Publicado em Abril - 27 - 2009

O Rato recomenda: “As duas Índias: a da escuridão e a da luz”

Aos que esperam aqui mais artigos sobre filmes e livros, peço desculpas, eles logo estarão de volta. Mas hoje gostaria de recomendar a leitura de um artigo profundo e chocante.

Muitas pessoas tiveram o interesse pela Índia despertado pela novela da Globo, e como escrevi um pouco sobre o assunto o Rato de Biblioteca tem recebido muitas visitas de pessoas que procuram saber mais sobre a Índia.  Sempre recomendo duas ótimas fontes, o Indi(a)gestão e os artigos de Lu Dias no Alma Carioca.

Hoje a Lu escreveu um texto impressionante, que reúne tudo o que a Sandra Bose tem dito e repetido em seu blog, mas de forma condensada. Aos que conhecem apenas a Índia da novela, ou aos que imaginam uma Índia espiritualizada, de gurus e yoga, recomendo esta leitura.

As duas Índias: a da escuridão e a da luz

Lu Dias

“A Índia tem povoado os nossos sonhos desde a infância, quando estudamos em História, a descoberta casual de nosso país, pois, na verdade, os portugueses estavam atrás dos caminhos para a Índia e não de um novo continente. (…)

Hoje, já crescidinhos, deixamos a fantasia de lado, para entender que na Índia real existem dois países: a Índia da Luz e a Índia da Escuridão. E é sobre essa última que falaremos agora, uma vez que a primeira é conhecida além da conta, a ponto de fazer sombra sobre a segunda.

A Índia da Escuridão é aquela que mergulha no Rio Ganges e de lá sai com a boca cheia de fezes, de palha, vê partes de corpos humanos encharcados, búfalos em decomposição, além de ser banhada por sete diferentes ácidos industriais, e ser coberta por um cheiro de carne em putrefação.

É aquela em que, as pessoas nas aldeias, ainda não sabem quantos anos têm. E em que as liteiras de bambu transportam o cadáver embrulhado num pano de cor de açafrão, cuja cremação é de acordo com o montante de achas de lenha, que se pode pagar.

No ponto em que as águas do Rio Ganges tocam as margens, nessa Índia, debaixo das plataformas onde as toras ficam empilhadas, há um grande lamaçal pardo, cheio de guirlandas de jasmim, pedaços de tecidos, pétalas de flores, ossos enegrecidos pelo fogo, cães fuçando por toda parte.

Na Índia da Escuridão vivem os condutores de riquixás, proibidos de circular nos bairros luxuosos de Nova Delhi, na Índia da Luz, para não impressionar os estrangeiros ricos, dando-lhes uma má impressão sobre o país. Esses homens são, na verdade, bestas de carga humana, que mal se aguentam de pé, pois muitos estão vitimados pela tuberculose ou avitaminose.

(…)”

Leia o artigo completo aqui.

Outros artigos de Lu Dias na série Caminho das Índias do Alma Carioca:

e muitos outros, lá no Alma Carioca.

Namastê!

Publicado em Abril - 24 - 2009

Bhookh.com - ajudando a diminuir a fome na Índia

Conheci a Bhookh.com através do blog da Sandra Bose, o Indi(a)gestão; existe um link na barra lateral do blog alertando para doar alimentos grátis (Doe alimentos a indianos famintos).

Recentemente a Lu Dias, colaboradora do Alma Carioca, também divulgou o trabalho do Bhookh.com em um artigo do site, explicando como é o trabalho dessa instituição, e o site agora também traz um link para a Bhookh.com (Ajude os Dalits). O Rato de Biblioteca também tem um link aí do lado (Bhookhr - clique para doar alimentos), mas hoje vamos explicar melhor o que é e o que faz a Bhookh.com.

‘Bhookh’ significa Fome em Hindi. Bhookh.com concentra-se na fome crônica e persistente, que é diferente da fome aguda causada por outras emergências, que apesar de terem  mais destaque na mídia, coinstituem apenas 8% de todas as mortes relacionadas à fome.

Perguntas e respostas

A fome não é apenas uma questão de distribuição?

