem com cor de chá mate), mas pelo menos os garrafões de água mineral que compramos são reutilizados. Concordo com ela: todo mundo deveria ter acesso a água pura e saudável na torneira.

Fonte: artigo de Jonathan Hiskes, no site Grist

  • Dica do @Cardoso: The Last Question / A Última Pergunta, conto de Isaac Asimov. É impressionante como Asimov conseguia imaginar detalhes que se tornariam verdade dali a alguns anos. Por exemplo, neste conto notamos a semelhança do AC Galático com a Internet, ou a redução do tamanho dos computadores, de um monstro espaçoso para unidades portáteis e mais tarde, uma rede de informações interligada pelo hiperespaço. Ele também levanta questões preocupantes como a explosão demográfica e imagina as consequências que viriam com a conquista da imortalidade. Mas o que é mesmo genial é a conclusão do conto.

Links para ler o conto em inglês ou em português.

  • Tomar ou não a vacina contra a gripe suína (Gripe H1N1)? O artigo “A grande vacina matadora dos céus“, de Atila Iamarino, desmascara os spams que andam circulando por aí, incentivando que as pessoas deixem de tomar a vacina. A vacina é importante, especialmente para as pessoas dos grupos de risco.

No artigo Spam pela vacinação! - de Carlos Hotta, do blog Brontossauros em meu jardim, mais informações úteis sobre a vacina e uma sugestão de ’spam’ para enviar para quem acha que a vacina faz mais mal que bem. Vale a pena ler os dois artigos. (via @oatila)

  • O Frank Toogood (@fwtoogood) encontrou algumas fotos legais nos baús de família. Até aí nada de mais, se as fotos não tivessem sido feitas por seu bisavô (correção: tataravô), que lutou na África durante a Primeira Guerra Mundial. São registros históricos bem interessantes; aliás, adorei a foto do cavalinho sorridente. Vejam lá no blog  Ideia fix.
  • Pérolas de sabedoria no Twitter:

- Cão pensa: “Ei, essas pessoas c kem eu vivo, me alimentam, me dão um lugar kente e seco, me amam e tomam conta d mim” Elas devem ser Deuses!
- Gato pensa: “Ei, essas pessoas com kem eu vivo, me alimentam, me dão um lugar kente e seco, me amam e tomam contad mim EU DEVO SER UM DEUS!”
(via @_golfinha)

  • Sabe o que é steampunk? Aqui está uma boa definição:

“Steampunk é um subgênero de fantasia e ficção especulativa que entrou em voga nos anos 1980 e no início da década de 1990. O termo denota trabalhos que se passam em uma era ou mundo em que a energia a vapor ainda era amplamente usada - em geral o século 19, especialmente a Inglaterra da era Vitoriana - mas com elementos proeminentes de ficção científica ou fantasia, como invenções tecnológicas fictícias como as encontradas nos trabalhos de H.G.Wels e Júlio Verne, ou desenvolvimentos tecnológicos reais como o computador, mas ocorrendo em uma época anterior à real.”

O blog Enchanted Serenity of Period Films tem vários exemplos e fotos legais de filmes, roupas e objetos steampunk. Adoro! (via @Shoujofan)

Bom domingo a todos!

Publicado em Março - 26 - 2010

O que torna as sociedades mais felizes e saudáveis?

(artigo publicado no Alma Carioca em 24/03/2010)

O que tem maior impacto no nível de felicidade de uma sociedade? Se você pensou que é a riqueza, está enganado.

O epidemiologista britânico Richard Wilkinson estuda há algumas décadas por que algumas sociedades são mais saudáveis que outras. Ele descobriu que o que torna uma sociedade saudável não é o que ela tem a mais que outras - mais renda, mais educação, mais riqueza - mas a igualdade na distribuição dos bens.

