Publicado em Julho - 26 - 2009

O Rato recomenda: Brincadeira séria

Foi assim: na minha visita diária à Lola, em um dos comentários a Silmara perguntava se ainda dava tempo para participar do concurso de blogueiras, e convidava a ler seu artigo. Fui lá e me encantei.

O artigo é simples, direto, como seu conteúdo. Mesmo que não tenhamos a coragem de fazer tudo aquilo de uma vez, é mais que uma inspiração para mudarmos o que está incomodando em nossa vida.

Como disse Steve Jobs em seu discurso como patrono de uma formatura em Stanford, em 2005: “Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que dizia algo assim: ’se você viver cada dia como se fosse o último, algum dia você estará certo’. Isso me causou uma impressão e tanto e desde então, nos últimos 33 anos, olho no espelho todas as manhãs e me pergunto: ’se hoje fosse o último dia de minha vida, eu gostaria de fazer o que vou fazer hoje?’ E sempre que a resposta foi ‘não’ por muitos dias seguidos, eu sabia que precisava mudar alguma coisa”.

A gente sabe disso, mas nem sempre temos coragem de mudar. Vamos deixando para lá, nos acomodando, até que algo sério acontece para nos dar uma boa sacudida.

Às vezes a sacudida é mais leve, arejada e poética, como o artigo abaixo. Que tal deixar que mensagens nas quais ‘tropeçamos’ façam o papel de catalisador em nossas vidas, antes que esse papel caiba a alguma tragédia?

Recomendo também a leitura do blog da Silmara, o Fio da Meada. Ela escreve crônicas ótimas e deliciosas, e já virei ‘freguesa’.

Agora é só começar a mudança… ;-)

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Para saber mais:

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Brincadeira séria - Silmara Franco

Faz de conta: você acordou, ligou para o salão e marcou um horário. Na hora do almoço, foi lá e pediu: Corta bem curto. O cabeleireiro não acreditou no que ouvia. Afinal, seus quase cinquenta centímetros de cabelo sempre foram, na sua cabeça (literalmente), uma espécie de atestado da sua feminilidade. Mas agora eles teriam de ser curtos. Para que suas ideias ficassem longas. Ele colocou a mão um pouco abaixo do seu ombro: Mais ou menos aqui? Você segurou a mão dele, levou-a na altura da sua orelha, e disse: Tosa.

Depois você passou naquela loja onde tem uns vestidos moderninhos e coloridos. Você entrou e pediu aquele cor de laranja com borboletas, muito mais curto do que os que você costuma usar. Aproveitou e pediu a sapatilha da vitrine. Arrancou o seu terninho bege, sua camisa branca e seu escarpim marrom. Deixou tudo por lá mesmo, no provador. E quando a vendedora perguntou o que fazer com aquilo, você disse: Queima.

Quando você retornou ao trabalho, uma hora depois do horário de costume, com aquele vestidinho e com os cabelos daquele jeito, a roda em torno de você foi se formando. Uns, animadíssimos. Outros, nem tanto. Alguns reprovaram. Como as coisas já não andavam muito bem por ali, sua chefe lhe chamou no final do dia para conversar, e avisou que as coisas não poderiam continuar daquele jeito, ou ela teria que substituir você. E você disse: Substitui.

Saindo de lá deu vontade de jantar naquele bistrô aonde você acha que só deveria ir no dia do seu aniversário ou outra data importante. Você mal encostou seu carro e já veio o dono da rua, dizendo que eram dez pratas para parar ali. E, como você não deu bola, o homem começou aquela conversinha surrada dizendo, na entrelinha da entrelinha, que um eventual não-pagamento antecipado incorreria em riscos indesejáveis na pintura do seu bólido. Você pegou o celular, digitou três números, mostrou o visor para o homem e, já com o dedo na tecla “ligar”, disse: Risca.

Faz de conta que você chegou em casa e sua filha de dezessete anos estava na sala com o namorado. Você teve que contar de novo a história daquele vestido e daquele cabelo e, como chovia, sua filha sondou se o rapaz poderia dormir ali. E, enquanto jogava no lixo aquela agendinha que você só usava no trabalho, você disse: Pode.

Quando se deitou para dormir, aquele anjo que costuma vir conversar com você antes do sono se empoleirou na cabeceira da sua cama. Elogiou o cabelo, o vestido, a decisão no trabalho, o presente de não-aniversário, o chega-pra-lá no dono da rua, a atitude com a filha. Só por curiosidade, perguntou que bicho havia mordido você. E você, se ajeitando no travesseiro e já desligando o abajur, disse: Nenhum.

No dia seguinte, vendo que eram dez da manhã e você ainda não havia se levantado, sua filha entrou no quarto, vocês conversaram e no final ela perguntou como é que vocês viveriam dali para frente. Com certa ironia, ela arriscou dizer que com as bolsas e os badulaques que você produzia e vendia nos finais de semana é que não seria. E você disse: Sim.

À tarde, você procurou o dono daquele galpão que você havia visto para alugar, perfeito para uma oficina, e fez uma oferta. O homem coçou a cabeça, pediu um pouquinho mais, e você disse: Fechado.

À noitinha, você foi até a casa dos seus avós, assim, de surpresa. E, de surpresa, você os beijou. E quando eles perguntaram o que era aquilo, você disse: Amor.