A fome não é uma questão de distribuição; quase todos os lugares na Terra podem produzir comida suficiente para sua população. Mesmo a Índia é auto-suficiente na produção de alimentos. Na verdade, os armazéns do governo estão lotados com alimentos subsidiados que não foram comprados. O problema é que as pessoas não ganham o suficiente para comprar a comida que está disponível ou os alimentos são destruídos antes de serem comprados devido ás más condições de armazenamento.

O problema não é a população? A fome não é consequência da superpopulação?

É muito simplista dizer que o excesso de população causa a fome. Países como a Índia têm crescido muito nos últimos 50 anos, enquanto a fome tem diminuído. Se a população fosse a causa da fome, a fome seria um problema para o futuro, quando na verdade ela era muito pior há 50 ou 100 anos.

Alguns podem dizer que a fome causa a superpopulação - em países onde muitas crianças morrem, as famílias têm mais filhos para compensar isso.

Na verdade, essas questões estão intimamente interligadas. O crescimento da população torna mais difícil construir escolas, centros de saúde e outros serviços necessários para ter uma população saudável e produtiva. E somente quando as pessoas souberem que seus filhos irão viver elas pararão de ter tantas crianças.

A China, a outra potência econômica asiática e o país com maioer população do planeta, reduziu drasticamente a desnutrição infantil, e hoje em dia apenas 7% das crianças com menos de cinco anos de idade estão abaixo do peso, o que é um indicador crítico da desnutrição. Já na Índia, apesar do crescimento econômico robusto e das boas intenções do governo, este índice é de 42,5%.

Como podemos afirmar que houve progresso quando vemos estatísticas que o número de pessoas famintas é o mesmo ou está até aumentando?

Mesmo que o número de pessoas famintas tenha permanecido o mesmo ou até aumentado ligeiramente, houve um progresso substancial em comparação com a taxa de crescimento global da população.

Onde estão localizadas as pessoas famintas do mundo?

Mais de um terço dos famintos do mundo estão na Índia. Um terço está na África sub saariana. A maioria do terço restante está em ‘bolsões’ de pobreza na América Latina e no restante da Ásia.

Fatos sobre a fome

  • A fome é a causa número um de mortes no mundo. A AIDS e o câncer vêm em seguida.
  • Há 820 milhões de pessoas cronicamente famintas no mundo.
  • Um terço dos famintos do mundo vivem na Índia.
  • 836 milhões de indianos sobrevivem com menos de 20 rúpias por dia (isso é menos de meio dólar, ou um real).
  • 200 milhões de indianos (o mesmo que TODA a população do Brasil!) dormirão com fome esta noite.
  • 10 milhões de pessoas morrem todos os anos devido à fome crônica e doenças relacionadas à fome. Apenas oito por cento delas são vítimas da fome causada por grandes terremotos, enchentes, secas e guerras.
  • Apesar da melhoria substancial na saúde desde a independência do país, e uma taxa de crescimento de 8% nos últimos anos, a subnutrição continua sendo uma emergência silenciosa na Índia, com quase 50 por cento das crianças indianas abaixo do peso normal para a idade e mais de 70 por cento das mulheres e crianças com sérias deficiências nutricionais, como anemia.
  • 30% dos recém-nascidos estão abaixo do peso normal, 56% das mulheres casadas são anêmicas e 79% das crianças com idade entre 6 a 35 meses estão anêmicas.
  • Um relatório feito no mês passado (fev 2009) pelo Programa Mundial de Saúde observou que a Índia continua abrigando mais de um quarto dos famintos do mundo, o que representa 230 milhões de pessoas. O relatório também mencionou o aumento dos casos de anemia entre as mulheres em idade reprodutiva na zona rural de oito Estados da Índia. As mulheres indianas são com frequência as últimas a comer em suas casas e muitas vezes é improvável que se alimentem satisfatoriamente durante a gravidez.
  • O número de pessoas famintas na Índia é sempre maior que o número de pessoas vivendo abaixo da linha oficial de pobreza (enquanto cerca de 37% dos domicílios rurais estavam abaixo da linha de pobreza em 1993-94, 80% dos domícíulios sofriam de subnutrição).