Ele também constatou que muitos problemas sociais, desde doenças mentais ao abuso de drogas, são piores em sociedades desiguais. Os efeitos dessa desigualdade também incluem a diminuição da confiança, o aumento de doenças e a ansiedade, que encoraja o consumo excessivo.

Por outro lado, sociedades com menores diferenças entre ricos e pobres, ou seja, menor desigualdade social,  são mais resilientes e seus membros têm vidas mais longas e felizes.

(foto do blog Desigualdade Social, de Bárbara Pacheco)

(foto do blog Desigualdade Social, de Bárbara Pacheco)

Ao analisar e comparar as sociedades, Wilkinson observou os índices de problemas como expectativa de vida, doenças mentais, gravidez na adolescência, violência, a porcentagem da população que está em prisões e uso de drogas. Esses índices eram  muito piores em países com alta desigualdade social. A renda per capita não tem muito efeito nas previsões da taxa de mortalidade de um país, mas a distribuição de renda sim. Em países desiguais, esses problemas aumentam de dez a doze vezes que em países com maior igualdade.

O curioso é que sempre pensamos nesses problemas como ligados à pobreza. Wilkinson mostra que eles estão ligados não à renda, mas à estratificação da renda. Essa é uma ideia que a maioria de nós já tinha, intuitivamente - pensávamos que a concentração de renda era um fator pernicioso - e agora sabemos que isso é verdade.

Wilkinson lembra de um psiquiatra de prisão que passou 25 anos conversando com homens muito violentos, e disse que ainda não vira um ato de violência que não tivesse sido causado por desrespeito, humilhação ou perda da dignidade. Esses fatores desencadeiam a violência e são mais intensos em sociedades desiguais, onde o status e a competição são intensificados e somos mais sensíveis a julgamentos sociais.

Os efeitos psicossociais da desigualdade são os maiores fatores de estresse. Somos seres sociais, e o ambiente e os relacionamentos sociais nos afetam em grande escala. A competição e a ansiedade para manter o padrão social que (acreditamos que) esperam de nós causam grande estresse e levam a dívidas. Isso faz que as pessoas trabalhem mais,  consumam mais (o que consumimos mostra quem somos, ou assim pensam as pessoas), e isso torna-se um círculo vicioso que cada vez mais diminui a sensação de felicidade e prejudica os relacionamentos. Nunca é o suficiente.

Outra consequência da desigualdade sobre os relacionamentos é que ela cria uma hierarquia social baseada no poder - e o que o acompanha: status, riqueza, acesso privilegiado a recursos. E essa hierarquia é um potencial para conflitos. Felizmente, ao mesmo tempo em que somos animais sociais, sujeitos a essas consequências da desigualdade, também temos o potencial para o amor, aprendizado e cooperação. Podemos anular esse potencial para conflitos através da participação, compartilhamento e generosidade, não só no sentido material.

Entre os países ricos com maior igualdade estão o Japão e a Suécia. Esta última tem grandes diferenças salariais, que são redistribuídos através de impostos e benefícios. O país tem uma grande taxa de assistência social pelo estado, que cuida da assistência médica, educação, seguridade social e seguro desemprego. Por outro lado, o Japão tem menos diferenças salariais, faz muito menos redistribuição e não tem grandes gastos sociais. Ambos os países vão muito bem; estão entre os países com maior igualdade e os resultados sociais são muito positivos.

Mas uma sociedade não pode depender apenas dessas medidas para garantir a felicidade, pois elas estão ao sabor dos governos e da política. A estrutura de igualdade deve estar profundamente enraizada na sociedade. Empresas amigáveis, com participação dos funcionários, cooperativas, transparência na contabilidade, geram maior produtividade e funcionários mais felizes.

Essa sensação de igualdade também se reflete em outras áreas, como a sustentabilidade. Os índices de reciclagem, a diminuição do consumo, o consumo consciente, vêm da sensação de estar colaborando para o bem comum. E isso é mais frequente em sociedades saudáveis e com maior igualdade.

