Publicado em Março - 29 - 2010
O Silmarillion
O Silmarillion, livro póstumo de J.R.R.Tolkien, conta a história da criação do mundo por Eru, nos Dias Antigos da Primeira Era. São lendas que contam também a história das Silmarils, a criação da Terra Média e o surgimento dos elfos, anões e homens.
O livro foi organizado pelo filho de Tolkien, Christopher, quatro anos após a morte do pai. Ele reuniu histórias escritas ao longo de toda uma vida, e que devem ter servido de base para a criação de sua obra-prima posterior, O Senhor dos Anéis. Christopher organizou os textos para criar uma narrativa coerente e em ordem cronológica, e dividiu as histórias em cinco livros.
“Na realidade, embora na época não se chamasse O Silmarillion, ele já existia meio século atrás. Em cadernos velhíssimos, que remontam a 1917, podem ser lidas as versões iniciais das histórias mais importante da mitologia, muitas vezes escritas ás pressas, a lápis. Ele nunca foi publicado (ainda que alguma indicação de seu conteúdo pudesse ser depreendida de O Senhor dos Anéis), mas meu pai, durante sua longa vida, jamais o deixou de lado, nem parou de trabalhar nele, mesmo em seus últimos anos.” (trecho do Prefácio de Christopher Tolkien)
Ainulindalë conta a história da criação do mundo por Eru ou Ilúvatar, o ser supremo. Após imaginar o mundo, Eru criou de seu pensamento os Ainur, seres Sagrados, que com sua música deram forma ao que Eru havia imaginado. Mas um Ainu, Melkor, rebelou-se e criou uma música dissonante. Aqui temos um claro paralelo com a criação do mundo e a rebelião de Lúcifer, anjo criado perfeito e que se rebelou, recusando-se a obedecer a Deus e sendo expulso do reino celestial por isso.
Após a música dos Ainur, foram criadas a luz, a água, as florestas, animais e os Filhos de Ilúvatar, os Elfos e os Homens. Contudo, Melkor tentava destruir o que os Ainur haviam criado e buscava o Poder e o domínio de Arda, ou a Terra.
Valaquenta descreve os quatorze Valar, sendo sete Senhores e sete Rainhas, cada qual responsável por um aspecto da Criação. Em seguida somos apresentados aos Maiar, seres criados também antes do mundo, mas inferiores aos Valar. E por fim, há Melkor ou Morgoth, cujo servo Sauron (um Maiar) mais tarde completou a obra de seu mestre e tentou dominar a Terra Média, o que será visto nos livros posteriores de Tolkien.
Quenta Silmarillion conta a história das Silmarils, pedras de luz criadas pelo valar xx e cobiçadas por Morgoth, cuja posse levou a guerras e destruição.
Neste livro também é contada a criação dos elfos, seres imortais, e dos anões. Os elfos eram formados de vários grupos, que se dividiram após a Grande Viagem a partir de Culviénen. Alguns elfos, os Eldar, estabeleceram-se em Valinor, cidade dos Valar, e outros recusaram-se a fazer a viagem.
As Silmarils foram criadas pelo elfo Fëanor, a partir da fusão da luz das Árvores de Valinor, destruídas por Morgoth. Mesmo sendo portadoras da luz sagrada, elas foram a causa de guerras e discórdia.
Neste livro está a bela história de amor entre Beren e Luthien. Beren era filho dos homens e mortal, enquanto Luthien era filha do elfo Elwë (Thingol) e da Maia Melian, e imortal. Ambos são antepassados de Elrond e Elros.
Thingol não desejava que sua filha se unisse a um mortal, e exigiu que este lhe trouxesse uma das Silmarils, que estava em poder de Sauron. Após um combate, Beren foi preso no calabouço de Sauron. Luthien fugiu e foi atrás de seu amado. Com a ajuda de Huan, o terrível cão caçador de Celegorn, que o havia recebido do Valar Oromë, ela conseguiu chegar aos calabouços e libertar Beren. Huan era fiel a Luthien e teria o poder de falar três vezes em sua vida, o que faz para ajudá-la. Após lutas terríveis, Huan é ferido e morre. Beren e Luthien retornam com a Silmaril, e após entregá-la a Thingol, Beren também morre.