Como a Bhookh.com trabalha

Bhookh.com é o primeiro site de ativismo online da Índia. Ela é uma organização sem fins lucrativos, administrada pela Bhookh.com Foundation. Seu objetivo é fornecer, usando a Internet, alimentação básica para indianos com fome crônica para permitir que eles sobrevivam, aprendam e trabalhem.  E como fazer isto?

Ao clicar no link para o site, basta clicar no botão verde para doar alimentos para quem tem fome. Seu clique é registrado e adicionado ao total diário de cliques. Você não terá nenhuma despesa ou custo, pois o alimento é pago pelos patrocinadores do site.

Os patrocinadores compram banners no site por um determinado período de tempo, e pagam pelo alimento correspondente aos cliques durante aquele período. Bhookh.com doa o dinheiro ao setor indiano do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, que encaminha a comida aos famintos crônicos.

Não adianta clicar mais de uma vez por dia, pois o clique é calculado com base no IP do computador, um clique por IP por dia. Mas para não esquecer, você pode tornar Bhookh.com a página inicial do seu navegador na Internet. É um modo simples de lembrar de clicar e “fazer sua boa ação diária”.

Outra forma de ajudar é divulgar este site para seus amigos. Coloque um link em seu blog, divulgue estas informações e não esqueça de clicar todos os dias!

www.bhookh.com

*   *   *

Informações extraídas do site Bhookh.com

Tradução do texto - Cristine Martin

Mais informações:

  • Índia: a economia cresce, e a fome também - artigo de Anuradha Mittal
  • Blog Action Day- Pobreza - artigo do Indi(a)gestão sobre a fome na Índia.
  • Na poderosa Índia, a fome infantil é comum - artigo de Somini Sengupta  no New York Times (publicado em português no blog Controvérsia).
  • Fome (crise humanitária) - artigo da Wikipédia
  • A fome atinge níveis ‘alarmantes’ em estados da Índia (em inglês e português)

Publicado em Abril - 21 - 2009

Amor além da vida

É difícil crer que esta história emocionante tenha vindo do mesmo autor de Eu sou a Lenda e outras narrativas de suspense e horror. Mas então lembramos que Richard Matheson também criou uma bela história de amor, Em Algum Lugar do Passado, e concluímos que ele é, além de talentoso, um escritor versátil e sensível.

O título do livro, ‘What dreams may come’, vem do famoso solilóquio de Hamlet: “For in that sleep of death what dreams may come / When we have shuffled off this mortal coil, / Must give us pause.” O livro traz referências alegóricas da Divina Comédia, de Dante Alighieri, e também de Orfeu e Eurídice.

Na introdução do livro, Matheson explica que “como seu tema é a sobrevivência após a morte, é imprescindível que você perceba, antes de ler a história, que apenas um aspecto dele é ficcional: as personagens e sua relações. Com algumas exceções, todos os demais detalhes são o resultado exclusivo de pesquisa.”

No final do livro há uma extensa bibliografia sobre reencarnação, vida após a morte, carma, contatos com os mortos, Edgar Cayce e O Livro Tibetano dos Mortos. Quando lemos o livro, entendemos o porquê.

O livro é narrado por Robert Nielsen, que conta como o manuscrito que vamos ler chegou às suas mãos. Ele recebeu a visita de uma mulher desconhecida, que disse ser médium e ter recebido aquela mensagem de Chris Nielsen, irmão de Robert, que havia falecido há mais de um ano. Apesar de não ser um homem religioso, Robert conta que o manuscrito continha detalhes da vida de seu irmão e família que a mulher não poderia saber, e que decidiu publicá-lo porque, “se o manuscrito é verdadeiro, todos nós precisamos examinar nossa vida. Com cuidado”.