Um bom exemplo de sociedade saudável e feliz é o Butão, a democracia mais jovem do mundo. Na verdade, o pequeno país asiático tem o índice de “Felicidade Interna Bruta” (FIB), que guia a política do Butão e seu modelo de desenvolvimento. Quem começou isso foi o Rei Jigme Singye Wangchuck, que  há 35 anos tornou-se o quarto rei do Butão, com apenas 18 anos de idade.

O Rei Jigme, que foi educado no Reino Unido, é muito querido pelo povo, que não tem uma só palavra de crítica ou censura a ele. No dia de sua posse, ele disse que “A felicidade interna bruta é muito mais importante do que o produto interno bruto”. Sua ideia é que o modo de medir o progresso não deve ser baseado apenas no fluxo de dinheiro. Uma sociedade só se desenvolve verdadeiramente quando os avanços material e espiritual se complementam e reforçam um ao outro. Cada passo de uma sociedade deve ser avaliado em função não apenas do rendimento econômico, mas também se ele leva ou não à felicidade. É o bem comum em primeiro lugar.

O fato de o país ser de maioria budista ajuda a explicar o sucesso dessa filosofia e prática de governo. Outro fator que contribuiu foi o relativo isolamento do Butão quanto ao resto do mundo. A televisão e a internet chegaram ao país apenas em 1999. Thimpu é a única capital do mundo sem semáforos, e o aeroporto internacional tem apenas uma pista.

Ninho do Tigre - Butão (foto de José Eduardo de Sousa Cruz Rocha)

Ninho do Tigre - Butão (foto de José Eduardo de Sousa Cruz Rocha)

Para o Butão, os quatro pilares que devem inspirar cada política do governo são:

  1. Um desenvolvimento sócio-econômico sustentável e equitativo
  2. A preservação e promoção da cultura
  3. A conservação do meio ambiente
  4. O bom governo

Para garantir que as decisões do governo estão indo na direção certa, os cidadãos butaneses  respondem um questionário a cada dois anos, com perguntas sobre como o cidadão percebe sua vida em nove áreas principais. A análise das respostas indica se o povo está se sentindo feliz, e quais áreas merecem mais atenção por parte do governo. O questionário é a base para o cálculo do índice de Felicidade Interna Bruta.

O Butão é um país pequeno, com apenas 700 mil habitantes, e sua economia depende da energia hidráulica e do turismo sustentável. O país recebe ajuda externa, há pouca corrupção, e ainda assim em 2007 o Butão foi a segunda economia que mais rápido cresceu no mundo.

Apesar da receita butanesa não ser exportável, ela serve para inspirar outros países a repensar as decisões de seus governos. Se o FIB não pode ser usado pelos países ocidentais para medir o grau de felicidade e saúde de seus cidadãos, tampouco o PIB serve para isso.

Vivemos em sociedades altamente competitivas, e estamos sempre correndo atrás de algo - correndo para pagar as contas, para alimentar nossos filhos, para manter o emprego, para conseguir um emprego, para fazer mais um curso, para manter a cabeça fora d´água. E o resultado reflete-se na nossa saúde e em nossa falta de felicidade.

Talvez se tomarmos consciência disso e mudarmos individualmente, se cobrarmos de nossos governantes uma maior transparência e atitudes que beneficiem a todos em vez de a uma minoria privilegiada, se participarmos mais - seja através do voto, de nossas opiniões, de trabalhos voluntários - talvez consigamos dar o primeiro passo em direção a uma sociedade menos violenta, e mais saudável e feliz.

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Para saber mais:

Publicado em Março - 24 - 2010

Cama Ardente

Cama Ardente (The Burning Bed) é um filme feito para a TV em 1984, e estrelado por Farrah Fawcett. Apesar da produção mediana, sua força está na história dramática e na excelente interpretação de Farrah, que a partir dali conseguiu provar que não era apenas um rostinho bonito.

