Publicado em Junho - 30 - 2009

Vila Sésamo

Quem assistiu à Vila Sésamo original levante a mão!  Mesmo denunciando a idade, muita gente vai adorar lembrar dessa série simpática que foi exibida em preto e branco de 1972 a 1974 pela TV Cultura e pela Globo, de 1974 a 1977 somente pela Globo e desde 2007 está novamente na TV brasileira, em uma versão moderna, colorida e com novos bonecos, na TV Cultura e TV Rá-Tim-Bum.

A série original é uma criação do Children´s Television Workshop, que convidou o bonequeiro Jim Henson para trabalhar no segmento dos bonecos do programa. Ela vem sendo exibida nos Estados Unidos desde 1969 (é o programa da TV americana há mais tempo no ar, com 39 temporadas e 4186 episódios) e também é vista por crianças (e adultos) de mais de 120 países, sendo que foram produzidas 25 versões independentes. A versão brasileira foi a primeira adaptação do programa fora dos EUA.

A idéia original é divertir e ensinar as crianças em idade pré-escolar as letras, números, conceitos de maior e menor, mais e menos, alto e baixo, noções de higiene e convivência em grupo, tudo com a participação de atores e bonecos.

Um dos bonecos mais conhecidos e queridos da Vila Sésamo é o Garibaldo, ou Big Bird. No Brasil ele foi interpretado pelo saudoso Laerte Morrone, e nos EUA por Caroll Spinney. Outros bonecos famosos são Enio e Beto (Ernie e Bert), o peludo Gugu, que morava em um barril, o Funga-Funga, Pipoca, Jujuba e Bidu. Os bonecos da versão brasileira foram criados por Naum Alves de Souza.

Na versão original brasileira a Vila Sésamo era o lar de alguns personagens queridos de carne e osso, como Gabriela (Araci Balabanian), casada com Juca (Armando Bogus), o caminhoneiro Antonio (Flávio Galvão) e a doce professorinha Ana Maria (Sonia Braga). Interagindo com os bonecos e com algumas crianças, eles ensinavam as crianças num clima de brincadeira e amizade.

Muppet Show

Após a participação dos bonecos em alguns episódios de Saturday Night Live, em 1975 e 1976, Jim Henson começou o novo projeto de um programa de TV com esquetes dos bonecos. Em 1976 ele conseguiu apoio de Lew Grade, um empresário britânico, e começou a filmar os episódios na Inglaterra. Entre o elenco de pano estão o charmoso Caco (Kermit the frog, cuja voz era feita pelo próprio Henson) e sua eterna apaixonada, a rosada e temperamental Miss Piggy (cuja voz era feita por Frank Oz). Outros bonecos inesquecíveis são Gonzo, Fozzie Bear, o Animal, o Chefe sueco e Statler e Waldorf, os dois velhinhos do balcão, que não perdoavam ninguém e faziam algumas das piadas mais divertidas do show.

Vila Sésamo transformou-se em uma franquia lucrativa, com bonecos, brinquedos, roupas e muitos fimes, como “Onde está o Garibaldo”, “Os Muppets conquistam Nova York” e “Um Conto de Natal dos Muppets”. Todos os famosos de Hollywood queriam fazer uma pontinha na Vila Sésamo, no Muppet Show ou nos filmes, mas também, além da boa publicidade, quem não gostaria de contracenar com Miss Piggy?

Entre a enorme lista de celebridades que visitaram a Vila Sésamo americana estão Buzz Aldrin, David Beckham, Barbara Bush, Johnny Cash, Robert de Niro, os Harlem Globetrotters, Michael Jackson, Yo-Yo Ma, Christopher Reeve, os Simpsons, Barbara Walters e o Super-homem.

O programa também fez sua ‘pontinha’ em diversos filmes de Hollywood; lembram da cena em que ET fica olhando enquanto Gertie (Drew Barrymore) assiste a Vila Sésamo, falando junto com a TV? Quando Forrest Gump conhece o filho, eles ficam assistindo juntos a Vila Sésamo; e em “Ray”, é mostrado um clipe de Ray Charles em Sesame Street.

A nova versão que está no ar na TV brasileira é bem produzida, colorida e mantém o padrão de bom conteúdo da série original; para quem tem crianças pequenas, é uma ótima opção, melhor que muitos desenhos atuais, sem contar as novelas e big brothers da vida, que com certeza não são programa para crianças pequenas. Mas os adultos também vão adorar assistir junto com os pequenos.