Faz de conta que foi assim. Faz de conta que foi desse jeito que você virou a mesa. Que resolveu não perder mais tempo, fazer o que gosta e ser do jeito que você, só você, acha que fica mais bonita.

Faz de conta que você morreu. E que alguém lhe deu a oportunidade de voltar para um terceiro tempo.

Então. Agora vai lá e faz tudo de verdade.

Publicado em Julho - 18 - 2009

Adote um amigo

Assisti ao vídeo abaixo no blog Cantinho dos Miaus, e fiquei com um nó na garganta. Assistam também e vejam se não dá vontade de levar um deles para casa.

No final há imagens dos animais antes de serem adotados e depois, em seus novos lares; a diferença é gritante; antes, animais tristes, quase pele e osso, maltratados; depois, animais bem cuidados, com aparência bem mais saudável. E claro, mais felizes.

Nena - esperando adoção - clique na imagem para ir ao link

Nena - esperando adoção - clique na imagem para ir ao link

Gabriela, do Cantinho dos Miaus, participa do projeto Mundo dos Animais, em Portugal. Ela e outras artesãs fazem e doam objetos artesanais que são vendidos em leilões online; a renda obtida vai para ajuda aos animais.

Felizmente aqui no Brasil também temos muitas organizações e pessoas que ajudam os bichinhos.

Ali do lado (e no final do artigo) há links de sites para adoção de animais em algumas capitais. Mas quase todas as cidades têm abrigos e organizações para adoções de animais (mas não as  “feiras de filhotes” - mais adiante falaremos delas). E sempre se pode adotar um cão ou gato nos abrigos da prefeitura. Por exemplo, uma boa notícia:

No último dia 1º de julho o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab,lançou um programa para dar novo tratamento aos cães e gatos abandonados da cidade. É o Programa de Proteção e Bem-Estar de Cães e Gatos (o Probem), que contará com recursos da ordem de R$ 9 milhões neste ano.

O principal mérito do programa é o de, pela primeira vez na administração municipal, desvincular dos canis do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) o destino dos cães e gatos resgatados das ruas. O CCZ foi criado em 1973, no bairro de Santana, para combater doenças que os animais podem transmitir aos homens. Agora, cães e gatos seguirão para o Núcleo de Proteção e Bem-Estar, a ser construído em outro local, onde serão medicados e castrados. Lá, eles ficarão acomodados e disponíveis para adoção.
“A população deve participar deste novo projeto adotando os animais. Os cães e gatos precisam deste apoio”, afirmou o prefeito durante a cerimônia de lançamento do programa. Ele reconheceu a importância e a urgência da proposta em uma cidade onde 42% dos domicílios têm pelo menos um cachorro e 8,8% têm pelo menos um gato. A população de cães é estimada em 1,5 milhão e de gatos em 240 mil. Segundo dados oficiais, cresce assustadoramente o número de animais abandonados nas ruas de São Paulo. Em 2008, foram 14.701. Neste ano, em apenas seis meses, o total já chegou a 6.795. “Antes tarde do que nunca”, completou o prefeito Kassab.
(…)
“O ciclo de abandono dos animais na cidade precisa ser interrompido”, disse Januario Montone. “Para isso, a postura da sociedade precisa mudar.” Como ele observou, a construção do Núcleo de Proteção e Bem-Estar para cães e gatos é necessária por causa da quantidade de animais sem donos. “Cachorro não é uma coisa, um brinquedinho que se joga fora“, afirmou Montone.
Para ajudar a controlar o crescimento da população de animais na cidade, o secretário da Saúde informou que está aumentando de 40 mil para 100 mil as castrações gratuitas de cães e gatos na cidade de São Paulo. O programa prevê ainda a contração de 80 veterinários e 67 biólogos. Foi apresentada a campanha publicitária que estará nos jornais, nas revistas e na televisão sobre o Probem.

Fonte: artigo de Ricardo Osman, retirada do site Animais para Adoção - SP

Lobinha - esperando adoção (clique na foto para ir ao link)

Antes de adotar um amigo, é importante ter em mente que você está assumindo a responsabilidade por cuidar de um ser vivo, que precisa de cuidados e carinho, e que viverá alguns anos (de 10 a 18 anos). Portanto, é um compromisso de longo prazo. Pergunte a si mesmo:

  • Toda a família está de acordo com a chegada de um novo animalzinho?
  • Você tem um espaço apropriado na sua casa para ele?
  • Você está disposto a educar seu novo amigo, com paciência, mesmo que ele não aprenda na 1ª vez?
  • Se adotar um cão, você o levará para passear todos os dias, não importando como estiver o tempo?
  • Quando crescer, você cuidará dele como no primeiro dia? O manterá sempre limpinho?
  • Recolherá todas as suas fezes e limpará o seu xixi?
  • Você comprará sempre a comida adequada para ele?
  • O levará ao veterinário sempre que for necessário e para avaliações periódicas, vacinações e afins?
  • E, sobretudo, você terá capacidade para amá-lo e comprometer-se durante toda a vida dele, que poderá durar até 15 anos ou mais?
(Fonte: O que é guarda responsável - Portal Nosso Mundo)

filhote fêmea aguardando adoção (clique na imagem para ir ao link)

filhote fêmea aguardando adoção (clique na imagem para ir ao link)

Alguns centros de adoção entregam o animal castrado e vacinado/vermifugado, mas caso isso não tenha sido feito, é bom levar o animal ao veterinário para avaliação do estado de saúde e para tomar as vacinas e remédios necessários. É importante esterilizar o animal (cão ou gato), pois além de evitar a procriação indesejada, isso o torna mais calmo e tranquilo.