O filme conta a história verdadeira de Francine Hughes (Farrah Fawcett). Ela casou-se com o bonitão James ‘Mickey’ Hughes (Paul Le Mat) em 1964, e suportou a violência do marido e sucessivos espancamentos até matá-lo, pondo fogo na cama (e na casa) enquanto ele dormia.  O incidente aconteceu em 1977, e Francine foi a julgamento e absolvida alegando insanidade temporária.

Francine era uma garota simples do interior, que apesar de querer estudar e construir uma carreira, decide casar-se com Mickey após ‘ceder’ e ir para a cama com ele. Logo após o casamento Mickey começou a mostrar-se violento,  batendo em Francine por causa de uma roupa mais curta ou um sorriso para os amigos. Os pais dele (o casal morava com eles) não faziam nada para impedir a violência.

Em uma cena a polícia é chamada para apartar uma briga especialmente feia e quando os policiais tentam segurar Mickey e levá-lo preso, seus pais se jogam entre ele e os policiais para proteger o filho (que até há pouco estava batendo violentamente na esposa, sendo que eles não haviam feito nada a respeito). Por aí dá para ver de onde veio o temperamento mimado e agressivo dele.

Francine procura sua mãe e diz que quer abandonar o marido e voltar para casa e trabalhar. Sua mãe, surpreendentemente lhe diz que ela deve voltar para junto do marido, pois já fez sua escolha e deve arcar com ela. Francine volta para Mickey e mesmo após o nascimento dos filhos, os espancamentos continuam, cada vez piores. As crianças assistem a tudo, quietas. Francine procura a assistente social e pede o divórcio. O marido tenta fazer que ela volte para casa, e após ouvir uma firme recusa, sai em disparada com o carro.

Como era de se esperar, ele sofre um acidente e Francine muda-se para perto para cuidar dele. Mesmo recuperado ele insiste em que ela volte para ele, e ao ouvir um não começa a bater nela, que foge com as crianças. Como sempre, os pais dele dão apoio ao filho, insistem que ela volte para o lado do marido e acham natural esse comportamento violento dele.

Alguns anos depois ela volta a morar com o marido, e decide voltar a estudar. Mickey tenta sabotar seus esforços, pois não quer que ela curse a faculdade. A situação vai ficando cada vez pior e por fim, após uma noite trágica de surras, humilhação e estupro, ela espera que ele durma, encharca a cama com gasolina, acende o fogo e vai embora de carro com as crianças.

Bom, nesse ponto do filme todos concordamos que o marido era um crápula e merecia mesmo aquilo; mas também nos perguntamos por quê Francine não o abandonou de vez muito antes da situação tornar-se insustentável (como se já não o fosse desde o início).

Para compreender isso, temos de lembrar da época em que tudo aconteceu. Francine e Mickey casaram-se em 1964 e o assassinato ocorreu em 1977. Nessa época ainda era forte a noção que a mulher deveria obedecer ao homem, que “em briga de marido e mulher não se mete a colher” e muito menos que ela poderia ser estuprada pelo próprio marido. No filme vemos que as duas famílias não deram apoio a ela, que teve de suportar tudo sozinha.

A Lola explica em um artigo ótimo que na década de 70 as vítimas de estupro eram desacreditadas pelos policiais, humilhadas e não recebiam apoio algum.  Nos anos 80, com a criação de delegacias da mulher nos EUA, isso começou a mudar e mulheres policiais eram designadas para atender esses casos. Cursos de psicologia também eram obrigatórios para os policiais.

A partir de 1994, com  a criação da lei federal de violência contra a mulher (Violence Against Woman Act) os homens passaram a ser responsabilizados por suas ações violentas, podendo perder sua liberdade, a guarda dos filhos e outros direitos.

No Brasil, a criação da Lei Maria da Penha e das Delegacias da Mulher foi um avanço para a proteção dos direitos da mulher, mas ainda há muito a ser feito.