Para terminar, uma boa surpresa que descobri no YouTube: quem ouviu esta música vai lembrar na hora, e com certeza todos vão ficar com ela na cabeça pelo resto do dia (ou da semana…): o famoso “MahnaMahna” da Vila Sésamo, aqui na versão apresentada no Muppet Show (mas a música e a “coreografia” são as mesmas). Vamos matar as saudades? (vídeo no final do artigo)

Curiosidades:

  • Frank Oz, que faz a voz de Bert e miss Piggy, também é a voz de outros muppets como Animal, o monstro do biscoito e Fozzie Bear, além de Yoda em Guerra nas Estrelas.
  • Jim Henson, criador dos bonecos, fazia as vozes de Kermit (Caco) e Ernie; após a morte de Jim em 1990, Kermit foi retirado do show e só aparecia em reprises. Steve Whitmire assumiu a voz do sapinho e de Ernie até 2000; depois dessa data, a Jim Henson Company não está mais envolvida na produção do show, e outro ator faz hoje a voz de Ernie.
  • O Garibaldo brasileiro era azul; as duas hipóteses para o ‘blue bird’ são que a fantasia amarela havia ficado horrível e, para economizar, resolveram pintá-la de azul; a outra versão diz que a cor azul dava melhor contraste na tela, pois o programa era em preto-e-branco.
  • Apesar da tradução de Sesame Street ser Rua Sésamo (ou gergelim), o nome escolhido foi Vila Sésamo, pois o ambiente familiar onde as crianças conviviam na época não era a rua, mas a vila. Felizmente essa idéia não surgiu agora, ou o programa poderia se chamar “Shopping Sésamo”. (rsrs)
  • A música “Sing” dos Carpenters foi lançada na Vila Sésamo americana, e mais tarde chegou ao terceiro lugar na parada da Billboard.
  • A série Família Dinossauro foi baseada em uma idéia que Jim Henson teve no final dos anos 80. O conceito básico era de uma ’sitcom’ com bonecos animatrônicos sobre uma família de dinossauros e o estilo de vida tóxico de sua sociedade. Na época a idéia foi considerada maluca, e o projeto acabou sendo produzido após a morte de Henson em parceria com a Disney e a Jim Henson Productions, de 1991 a 1994.

Para saber mais:

  • Verbete de Sesame Street na Wikipédia (em inglês)
  • Verbete da Vila Sésamo na Wikipédia (em português)
  • Entrada de Sesame Street no IMDb
  • Canal de Sesame Street no YouTube
  • Lista de celebridades que visitaram a Vila Sésamo americana
  • Verbete do Muppet Show na Wikipédia (em inglês)

Vídeo: MahnaMahna

Publicado em Junho - 29 - 2009

Transplantes - a lista de espera e o sistema de classificação (parte 2)

(Artigo publicado no Alma Carioca em 28/06/2009)

Continuando a série sobre transplantes, na segunda parte vamos falar sobre a lista de espera e como são classificados os pacientes na fila de espera para um transplante.

O transplante de fígado de Steve Jobs levantou questões sobre o sistema utilizado nos Estados Unidos (e também no Brasil) para a alocação de órgãos disponíveis para as pessoas que necessitam deles, e sobre a possibilidade de passar para o começo da fila.

No caso de Jobs, os médicos disseram que não houve necessidade e houve pouca oportunidade de burlar o sistema. Sob os procedimentos atuais, qualquer centro de transplantes avalia os potenciais receptores de órgãos na lista de espera, e as classificações mais altas são feitas pela gravidade do estado e por quanto tempo eles estão doentes. Não é permitido passar à frente de um paciente mais doente.

Ainda assim, como o tempo de espera nos Estados Unidos varia conforme a região do país (a Costa Leste e a Costa Oeste têm listas de espera mais longas que os estados do centro), as pessoas podem viajar para um estado com tempo menor de espera e aguardar até que estejam no topo da lista. Pode não parecer justo, mas não é ilegal. Uma pessoa pode mesmo registrar-se em listas de diversos centros de transplante do país.

“Se você tiver acesso a um jato e puder estar em qualquer parte do país em seis horas, terá uma opção maior de programas”, diz o Dr. Michael Porayko, diretor médico de transplantes de fígado da Vanderbilt University, um dos centros do Tennessee que disseram não ter atendido Steve Jobs.

O sistema nacional de doação de órgãos nos EUA é administrado pela United Network of Organ Sharing (UNOS), uma entidade sem fins lucrativos em Richmond, Va, que trabalha sob contrato com o governo federal. Quando um órgão torna-se disponível, eles procuram um paciente com maior necessidade e urgência de transplante no banco de dados da UNOS.

Para qualificar-se para receber um fígado, os pacientes devem ser examinados e parovados para transplante por um médico daquele centro. O sistema de avaliação utilizado pela UNOS é a classificação MELD. Quanto maior a classificação, que vai de 6 a 40, mais doente e mais alto na lista está o paciente.

MELD/PELD

No dia 29 de maio de 2006 o Ministério da Saúde do Brasil publicou a Portaria 1.160, que modifica os critérios de distribuição de fígado de doadores cadáveres para transplante, implantando o critério de gravidade de estado clínico do paciente, desenvolvido na Clínica Mayo e modificado pela United Network for Organ Sharing - UNOS, um modelo matemático que estima o risco de mortalidade de uma pessoa com doença hepática terminal com base em exames laboratoriais de rotina.

Para aferir o critério de gravidade foi adotado o sistema MELD e PELD.

