Publicado em Março - 29 - 2009

Alma Carioca: retrato da alma brasileira

A Internet é mesmo interessante: através do Indi(A)gestão, conheci a Lu Dias e seus ótimos artigos sobre a Índia no Alma Carioca - Literatura. E tive a grata surpresa de conhecer mais um ótimo site, que recomendo a todos!

O Alma Carioca - Literatura é um projeto criado e organizado por Paulo Afonso Teixeira, que além deste tem outros sites/blogs:

o Alma Carioca, com informações, fotos, vídeos, crônicas, passeios, enfim, tudo sobre o Rio de Janeiro. Na seção ‘Crônicas’ há textos de escritores consagrados como Affonso Romano de Sant´Anna, Arnaldo Jabor, João Ubaldo Ribeiro, Cora Rónai, Drummond, Luis Fernando Veríssimo e muitos outros. O site também traz lindas fotos do Rio atual e do Rio antigo, e dicas de onde ficar, onde comer e onde se divertir. Uma ótima pedida para quem adora o Rio!

O blog Dicas do Timoneiro, como o nome diz, tem dicas úteis e interessantes em diversas categorias (computador, reparos domésticos, alimentos, casa e jardim, cultura, economia, saúde e férias e lazer). Por exemplo, entre as dicas do blog temos Como fazer uma horta caseira, Colocar laje sem mexer no telhado, Como sobreviver à crise, Surfe e mergulho em Paraty, Dez conselhos para viver bem e, para os blogueiros, Como ter renda extra com seu blog.  Variado e interessante!

O blog O Barquinho tem assuntos variados, fotos, cultura, notícias. E o blog Latitude 23 traz notícias e informações sobre ecologia, natureza e turismo no estado do Rio de Janeiro.

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E por fim, o espaço cultural que me conquistou, o Alma Carioca - Literatura. O site conta com a colaboração voluntária de diversos escritores e oferece crônicas, contos, poesias,vídeos, fotos. Um site de conteúdo variado e excelente.

O site foi criado em junho de 2008. Nos primeiros 4 meses de ‘vida’ já contava com mais de 1.000 textos, tanto de colaboradores quanto de escritores consagrados. Entre os textos dos quase 70 colaboradores destacamos:

Hila Flávia - A hora de mudar de vida

Pois é! A vida vai passando e a gente nem se dá conta. Isso porque espelho é objeto mentiroso e o ser humano gosta mesmo é de se enganar. E, para tanto, haja tinta no cabelo, haja cirurgia plástica, haja qualquer coisa que diminua a consciência da idade que avança inexoravelmente. Sempre penso no porquê das coisas e acho que o que abala as pessoas é a proximidade da morte. Não que exista senha para morrer. Mas estarmos na linha de frente da batalha nos dá uma chance a menos. Isso é verdade. Verdade também é que quem não está preparado para morrer, não está preparado para viver. A vida é um risco constante e o comportamento de avestruz, não querendo enxergar o mais óbvio, não leva a nada. (…)

(leia mais aqui)

Edgard Santos - A televisão em nossos dias

Acho que possuir uma mente livre e desapegada constitui enorme dádiva para o ser humano. Vivemos rodeados de influências as mais diversas, elas nos chegam sem que nos demos conta. Não medem hora nem lugar. A televisão é uma delas. A diferença fundamental está em seu campo de ação e este é medido pela nossa vontade. É querer ou não ser um fantoche, manipulado pela ditadura da comunicação. Hoje não é diferente do ontem, mas a tecnologia materialista confunde a mente do incauto. A informação é cavilosa; um prato cheio de iguarias tentadoras. A fome do ser e ter é suprida. A vontade de conhecer se embota e a ilusão faz a festa. (…)

(leia mais aqui)

Nina Araújo - Circular (Nina Araújo e Pat Borato)

As idéias cativam as abelhas
No frio elas quase invadem
E o doce que delas ardem
Sustentam todas as teias

As idéias cativam os rios
Contôrno elas nunca fazem
E a pororoca nos cios
Desovam os peixes capazes

As idéias cativam os homens
E a moda recria e age
O novo nasce de outros nomes
Embora com a mesma plumagem