Apesar de ser um filme muito bom, Cama Ardente não foi lançado em DVD no Brasil. Mas é possível assistir ao filme completo no YouTube, em inglês e sem legendas. Vale a pena!

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Para saber mais:

The Burning Bed - parte 1 de 9

(link para a parte 1; os links para as outras partes aparecem ao final de cada vídeo)

Publicado em Março - 21 - 2010

Semana do Rato

  • Para começar, boas notícias: Doações de órgãos crescem 22% no primeiro bimestre de 2010 em SP - artigo da Folha mostra que houve um aumento do número de doações em comparação com o mesmo período de 2009. Em 2010 foram realizados (até agora) 397 transplantes de órgãos no estado, sendo 14 de coração, 32 de pâncreas, 228 de rim, 111 de fígado e 12 de pulmão. esse bom resultado é devido à melhora do trabalho de captação nos hospitais e da criação de coordenadores intra-hospitalares de doação e transplante e, 31 hospitais da rede paulista. O hospital que mais notificou doadores em potencial foi o Hospital das Clínicas de SP.

Essa é mesmo uma boa notícia; quantas vidas não foram salvas e sua qualidade de vida melhorada com esses transplantes? Mas ainda há muitos pacientes na lista de espera, que não têm muito tempo para esperar. Esperamos que esse bom trabalho continue. Parabéns!(via @GabSimoes)

  • Em outra reportagem da Folha, uma notícia preocupante que explica porque o transplante de pulmão teve o menor número na lista acima: 95% dos pulmões para transplante são desperdiçados no Brasil. Como os pulmões são o primeiro órgão a se deteriorar após a morte encefálica, sem uma captação cuidadosa e a preservação adequada do órgão até o momento do transplante, muitos órgãos viáveis ficam inutilizados.

O transplante de pulmão é uma cirurgia delicada; por temer o risco de morte devido à cirurgia, muitos médicos não indicam o transplante. Entretanto, a demanda para ese tipo de cirurgia ainda é alta, e de 30 a 50% dos pacientes na fila de espera morrem sem receber o órgão. Com o melhor treinamento das equipes de captação dos principais centros de transplante de pulmão, São Paulo e Porto Alegre, o aproveitamento de órgãos pode aumentar. Tomara.

  • No twitter, sobre a doação e transplante de órgãos:

“Não há NENHUM motivo racional para não doar órgãos. É o supremo último gesto de egoísmo não fazê-lo.” (@Cardoso)

“Se alguém duvida dos malefícios da religião, ela é o motivo para não termos doação de órgãos presumida.” (@Cardoso)

“Você enterra a pessoa com os órgãos dentro, pra não enterrar ela “feia”, toda cortada. Desenterra 3 meses depois e vê como tá.” (@bqeg)

“Eu já assisti a cena da assistente social perguntando e a família falando: melhor não doar. –> Melhor para quem? Melhor pq?” (@MARIANGELABLOIS)

“Sempre fui favorável a q, se a pessoa não for doador, q conste no RG dela: NÃO RECEPTOR DE ÓRGÃOS. Quem não doa não recebe.” (@peresfilho)

“O talmud diz que quem salva uma vida salva o mundo todo. Doadores salvam 5 ou 6, hello, isso te garante uma cobertura no paraíso” (@Cardoso)

“Escolha: seu último ato em vida é ser um herói salvando outras vidas ou ser um fdp egoísta que irá apodrecer embaixo da terra.” (@bqeg)

“O primeiro passo para ser um doador de órgãos é avisar a família sobre sua vontade de salvar vidas. Divulgue!” (@cecilia_tanaka)

  • Todo esse papo sobre doação de órgãos lembra uma coisa legal que aconteceu esta semana: o blogueiro e jornalista Ale Rocha (também daqui de Mogi) tem insuficiência arterial pulmonar, uma doença rara, e precisa fazer um transplante de pulmão. Enquanto aguarda na fila, ele precisa do medicamento Iloprost, caríssimo, que deveria ser fornecido pelo estado.

