Publicado em Outubro - 27 - 2009
Vírus Fatal
Este filme de 2006 feito para a TV (em cartaz na HBO) fala de uma suposta epidemia mundial causada pelo vírus da gripe aviária, que felizmente não aconteceu (e esperamos que não aconteça nunca; já explicarei por quê).
A história começa com uma infecção de aves na China pelo vírus H5N1, o vírus da gripe aviária. As aves são mortas, e vemos a reação das pessoas que se revoltam com isso e tentam esconder as aves, pois os animais significam sua fonte de renda e seu sustento. Ed Connelly, americano de Richmond, Virgínia, está em visita a uma fábrica na China, mas um funcionário da fábrica está doente.
Quando Connelly volta aos EUA, começa a espalhar o vírus já dentro do avião, sem saber que está doente. Com isso, a doença começa a se espalhar. Através de múltiplas imagens em sequência, podemos compreender como é fácil a transmissão do vírus.
A Dra Iris Varnack (Joely Richardson) vai até a China investigar alguns casos de morte pela gripe aviária, e constata que o vírus deve estar se espalhando entre humanos, em vez de das aves para humanos. Isso é muito grave, e ela informa o governo que há o risco de uma pandemia pior que a Gripe Espanhola de 1918, com possibilidade de até 30 milhões de mortes.
Connelly morre e todas as pessoas que tiveram contato com ele devem ser isoladas. O governador da Virgínia, Mike Newsome (Scott Cohen), ordena que o bairro de Richmond onde Connelly morava seja colocado em quarentena, assim como os bairros onde houver pessoas infectadas. A Dra Iris diz ao governador que a quarentena não adianta, pois as pessoas sentem-se como animais enjaulados, e isso tira delas o sentido de humanidade.
Logo vemos que a médica estava certa; com a progressão da epidemia e o aumento do número de mortes, o egoísmo começa a predominar e as pessoas não se importam com os outros, apenas consigo mesmas. Os hospitais estão superlotados, todos querem remédios e vacinas, na vizinhança em quarentena as pessoas não se aproximam dos vizinhos, ninguém ajuda ninguém.
O pânico se espalha junto com o vírus, e vemos o caos nas cidades; falta comida, a violência aumenta, as autoridades tentam em vão controlar a epidemia, milhares de pessoas morrem, o desespero toma conta de alguns, e a situação traz à tona o melhor e o pior das pessoas.
O filme também mostra pessoas dedicadas, como a enfermeira Alma Ansen (Justina Machado), que trabalha incessantemente no hospital. Seu marido Curtis (David Ramsey) está em missão no Iraque, e mais tarde retorna aos EUA para atuar na Guarda Nacional. Quando os hospitais não comportam mais o número de doentes, as estações de metrô são transformadas em hospitais improvisados, e Alma continua tentando ajudar os doentes. Faltam remédios, vacinas e há milhares de mortos, que a princípio são incinerados; mais adiante no filme, vemos uma enorme vala comum onde são postos os cadáveres de milhares de pessoas, e cobertos com cal. Uma cena chocante.
Após a morte de Ed Connelly, sua esposa Denise (Ann Cusack) entra em depressão e distancia-se da família e de tudo. Sua filha tenta cuidar da família, buscando suprimentos com os militares que guardam o bairro em quarentena e cuidando do irmão menor. O menino também fica doente; isso tira a mãe de seu torpor, e ela começa a cuidar dele. Quando a febre cede, Denise vê que não há comida para dar ao filho, e começa a perceber a situação ao seu redor.
Quando seu filho morre pela gripe, apesar do isolamento e dos cuidados de que sua família desfrutava, o governador Newsome percebe que só o isolamento não adiantava e manda suspender a quarentena. A família de Denise Connelly decide ir embora, e vê o cãozinho da vizinha solto. Ela entra na casa e vê a vizinha inconsciente no sofá. Denise percebe que a velha não tem gripe mas está morrendo de fome, pois não há comida na casa, e a leva para sua casa para cuidar dela.
Nas cenas seguintes vemos que os Connelly começam a organizar a vizinhança em serviços voluntários para ajuda e apoio mútuos; a solidariedade retorna, e as pessoas agora se ajudam. Alma e Curtis descobrem que vão ter um filho, e Alma para de trabalhar no hospital.
Apesar do número de mortes começar a diminuir, a Dra Iris explica que isso era esperado e também aconteceu na Gripe Espanhola; as pessoas adquirem certa resistência ao vírus, mas em uma segunda fase uma nova mutação causará muito mais mortes que antes, e eles devem se preparar. Quando recebem a notícia de muitas mortes em uma aldeia em Angola, Iris e sua equipe vão até lá para investigar.
O cenário é devastador – todas as pessoas na aldeia estão mortas. Mesmo que isso tenha ocorrido por causa da baixa imunidade e resistência daquelas pessoas, isso é sinal que a nova mutação do vírus já está acontecendo. E na cena final, vemos um bando de aves migratórias em voo, indicando que a pandemia se tornará incontrolável.
* * *
Apesar do filme parecer pessimista e catastrófico, caso o vírus H5N1 passasse a ser transmitido entre humanos esse cenário terrível poderia acontecer. Felizmente o vírus ainda só é transmitido das aves para os humanos, pois ele é muito mais perigoso que o vírus H1N1, causador da gripe suína.
O número de mortes pela gripe aviária é baixo por causa da transmissão ave-humana e pelas medidas efetivas que são tomadas, como a separação do comércio de aves domésticas e silvestres na China, o extermínio de todas as aves de criação próximas de locais infectados e o sequenciamento e acompanhamento dos vírus aviários por laboratórios do mundo todo. Tudo isso diminui a probabilidade do surgimento de uma linhagem humana do vírus, o que seria o começo de uma catástrofe como a mostrada no filme, pois o vírus H5N1 (altamente perigoso) costuma matar mais de 50% dos infectados.