MELD - Model for End-stage Liver Disease - é um valor numérico, variando de 6 (menor gravidade) a 40 (maior gravidade), usado para quantificar a urgência de transplante de fígado em candidatos com idade igual a 12 ou mais anos. É uma estimativa do risco de óbito se não fizer o transplante nos próximos três meses.

O valor MELD é calculado por uma fórmula a partir do resultado de três exames laboratoriais de rotina, ou seja:

  • Bilirrubina, que mede a eficiência do fígado excretar bile;
  • Creatinina, uma medida da função renal e
  • RNI - Relação Normalizada Internacional - uma medida da atividade da protombina, que mede a função do fígado com respeito a produção de fatores de coagulação.

PELD - Pediatric End-stage Liver Disease - é um valor numérico similar ao MELD mas aplicado para crianças com menos de 12 anos, mas leva em conta o resultado laboratoriais de exames diferentes, ou seja:

  • Bilirrubina, que mede a eficiência do fígado excretar bile;
  • Albumina, uma medida da habilidade do fígado em manter a nutrição e
  • RNI - Relação Normalizada Internacional - uma medida da atividade da protombina, que mede a função do fígado com respeito a produção de fatores de coagulação.

Como funciona no Brasil a lista de espera por transplante de fígado com o critério MELD/PELD após a publicação da Portaria 1.160?

Na distribuição de fígados de doadores cadáveres para transplante deverão ser considerados os critério de Compatibilidade/Identidade ABO; Urgência; compatibilidade anatômica e por faixa etária, conforme o que se segue:

  • Quanto à Compatibilidade/Identidade ABO - Deverá ser observada a Identidade ABO entre doador e receptor, com exceção dos casos de receptores do grupo B com MELD igual ou superior a 30, que concorrerão também aos órgãos de doadores do grupo sangüíneo O.
  • Quanto à compatibilidade anatômica e por faixa etária - Os pacientes em lista, menores de 18 anos, terão preferência na alocação de fígado quando o doador for menor de 18 anos ou pesar menos de 40kg.

Para mais informações sobre o MELD/PELD, veja aqui.

A fila única

No Brasil, os candidatos a um transplante de órgãos devem inscrever-se na Fila Única. A inscrição na lista de candidato ao transplante é feita pelo hospital ou médico responsável na Central Nacional de Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO). Pessoas em diálise que necessitam de um novo rim podem fazer a inscrição por meio da equipe médica do Centro de Diálise.

A lista única para transplantes obedece a critérios cronológicos, morfológicos, imunológicos e de gravidade. Os pacientes são escolhidos através de um programa informatizado do Sistema Nacional de Transplantes que indica os receptores mais adequados, segundo critérios previamente definidos. Ninguém pode alterar a seqüência da lista única.

Cada inscrito recebe um número e sua posição na lista pode ser acompanhada junto à Central de Transplantes de cada Estado, pessoalmente, através de procuração  ou pela internet. Mais informações podem ser obtidas pela Central de Transplantes do seu Estado. Acesse:  http://dtr2001.saude.gov.br/transplantes/cnncdo.htm

Como funciona a “fila única”

Para selecionar os possíveis receptores que receberão os órgãos, são levados em conta:

  • grupo sanguíneo (O, A, B, AB);
  • idade, peso e altura do doador;
  • o tempo de espera para o transplante;
  • compatibilidade HLA (tecidos imunologicamente compatíveis) - no caso de transplante de rim, quando disponível.  Se houver empate, o desempate é feito pelo tempo de espera, idade, painel de reatividade e urgência. A numeração na fila não importa.

Se o “primeiro” da fila não receber o órgão de determinado doador, ele não perde o seu lugar, que continua  reservado.

Caso o transplante não aconteça, a Equipe de Transplantes explicará os motivos ao Ministério Público. Assim, ninguém é privilegiado e é uma maneira de garantir a transparência do Sistema.

Atenção: não é permitida a inscrição simultânea em dois Centros Transplantadores.

Em casos de urgência, alguns pacientes na Fila têm prioridade em relação aos outros acientes. Isso acontece quando há risco de morte do receptor caso o transplante não seja realizado. O Ministério da Saúde define claramente os critérios para os casos de urgência:

Rim

  • Ausência de via de acesso para tratamento através da diálise;
  • Doador criança menor de 12 anos. Como os rins são muito pequenos, só servem para crianças.

Fígado

  • Hepatite fulminante;
  • Retransplante indicado no período de 48 horas após o transplante anterior.

Coração

  • Retransplante indicado no período de 48 horas após o transplante anterior;
  • Choque cardiogênico;
  • Internação em unidade de terapia intensiva e medicação vasopressora;
  • Necessidade de auxílio mecânico à atividade cardíaca.

*   *   *

Mais informações:

Adote – Aliança Brsileira pela Doação de Órgãos e Tecidos

ABTO – Associação Brasileira de Transplante de Órgãos

Banco de Olhos – Mogi das Cruzes - SP

Blog – Transplante Vida

Artigo: Fila Única – site da Roche

Artigo: “A transplant that is raising many questions” -  Denise Grady e Barry Meier - New York Times, 23/06/2009

Leia também:

Publicado em Junho - 26 - 2009

Doação e transplantes de órgãos – parte 1

Com a notícia do recente transplante de fígado de Steve Jobs, surgem muitas perguntas e comentários sobre os transplantes.