Um movimento no twitter, iniciado pelo Rodrigo Teixeira (@rod90) acabou chegando ao twitter do governador José Serra (@joseserra), que respondeu ao Alexandre e garantiu que ele receberá o remédio. Legal saber disso, e também ver a participação de muita gente que só quer ajudar e ver um final feliz nessa história. :-)
Para saber mais detalhes da história do Ale Rocha, veja aqui e aqui. E aqui, um texto legal do próprio @AleRocha.

  • Mais um link legal sobre o assunto: A expectativa de quem aguarda um transplante no Brasil - artigo de Samantha Shiraishi (@samegui), com vídeo do Ale Rocha.
  • Não crie um blog se você não sabe português: o  Marcos Lemos lembra em seu artigo esse detalhe importante, que muita gente esquece; se você pretende criar um blog, prmeiro estude português e aprenda a se comunicar corretamente; isso evita um vexame enorme! Vale a pena ler o artigo e os comentários, ótimos (via @Hordones)

Como diz o Marcos: “Um blog é feito basicamente de conteúdo escrito, texto, e sem isso é impossível que um blog dê resultado, tenha visitas e seja considerado. Sinto muito, mas, se você não sabe escrever, não pode ter um blog. Por isso é que vemos tanto plágio, roubo de conteúdo e duplicação: quem não sabe escrever por si mesmo só vai repetir e reproduzir o que outros disseram. Quem não sabe escrever bem, não sabe pensar por si mesmo.”

  • Divorciada aos 10 anos: no artigo de Eliane Brum para a Revista Época, uma história chocante e surpreendente: Nujood, uma menina de 10 anos, pede o divórcio de seu marido de mais de 30 anos de idade, com quem foi casada à força aos nove anos. Apesar da pobreza, tradições e ignorância geral, ela recebeu o apoio do juiz e advogados e tornou-se a primeira esposa-criança a obter o divórcio no Iêmen.

A história de Nujood tornou-se o fio de esperança para outras meninas casadas do Iêmen. Mas o artigo também mostra que, apesar de parecer que estamos bem longe daquele país, aqui no Brasil também acontecem absurdos de machismo e violência contra meninas. Vale a pena ler a reportagem completa.

  • No Batata Transgênica, uma excelente resenha do livro “Minha vida como Gueixa”, em que Mineko Iwasaki conta sua verdadeira história,  após ter processado por calúnia e difamação o escritor Arthur Golden, autor do romance Memórias de uma Gueixa. O artigo está bem completo, e já me deixou com vontade de ler os dois livros, para saber os dois lados da história. Parabéns, @lunaomi!
  • Dica da (@shoujofan): Está sendo produzida uma nova versão de “Assassinato no Expresso do Oriente”, de Agatha Christie; o que me deixou animada é saber que Poirot será interpretado por David Suchet, na minha opinião o melhor Poirot de todos. Eba!!

David Suchet diz: “É um honra ter tal elenco internacional para interpretar esse famoso mistério de assassinato. O escritor, Stewart Harcourt, escreveu um roteiro sofisticado. Sua atenção aos detalhes é impecável.”

  • Você acha que não tem preconceito com pessoas com deficiência física? Que olha para eles como para qualquer outra pessoa? O artigo “A espiã na cadeira de rodas“, de Regina Scharf para a Revista Página 22, nos faz parar para pensar.

Eva Sweeney tem paralisia cerebral, e através de uma cãmera adaptada à sua cadeira de rodas, filma seu cotidiano e mostra como as pessoas costumam tratá-la como criança ou incapaz, e falam apenas com seu acompanhante, como se ela não estivesse ali. O artigo traz um vídeo que mostra exemplos disso. Mas Eva tem uma vida ativa e produtiva, dá conferências, entrevistas, escreve artigos e leva cães para passear, amarrados à sua cadeira. Sua mensagem para as pessoas bem-intencionadas mas sem-noção é: “fale com adultos como adultos. Se as pessoas me tratassem como todo mundo, elas perceberiam que eu sou realmente como todo o mundo”.