Além disso, do ponto de vista fisiológico, os cães não precisam acasalar; a gravidez não protege a fêmea de câncer de mama, pois a única prevenção comprovada é a castração ou esterilização antes do primeiro cio. Um cão macho só sentirá o instinto de acasalar se estiver diante de uma fêmea no cio. A menos que você pretenda ficar com os filhotes (o que gerará muitas despesas, e mais responsabilidade), é melhor fazer a esterilização do animal.

A esterilização pode ser realizada em qualquer fase da idade reprodutiva do animal. A maioria dos veterinários, entretanto, recomenda que seja feita a partir dos quatro meses. A esterilização reduz muito a probabilidade das fêmeas de desenvolver câncer de mama na idade adulta, quanto mais cedo for feita a esterilização. Infelizmente nossa cachorrinha teve esse problema, pois não sabíamos disso na época e não fomos orientados a castrá-la. Não pretendíamos que ela tivesse filhotes, e se soubéssemos disso antes ela poderia ter sido poupada de muito sofrimento.

No caso das gatas, a castração inibe o desenvolvimento de tumores de mama e outras doenças do sistema reprodutor, como a piometra. Gatos castrados ficam mais calmos, mais caseiros e não ficam procurando fêmeas no cio e  ‘marcando território’. Animais castrados não engordam.

A principal causa do abandono de animais é o descontrole populacional. Uma cadela e seus descendentes podem gerar, em 6 anos, 73.000 cãezinhos e uma gata com vida reprodutiva pode deixar até 240.000 gatinhos. Não existem lares responsáveis para todos. (fonte: site do PEA)

Muitas pessoas procuram filhotes para adoção nos centros e abrigos, mas um animal adulto também pode ser um amigo afetuoso por toda a vida. Ao contrário do que se pensa, a adaptação de um animal adulto é mais fácil e rápida que a de um filhote, pois ele só terá de se acostumar à nova casa. Os cães adotados aceitam melhor a mudança, pois em geral estão iniciando uma vida melhor que a antiga, e demonstram sua gratidão tornando-se defensores leais da nova família, e amigos carinhosos. No artigo “Por que adotar um animal adulto“, Nina Hinerich explica:


Contrariando o pensamento de muitas pessoas, animais adultos se adaptam a novos lares tão bem quanto os filhotes. E ainda tornam-se companheiros, fieis, carinhosos, amigos e gratos por receberem, abrigo, alimentação, atenção e amor.Quando você adota um animal adulto já sabe o seu tamanho, temperamento, personalidade. Ao contrário do filhote que é pequenino, travesso, sempre pulando, correndo, fazendo arte, escalando cortinas…Porém ele vai crescer bem mais depressa do que você supunha, então ele começará gradativamente a se tornar diferente daquilo que você pensava (sim, porque acabamos imaginando que uma vez filhote sempre será filhote, mas ele vai crescer, se tornar adulto, mudar alguns hábitos…).

É uma grande ilusão achar que adotando um filhote você o “moldará” à sua maneira, não: eles formarão sua própria personalidade e você pode se decepcionar quando perceber que aquela bolinha peluda que escalava suas pernas no seu colo agora só aceita colo quando ele sente vontade.

(Fonte: artigo de Nina Hinerich, do Porta-Voz Animal. Artigo: www.greepet.vet.br)

A Humane Society dos EUA tem divulgado informações e até iniciado processos contra  alguns criadores de animais ‘de raça’, os chamados “puppy mills” ou fábricas de filhotes. Nesses locais os animais são mantidos em más condições, confinados em gaiolas e reproduzindo-se continuamente por vários anos e sem receber carinho ou pior, sem os cuidados veterinários adequados. Como o objetivo é o lucro e não o bem estar dos animais, esses estabelecimentos violam as leis federais e estão sendo alvo de processos judiciais. Os filhotes costumam ser vendidos em pet shops e frequentemente desenvolvem doenças mais tarde, originadas da falta de cuidados nos criadouros.

Leonardo - esperando adoção (clique na imagem para ir ao link)

Leonardo - esperando adoção (clique na imagem para ir ao link)

Essa “produção em massa” de filhotes leva à superpopulação de animais, contribuindo indiretamente para o aumento do número de animais abandonados em abrigos.

Todos os anos, de 6 a 8 milhões de cães e gatos  dos EUA vão parar em abrigos; destes, entre 3 e 4 milhões de animais são sacrificados por não terem sido adotados. (fonte: site da Humane Society). Na cidade de São Paulo, estima-se que cerca de 30 mil cães e gatos recolhidos das ruas são sacrificados a cada ano.

Veja aqui uma apresentação em flash mostrando o interior dessas “fábricas de filhotes”. Triste…

Mesmo que no Brasil a maioria dos criadores tenham boas condições para os animais, com canis e gatis que se preocupam com a saúde dos pais e filhotes, infelizmente existem alguns criadores que visam só o lucro. Ao comprar filhotes em um pet shop ou feira de filhotes às vezes não é possível saber a procedência do animal.