Terezinha Pereira - Pontos negros na linha de encontro do céu com o mar

Como todas as mulheres daquela aldeia à beira-mar, ela tecia rendas com fios de puro branco. Enquanto durava a tecitura, como as outras, ela também ficava à beira-mar. A cada manhã, acompanhava a partida dos homens da aldeia _ pais, maridos, noivos, filhos_ que saíam em busca do sustento do lar. Ao entardecer, com belos rendados nas mãos, as mulheres da aldeia se emocionavam com o surgir de pontos escuros lá na linha do horizonte. Eram minúsculos pontos que iam crescendo e tomando forma de barcos. Um momento de grande júbilo, a chegada dos homens com seus barcos cheios de peixes ou não. (…)

(Leia mais aqui)

Lu Dias - A Índia e as Superstições / Are Baba

Em meio ao mosaico de crenças e cerimônias religiosas, as superstições encontraram um terreno fértil na Índia. Falaremos de crenças antigas e atuais.

E, dentro dessa seara, encontramos tudo que é capaz de tornar o homem “feliz” ou “infeliz”, “próspero” ou “pobreco”: oblações, encantamentos, exorcismos, astrologia, oráculos, votos, quiromancia, adivinhação, ledores de fortuna, encantadores de serpentes, faquires, iogues, homens santos, misticismo, feitiçaria, arte divinatória, magias, mantras, receitas encantadas, feiticeiros, nigromantes, videntes, sonhos, sinais dos céus ou de buracos abertos nas roupas pelos ratos (Em vez de matar o ratinho por que furou sua roupa, veja aí um bom auspício: você vai comprar uma roupa nova.). (…)

(leia mais aqui)

Lu Dias começou há alguns meses uma série de artigos sobre a Índia no Alma Carioca que têm recebido muitas visitas e comentários. Muito bem escritos, eles abordam diversos temas da cultura e cotidiano daquele país, sempre mostrando a verdade e detalhes desconhecidos da maioria das pessoas. Entre os mais de 30 artigos, destacamos:

E a boa notícia é que você também pode participar do Alma Carioca! Se você gosta de escrever, pode enviar seus textos para publicação no site. O assunto pode ser algo que tenha sido vivido ou imaginado, podendo ser um conto, uma crônica, um poema ou um texto qualquer. O texto deve ser inédito na internet, não tendo sido publicado anteriormente em outro site ou blog.

Maiores informações sobre como participar podem ser encontradas aqui.

Você também pode participar através dos comentários nos textos que lhe agradaram. Os escritores participam ativamente dos comentários, com feedback simpático e inteligente com os leitores. Um ambiente nota dez!

Fico feliz em poder divulgar este site que me encantou e convido todos os leitores do Rato a visitarem o Alma Carioca - Literatura. Vale a pena!

Gostou dos gatinhos? Você pode ajudá-los!

Para saber como, veja os artigos de Paulo Afonso, Interferindo na Natureza e Gatos de Sorte. Os felinos agradecem!

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Site Alma Carioca

Blog Dicas do Timoneiro

Site Alma Carioca: Literatura

Publicado em Março - 27 - 2009

12 homens e uma sentença

Esta é a prova que não são necessários efeitos especiais, cenários deslumbrantes ou uma produção caríssima para se fazer um bom filme. Com uma boa história, diálogos brilhantes e uma direção mais que competente, aqui temos um dos melhores filmes ‘de tribunal’ já feitos.

Estrelado e produzido por Henry Fonda, com roteiro de Reginald Rose e dirigido por Sidney Lumet, 12 Angry Men (1957) conta a história dos doze jurados em um caso de homicídio, que devem decidir se o réu é inocente ou culpado. O filme não mostra o julgamento; todo ele (exceto as cenas inicial e final) se passa dentro da sala dos jurados. Com o mínimo de distrações como música e mudanças de cenário, o filme concentra-se nos diálogos e nas ótimas interpretações. Além de Fonda, no elenco estão Lee J. Cobb, Martin Balsam, Jack Warden, E. G. Marshall e Ed Begley.

Sidney Lumet, em atividade como diretor, produtor, ator e roteirista desde 1951, realizou ótimos filmes como Serpico (1973). Assassinato no Expresso do Oriente (1974), Um dia de cão (1975), Rede de Intrigas (1976), O Veredito (1982) e o mais recente Antes que o Diabo saiba que você está morto (2007).