Este é o primeiro artigo de uma série sobre transplantes e doação de órgãos, que será publicada no Alma Carioca e no Rato de Biblioteca. Este é um assunto importante e polêmico, e vamos tentar falar de todos os aspectos.

A necessidade do transplante

O transplante é talvez a última esperança de cura para pessoas com insuficiências orgânicas terminais e que já tentaram outros tratamentos, sem sucesso. É um procedimento médico com enormes perspectivas e que depende, além de uma avaliação completa do paciente e de cuidados intensivos durante e depois da cirurgia, da disponibilidade do órgão necessário. Não existe transplante sem doador.

O transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão de uma pessoa doente (o RECEPTOR) por outro órgão ou tecido normal de uma pessoa viva ou morta (o DOADOR).

Entre os órgãos necessários para transplantes estao o coração, rins, pâncreas, pulmões, fígado e intestinos. Além desses órgãos, também podem ser transplantados tecidos como córneas, pele, ossos, valvas cardíacas e tendões.

Alguns transplantes podem ser feitos com tecidos e órgãos de doadores vivos, como o de medula óssea, de rim ou de parte do fígado. Mas a maioria dos transplantes precisa de doadores cadáveres, o que leva à necessidade de uma maior conscientização da população para que mais pessoas disponham-se a doar seus órgãos e tecidos após a morte, o que pode melhorar e/ou salvar a vida de muitas pessoas.

Em alguns casos de insuficiência renal, é necessário o transplante conjunto de rim e pâncreas, o que impede a doação de rim de um parente. Soube de um caso desses recentemente; o filho de uma conhecida precisava desse tipo de transplante duplo e, apesar da família se oferecer para a doação de rim, ele teve de aguardar na fila (que na época, tinha mais de 11 mil pessoas na frente dele), enquanto fazia hemodiálises diárias. Infelizmente, ós órgãos necessários não chegaram a tempo e o rapaz faleceu há alguns meses.

A doação de órgãos exige o cumprimento de alguns critérios mínimos de seleção. Não existe restrição absoluta à doação de órgãos a não ser para aidéticos e pessoas com doenças infecciosas graves. Em geral, fumantes não são doadores de pulmão. Na maioria dos casos, pessoas saudáveis com morte devida a acidentes são os doadores mais frequentes; é claro, desde que a família autorize a doação a tempo para o aproveitamento dos órgãos. Para isso, deve ser constatada a morte encefálica.

Um único doador pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de pelo menos 25 pessoas. Podem ser feitos transplantes de 2 rins, 2 pulmões, coração, fígado, pâncreas, 2 córneas, 3 válvulas cardíacas, ossos do ouvido interno, cartilagem costal, crista ilíaca, cabeça do fêmur, tendão da patela, ossos longos, fascia lata, veia safena, pele. Já foi feito o transplante de uma mão completa.

Quem pode receber?

Há muitas doenças cujos pacientes podem se beneficiar de um transplante. Entre as principais indicações para transplantes estão os pacientes:

CORAÇÃO - portadores de cardiomiopatia grave de diferentes etiologias (Doença de Chagas, isquêmica,reumática, idiopática, miocardites);

PULMÃO - portadores de doenças pulmonares crônicas por fibrose ou enfisema;

FÍGADO - portadores de cirrose hepática por hepatite, álcool ou outras causas;

RIM - portadores de insuficiência renal crônica por nefrite, hipertensão, diabetes e outras doenças renais;

PÂNCREAS - diabéticos que tomam insulina (diabetes tipo I) em geral, quando estão com doença renal associada;

CÓRNEAS - portadores de ceratocone, ceratopatia bolhosa, infecção ou trauma de córnea;

MEDULA ÓSSEA - portadores de leucemia, linfoma e aplasia de medula;

OSSO - pacientes com perda óssea por certos tumores ósseos ou trauma

PELE - pacientes com grandes queimaduras.

E quem não pode doar?

Para que uma pessoa possa ser doadora, não deve haver contra-indicações clínicas e laboratoriais à doação. Mas de forma geral, não devem ser considerados doadores:

  • Pacientes portadores de insuficiência orgânica que comprometa o funcionamento dos órgãos e tecidos que possam ser doados, como insuficiência renal, hepática, cardíaca, pulmonar, pancreática e medular;
  • Portadores de enfermidades infecto-contagiosas transmissíveis por meio do transplante, como soropositivos para HIV, doença de Chagas, hepatites B e C, e todas as demais contra-indicações utilizadas para a doação de sangue e hemoderivados. As sorologias para estas doenças devem ser realizadas o mais breve possível. Quando não disponíveis, as equipes de captação providenciam sua realização;
  • Pacientes em sepse ou em Insuficiência de Múltiplos Órgãos e Sistemas (IMOS);
  • Portadores de neoplasias malignas, excetuando-se tumor restrito ao sistema nervoso central, carcinoma basocelular e carcinoma de cérvix uterino in situ e
  • Doenças degenerativas crônicas e com caráter de transmissibilidade.