Como saber se o animal foi vacinado e vermifugado, se os pais possuem laudo de displasia coxo-femoral e de cotovelo, quais os problemas genéticos que aquela raça pode ter? Quando você compra um filhote em pet shop ou feira de filhotes, está promovendo essas fábricas de filhotes. Quanto mais vendem, mais elas produzem. Portanto, é melhor evitá-las.

Ao adotar um animal abandonado também podemos não saber as respostas a essas perguntas, mas depois de um exame veterinário saberemos qual a condição atual do animal e quais os cuidados que lee necessita. Estaremos evitando o sacrifício de um ser vivo e evitando que ele continue vivendo abandonado e sofrendo maus tratos e privações. E principalmente, ganharemos um amigo leal, que retribuirá com seu carinho e companhia durante toda a vida.

Jimmy - 3 anos, aguardando adoção (clique na imagem para ir ao link)

Jimmy - 3 anos, aguardando adoção (clique na imagem para ir ao link)

Se decidir comprar um cão ou gato, procure um criador responsável. Visite o local e observe as condições em que vivem os animais. Converse com o proprietário, tire suas dúvidas sobre os cuidados específicos da raça. Um criador responsável responderá a todas as perguntas e não deixará que o filhote seja separado da mãe antes de no mínimo sessenta dias. Depois da compra, leve o animal ao veterinário e, assim que possível, esterilize-o. Se posível, prefira a adoção. Cada cão comprado é um cão adotado a menos.

No excelente artigo de Silvia Schultz no Portal nosso Mundo, ela explica a diferença entre cachorreiros e criadores. Vale a pena lê-lo na íntegra, mas aqui está um trecho:

Este tipo de comércio funciona à custa da exploração de cães e gatos que vivem exclusivamente para reproduzir e gerar mais filhotes para a venda, sem que haja quaisquer cuidados em relação à saúde dos pais ou dos filhotes. São animais que correm sérios riscos de nascerem doentes ou apresentarem doenças de cunho genético ao longo de sua vida, o que trás sofrimento tanto para o filhote quanto para seu guardião, além de freqüentemente ser motivo para o abandono em função de o animal ser totalmente fora dos padrões físicos e comportamentais esperados para a raça.(…)

São animais que, retirados da mãe extremamente cedo, não são socializados corretamente e muitas vezes são vendidos com menos de 45 dias de vida. Nos Pet Shops e feiras, ficam confinados em pequenas gaiolas, expostos ao sol ou ao frio e sem supervisão, o que causa stress e desconforto ao animal. Não recebem ração de boa qualidade nem vacinação ética, estando sujeitos à doenças infecto-contagiosas que podem causar a morte ou deixar seqüelas irreversíveis.

(Fonte: artigo de Silvia Schultz - Diferenças entre cachorreiros e criadores)

filhote macho para adoção - clique na imagem para ir ao link

filhote macho para adoção - clique na imagem para ir ao link

Mesmo que existam animais de raça lindos, um vira-lata ou cão sem raça definida (SRD) pode ser a melhor opção para adoção. Esses animais são brincalhões e mais resistentes a diversas doenças, pois  a diversidade genética obtida pelo cruzamento de raças diminui a probabilidade de doenças específicas de uma determinada raça, e aumenta a resistência do animal (a famosa ’seleção natural”). O vira-lata será um amigão e uma excelente companhia.

Gatos adotados têm mais dificuldades que cães para acostumar-se à nova casa, pois são animais metódicos. É preciso ter paciência e carinho com o animal. Mas como eles geralmente vêm de uma vida de maus tratos e privações, a mudança, especialmente se acompanhada de carinho, é mais facilmente recebida pois eles percebem que sua vida melhorou. Ainda que o gatinho demore para se sentir seguro e à vontade, é certo que ele se acostumará e retribuirá o carinho, tornando-se um amigo afetuoso.

Um cão ou gato sem raça definida pode ser um amigo para a vida toda, tanto quanto um animal de raça. As raças trazem uma certa previsibilidade quanto ao tamanho, anatomia, temperamento, o que é mais difícil de prever nos SRD. Mas muito do comportamento do animal é devido ao modo como ele é tratado e ensinado. Mesmo cães adultos podem ser ensinados, se perceberem que o humano é a autoridade que deve ser respeitada (o líder da matilha). Mas isso deve ser feito com firmeza e sem agressividade ou crueldade.

Se decidir adotar um animal, procure um abrigo em sua cidade, ou pergunte nas clínicas veterinárias; eles podem indicar animais que estejam disponíveis para adoção.  Além disso, sempre ouvimos falar de pessoas que estão com uma ninhada indesejada em casa, e que oferecem os filhotes para adoção. Existem muitas opções. No fim do artigo há diversos links de sites para adoção de animais em várias regiões do Brasil. Veja também a tabela onde achar um cão?, do Projeto Pró Animal.

Um animal adotado é um animal a menos na rua, sujeito à fome, ao frio e à crueldade. A melhor forma de evitar que existam animais abandonados é pelo controle populacional (ou seja, a esterilização). E para os que já estão por aí, a melhor solução é a adoção. Um animal que encontra um novo lar cheio de carinho e cuidados ganhou uma nova chance na vida. E quem o adota, ganhou um novo amigo.