Os personagens dos jurados não têm nome. Eles não estão interessados em se conhecer, apenas querem terminar logo a tarefa e ir para casa. Na primeira votação todos escolhem ‘Culpado’, e só o Jurado 8 (Henry Fonda) escolhe ‘Inocente’. Ele não sabe se o réu (um garoto de 18 anos acusado de matar o pai a facadas após uma briga) é inocente, mas também não tem certeza se ele é culpado, e quer discutir mais antes de decidirem. A decisão deve ser unânime e se o veredito for culpado o réu será executado na cadeira elétrica, sem direito à apelação.

A partir daí estas doze pessoas de temperamentos, profissões e personalidades diferentes começam a analisar as provas apresentadas, os testemunhos, o álibi; aos poucos eles vão mudando seus votos. Durante a discussão os preconceitos dos jurados vêm à tona: contra a pobreza, os imigrantes, a velhice. Conforme eles se dão conta dos próprios preconceitos e percebem a contradição de seus argumentos, começam a rever sua opinião.

Uma cena especialmente tocante é quando o jurado 10 começa a ‘argumentar’, destilando preconceitos de todo tipo, enquanto os outros jurados levantam e lhe dão as costas, ou apenas o ignoram.

Jurado #10: Eu não os entendo! Todos esses pequenos detalhes que vocês insistem em trazer à tona. Eles não querem dizer nada. Vocês viram o garoto, do mesmo modo que eu. Não vão dizer que acreditam naquela história fajuta sobre perder a faca, ou naquele negócio de ter ido ao cinema. Olhe, vocês sabem que essas pessoas mentem! Eles nasceram assim! Que diabos? Não tenho que lhes dizer. Eles não sabem o que é a verdade! E vou lhes dizer, eles não precisam de nenhum motivo para matar alguém! Não, senhor!
[Cinco levanta da cadeira]
Jurado #10: Eles ficam bêbados… oh, eles bebem muito, todos eles – vocês sabem – e pronto: alguém está caído no chão. Oh, ninguém irá culpá-los disso. É assim que eles são! É a natureza deles! A natureza! Sabe o que quero dizer? VIOLENTOS!
Jurado #10: [Nove levanta e vai até a janela] Aonde está indo?
Jurado #10: A vida humana não significa para eles o mesmo que para nós!
[Nove levanta e vai até a outra janela]
Jurado #10: Olhe, eles gritam e brigam o tempo todo e se alguém morre, alguém morre! Eles não se importam! É claro, eles também têm algumas coisas boas. Olhe, sou o primeiro a afirmar isso.
[Oito levanta e caminha até a parede mais próxima]
Jurado #10: Conheci um casal que era legal, mas eles eram exceção, sabem como é?
[Dois e Seis levantam da mesa. Todos estão de costas para Dez]
Jurado #10: A maioria deles, eles não têm sentimentos! Podem fazer qualquer coisa! Que está havendo aqui? Estou tentando lhes dizer… estão cometendo um grande erro! O garoto é um mentiroso! Sei disso. Sei tudo sobre eles! Escutem! Eles não são bons! Nenhum deles é bom! Mas o que está havendo aqui? estou dizendo o que penso e vocês…
[o Líder dos jurados levanta e caminha para longe dele. Doze faz o mesmo]
Jurado #10: Escutem. Estamos… este garoto em julgamento… esse tipo, bem, vocês não os conhecem? Existe, existe um perigo aqui. Essas pessoas são perigosas. Eles são selvagens. Escutem o que digo. Escutem.
Jurado #4: Já escutei. Agora sente-se e não abra mais a boca.

O filme nos faz pensar sobre a justiça, a imparcialidade humana e o poder dos preconceitos e a experiência pessoal de cada um na formação de opiniões. Pensamos também nas falhas do sistema, e em como deve ser difícil ter nas mãos a decisão de vida ou morte de uma pessoa.

Jurado #8: É sempre difícil manter os preconceitos pessoais fora de uma coisa dessas. E em qualquer parte, o preconceito sempre esconde a verdade. Realmente não sei qual é a verdade. Não creio que alguém possa saber. Nove de nós parecem pensar que o réu é inocente, mas estamos jogando com probabilidades – podemos estar errados. Podemos estar libertando um homem culpado, não sei. Ninguém pode saber. Mas temos uma dúvida razoável, e isso é algo muito valioso em nosso sistema. Nenhum júri pode declarar um homem culpado a menos que tenha CERTEZA. Nós nove não podemos entender como vocês três têm tanta certeza. Talvez vocês possam nos dizer.