No cenário dos transplantes todos são importantes – pacientes, médicos e doadores – e a escassez de órgãos, mais acentuada no Brasil que em outros países, somente será resolvida com a educação e a conscientização de toda a população sobre a importância da doação, os fatos e estatísticas, os aspectos práticos, culturais e religiosos, para que aumente o número de órgãos disponíveis e mais pessoas possam se beneficiar desse procedimento médico.

Mais informações:

Leia também:

Publicado em Junho - 19 - 2009

Blog Dorado

Esta semana o Rato de Biblioteca recebeu mais um presente: a Naomi, aka titia Batata, indicou este humilde bloguinho na sua lista de Blogs Dorados. Ueba!

Fiquei feliz pela lembrança e pela amizade, é gostoso saber que pessoas legais como ela gostam do que há neste cantinho. O Rato agradece comovido!

Segundo as pesquisas da titia, o prêmio original:

Homenageia os melhores blogs e tem sua simbologia nas cores que utiliza.
A cor azul representa paz, profundidade e imensidão.
A cor dourada, a sabedoria, a riqueza e a claridade das idéias.
O prêmio em si representa a união entre os blogueiros.

As regras:
- Colocar o prêmio em situação visível ou linká-lo.
- Anunciar através de um link, o blog que o premiou e premiar até outros 15 blogs, avisando cada blogueiro sobre a premiação.

E as regras que ela recebeu e concedeu, e que portanto são as que também vou usar aqui, são:

1) Mencionar quem lhe ofereceu o selo.
2) Completar a frase “Eu sou Luz e quero iluminar…”
3) Passar o selo para até 15 blogs que consideremos de LUZ, avisando-os da oferta.

Então vamos lá:

1) A  Luciana Naomi do blog Batata Transgênica, que leio há bastante tempo; ela é uma pessoa simpática, alto astral e bem humorada, e uma ótima amiga. Beijão, flor!

2) “Eu sou luz e quero iluminar… as idéias e a criatividade de quem encontrar pelo caminho; com a luz de todos, quem sabe o caminho fique um pouquinho mais claro.” ;-)

3) Alguns blogs que leio sempre e que estariam em minha lista já foram homenageados pela Naomi: além do próprio Batata Transgênica, o Breviário das Horas da Suzana, o Depokafé do Henderson e  o Escreva, Lola, Escreva da Lolinha. Adoro todos eles!  Então vou completar minha lista com outros blogs que também visito sempre e que trazem boas idéias, criatividade, bom humor e nos fazem pensar.

Gostei da idéia da Naomi, e também vou deixar uma amostra do que há de bom em cada blog e por que gosto deles.

And the Oscar goes to…

A Vida Escrita a Mão (Marcia)

“Pepe, o ingrato blackbird que encheu a pança no nosso jardim durante o longuíssimo e gelado inverno e depois se mudou para o jardim maior e mais arborizado do vizinho, continua nos visitando. Não sei quantos pepeletes ele está cuidando este ano, mas ele vem todos os dias, me procura de janela em janela até fazer contato e exigir suas porções diárias de dried mealworms para levar pro ninho.

Pepe está competindo para entrar no Livro Guinness com o record de mais minhocas carregadas no bico de uma vez só. Vê-lo catar uma e derrubar duas é um episódio cômico a parte.”

Bia Badaud

“A obesidade é o alarme, o sinal de que algo não bom está acontecendo. Ao invés de ir buscar o motivo que a fez engordar, a pessoa tenta calar o alarme, tomando remédio. (…)

Pra nós, que somos pouco conscientes das coisas da alma, as doenças e incômodos em geral são avisos, materializações de pedidos de atenção – pedidos de nós mesmos, de nosso ”eu superior”. Não são castigo, não são sinais de fraqueza. Ao contrário, são placas de aviso, ”não siga por aí!” – e a gente, ao invés de pelo menos tentar entender o aviso, ignora a placa, move mundos e fundos pra remover a benevolente pedra que foi posta no caminho, e segue de nariz empinado na rota inicial, como um trator.

O livre arbítrio nos permite fazer isso, ignorar os avisos.

Bom, o que dizem os sábios é que o nosso ”eu superior” sabe muito mais das coisas do que nosso ego consciente.”

Espuminha de Leite (Marta)

Para os jovens que “investiram” no diploma e estão chateados (podiam ter feito faculdade de economia, por exemplo, se tinham foco em jornalismo econômico), vou contar uma historinha. Tenho uma amiga que precisa editar, todo mês, reportagens especializadas, escritas por jovens jornalistas que ainda estão se familiarizando com aquele assunto. Ao mesmo tempo, ela também recebe, para a edição, colunas e artigos escritos por profissionais especializados, que não são jornalistas.