Apesar dos EUA atualmente estarem preocupados com o aumento de casos da gripe suína, tendo o Presidente Obama declarado a epidemia de gripe suína uma emergência nacional, ela não é um problema tão sério quanto uma suposta epidemia de gripe aviária. O vírus H1N1, causador da gripe suína, apesar de ser facilmente transmitido entre humanos (altamente infectante), não tem tanta virulência e pode ser controlado com o uso de medicamentos como o Tamiflu em pacientes corretamente diagnosticados.
A declaração do estado de emergência aumenta a capacidade dos hospitais, médicos e postos de saúde de atender ao aumento da demanda por tratamento em um eventual novo pico de infecções pelo vírus H1N1. Com o estado de emergência, as autoridades não precisam seguir algumas exigências burocráticas federais e o estabelecimento de planos de emergência pode ser feito com maior rapidez. Isso é essencial em caso de uma epidemia.
Portanto, não há motivo para pânico. Apesar dos americanos adorarem um filme-catástrofe (onde tudo acontece nos EUA), alguns deles podem ter um resultado positivo; por exemplo, as pessoas podem perceber que há um perigo potencial e começar a tomar medidas práticas de prevenção, como por exemplo evitar aglomerações e lavar as mãos com frequência; ao menos por aqui esses foram bons resultados da preocupação com a gripe suína.
O filme está disponível no YouTube (em 9 partes, em inglês e sem legendas - veja vídeo no final do artigo); conforme o texto do usuário que publicou os vídeos,”esta é a verdadeira essência da programação preditiva, lembranças suprimidas de uma situação que foi implantada através do uso de filmes de cinema e programas de TV. O tema do filme apresenta uma crise ainda não enfrentada pelo público, e então mostra reações específicas que afetarão de forma subconsciente a reação racional dos espectadores caso tais eventos ocorram no mundo real”.
Visto por tal perspectiva, um filme como esse pode ter efeitos indesejáveis caso uma epidemia ocorra; esperamos que isso continue apenas na ficção.
Para saber mais:
- Entrada do filme no IMDb
- Gripe aviária na Wikipédia (em português)
- H1N1, mais de 90 anos entre nós: a origem e história desse vírus (no blog Rainha Vermelha – Science Blogs)
- Gripe suína – lições do passado (Rainha Vermelha)
- Gripe suína e a conspiração (Rainha Vermelha)
- Gripe suína e a inércia da notícia (Ideias Cretinas – Science Blogs)
- Swine Flu is Widespread in 46 States as Vaccines Lag – Jackie Calmes e Donald G McNeil – New York Times, 24/10/2009
- Obama declara emergência nos EUA por gripe suína – Estadão, 24/10/2009
- Gripe aviária: perguntas e respostas (revista Veja, 27/01/2004)
Vídeo: Fatal Contact: Bird Flu in America (parte 1)
veja também: parte 2 / parte 3 / parte 4 / parte 5 / parte 6 / parte 7 / parte 8 / parte 9