Eva também tem um blog, o “The Deal with Disability“. (via @marciaokida, RT de @marcosguinoza)

  • Parece que o primeiro e-book reader brasileiro está chegando: a empresa Mix Tecnologia lançará em junho seu aparelho, o Mix Leitor D. O aparelho tem “tela de 6 polegadas e 400 gramas, comporta cerca de 1.500 livros em versão digital e tem uma bateria que permite mais de 8 mil trocas de páginas. O preço do eletrônico ficará entre R$ 650 e R$ 1.100. A empresa está pleiteando isenções fiscais, já que o produto terá utilidades acadêmicas.” (via @Biblioteconomia, RT de @vmsrueda)
  • E para terminar, depois de tantos assuntos sérios: alegre seu cãozinho e o dono também, com o bigode para cachorro (wth!?) Só vendo mesmo (via @danigpam):

Para saber mais:

Publicado em Março - 17 - 2010

Os subsídios agrícolas, o Big Mac e a salada

(artigo publicado no Alma Carioca em 13/03/2010)

Um interessante artigo do site AlterNet levanta uma questão no mínimo preocupante: nos EUA, é mais barato comer um hambúrguer do que uma salada devido aos grandes subsídios oferecidos pelo governo norte-americano aos produtores de carnes e laticínios. O gráfico abaixo mostra que esses produtos recebem 73,80% dos subsídios governamentais, enquanto cereais recebem 13,23% e frutas e vegetais, apenas 0,37%.

Ao comparar as duas pirâmides do gráfico, vemos que a dieta saudável e ideal deveria ser composta de cereais, vegetais e frutas, e que os produtos proteicos, geralmente de origem animal, deveriam responder por uma pequena parte da dieta.

Entretanto, devido à disparidade de preços, famílias americanas com poucos recursos ingerem mais fast-food que deveriam, simplesmente porque esses alimentos são mais baratos e de fácil acesso que frutas e vegetais. Infelizmente, a diferença será gasta mais adiante, em médicos e remédios.

A procura por alimentos orgânicos e locais ainda está limitada aos que têm condições financeiras para buscar uma alimentação mais saudável; a população menos informada e com menos recursos (e tempo para cozinhar em casa) acaba ingerindo uma dieta rica em proteínas, gordura e carboidratos simples, que somados à falta de atividade física, levam aos altos índices de obesidade que afetam especialmente os menos favorecidos.

Na raiz desse problema está a legislação “Farm bill”, que fornece bilhões de dólares em subsídios, cuja maior parte vai para grandes agronegócios que produzem milho, soja, trigo, algodão e arroz; os dois primeiros são usados na alimentação do gado. No final, esses subsídios “agrícolas” vão mesmo para a produção de carne.

Por outro lado, agricultores que produzem frutas e vegetais recebem menos de 1 por cento da ajuda do governo. O subsídio incluído na Farm Bill foi criado como um programa temporário em 1996, mas foi mantido pelas farm bills de 2002 e 2008.

O artigo também alerta que desde 1978 o preço dos refrigerantes caiu 33 por cento enquanto o preço das laranjas subiu 40 por cento. Não foram só esses números que mudaram desde a década de 70: o peso médio de um jovem de 18 anos hoje é 7 kg maior que o de um jovem de 18 anos no fim dos anos 70. O peso médio de uma mulher de 60 anos hoje é 9 kg maior que o de uma mulher de 60 anos no fim dos anos 70. O peso médio de um homem hoje tem 11 kg a mais. Os americanos estão ficando mais gordos e menos saudáveis.