Inconsolável, Luthien vai até Mandos, o Valar senhor dos mortos, e canta para ele suplicando pela vida de Beren. Manwë, o Valar mais poderoso, devolve a vida a Beren e dá a ela duas opções: voltar para a terra dos Valar e continuar a ser imortal, mas sem Beren, que não poderia segui-la, ou retornar à Terra Média com Valar e abrir mão de sua imortalidade para viver com ele até o fim de seus dias mortais. Luthien escolhe a segunda opção e deixa para trás sua família imortal.
O Quenta Silmarillion é o livro mais longo e também conta muitas outras histórias de elfos e homens, da criação de reinos e grandes batalhas.
Akallabêth conta a história da queda de Númenor, o reino dos homens, na Segunda Era. Elros e Elrond descendiam dos elfos edain e eldar, e também dos Maiar. “Com efeito, os Valar não podem retirar a dádiva da morte, que chaga aos homens vinda de Ilúvatar; mas na questão dos meio-elfos, Ilúvatar conferiu-lhes o poder de decidir. E eles resolveram que deveria ser conferido aos filhos de Eärendil o direito de escolher o próprio destino.” Elrond escolheu ficar entre os Primogênitos, e Elros abriu mão de sua imortalidade e tornou-se o primeiro rei dos homens.
‘Dos Anéis de Poder e da Terceira Era’ conta como os elfos fizeram os Anéis de Poder. Sauron então em segredo criou o Um Anel, para governar todos os outros. Entretanto os três anéis criados por último pelos elfos eram os mais poderosos, pois tinham os poderes do Fogo, da Água e do Ar, e foram confiados aos Sábios, que os ocultaram e nunca mais os usaram abertamente enquanto Sauron manteve o Anel governante.
Preocupado, Sauron distribuiu os anéis restantes aos outros povos da Terra Média, “tentando atrair para sua influência todos os que desejassem um poder secreto maior do que o atribuído à sua espécie. Sete anéis ele deu aos anões; mas aos homens deu nove, pois os homens se revelaram, nesse aspecto como em outros, os mais propensos a se submeter à sua vontade.”
O descendente de Elros, Isildur, arrancou o Anel Governante da mão de Sauron com o toco da espada de Elendil, Narsil. “Então Sauron foi derrotado por algum tempo e abandonou seu corpo. Seu espírito fugiu para longe e se ocultou em lugar ermo. E por muitos anos ele não voltou a assumir forma visível.” Esse foi o início da Terceira Era do mundo, depois dos Dias Antigos e dos Anos Escuros.
O restante da história é contado nos outros livros de Tolkien, O Hobbit e O Senhor dos Anéis.
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O livro é complementado por diversas árvores genealógicas dos elfos e homens, um extenso glossário e alguns mapas. Na verdade essas árvores genealógicas e mapas são muito úteis durante a leitura, pois ajudam a compreender melhor a relação entre os diversos personagens. Eu ia lendo e consultando-os o tempo todo.
Gostei muito da leitura, apesar de não ser um livro fácil devido ao grande número de personagens e histórias, e do grande espaço de tempo abrangido. Se não nos lembramos que elfos, Maiar e Valar são imortais, fica difícil acompanhar o fio da meada.
Como eu já havia lido O Senhor dos Anéis, muitos nomes eram familiares, e isso ajudou na leitura. Ainda assim, pretendo continuar a série e ler O Hobbit, e reler a trilogia do Senhor dos Anéis. São obras-primas, muitíssimo bem escritas e fruto da imaginação e dedicação extraordinárias de Tolkien. Recomendo!
Este artigo faz parte do Desafio Literário 2010, organizado pela Vivi, do Romance Gracinha. O tema deste mês foram os Clássicos da Literatura Universal, e há muitos livros excelentes entre os escolhidos; para ler outras resenhas de ótimos livros escritas pelos outros participantes do Desafio, veja os links do mês de março.
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Para saber mais:
- O Silmarillion na Wikipedia
- The Silmarillion – no site Tolkien Online.com
- O Silmarillion – no site Dúvendor – um tributo a Tolkien
- As diversas leituras de Tolkien e do Senhor dos Anéis - ótimo artigo de Alex Castro no LLL
- Nerdcast 98 – O Silmarillion – O Antigo Testamento de Tolkien (podcast do blog Jovem Nerd)
- J.R.R.Tolkien – outros livros – parte 1 e parte 2 (de Ricardo Rudnick, do blog Cenas do Cotidiano)







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