Publicado em Agosto - 31 - 2009
Dúvida
Dúvida é um filme fascinante. Baseado na peça de mesmo nome, de John Patrick Stanley, seu ponto forte é a interpretação dos atores e os diálogos, cortantes e diretos.
Padre Flynn: “A dúvida pode ser um elo tão poderoso e forte como a certeza. Quando você está perdido, não está sozinho”.
A história se passa em St Nicholas, uma escola católica em Nova Iorque, no ano de 1964. A Irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), diretora da escola, suspeita que o Padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman) tem tido uma conduta imprópria com um dos alunos. Donald Miller, de 12 anos, é o primeiro aluno negro do colégio. O recém-chegado é tímido, e ajuda no altar durante a missa. O padre Flynn, sempre bem-humorado e popular entre os alunos e alunas, parece proteger o rapaz para que ele não sofra nenhuma perseguição.
Suspeitando que há algo errado entre padre e aluno, a Irmã Aloysius pede à jovem professora Irmã James (Amy Adams) que fique atenta para qualquer comportamento suspeito. Ela conta à diretora que o Padre pediu que o garoto fosse à reitoria durante à aula, e que ao voltar, estava agindo de forma estranha e que sentiu hálito de bebida no menino.
A diretora então confronta Padre Flynn e o acusa de pedofilia. Não há provas, não há testemunhas, mas ela tem certeza de que a acusação é verdadeira. A partir de então o espectador acompanha os diálogos, justificativas e explicações dos diversos personagens, e cabe a nós decidirmos se o padre é culpado ou inocente.
Além de decidirmos sobre a verdade da acusação, o filme nos faz pensar sobre dúvidas e certezas; devemos ou não confiar em nossas suspeitas, na ausência de provas? até que ponto uma acusação infundada pode destruir a vida de uma pessoa? quais são os prejuízos que uma fofoca ou calúnia pode causar? podemos realmente confiar na declaração de inocência de uma pessoa? é lícito mentir para chegar à verdade?
Outro ponto de vista que abala nossas convicções é o da Sra Miller (Viola Davis), mãe de Donald. Ao saber da acusação sobre o comportamento do padre, ela reage de forma inesperada, ao menos para os padrões atuais e de “classe média”. Em um diálogo franco e chocante com a Irmã Aloysius, ela conta que está mais preocupada que Donald complete os estudos no colégio para que consiga vaga em uma boa escola de ensino médio e, quem sabe, possa chegar à universidade. Conta que o pai do garoto bate nele, e sugere que seja por causa da “natureza do menino”, não por causa do vinho.
“- Não se pode responsabilizar uma criança pelo que Deus lhe fez ser. Meu filho veio para sua escola porque o teriam matado na escola pública. O pai não gosta dele; ele vem para sua escola, os garotos não gostam dele. Um homem é bom para ele, esse padre. Então o homem tem suas razões, sim. Todos têm suas razões. Mas eu pergunto a esse homem por que ele é bom para meu filho? Não. Não me importa. Meu filho precisa de um homem que cuide dele e o ajude a chegar aonde ele quer ir. E graças a Deus que esse homem educado com um pouco de bondade quer fazer isso.
- Não vai dar certo.
- É só até junho.
(…)
- Irmã, não sei se a senhora e eu estamos do mesmo lado. Ficarei do lado do meu filho e daqueles que são bons para ele. Seria bom encontrar a senhora lá.”
Além das excelentes interpretações, o filme mostra o contraste entre os mundos masculino e feminino e a estrutura de poder e autoridade com base no gênero. Por exemplo, o jantar das irmãs é austero, silencioso, frugal. O jantar dos padres e o monsenhor é alegre, ruidoso, com vinho, conversas e piadas. Como a Igreja é uma instituição patriarcal, isso não causa espanto. Das mulheres é esperado, além da devoção e disciplina, o sacrifício.