Observação:

Estamos falando para pessoas com bom coração, que realmente amam os animais; mas infelizmente vemos de tudo neste “mundo  velho sem porteira”… ficamos sabendo de histórias tristes e terríveis de crueldade com os animais, como esta e esta. Ao pesquisar para este artigo, encontrei um anúncio classificado de uma mulher que compra gatos… nem quero imaginar para quê. Por isso, muitos abrigos investigam o adotante em potencial, para evitar que os animais inocentes sofram ainda mais e tudo acabe em tragédia. O Paulo Afonso explica isso muito bem neste artigo. Sinto terminar com uma nota triste, mas creio que é preciso divulgar também esse lado negro, que gostaria que não acontecesse mais.

*   *   *

Mais informações e sites sobre adoção de animais em várias regiões do Brasil:

Outros sites interessantes sobre animais:

Publicado em Julho - 17 - 2009

Os “Pseudo-tímidos”

(crônica publicada em 10/07/2009 no Alma Carioca)

Outro dia li uma crônica de Clarice Lispector sobre os tímidos, que têm vergonha de viver. Ela se classifica entre os tímidos ousados, que apesar de sua incrível timidez são capazes de gestos audaciosos, atiram-se ao desconhecido, voluntariam-se para situações inusitadas e inesperadas.

Não sou tímida. Não sou ousada. E detesto classificações, apesar de adorar a análise e observação dos seres humanos, seu comportamento, suas causas e consequências, a importância do contexto, do ambiente, das pessoas que os cercam e como tudo isso junto explode em uma salada maravilhosa que é um ser humano único e imprevisível.

Há pessoas que são realmente tímidas. Outras, apesar de não o serem, aparentam timidez. Por quê? Arrisco alguns palpites: Por exemplo, é mais fácil “ser tímido”; isso me poupa de muita situação embaraçosa (escrevo na primeira pessoa para facilitar os exemplos, não me classifiquem, por favor). Se sou “oficialmente” tímida, ninguém espera que eu cante na apresentação do colégio, nem que eu me candidate a presidente de qualquer clube, grêmio, associação ou seja lá o que for. Não esperam que eu me destaque em nada, e essa expectativa diminuída a meu respeito me livra de muita ansiedade inútil. Isso não impede que eu me arrisque; se eu tiver sucesso, será uma surpresa para todos, pois ninguém o espera. Portanto, ninguém cobra.

Outra vantagem: dos ousados espera-se grandes atitudes, grandes e fortes opiniões, enquanto que aos tímidos nem se pergunta a opinião, oh, ela vai ficar encabulada, além do que, será que ela tem alguma opinião? Isso me dá a oportunidade de manter minhas opiniões (sim, os pseudo-tímidos têm opinião!) para mim mesma; isso é muito conveniente, especialmente em assuntos espinhosos, lugares de convívio público como o ambiente de trabalho, ou as duas coisas juntas.

Quando uma pessoa “atirada” toma uma atitude de vanguarda, as pessoas pensam: “Lá vai ele de novo!” e observam, esperando o sucesso (Ele teve coragem e se deu bem) ou o fracasso (Quem mandou se meter nisso, eu sabia, não podia mesmo dar certo). Nas primeiras vezes isso choca, mas com o tempo esse tipo de atitude é esperada dessas pessoas. Lembram-se das feministas dos anos 60 e 70? Das primeiras pessoas que resolveram viver de modo diferente? Daqueles que largaram “tudo” e foram trabalhar em outra coisa, ou fazer o que queriam?

Se um pseudo-tímido tomar uma atitude de vanguarda, não se assustem: ele sabe o que está fazendo. Pensou bastante, e decidiu que é exatamente isso o que quer. Diferentemente dos tímidos, que geralmente estão agindo por impulso.

Mas uma coisa é certa: tímidos, ousados, pseudo-tímidos, de qualquer modo que sejamos, na hora de enfrentar o desconhecido é normal sentir aquele friozinho na barriga, afinal, somos humanos; no fim da estrada pode estar o sucesso ou o fracasso, mas com certeza aprenderemos com a experiência. Teremos feito nossas escolhas. E teremos vivido.

Pois duro mesmo é se arrepender de não ter escolhido.

(texto escrito em 2006, e nunca antes publicado)

Publicado em Julho - 14 - 2009

Os Embalos de Sábado à Noite

Recentemente assisti este filme pela segunda vez; a primeira havia sido há 32 anos, quando foi lançado no cinema (cof cof). É claro que vi inúmeras vezes os trechos mais conhecidos do filme, os números de dança, mas não havia tido a oportunidade de vê-lo inteiro novamente.

Algumas coisas me surpreenderam: a primeira foi que o filme é amargo e realista, como a maioria dos filmes da década de 70; eles eram de uma franqueza brutal, sem disfarces politicamente corretos e com uma censura bem mais branda que a atual. Apesar de estarmos hoje cercados pela banalização do sexo, filmes como SNF, Perdidos na Noite, A Primeira Noite de um Homem, Taxi Driver e outros daquela época mostravam a realidade nua e crua, sem meias medidas.

É como comparar High School Musical com seu “avô”, Grease – Nos tempos da brilhantina. Enquanto o mais recente, apesar de adorável, é uma versão pasteurizada na medida certa para agradar crianças, jovens e adultos, Grease falava de temas mais fortes como aborto e a gravidez na adolescência.