QB VII é um livro especial para mim. Li-o pela primeira (de muitas) vezes quando era pequena, e fiquei impressionada com as histórias contadas no julgamento. Foi a primeira vez que eu ouvi falar do Holocausto, bem antes de aprender a respeito nas aulas de História. Depois disso, li muitos outros romances sobre o assunto, como O Dossiê Odessa (Frederick Forsyth), Exodus (também de Leon Uris), Os Meninos do Brasil (Ira Levin) e Holocausto (Gerald Green), entre outros. Não se deixa um livro destes ao alcance de uma criança de 12 anos impunemente.
QB VII foi transformado em uma minissérie de TV em 1974. Estrelada por 

O filme de 2004, apesar de seguir a linha de cinema-catástrofe, foi lançado em um momento em que a causa da catástrofe em questão é um assunto que diz respeito a todos nós. O Dia Depois de Amanhã foi dirigido por
E como estamos falando de cinema catástrofe, tudo acontece muito rápido, e temos o drama pessoal dos personagens, que dá um aspecto humano e aumenta o interesse do filme. Desde Aeroporto 75 a Titanic, esse gênero de filmes sempre traz um drama pessoal para acompanharmos. O que, convenhamos, funciona bem.
Para a surpresa das pessoas ali abrigadas, um navio russo à deriva percorre as ruas de Manhattan e pára em frente à Biblioteca. O frio aumenta e a água congela. Eles começam a queimar livros para se aquecer, o que gera algumas discussões sobre quais livros podem ou não ser queimados.
Muitos cientistas e ambientalistas criticaram duramente o filme; o paleoclimatologista William Hyde, da Duke University, disse que “o filme era para a ciência climática o que ‘Frankenstein’ era para as cirurgias de transplantes cardíacos”. Outro ponto muito criticado é que essas mudanças climáticas acontecem no filme durante alguns dias ou semanas, enquanto em um cenário mais plausível, todas as mudanças mostradas no filme demorariam algumas décadas ou séculos para acontecer. Bom, não esqueçamos que isto é um filme, e essa aceleração é uma liberdade artística necessária para criar o drama.
O cenário catastrófico mostrado no filme felizmente está ainda bem distante, mas não é impossível. Cabe a todos nós fazermos nossa parte e tentarmos adiar o máximo possível o aquecimento global e as mudanças climáticas que ele trará. Se não fizermos nada, as consequências afetarão a vida de todos nós.



O filme mostra o apoio que ela recebe das pessoas próximas, como o marido Tyler (
que, ao saber da história dela, pára o carro e lhe conta que ele também é um sobrevivente do câncer, e lhe assegura que tudo dará certo. Ela encontra apoio também nos cabeleireiros que a ajudam a escolher uma peruca, e nas ‘colegas’ de quimioterapia, especialmente Moneisha (

Portanto, não deixe de se cuidar e divulgar essas informações; o câncer é uma doença terrível, mas pode ser evitado e tratado. Nenhuma história precisa ter um final triste; melhor fazer a prevenção e manter uma atitude positiva. E usar um batom 