Talvez por isso a luta da irmã Aloysius seja tão feroz; além de se opor a um padre e professor, ela está enfrentando todo o sistema patriarcal, e não pode vacilar. Ela não se permite ter dúvida, e no entanto todos os personagens têm seu lado humano, suas fraquezas; não há preto ou branco aqui, mas a complexidade de tons da verdadeira vida.
A Irmã Aloysius quer manter o colégio como antigamente: nada de rádios transistores, canetas esferográficas, músicas seculares no coral de Natal. O Padre Flynn, por outro lado, usa as tais canetas, conversa amigavelmente com os alunos e alunas, acha que o coral de Natal precisa ser modernizado para “chegar aos fiéis”, e que as crianças e seus pais devem ver os padres e freiras com parte de sua família. São duas visões e opiniões diferentes, e o confronto entre ambos não envolve apenas a acusação de pedofilia, mas também a administração da escola e a estrutura de autoridade e poder.
“Irmã Aloysius: - Esta manhã, antes de falar com a Sra Miller, tomei a precaução de ligar para sua última paróquia.
Padre Flynn: - E o que ele disse?
- Quem? -
- O pastor.
- Não falei com o pastor. Falei com uma freira.
- Você deveria ter falado com o pastor.
- Falei com uma freira.
- Você sabe que esse não é o procedimento correto a ser tomado, Irmã. A igreja é muito clara. Você deveria ter falado com o pastor.
- Por quê? Vocês tem um acordo, você e ele?”
A Irmã James quer acreditar na inocência do padre, enquanto a Irmã Aloysius tem certeza do contrário. A Sra Miller tem seus motivos para não querer um confronto, e o Padre Flynn afirma sua inocência. Cabe ao espectador decidir onde está a verdade. Como na peça de teatro, o final fica aberto para que nós decidamos se a acusação é verdadeira ou falsa. E como no teatro, o autor John Patrick Stanley contou apenas ao ator que interpreta o Padre Flynn se ele é inocente ou culpado. Nenhum dos outros atores ficou sabendo.
A peça ganhou o Prêmio Pullitzer de Drama de 2005, e o filme teve 5 indicações ao Oscar de 2009 (Melhor Ator Coadjuvante – Philip Seymour Hoffman, Melhor Atriz – Meryl Streep, Melhor Atriz Coadjuvante – Amy Adams e Viola Davis e melhor Roteiro Adaptado), sem receber nenhum dos prêmios.
Gostei muito do filme, e o recomendo. É muito bom poder ver um filme com bons diálogos e boas interpretações, e que ainda por cima nos faz pensar um pouco. Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman estão impecáveis como sempre, e o ótimo roteiro nos garante uma hora e meia de bom entretenimento.
* * *
Para saber mais:
- Entrada do filme no IMDb
- Crítica do filme no Cine Players (Emílio Franco Jr)
- Crítica do filme no Escreva Lola Escreva
- Crítica do filme no Cine Pop (Edu Fernandes)
Trailer – Dúvida (2008)



Claro, o Fordinho T 1926. Essa fofura está muito bem conservada, e dá para perceber como o bichinho era robusto e resistente. Segundo o cartaz, ele estrelou na novela da Globo “O Cravo e a Rosa”, chique não? Interessante a manivelinha para dar a partida.
Mais um calhambeque antigo: o Ford A 1929, uma caminhonetezinha reluzente e muito bem conservada, com cromados reluzentes. Como a maioria dos carros da exposição, com bancos de couro. Note os dois pares de faróis e as rodas brancas. Caminhãozinho chique esse…
Este pretinho é o Ford 1931. Meu marido contou que quando ele era criança, o pai tinha um Ford 1929 com a frente igual à deste aqui, e com a parte traseira igual à do modelo abaixo, o vermelho. O carro era vermelho também, e a família toda ia fazer piqueniques nos finais de semana; papai, mamãe e a filha na frente, e 3 filhos empoleirados no banquinho de trás. E o carro era conversível, imagine só quando chovia… Infelizmente o carro foi vendido na década de 60, só sobraram as (muitas) fotos, mas todas em preto e branco.