Este filme brilhante, que apesar de ter agradado aos críticos não teve muito sucesso de bilheteria na época, é hoje um clássico; o que aparentemente poderia ser um filme monótono e aborrecido (apenas 12 pessoas durante uma hora e meia trancadas em uma sala) revela-se um filme inteligente e emocionante, que prende a atenção do espectador do início ao fim. Imperdível!

Algumas curiosidades:

  • Em Portugal, o filme teve o título de “Doze Homens em Fúria”.
  • Em 1997 foi feita uma refilmagem para a TV e Jack Lemmon interpretou o Jurado 8, o mesmo papel de Henry Fonda.
  • O filme teve orçamento baixo (apenas 350 mil dólares) e foi filmado em apenas 21 dias, após duas semanas exaustivas de ensaios.
  • O diretor começa o filme com ângulos mais abertos e de um nível elevado, o que dá sensação de maior distância entre os atores. Conforme o filme avança as câmeras descem ao nível dos olhos. No final as tomadas são quase todas em close-ups e abaixo do nível dos olhos, o que aumenta a tensão e a sensação de claustrofobia.
  • Indicado para 3 Oscars (Melhor Filme, Diretor e Roteiro Adaptado), o filme perdeu todos para ‘A Ponte do Rio Kwai’.
  • Devido à baixa bilheteria, Henry Fonda nunca recebeu seu salário referente a este filme. Ainda assim, Fonda sempre considerou que este foi um de seus três melhores filmes; os outros são “As Vinhas da Ira” (1940) e “Consciências Mortas” (The Ox-Bow Incident - 1943).

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  • Doze Homens e uma Sentença no IMDb e na Wikipédia (em português)
  • Henry Fonda na Wikipédia (em português)
  • Assista o filme completo no YouTube (em 10 partes, com legendas em português) - link para a parte 1
  • Resenha sobre o filme (muito boa!) no Tudo é Crítica

Mais Henry Fonda no Rato de Biblioteca:

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Vídeo: Trailer de 12 Angry Men (note o estilo ‘dramalhão’ da época!)

Publicado em Março - 24 - 2009

Além da Imaginação

Este seriado fantástico (em todos os sentidos) tem algumas histórias que ficam na memória; todo mundo consegue lembrar de pelo menos um episódio que marcou tanto que não conseguimos esquecê-lo.

Para mim, o episodio que ficou foi “A Little Peace and Quiet”. Eu lembrava de toda a história, que vi na TV há mais de 20 anos (pelo que lembro foi exibido na Globo), e resolvi procurar saber mais sobre ele na Internet.

Achei na Wikipédia a lista de todos os episódios e temporadas, e foi aí que descobri o nome original, e soube que ele foi exibido na TV americana em 27/09/1985, junto com outro ótimo episódio, “Shatterday“. Estes dois segmentos formavam o primeiro episódio da primeira temporada da série em cores que começou nos anos 80.

Twilight Zone, ou Além da Imaginação, foi uma série criada por Rod Serling. Cada episódio (156 na série original, em preto-e-branco) unia elementos de fantasia, ficção científica, suspense ou horror, e geralmente tinha um final inesperado e surpreendente. Além do próprio Serling, que escreveu quase dois terços dos episódios, a série apresentava histórias de escritores famosos no gênero como Charles Beaumon, Richard Matheson, Harlan Ellison e Ray Bradbury.

Além de criar, produzir e escrever muitos episódios de Twilight Zone, Serling foi o roteirista de alguns clássicos, como O Planeta dos Macacos (1968) e Requiém para um Lutador (1962), além do telefilme Galeria do Terror (Night Gallery, de 1969), com três episódios. Um dos episódios (Eyes) foi estrelado por Joan Crawford e dirigido pelo estreante Steven Spielberg.

The Time Element

Diretor: Allen Reisner

Roteiro: Rod Serling

O episódio piloto de Twilight Zone, “The Time Element”, foi exibido em 24/11/1958. Esta história sobre viagens no tempo mostra um homem, Peter Jenson (William Bendix) que conta a seu psiquiatra (Martin Balsam) que tem tido um sonho recorrente: ele está em Honolulu logo antes do bombardeio de Pearl Harbor em 1941, e acredita que realmente esteve lá. O médico lhe diz que as viagens no tempo são impossíveis devido ao paradoxo temporal. Ainda assim, ele continua tendo o mesmo sonho, no qual tenta avisar e evitar o bombardeio, mas sem resultado. Durante uma sessão psiquiátrica ele adormece e volta a seu sonho, mas desta vez ele é atingido por disparos dos aviões e morre. Quando a câmera volta ao consultório, o médico está sozinho, e não tem pacientes naquele dia. Quando ele vai ao bar vemos a foto de Jenson na parede sobre o balcão; o barman diz ao médico que Peter trabalhava ali como barman, mas foi morto em Pearl Harbor.