Um dia perguntei a ela o que era mais fácil: ensinar jornalistas a escrever sobre um assunto difícil ou ensinar os articulistas especializados a elaborar um texto mais claro e palatável. Ela não hesitou. Era muito mais fácil editar o texto de um jornalista. Sempre. Moral da história: só se torna jornalista de fato quem tem o dom (ou a técnica) de se comunicar.”

Jóias da Família (Rose)

Certa vez um conhecido me disse que ele achava um absurdo a mulher parar de trabalhar fora “só″ porque casou e teve filhos. Ele tomava como exemplo a própria mãe que, de tanto ficar em casa, tornara-se uma mulher alienada que só sabia falar de novelas.
Eu digo que é excelente a mulher continuar trabalhando fora sendo esposa e mãe, ainda mais se ela puder contar com um apoio logístico, alguém da família ou talvez uma babá santa caída do céu que vai segurar todas as barras quando ela mesma não puder se materializar de um canto a outro da cidade em tempo recorde.
Não é possível comparar as mulheres de trinta, quarenta anos atrás com as mulheres de hoje, que têm ao alcance dos dedos as mais diversificadas fontes de informação. Hoje em dia só fica alienado quem quiser.”

Marjorie Rodrigues

“Aliás, deixa eu fazer aqui um parêntese sobre a “geração saúde” e o discurso pela qualidade de vida e em busca da longevidade. Vocês já devem ter reparado que isso virou moda na imprensa. Semana sim, semana não, tem alguma revista com esse tema na capa. E o que eu acho muito engraçado é que nenhuma dessas matérias questiona o estilo de vida pós-moderno. Nenhuma das reportagens liga os pontos e conclui a obviedade: que o estresse é o mal moderno porque o ritmo do mercado quer tudo para ontem. Não seria algo tão expressivo se não fosse um fenômeno social. Tantas pessoas comem mal porque têm pressa. Tantas pessoas dormem pouco porque trabalham muito. Tantas pessoas são sedentárias porque não têm tempo de se exercitar. E porque existem controles remotos, telefone sem fio, computadores por todo canto, enfim, toda uma parafernália que nos desobriga de levantar a bunda da cadeira. Enfim, é uma ciranda que nos impele a entrar.

Mas, escondendo o óbvio, essas matérias dizem que, se você fica gordo, a culpa é sua. Se você está estressado, a culpa é sua. Se você está cavando um ataque cardíaco para daqui a cinco anos, a culpa é sua. Toda a responsabilidade é atribuída individualmente, como se não houvesse um contexto. E também é individualmente que você tem de sair dessa.”

Palavras Soltas (Juliana)

“Vamos tirar o véu de glamour, celebridade ou importância dessas pessoas. Vereadores, deputados, senadores não são mais do que representantes, simples prepostos em reuniões de condomínio, ou seja, do lugar em que vivemos. Pode ser o condomínio-cidade, o condomínio-estado ou o condomínio-país. Eles não são mais do que meros representantes temporários. Prefeitos, governadores e presidentes não são mais do que síndicos. Eles não são especiais, também não tem super poderes, nem podem mais do que os outros. A síndica do edifício em que eu moro não tem o direito de fazer aquilo que os outros moradores também não tem, só porque é síndica. E ela não faz! Não faz porque é séria e responsável, mas poderia não fazer só porque é consciente da sua função, da sua transietoriedade e do fato de que será destituída desse cargo se o fizer. É um cargo! Uma ocupação profissional. “

Publicado em Junho - 17 - 2009

A Lenda do Tesouro Perdido

A Lenda do Tesouro Perdido (2004)

Quem se interessaria por um filme em que estudiosos fanáticos pela história de seu país, que citam a constituição de cor e procuram antigos artefatos históricos que ninguém sabe se existiram? Detalhe: eles são de outro país, não do seu. Parece pouco interessante, mas nas mãos de Jerry Bruckheimer e Joe Turteltaub, e com um orçamento polpudo, temos uma aventura divertidíssima e muito interessante.

Os estudiosos são Benjamin Franklin Gates (Nicholas Cage) e Riley Poole (Justin Bartha, o noivo desaparecido de Se Beber Não Case), seu ajudante e nerd de plantão; o artefato em questão é um tesouro cujas pistas de sua localização estão no verso da Declaração de Independência e o país, é claro, são os Estados Unidos.

Para complicar a história, há outro explorador rival em busca do tesouro, o ex-colega Ian Howe (Sean Bean), que abandona Ben e Riley e resolve encontrar o tesouro sozinho, e Sadusky (Harvey Keitel), um agente do FBI que está no encalço deles depois que… bem, depois que eles roubam a Declaração de Independência.

Abigail: Vocês são caçadores de tesouros, não?

Ben: Somos mais um tipo de protetores de tesouros.

O pai de Ben, Patrick Gates (Jon Voight) é contra o roubo da Declaração (na verdade, para que Ian não a roube primeiro), mas por fim acaba envolvido na caça ao tesouro e ajudando Ben e Riley.

Patrick: (para Abigail) E ele arrastou vocês dois para essa maluquice?

Abigail: Literalmente.

Riley: Eu fui voluntário.