Ao pesquisar qual a censura de SNF, vi que nos Estados Unidos ele foi classificado como “R” (o equivalente a ‘proibido para menores de 17′) enquanto no Brasil ele teve censura para 12 anos. Eu tinha 14 quando o assisti no cinema, e na época o que me marcou foram mesmo os números de dança. Em 1978, devido ao enorme sucesso do filme e da trilha sonora e com o objetivo de alcançar o público mais jovem, foi lançada uma versão editada do filme nos EUA, com 5 minutos a menos e com classificação PG (permitido para crianças acompanhadas dos pais ou responsável). As duas versões foram lançadas em VHS nos EUA mas apenas a versão “R” foi lançada em DVD.

Outra coisa que me surpreendeu foi que, apesar do enredo parecer fraco, há mais ali do que parece à primeira vista. E John Travolta convence como o jovem que procura nas pistas de dança o apoio e a aceitação que não encontra em casa. Não sem motivo, este foi o filme que o tornou famoso. Na época, Travolta era conhecido apenas por seu trabalho em uma série de TV (Welcome back, Kotter) e nos filmes “O Garoto da Bolha de Plástico” e “Carrie, a estranha” (ambos de 1976).

[ATENÇÃO: alguns spoilers no texto, cuidado se não viu o filme]

John Travolta é Tony Manero, um rapaz de 19 anos que mora no Brooklin com a família, trabalha em uma loja de tintas e nos sábados à noite dança em uma discoteca local.Como a maioria dos rapazes, ele anda com um bando de amigos também sem objetivo na vida, tem pouco ou nenhum diálogo com a família e quer ser bom em alguma coisa, e ser reconhecido por isso.

E Tony dança bem; sua parceira de dança habitual é Annette (Donna Pescow), apaixonada por ele, mas a quem Tony dispensa após conhecer Stephanie Mangano (Karen Lynn Gorney), uma garota mais velha que trabalha em Manhattan como secretária/relações públicas (isso não fica muito claro, mas ela vive se gabando de como conhece pessoas importantes). Eles começam a ensaiar para o concurso de dança da discoteca. Tony está fascinado por Stephanie, mas ela é crítica a respeito dele:

“Deixe-me adivinhar. Você trabalha o dia todo em um emprego qualquer, mora com os pais e vai à 2001 nos finais de semana, certo? Você é comum. Você não é nada, indo para lugar nenhum”.

Em casa as coisas não vão bem; o pai de Tony está desempregado, o irmão mais velho, Frank Jr. (Martin Shakar), que é padre e o orgulho da família, anuncia sua decisão de largar a batina e quando Tony anuncia que recebeu um aumento, o pai reclama: “Só quatro dólares? Sabe o que quatro dólares compram hoje? Não compram nem 3 dólares”. Para a família italiana e católica a decisão de Frank é uma desgraça (a mãe fazia o sinal da cruz sempre que olhava a foto do filho sobre a lareira), e Tony comenta com o irmão:

“Tony: Sabe o que é estranho? Sempre me considerei o ruim, e você, o modelo.

Frank Jr: Agora sou uma desgraça e perdi a aura de perfeição… talvez não seja mais o ruim.

Tony: Se você não for tão bom, talvez eu não seja tão ruim”.

Quando Frank vai embora, dá um conselho ao irmão: ” Tony, o único modo de sobreviver é fazer o que você acha certo, não o que querem que você faça. Se fizer o que eles querem, vai estragar a sua vida”.

Ele vai bem no trabalho, mas não vê futuro naquilo. O único momento em que Tony brilha é na discoteca 2001 Odyssey, onde ele é o ‘Rei da pista de dança’. Mas mesmo isso não é o suficiente. No decorrer do filme Tony questiona a vida que leva e o que quer no futuro, até tomar a decisão de mudar para Manhattan e começar vida nova. Este é um dos temas do filme: aprender a crescer e tornar-se adulto.

Tony Manero: Sr. Fusco, vim buscar o meu dinheiro.

Sr Fusco: Tony, perdemos o controle, não?

Tony: Como?

Sr Fusco: Não quero perdê-lo. É um bom rapaz, e os fregueses o adoram. Fique.

Tony: Então, não fui demitido?

Sr Fusco: Não. Vamos lá!

Tony: Nossa, não acredito!

Sr Fusco: Tem futuro aqui. Harold está aqui há 18 anos, desde a inauguração! Mike, há 15 anos. Vá ajudar o Harold. Está todo enrolado.

No dia do concurso Tony e Stephanie brilham na pista de dança, mas logo depois deles um casal de porto-riquenhos se apresenta e são visivelmente melhores que eles (sua coreografia lembra os shows de dança do “So you think you can dance?”); os latinos ficam com o segundo lugar e Tony e Stephanie são os vencedores. Mesmo com a festa dos amigos, Tony sabe que eles só ganharam porque a discoteca nunca daria o primeiro prêmio para latinos; revoltado, ele entrega o troféu e o dinheiro ao casal latino.

O outro tema refere-se à visão que Tony tem das mulheres. No início do filme ele é o ‘pegador’, e trata as mulheres como objetos. Apesar de Annette oferecer-se para ele, Tony a rejeita, pois não quer ser pego na armadilha da gravidez e possível casamento, situação em que está seu amigo Bobby C. (Barry Miller). Bobby é um rapaz franzino que aparentemente só é aceito pelo grupo por ter um carro; ele não recebe apoio dos amigos (cada um fechado em seu egoísmo) e não vê uma saída para seu caso, pois a namorada não quer abortar e ele terá de casar com ela. Depois de uma cena forte em que Annette oferece-se a todos os rapazes (esperando, talvez, ficar também com Tony?), o que era oferecimento transforma-se em estupro, do qual Tony não participa.