Mas os grandes produtores de alimentos não são os únicos beneficiados pela política de subsídios governamentais norte-americanos; no capítulo mais recente da disputa entre o governo dos EUA e a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil recebeu autorização da OMC para retaliar os EUA pelos prejuízos causados pelos subsídios aos produtores de algodão. A China é o maior produtor mundial de algodão, enquanto EUA estão em segundo lugar e o Brasil é o quinto da lista.

Os subsídios têm prejudicado a exportação de algodão pelos outros países, favorecendo os EUA na concorrência, pois seus preços caem artificialmente e provocam a queda dos preços internacionais dos produtos. Com a retaliação, que deve se iniciar em abril, diversos tipos de produtos importados dos EUA terão aumento nos impostos de importação. A medida afeta principalmente artigos de luxo como automóveis, eletrônicos e cosméticos, mas também o trigo.

Antes de 1996, os produtores agrícolas recebiam subsídios com base no tipo de colheita e nos preços de mercado. Tal política fazia que os agricultores decidissem o que plantar com base mais na política do governo que nas demandas do mercado. A reforma “Freedom to Farm”, aprovada naquele ano, separou os subsídios daquelas condições. A partir daí, os agricultores recebiam valores fixos, sem importar o que fosse plantado. Com o tempo, a maior porcentagem dos recursos ficou nas mãos de poucos grandes produtores.

No início de 2009 o presidente Obama havia declarado o corte dos pagamentos diretos aos produtores agrícolas mais ricos (com ganhos de mais de $ 500 mil dólares por ano), a redução de subsídios para seguro rural e a eliminação de créditos para o armazenamento de algodão para o orçamento de 2010. A decisão da OMC indica que ele não cumpriu com essas determinações.

O Congresso dos EUA rejeitou por duas vezes o veto do presidente Obama à Farm Bill de 2008. No início de março deste ano, o Senado norte-americano aprovou um aumento no teto do subsídio a ser recebido individualmente pelos agricultores. O valor aprovado é de até 360 mil dólares por ano para cada produtor.

Como comparação, o maior gasto com subsídio agrícola no Brasil é na complementação da taxa de juros devida pelo agricultor aos bancos. Essa ajuda chega a R$ 60 bilhões por ano.

Os Estados Unidos e a Europa, que seriam grandes mercados para nossos produtos agrícolas, subsidiam seus produtores e suas exportações, o que gera uma concorrência desleal com países que não têm essa ajuda de seus governos. Ao mesmo tempo, exigem a abertura de nosso mercado.

No artigo do site MX Trading, o Prof. de Economia Rural da UFP, Eugênio Stefanello, diz que “os Estados Unidos não se constrangem em violar as normas do comércio internacional quando querem beneficiar seus produtores e chama isto de segurança alimentar ou promoção do desenvolvimento econômico interno. Os americanos já anunciaram que vão continuar subsidiando a sua agricultura e que querem aumentar suas exportações do agronegócio”.

O Prof Stefanello afirma que ao Brasil resta buscar, através da OMC, o cumprimento das normativas internacionais, e que a estratégia que vem sendo usada pelo nosso Ministério da Agricultura é o melhor meio de enfrentar essa concorrência. O setor privado deveria aumentar a produtividade, reduzindo custos e melhorando a qualidade de seus produtos. O setor público deveria adotar uma política agrícola baseada na estabilização da renda, reduzindo a carga tributária, facilitando o transporte e simplificando a burocracia e negociando a redução de barreiras impostas pelos outros países à importação de produtos brasileiros.

O Brasil hoje exporta principalmente para a China, EUA e Europa; com essas medidas e o combate à política de subsídios usada pelos outros países, as exportações brasileiras poderiam crescer, o que seria bom para o PIB brasileiro e, por que não, para a dieta dos norte-americanos. Afinal, um sanduíche (não necessariamente hambúrguer) acompanhado de uma boa saladinha é bem melhor e mais saudável, não?

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