Um parênteses: este recurso de atribuir a verossimilhança do texto a uma fonte externa é muito conhecido e foi utilizado (muito bem!) por diversos autores. Um dos mais famosos exemplos do “truque do manuscrito perdido” é o romance “O Nome da Rosa” de Umberto Eco (veja uma análise deste romance aqui), e também já foi usado pelo próprio Richard Matheson em “Em algum lugar do passado“, em que Robert Collier (de novo Robert!) apresenta o manuscrito/diário de seu falecido irmão Richard. Outro belo exemplo deste recurso é “As pontes de Madison“, de Robert James Waller, em que o autor teria recebido um pedido dos filhos de Francesca Johnson , que lhe pediram para escrever um livro sobre a história de sua mãe e publicá-lo. Um truque interessante, usado em ótimos livros. (fecha parênteses)

Voltando ao manuscrito psicografado de Chris, este começa descrevendo a sua morte e o período de negação inicial e posterior aceitação do fato, com riqueza de detalhes. Chris era casado com Ann havia 26 anos e ambos tinham quatro filhos crescidos. Chris e Ann eram um casal unido e apaixonado; ela passou por uma infância difícil, e sempre foi dependente emocionalmente dele, especialmente quando Chris a ajudou a recuperar-se de um colapso nervoso. A família era harmoniosa e os dois se completavam perfeitamente. Desesperado, Chris vê o quanto Ann sofre com sua morte e tenta em vão ajudá-la. Após perceber que está mesmo morto ele vê sua vida em retrospectiva, com todos os detalhes.

“Não entrarei em todos os detalhes, Robert. Não é a história que quero contar, isso levaria tempo demais. A vida de cada homem é um grosso volume de episódios. Considere todos os eventos de sua vida enumerados um por um com descrições completas. Uma enciclopédia de 21 volumes de eventos; no mínimo.

Deixe-me discuti-los brevemente. isso foi mais que um ‘relampejar diante dos meus olhos”. Eu era mais do que um espectador, isso logo tornou-se claro. Revivi cada momento com uma percepção aguda, experimentando e entendendo simultaneamente. O fenômeno era vivido, Robert, cada emoção infinitamente multiplicada por camada sobre camada de consciência.

A essência disto tudo – esta é a parte importante – foi o conhecimento de que meus pensamentos tinham sido reais. Não só as coisas que fiz e disse. O que passou pela minha mente também, positivo ou negativo.

Cada lembrança foi revivida diante de mim e dentro de mim. Eu não podia evitá-las. nem conseguia racionalizar, explicar. (…) Tentar me iludir era impossível, a verdade era exposta sem meios-termos. Nada como pensei que tivesse sido. Nada como eu esperava que tivesse sido. Apenas como tinha sido. “

Mais tarde ele encontra-se em um belo lugar chamado Terra do Verão, onde é acolhido por Albert, seu primo. O lugar é agradável e Chris descobre ele e Ann são almas gêmeas e que terá de esperar mais 24 anos até que chegue o momento de encontrar-se novamente com Ann, por ocasião da morte natural dela. Mas Ann, deprimida e desesperada com a perda de Chris, e sem acreditar que pudesse haver alguma coisa depois da morte, suicida-se para acabar com seu sofrimento. Com isso ela terá de ficar longe de Chris durante esses 24 anos, mas em um estado de sofrimento terrível, nos ‘domínios inferiores’ onde reinam a dor e o desespero.

“- Então, por que estou aqui? – perguntei – Aquele acidente foi o tempo natural da minha morte?

- Possivelmente – ele respondeu – Talvez não. De qualquer forma, você não foi responsável por aquela morte. Ann foi responsável pela dela. E tomar a própria vida é violar a lei porque ela impede que aquele ser resolva as necessidades de sua vida.

Ele parecia angustiado agora e balançou a cabeça. – Se as pessoas soubessem – ele disse – Elas pensam no suicídio como uma rota rápida para o oblívio, uma fuga. Muito pelo contrário, Chris. Ela apenas altera a pessoa de uma forma para outra. Nada consegue destruir o espírito. O suicídio apenas precipita uma continuação mais sombria das mesmas condições das quais se tentou escapar. Uma continuação sob circunstâncias muito mais dolorosas…”

Chris não aceita isso e diz que precisa ajudá-la, e pede a Albert para ajudá-o a encontrar Ann. Eles então partem ao domínio inferior à procura de Ann, e vemos descrições de lugares inimagináveis, terrores criados pela própria mente sofredora dos que ali estavam, e que contagiavam todo o ambiente.