O grupo segue para a Ponte Verrazano Narrows (thanks, IMDb!), onde costumavam se exibir andando na borda da ponte. Bobby, desesperado com sua situação e falta de apoio, começa a andar sobre a mureta, chorando e reclamando que os amigos nunca lhe deram apoio nem conversaram com ele, e apesar de Tony tentar alcançá-lo, ele acaba caindo.

“Tony: É possível cometer suicídio sem se matar”

Por fim, Tony percebe que aquela vida não o levaria a lugar algum (como os americanos gostam de dizer, andar com um bando de ‘perdedores’) e resolve mudar. Crescer não é fácil, e em geral é acompanhado de decepções e perda das ilusões. Neste caso, não foi diferente.

A trilha sonora do filme é uma delícia; além das músicas dos Bee Gees (Night Fever, Staying Alive, How Deep is Your Love, More than a Woman, You Should Be Dancing) ela tem outras boas músicas disco, como If I can´t have you (Yvonne Elliman), More than a woman (Tavares) e Disco Inferno (The Trammps).

O filme também é um retrato do estado de espírito americano na época (1977): depois do fiasco da Guerra do Vietnã e antes que Reagan trouxesse de volta o orgulho e patriotismo, não havia guerra para protestar nem muita fé no país. O melhor a fazer era dançar e aproveitar o momento, pois o futuro não trazia nada de promissor.

Curiosidades
  • Connie, a garota que se oferece para dançar com Tony, é Fran Drescher (a Nanny) em seu primeiro papel no cinema. Sem a voz anasalada que tornou-se sua marca registrada, quase não a reconhecemos.
  • A mãe e a irmã de John Travolta fazem pontas no filme; Ann Travolta, a irmã, é a mulher das pizzas e Helen Travolta, a mãe, é a senhora que compra a lata de tinta, no início do filme.
  • A trilha sonora (álbum duplo) vendeu mais de 20 milhões de cópias, e foi o álbum mais vendido da história até ser superado seis anos depois por Thriller, de Michael Jackson.
  • Travolta trabalhou duro para a coreografia solo de You Should Be Dancing e ameaçou sair do filme quando o estúdio sugeriu que cortassem a cena.
  • Na cena em que o pai de Tony lhe bate na cabeça, a fala dele “Ei, cuidado com o cabelo” foi um improviso de Travolta, mas combinou tão bem com o personagem que acabou ficando no filme.
  • Este foi um dos primeiros filmes a utilizar a Steadicam (câmera móvel com dispositivo estabilizador inventada por Garrett Brown, que recebeu um Oscar em 1978 por sua invenção).
  • No quarto de Tony há posters de Rocky (Sylvester Stallone), Bruce Lee, Al Pacino (de Um dia de cão) e o famoso poster de Farrah Fawcett.
  • Saturday Night Fever foi indicado para apenas um Oscar, o de Melhor Ator (John Travolta). Quem ganhou foi Richard Dreyfuss, por A Garota do Adeus.
  • Nenhuma das músicas dos Bee Gees foi indicada ao Oscar de Canção original, e a Trilha Sonora do filme também não recebeu uma indicação. Que injustiça…
  • Robin Gibb, um dos Bee Gees, admitiu à BBC News em 2007 que ele nunca havia assistido ao filme.

Saturday Night Fever (1977) - Dirigido por John Badham, com roteiro de Nik Cohn e Norman Wexler

Para saber mais:

Outras visões sobre o filme:

Vídeo: More Than a Woman

Publicado em Julho - 13 - 2009

4 - Doador de órgãos – ser ou não ser

(Artigo publicado no Alma Carioca em 07/07/2009)

(Última parte da série sobre transplantes)

A doação de órgãos é uma decisão pessoal; há pessoas que não concordam em doar seus órgãos, e seu desejo deve ser respeitado. Pela lei brasileira, todos são doadores, a menos que deixem claro o contrário, avisando a família e amigos. Caso essa decisão contra a doação não seja feita em vida, após a morte um familiar (de até segundo grau de parentesco) pode autorizar, por escrito, a retirada dos órgãos. Se você quer ser doador, avise sua família. São eles que entrarão em contato e autorizarão os médicos a fazer o transplante. Avise também seus amigos, avise todo mundo que você quer ser um doador.

Não é necessário nenhum documento, mas se quiser pode fazer uma declaração escrita e levar com você; ela pode vir a ser útil. Uma declaração escrita ou um cartão de doador são um símbolo importante de sua vontade e que poderão ajudar em um momento de tomada de decisão. Algumas famílias podem não autorizar a doação por não conhecerem a vontade do falecido.

Você pode fazer o download do cartão de doador e/ou prencher o Cadastro virtual de doadores aqui.

Todas as religiões têm em comum os princípios da solidariedade e do amor ao próximo que caracterizam o ato de doar. Todas as religiões deixam a critério dos seus seguidores a decisão de serem ou não doadores de órgãos. Para saber qual a posição das principais religiões sobre a doação de órgãos, veja aqui.