Ben e Riley ainda contam com a ajuda de Abigail Chase (Diane Kruger), curadora do museu e que une-se a eles para proteger a integridade do precioso documento. Com muitas reviravoltas, perseguições e surpresas, além das doses esperadas de citações históricas (pipoca também é cultura!), temos um filme tão envolvente quanto a trilogia Piratas do Caribe, também produzida e dirigida por Jerry e Jon. Não disse que eles sabem o que fazem?

A Lenda do Tesouro Perdido: O Livro dos Segredos (2007)

Três anos depois do lançamento do primeiro filme, temos a continuação (A lenda do tesouro perdido: O Livro dos segredos). Continuações raramente prestam, mas esta aqui surpreendeu. É um filme tão gostoso quanto o primeiro, com o mesmo elenco e algumas adições preciosas, como a excelente Helen Mirren, que interpreta Emily Appleton, a professora universitária e pesquisadora que é a mãe de Ben. Ela e o ex-marido não se falam há 32 anos, o que dá margem a algumas piadinhas e reminiscências ‘carinhosas’ do ex-casal.

O vilão da vez é Mitch Wilkinson (Ed Harris, de quem gosto mais quando faz papéis de vilão), que mostra provas que o bisavô de Ben Gates teria estado envolvido na conspiração do assassinato de Lincoln. Para provar a inocência do bisavô e limpar o nome dos Gates, ele decide encontrar um… tesouro (claro, afinal o nome original da franquia é National Treasure), que os confederados estariam procurando para financiar a Guerra de Secessão e ajudá-los a separar-se do norte.

Emily: Você é um caçador de tesouros, não?

Mitch: Sou apenas um homem, tentando deixar sua marca na história.

E novamente temos muitas pistas, que são desvendadas com a facilidade que só vemos nos filmes; policiais franceses que também conhecem a constituição americana de cor (claro, foi escrita sob influência de Montesquieu!) e os conhecimentos do amigo hacker, que desarma alarmes em 25 segundos, bagunça sistemas de segurança supostamente invencíveis (no exterior – os sistemas de segurança americanos SÃO invencíveis) e invade os computadores do departamento de trânsito londrino, além de mais um sequestro.

Ben: Há mais alguém atrás do tesouro.

Riley: Claro que há mais alguém atrás do tesouro. É o axioma da caça ao tesouro.

Podemos perceber o merchandising em todo o filme (ei, alguém tem de pagar a conta, não?). Riley usa computadores e celulares da Apple para invadir os tais sistemas, Patrick por sua vez usa os da HP e o trio detona um Mercedes novinho, com direito a câmera na traseira e monitoramento no interior do carro. Ah, sem esquecer o Porsche vermelho de Riley.

Em outra cena há uma paródia do governador Schwarzenegger em seus áureos tempos, no filme True Lies, quando ele sai da água e está vestido a rigor por baixo do traje de mergulho (e sem amassar nem perder o vinco!). Na verdade, a cena original também é uma paródia da elegância absurda de James Bond. Adoro!

Há a previsível repetição de piadas do primeiro filme (”Você não sabe mesmo negociar, não?”) e também um gancho para o terceiro filme, que provavelmente também trará o presidente americano (Bruce Greenwood, de Star Trek e Deja Vu), e talvez mais um tesouro perdido.

Apesar dos americanos adorarem seu próprio umbigo, desta vez fizeram dois filmes ótimos; não os leve a sério, apenas pegue a tigela de pipoca e divirta-se!

Curiosidades:

  • Ben, Patrick e John Gates têm os nomes dos fundadores norte-americanos (Benjamin Franklin, Patrick Henry e John Adams). Abigail Chase é uma combinação de Abigail Adams, esposa de John Adams, e Samuel Chase, signatário da Declaração de Independência e membro da Suprema Corte dos Estados Unidos.
  • Os mocinhos usam Google e os vilões usam Yahoo para pesquisas na Internet.
  • Devido a seu papel em “A Rainha” (2006), Helen Mirren foi convidada para conhecer a rainha Elizabeth II, mas não pôde aceitar pois estava filmando “O Livro dos Segredos” em Dakota do Sul.
  • No filme “A Rocha” (1996), o personagem de Nicholas Cage recebe informações que levam a um rolo de microfilme que contém segredos do governo, incluindo informações sobre o assassinato de John Kennedy (como supostamente está contido no Livro dos Segredos). Ed Harris interpreta o vilão em ambos os filmes.
  • Jon Voight interpretou Franklin Roosevelt em Pearl Harbor (2001), e Bruce Greenwood (o “presidente”) interpretou John Kennedy em “Thirteen Days” (2000)

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Ou clique nos links para comprar o DVD com os 2 filmes, o Blu-ray do filme 1 ou o Blu-ray do filme 2

  • Entrada no IMDb: A lenda do tesouro perdido (2004)
  • Entrada no IMDb: A lenda do tesouro perdido: o Livro dos segredos (2007)

Trailer: A lenda do tesouro perdido

Trailer: A lenda do tesouro perdido: o Livro dos segredos

Publicado em Junho - 10 - 2009

Uma nova opção de moradia na Índia

(Artigo publicado em 31/05/2009 no site Alma Carioca - Literatura)

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Como temos visto nos artigos de Lu Dias no Alma Carioca e no blog da Sandra Bose, o Indi(a)gestão, a Índia não é apenas aquele país colorido e bonito mostrado na novela Caminho das Índias. É um país de contrastes, com o luxo dos templos lado a lado com a miséria das favelas.