SPOILER

Sem acreditar que estava morta ou que poderia receber ajuda, Ann se isolou e tornou difícil encontrá-la ou estabelecer contato com ela. Mas Chris a encontra e depois de muito esforço, quando percebe que seria impossível convencê-la de quem era ele e que ele poderia ajudá-la, decide ficar com ela naquele lugar de sofrimento. Em um longo monólogo amoroso, uma das declarações de amor mais lindas que já li, ele afirma seu amor por Ann e ela acaba reconhecendo o marido.

Por fim, de volta à Terra do Verão, ele descobre que ela teve de reencarnar para recuperar o tempo e a oportunidade que desperdiçou com o suicídio, e que o local escolhido por ela foi a Índia. Apesar de não precisar, Chris decide reencarnar também, como uma criança norte-americana que será médico e irá trabalhar na Índia quando adulto. Com isso ele pretende ajudá-a nesta nova vida.

No final do manuscrito, Chris termina com uma mensagem de esperança, dizendo que a morte não deve ser temida e que ele sabe que no futuro irá se encontrar novamente com Ann no Paraíso, ainda que de uma forma diferente.

FIM DO SPOILER

Além da história emocionante, o livro traz muitas descrições e explicações detalhadas sobre o processo da morte, nascimento, reencarnação, a vida após a morte, a lei do carma, as consequências dos nossos atos, e é uma leitura fascinante sem ser tediosa. Mesmo se não acreditarmos em todas essas idéias, com certeza o livro nos fará pensar bastante.

Matheson afirmou em uma entrevista, “Acredito que Amor além da vida é o livro mais importante (em termos de leitura) que já escrevi. Ele fez muitos leitores perderem seu medo da morte – o maior tributo que um escritor poderia receber”.

Filme

O filme baseado no livro foi lançado em 1998, com direção de Vincent Ward. Com belíssima fotografia e cenários, esta produção é um espetáculo visual e mantém a essência do livro, apesar de diferir em alguns detalhes.

Chris Nielsen (Robin Williams) é um pediatra casado com Annie (Annabella Sciorra), pintora e curadora de um museu. Eles viviam uma vida feliz e idílica em família com os dois filhos adolescentes, Ian (Josh Paddock) e Marie (Jessica Brooks Grant). Após a morte dos dois filhos em um acidente de carro, Annie foi hospitalizada devido a um colapso nervoso e tornou-se isolada e mentalmente instável devido à culpa. Após quatro anos ela e Chris reconciliam-se, mas no aniversário do acidente ele morre em um acidente de automóvel.

Chris vai para um local maravilhoso inspirado nas pinturas de Annie, em que vemos como efeitos especiais e computação gráfica podem ser usados também para criar arte e beleza. Chris recebe a orientação de Albert Lewis (Cuba Gooding Jr), seu antigo mentor na medicina. Quando, desesperada pela perda da família, Annie comete suicídio, ela vai para o Inferno. Chris decide ir até o inferno para buscá-la, e Albert encontra um “Guia” (Max Von Sydow) para ajudar Chris em sua jornada.

Com diversas referências da Divina Comédia (o rio Styx, o Cérbero – cão de três cabeças que guarda os portões do inferno, os sete níveis de inferno, a água cheia dos rostos dos condenados), este trecho do filme é sombrio e desolado, adequado ao desespero do local.

O Guia: Sua esposa o ama tanto assim? Nós a encontraremos. Mas quando a encontrarmos nada a fará reconhecê-lo. Nada quebrará sua negação. Isso é mais forte que seu amor. Na verdade, é reforçado pelo seu amor. Você pode dizer tudo o que quiser, até mesmo adeus. Mesmo se ela não conseguir entender. E você terá a satisfação de saber que não desistiu. Isso tem de ser suficiente.
Chris Nielsen: Apenas me leve até lá, e eu decidirei o que é suficiente.

O final do filme é semelhante ao do livro, mas a reencarnação é uma escolha de ambos para poderem viver juntos em uma nova vida, não um processo inevitável da ordem natural das coisas. Na cena final Annie e Chris encontram-se novamente como crianças, lembrando a cena inicial, quando ambos se conheceram em um lago na Suíça.