Com este roteiro, Serling uniu os elementos fundamentais do que seria uma das séries clássicas da TV: temas de fantasia e ficção, a narração de abertura e de encerramento e o final surpreendente. Mas em 1957, quando o episódio foi filmado, estes elementos ainda não atendiam aos padrões da rede, e a série foi adiada. Após sua exibição em 1958, público e crítica tiveram opiniões favoráveis e a CBS decidiu produzir a série. Este episódio foi reprisado poucas vezes, e está disponível no YouTube em seis partes:

Parte 1 / parte 2 / parte 3 / parte 4 / parte 5 / parte 6


Temporadas

A série original foi ao ar de 1959 a 1964, em 5 temporadas, com a abertura clássica e a apresentação de Serling, muito imitada (inclusive em um episódio de Anos Incríveis, lembram?). Apesar de ter ótimos episódios, que inseriam temas contemporâneos como a guerra nuclear, o macartismo e a histeria coletiva em histórias de ficção e suspense, a série não teve o sucesso esperado nos EUA.

Após o filmeTwilight Zone - The Moviede 1983, com quatro episódios dirigidos por John Landis, Steven Spielberg, Joe Dante e George Miller, a CBS concordou em fazer uma nova série (first revival), que foi exibida de 1985 a 1989, com 3 temporadas (respectivamente com 58, 21 e 30 episódios), com diretores e roteiristas famosos como Wes Craven, Peter Medak, Harlan Ellison, Ray Bradbury, Joe Dante, Robert Silverberg, Stephen King, Richard Matheson, Jeannot Szwarc e outros.

A terceira série (second revival) foi apresentada de 2002 a 2003, com 44 episódios. A reação de crítica e público foi desfavorável, e série acabou sendo cancelada. Alguns episódios também estão disponíveis no YouTube.

A Little Peace and Quiet

Diretor: Wes Craven

Roteiro: James Crocker

“Não seria bom se, apenas uma vez, todos se calassem e parassem de aborrecê-lo? Não seria ótimo ter tempo para concluir um pensamento ou mergulhar em um devaneio? Pensar em voz alta sem ter de explicar exatamente o que quis dizer? Se você tivesse esse poder, ousaria usá-lo, mesmo sabendo que o silêncio tem suas próprias vozes… de um lugar Além da Imaginação?”

Penny (Melinda Dillon, de O Príncipe das Marés) é uma dona-de-casa completamente atordoada com marido, quatro filhos e um cão que exigem sua atenção o tempo todo; os filhos falam e gritam, o cão late, o marido reclama, a máquina de lavar faz barulho e um dos filhos põe uma cobra na frigideira junto com o bacon do café da manhã.

Um dia, ao cuidar do jardim, ela encontra uma caixa enterrada e dentro, uma corrente e relógio dourados. Ela gosta do objeto e começa a usá-lo. Mais tarde, durante uma crise de falatório e reclamações da família, ela grita ‘Calem-se’ e todos param onde estão, ‘congelados’. A princípio ela fica espantada, mas logo percebe que aquilo é causado pelo relógio, que consegue parar o tempo. Ao dizer ‘continuem falando’, tudo volta ao normal.

Penny começa a aproveitar seu novo brinquedinho para fazer compras calmamente no supermercado, tomar o café da manhã sem gritos e correria. Mas uma noite, o marido a chama para ver uma notícia na TV: o primeiro míssil soviético acaba de entrar no espaço aéreo americano. Desesperada, Penny grita e tudo congela. Ela caminha pela cidade e vê pessoas desesperadas, carros em colisão, uma cena de caos congelado e pessoas olhando para cima. Então, horrorizada, ela vê um míssil parado no céu logo acima da cidade.

O que você faria? Viveria eternamente sozinha ou continuaria o tempo e morreria (instantaneamente)? Esse final foi mesmo arrepiante.

O epísódio não tem a tradicional narrativa de encerramento.