No filme Quem quer ser um Milionário pudemos ver as favelas de Mumbai, que infelizmente são a realidade de boa parte da população. As habitações carecem de saneamento básico, de boas condições de higiene e acabam favorecendo o surgimento de doenças evitáveis entre boa parte da população.

Do outro lado dos contrastes estão as grandes corporações, como o Grupo Tata, criadores do automóvel Nano (um carro popular - talvez para os padrões ocidentais, pois custa por volta de 2000 dólares). A empresa produz de tudo na Índia, desde aço à exploração de gás natural. Eles têm uma divisão para cada material ou elemento necessário para a construção de casas. E decidiram entrar no mercado de casas populares.

A empresa já havia construído edifícios residenciais e condomínios de luxo em Bangalore e Gurgaon, com apartamentos com Jacuzzis e vista para as montanhas. Agora eles estão construindo um condomínio em Boisar, um subúrbio de Mumbai. O condomínio, chamado Shubb Griha, terá 1.200 unidades com área de 26 a 45 m2. Apesar do tamanho pequeno, os apartamentos são atraentes devido ao que os cerca – novas escolas, playgrounds, hospitais, captação de água potável, zonas comerciais, jardins e uma estação ferroviária que leva os moradores a Mumbai.

Os apartamentos serão vendidos entre 390 mil e 670 mil rúpias (o equivalente de 8 mil a 14 mil dólares). O custo estimado de construção de cada unidade é de 700 rúpias, ou 14 dólares por pé quadrado (0,092 m2). Ainda assim os apartamentos não são para a maioria da população, pois ainda são caros em um país cuja renda bruta per capita anual é de 2.460 dólares. Milhões de pessoas vivem com uma fração disso, e 500 milhões de indianos não têm acesso à eletricidade.

O mercado provável para esses apartamentos são a grande massa de trabalhadores que viajam para as cidades para trabalhar, morando em alojamentos alugados e lotados, e enviam a renda para casa. A empresa percebeu o que o mercado imobiliário americano tem ignorado: que as pessoas com menor renda também são atraídas pelo marketing ‘verde’ e que um grande número de pessoas precisa de moradias decentes e acessíveis.

Mas esse custo, de 14 dólares por pé quadrado de construção, ainda é quase impossível para a maioria até mesmo na Índia, cuja mão de obra e o preço dos terrenos ainda são baratos e abundantes. A empresa consegue trabalhar a esse custo por ser o fabricante dos insumos, e alega que as partes mais caras são o banheiro e a cozinha, e construindo unidades minúsculas eles têm dez vezes mais deles para construir em uma pequena área de terreno. Ainda assim, parece que é um bom negócio para a empresa, e para os que puderem comprá-los.

As favelas ilegais de Mumbai também estão na mira da administração municipal, que derrubou alguns barracos que haviam sido construídos muito próximos de esgotos que transbordam durante as monções. Os barracos estavam na favela de Gareeb Nagar, no bairro Bandra Oriental de Mumbai.

Nessas favelas moravam duas crianças que trabalharam no filme “Quem quer ser um Milionário”: a pequena Rubina Ali, de 9 anos, e Azharuddin Mohammed Ismail (Azhar), de 10 anos, que ganharam casas novas da fundação financiada pelo diretor do filme, Danny Boyle e pelo produtor, Christian Colson. A fundação apoiará financeiramente as crianças, principalmente em matéria de habitação e de educação. As casas ficarão perto de escolas.

Em abril de 2009, circulou a notícia que o pai de Rubina teria tentado vender a filha para tirar a família da pobreza em que vivem em Mumbai. Isso foi depois desmentido por ele, que reclamou que os produtores do filme haviam prometido uma casa à família e ainda não haviam cumprido a promessa. O pai da menina contou ao delegado que imaginava estar negociando um novo contrato para a filha. “Rubina é muito preciosa para mim, mais do que tudo. É óbvio que eu quero sair da favela onde vivemos, mas estamos esperando pelo dinheiro e apartamento que os produtores do filme e do governo nos prometeram. Mas jamais faria algo assim com minha filha”.

Felizmente o futuro de Rubina e Azhar está garantido; esperamos que a administração de Mumbai ofereça outra opção decente de moradia aos outros que tiveram seus barracos derrubados; do contrário novas favelas ilegais surgirão e o problema continuará. Esse não é um problema exclusivo de Mumbai ou da Índia, pois também acontece em outros países, inclusive no Brasil. O que é triste, pois todas as pessoas deveriam ter condições dignas de vida, com acesso ao saneamento básico, água e eletricidade em suas moradias.

Fontes:


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