Diferenças entre livro e filme

O livro tem uma abordagem mais científica enquanto o filme é sentimental e fantástico. No livro os quatro filhos (Louise, Richard, Marie e Ian) são crescidos e sobrevivem aos pais, enquanto no filme são adolescentes e morrem em um acidente de automóvel.

SPOILER

No filme, Chris descobre que Albert é na verdade seu filho Ian, quando lembra de uma conversa entre ambos em que havia dito ao filho “Se eu tivesse de atravessar o inferno, só há uma pessoa que eu gostaria de ter ao meu lado”. O Guia que acompanha Chris no inferno é na verdade seu mentor Albert, que aproveita esta oportunidade para prestar um favor a Chris. Leona, uma guia que Chris encontra no paraíso, é na verdade sua filha Marie. Quando Chris e Annie retornam do Inferno eles se encontram com os filhos, antes de decidirem reencarnar.

FIM DO SPOILER

A descrição do ambiente e sofrimentos do inferno é muito mais violenta no livro que no filme. Chris não consegue mover-se, respirar ou mesmo ver, e sofre intensa tortura física nas mãos dos habitantes, o que mais tarde descobre ser causado pelo sofrimento da mente.

No livro Ann deve ficar apenas 24 anos no inferno, até o fim natural de sua vida na terra; no filme, ela ficaria lá pela eternidade.

O produtor do filme, Stephen Simon, conta:  “Uma semana após o lançamento do filme, uma família de Milwaukee, Wisconsin, me ligou para dizer que sua filha de 17 anos que sofria de câncer tinha uma semana de vida e queria ver este filme que falava sobre a vida depois da morte. Enviamos uma equipe de vídeo ao hospital e toda a família assistiu ao filme junto com ela; o pai contou mais tarde que ela mudou completamente seu modo de ver a morte e teve uma atitude pacífica até morrer, dois dias depois. Esta é nossa definição de sucesso; eu não trocaria outros 100 milhões de dólares na bilheteria pelo modo como aquela garota terminou sua vida”. (mais informações aqui)

Os efeitos visuais do filme são estonteantes, com uma paleta de cores vivas e nítidas e efeitos que criam a ilusão que estamos dentro de uma pintura. Este espetáculo visual é o cenário perfeito para uma linda história de amor que ultrapassa os limites da morte. Recomendo o livro e o filme.

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Livro (clique nos links para comprar na Livraria Cultura):

Para saber mais:

  • Richard Matheson na Wikipédia (em português)
  • What Dreams May Come no IMDb
  • What Dreams May Come (livro) na Wikipédia (em inglês)
  • What Dreams May Come (filme) na Wikipédia (em inglês e em português)
  • entrevista com Richard Matheson
  • artigos sobre Amor além da vida - Hinduism Today (em inglês)
  • artigo “Apocalipses semióticos e ecos de mortes, labirintos e livros: visitando O Nome da Rosa” - George Luiz França
  • artigo sobre o filme no Blog Dusbons

Mais Richard Matheson no Rato de Biblioteca:

Trailer – Amor além da vida

Vídeo – cena do inferno em Amor além da vida (10:29 min – SPOILERS – não veja se não assistiu o filme)

Publicado em Abril - 17 - 2009

Trailer - Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Acabou de sair mais um trailer do sexto filme da série HP, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe“. O trailer tem 2 :26 minutos e é ótimo, mostrando vários momentos importantes do filme e deixando os pobres trouxas com água na boca! (assistam o vídeo no final do artigo)

Na minha opinião, este é o melhor livro da série, com ritmo ágil, conteúdo emocionante, alguns momentos de segurar na cadeira e outros de dar um nó na garganta. A julgar pelo trailer, o filme não vai decepcionar os fãs da série (incluindo o rato que vos fala!)

O filme deve estrear no Brasil em 15 de julho de 2009, falta pouco! Nos Estados Unidos a estréia foi antecipada para 15 de julho, mas no Brasil a tradição de estréias às sextas-feiras foi mantida. Na verdade o filme deveria ter estreado no final de 2008, mas a Warner Bros adiou o lançamento para coincidir com o verão norte-americano (mais informações aqui e aqui).