Na prática, a doação é feita pela retirada de pacientes com morte encefálica comprovada e após a autorização dos familiares. Morte encefálica é a parada definitiva e irreversível do encéfalo (cérebro e tronco cerebral), provocando em poucos minutos a falência de todo o organismo. É a morte propriamente dita. No diagnóstico de morte encefálica, primeiro são feitos testes neurológicos clínicos, os quais são repetidos seis horas após. Depois dessas avaliações, é realizado um exame complementar (um eletroencefalograma ou uma arteriografia). Pessoas em coma não são doadoras, pois o coma é um estado reversível.

As principais causas de morte encefálica são:

  • Traumatismo crânio encefálico
  • Acidente vascular encefálico (hemorrágico ou isquêmico)
  • Encefalopatia anóxica e tumor cerebral primário

Após a morte encefálica, o coração bate à custa de medicamentos, o pulmão funciona com a ajuda de aparelhos e o corpo continua sendo alimentado por via endovenosa. A família não paga pelos procedimentos de manutenção do potencial doador, nem pela retirada dos órgãos. Os custos são pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Havendo receptores compatíveis, os órgãos são retirados por equipes médicas especializadas, e o corpo é liberado em no máximo 48 horas.A idade do doador não influi no processo de doação, desde que os órgãos estejam em boas condições. A retirada dos órgãos é feita como em uma cirurgia, e o corpo não é desfigurado nem a aparência alterada.

Uma das razões por que existem poucos doadores é o medo da morte. Temos medo de pensar nisso e não decidimos em vida qual nossa posição sobre o assunto. Deixamos isso para lá porque “não acontece comigo ou com minha família” ou “isso só acontece com os outros e eles que decidam”. Apesar de mais cômodo, esse tipo de pensamento evita muitas possíveis doações de órgãos.

Se você já decidiu ser doador, comunique sua decisão á família e aos amigos; se não quer doar, diga isso a eles também. Mas se ainda está em dúvida, procure se informar mais, pergunte, converse com outras pessoas e tome sua decisão. Aqui em casa as opiniões são divididas, mas todos sabem o que os outros membros da família decidiram. Com diálogo e comunicação, os desejos de todos serão respeitados em caso de uma fatalidade.

Crédito: material de divulgação do site da ADOTE

Crédito: material de divulgação do site da ADOTE

Um modelo de formulário

Para preencher um modelo de doador de órgãos e tecidos, clique aqui.

*   *  *

Mais informações:

Adote – Aliança Brsileira pela Doação de Órgãos e Tecidos

ABTO – Associação Brasileira de Transplante de Órgãos

Banco de Olhos – Mogi das Cruzes - SP

Blog – Transplante Vida

Artigo: Transplantes de órgãos no Brasil – Revista da Associação Médica Brasileira

Artigo : “O drama do transplante de órgãos” – Isabel Clemente, Marcela Buscato, Ana Aranha, Flavio Machado e Marcelo Zorzanelli – Revista Época, 01/08/2008

Leia também:

Parte 1 - Doação e transplantes de órgãos

Parte 2 - A lista de espera e o sistema de classificação

Parte 3 - O cenário dos transplantes no Brasil

Publicado em Julho - 11 - 2009

O Rato recomenda: Manual de instruções para a vida (vídeo)

Vi este vídeo no excelente blog Dusbons, que por sua vez recebeu a dica de um amigo e viu o vídeo no blog  Saindo da Matrix (também excelente, recomendo ambos!).

O vídeo de 8 minutos foi produzido pelo diretor de animação ‘Theramin Trees’ com trilha sonora composta e tocada ao piano por ‘Qualia Soup’, ambos londrinos.

Na página do vídeo no YouTube, o diretor deixou o seguinte comentário:

“Para os críticos que veem este vídeo como um “ataque”, ou comentário sobre um grupo religioso/político/ideológico específico, uma mensagem: procure mais fundo.

Para aqueles que acusam este vídeo de condenar toda uma população, uma pergunta: se esta fosse uma história sobre um dono que maltratasse seu cão, vocês sugeririam que eu estivesse condenando TODOS os donos de cães? Não - então não sejam simplórios - as histórias não  precisam representar todas as  experiências.

Não é estranho? - algumas pessoas têm um problema com o fato que essas coisas realmente aconteçam a algumas crianças: as crianças que estejam em um ambiente religioso/político/ideológico, qualquer que seja ele.

Recebi literalmente centenas de mensagens dizendo “Ei, esta também é/foi minha experiência!” - eles estão todos ‘errados’? Bem, apenas caso eles não estejam,  este vídeo é para eles.”

Gostei muito do vídeo, e para mim ele não é apenas uma metáfora para as religiões, mas também para a intolerância a novas ideias e crenças, sejam quais forem. É uma ótima oportunidade para pensar sobre como estamos levando nossa vida, seja no aspecto religioso, filosófico ou intelectual. Estamos abertos para aceitar o ‘outro’, e qual o nosso grau de tolerância e respeito com as crenças e idéias alheias?

Vejam o vídeo abaixo (com ‘balões’ em inglês) ou diretamente no YouTube. Não consegui ativá-las, mas lá estão disponíveis legendas em alguns idiomas, inclusive em português.

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Não deixem de visitar:

Vídeo: Instruction manual for Life


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