Este é o Ford 1932, pena que na foto não dá para ver o tal “banquinho para as crianças”. Uma graça, não? Outro detalhe é que há um estribo sobre o para lamas traseiso para apoiar o pé e subir no banco traseiro. Com a lataria de hoje em dia, nem pensar…
Este lindão é o Hudson Commodore six, de 1947. Dá até para imaginar o Al Capone saindo dele, não? A cor é linda, e esse capô é mesmo uma coisa!
Também elegante, mas com o capô um pouco mais discreto, este é o Styline 1952, da Chevrolet. Note o vidro duplo com divisão no para brisa.
Aqui está o DKW Candango, de 1960. Não conhecia este carro, mas lembra um pouco o Gurgel (que também estava na exposição). Bem quadradinho, não?
Deste eu lembro; o DKW sedan 1960. Vi muitos desse andando pelas ruas quando era criança, e lembro que ninguém falava o nome do jeito certo, era “DE-KÁ-VÊ”. O bichinho é mesmo simpático.
E olha aí o Opalão! Não lembro o ano desse aí, mas deve ser um dos primeiros. Meu pai teve 2 deles, e era uma banheira, mas uma delícia para viajar. Quando casamos, fui de noiva até o salão em um Opala 4 portas novinho (não era nosso, foi emprestado), era mesmo um carrão.
Não poderia faltar o Fusca, claro! Esta gracinha é o Sedan 1962, muito bem conservado. O fusca é a paixão nacional, e tem fãs e apaixonados até hoje, que cuidam de seus carrinhos a pão-de-ló. Este está muito lustroso, com rodas de faixa branca e todos os cromadinhos originais.
O maridão adorou este aqui: o Ford Mustang Grandee 1972; deve ser o avô da Super Máquina, um belo carro esporte. Mas ainda fico com os calhambeques lá de cima..
Este é uma banheira: o Landau 1976, um verdadeiro beberrão. Dizia-se que o Landau e o Galaxy não faziam x quilômetros por litro, mas x litros por quilômetro. Imagina só andar com um bichão destes hoje em dia? Nem pensar… Mas a cor dele é linda, adorei esse lilás.
E por fim, o nosso brasileirinho Gurgel (acho que esse é 1980). Até que era um carro bonitinho e compacto, foi mesmo uma pena que a fábrica tivesse fechado, mas ela foi mais uma das vítimas da hiperinflação e das trocas de moedas antes do Real.
Já havia assistido ao filme e adorado; agora li o livro, pensando se iria achar o livro melhor que o filme, como costuma acontecer. E me surpreendi: livro e filme são igualmente bons. Aliás, poucas vezes vi uma adaptação tão bem feita e fiel ao livro, e que conseguisse transpor a história para uma mídia diferente sem perder a essência.


O filme de 2002 é uma adaptação fiel do romance de Cunningham, e consegue transpor para a tela os detalhes psicológicos das personagens menos pelos diálogos que pela interpretação de um excelente elenco. Dirigido por 

Evelyn



Este é o filme mais “mulherzinha” que já vi; para ser exata, desde o título até o elenco, só há mulheres na tela. E quando digo mulherzinha, isso não é um elogio.
Sylvie descobre através da manicure fofoqueira da Saks (
Após chegar à conclusão que a culpa pela infidelidade do marido era dela, que não era bonita o suficiente (pelo menos não tão bonita quanto Crystal, o perfeito estereótipo da bonitona à caça de um amante rico), Mary descobre os poderes da chapinha, muda seu guarda-roupa para o uniforme da executiva bem-sucedida e lança sua linha de roupas, com patrocínio (ou mãetrocínio) da herança da mamãe.
Uma pena desperdiçar um bom elenco e uma história interessante na sua época com uma refilmagem desnecessária. O excesso de estereótipos e machismo talvez fosse aceitável em 1939, mas em 2008 parece forçado e artificial, como a maioria das interpretações. As exceções são Candice Bergen e Cloris Leachman, duas atrizes veteranas que conseguem manter a dignidade neste mar de clichês.