Curtam o trailer e enquanto julho não chega, acho que vou reler os livros (ou pelo menos este). Abração!

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Trailer - Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Publicado em Abril - 14 - 2009

Horta “pré-fabricada”

Minha pobre horta já viu dias melhores. Nos últimos tempos a atividade aqui limita-se a arrancar o mato e colher hortelã e boldo, além de algumas temporadas de tomatinhos cereja, os quais comemos até enjoar. Os tomates espalham-se por toda parte e a safra dura um bom tempo, mas é preciso ter espaço para eles.

Há algum tempo fiquei com dó de jogar fora a raiz de alguns pezinhos de rúcula hidropônica que compramos, que já estavam com raízes de bom tamanho. Resolvi plantá-los em um cantinho da abandonada horta, e acabou sendo uma boa idéia.

Os pezinhos cresceram e já estamos comendo salada de rúcula fresquinha da horta novamente. É uma boa idéia para aproveitar as raízes de rúcula ou até de outras verduras de hidroponia, quem sabe agora o agrião e a alface…

Para não dizer que é mentira, aqui estão algumas fotos da horta nos seus tempos de glória. O espaço não é grande, 1,5 x 8m, mas já rendeu muitas saladas…

Ali tínhamos alface, escarola, couve (muita couve!), cenoura, rabanetes, cheiro-verde, manjericão e tomates-cereja.Os tomatinhos são esse pé logo na frente, à direita.

Quem quiser começar uma pequena horta pode aproveitar as sugestões dos links abaixo; dá para ter até um canteiro em vasinhos, no apartamento! Além de uma boa atividade para relaxar e distrair, podemos literalmente aproveitar os frutos, sem agrotóxicos e fresquinhos!

Acho que vou comprar algumas sementes, e começar tudo de novo… ;-)

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Publicado em Abril - 06 - 2009

Amiloidose - o que é isso?

Recentemente traduzi as legendas de um vídeo com informações sobre a amiloidose. Fiquei surpresa com essa doença insidiosa e pouco conhecida, que pode causar sérios problemas de saúde se não for corretamente diagnosticada e tratada.

A amiloidose é uma doença rara ( afeta oito em cada 1 milhão de pessoas ), progressiva e geralmente incurável, que ocorre quando há acúmulo, ao redor dos vasos sangüíneos, de pedaços de proteína dobrados em uma configuração altamente estável ( em folhas de pregueamento “beta” ). Essas proteínas são produzidas na medula óssea em conseqüência a uma série de doenças, o que torna a amiloidose não uma doença em si, mas uma manifestação de outra doença.

“Amiloidose é um grupo de doenças nas quais vários tipos de proteínas acumulam-se nos órgãos e tecidos do corpo. Esses depósitos danificam a estrutura e função dos tecidos  e causam doenças sérias. A amiloidose causa problemas nos rins, coração, fígado,e sistemas gastrointestinal e neurológico. Se não for tratada, a taxa média de sobrevivência para a doença é de apenas 15 meses. Portanto, o diagnóstico oportuno é de grande importância e o tratamento precoce é a chave para resultados positivos.”

Não há cura para a amiloidose. Os objetivos do tratamento, a partir do diagnóstico, são reduzir ou diminuir a produção do amilóide, eliminar depósitos, aliviar ou curar a doença de base e tratar as complicações decorrentes pelos depósitos nos órgãos acometidos.

O vídeo pode ser assistido aqui (Google vídeos), com legendas em 14 idiomas (inclusive em português). Além da Internet, ele será incluído em DVDs  para médicos e universidades, com o objetivo de divulgar informações sobre a doença.

Este pequeno vídeo de animação (12:40 minutos) visa incentivar a melhor informação e compreensão de uma doença rara chamada amiloidose. Com melhores informações sobre a condição pode-se obter um diagnóstico melhor e adequado, tratamento precoce e resultados positivos. Para maiores informações, visite a  Amyloidosis Foundation.

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Para saber mais:


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