Ao revê-lo depois de 24 anos pude perceber que a história é um pouco datada, pois em 1985 ainda havia a Guerra Fria e a ameaça potencial de uma guerra nuclear (hoje felizmente essa é uma possibilidade remota); naquela época também havia poucos efeitos especiais disponíveis e o ‘congelamento’ dos personagens era feito à moda antiga, ou seja, marido e crianças ficam parados enquanto mamãe se espanta. Impossível manter uma criança completamente parada… Mas esses detalhes não estragam o show.

O episódio está disponível no YouTube em três partes; está em inglês e sem legendas, mas mesmo que você não saiba uma só palavra de inglês, a história é tão clara que dá para entender o que se passa.

Página do episódio na Wikipédia e no IMDb

Vídeo no YouTube: parte 1 / parte 2 / parte 3

Shatterday

Diretor: Wes Craven

Roteiro: Harlan Ellison / Alan Brennert

Este é o primeiro episódio da primeira temporada da nova série ‘Além da Imaginação’, e foi baseado no conto “Shatterday” de Harlan Ellison, que foi publicado em 1975 na revista Gallery.

“Algumas pessoas pressionam para obter o que precisam; outras, para obter o que querem. Algumas pessoas, como Peter Jay Novins, apenas pressionam. Se o fizerem muito forte e por muito tempo, alguma coisa pressionará de volta… de algum lugar Além da Imaginação”.

Peter Jay Novins (Bruce Willis, no início da carreira) está em um bar e, ao ligar para outra pessoa, sem querer liga para casa e alguém atende. A pessoa que atende ao telefone é ele mesmo, Peter Jay Novins. A princípio ele pensa tratar-se de uma brincadeira de algum amigo, mas depois liga de novo para casa e ‘Peter’ atende. Após conversarem, ele começa a acreditar que o segundo Peter é seu alter ego. Ele diz que vai para casa, mas seu outro eu lhe diz para não fazer isso. Então Peter pergunta se ambos podem viver vidas normais, mas o homem do outro lado da linha diz que a vida de Peter é terrível, e que isso irá mudar.

Peter: (para seu alter ego do outro lado da linha) O que quer dizer com eu não consigo te ruma vida feliz? O que sabe sobre isso?

Peter: O que eu sei sobre isso? Com quem acha que está falando? Sou eu, Novins. Eu!

Peter: Não há nada de errado com minha vida! Nem uma coisa! Nada!

(nervoso)

Peter: Então o que há de errado, espertinho?

Peter: Tudo! Cada pequeno pedacinho está errado. E a parte triste é que você sabe disso e ainda assim não tenta consertar. Bem, isso vai mudar. De agora em diante, isso vai mudar.”

Peter fica assustado com a perspectiva de perder sua vida. Aos poucos, seu outro eu vai consertando as coisas que Peter havia feito errado: faz as pazes com sua mãe e a convida para morar com ele, cancela uma campanha publicitária pouco ética que Peter havia criado para um cliente, reata amizades e relacionamentos com pessoas que Peter havia negligenciado.

Enquanto um Peter continua realizando mudanças em sua vida, o outro Peter adoece. A princípio parece que Peter tem sua personalidade dividida, e aos poucos vai percebendo as consequências de seus erros, e deixa que seu ‘lado melhor’ assuma o controle. Ou pode ser algo mais sobrenatural…

No último dia Peter recebe a visita de seu alter ego no hotel. Este lhe diz que ele deve aceitar o fato que está sendo substituído, e que está se tornando uma lembrança. O novo Peter pergunta se há alguma coisa que ele teria feito, se as coisas fossem diferentes; Peter diz que não. Eles apertam as mãos, despedem-se, e o antigo Peter desaparece.

“Peter Jay Novins, vencedor e vítima de uma breve luta pela custódia da alma de um homem. Um homem que perdeu a si mesmo…em um campo de batalha solitário, em algum lugar Além da Imaginação”.

Página do episódio na Wikipédia e no IMDb

Vídeo no YouTube: parte 1 / parte 2 / parte 3

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Entrada de Twilight Zone na Wikipédia (em inglês)

Entrada de Além da Imaginação na Wikipédia (em português)

Lista de episódios na Wikipédia (em inglês)

Crítica (ótima!) de “Além da Imaginação - o filme”, no Valise de Cronópio - o site

Vídeo: abertura clássica de Twilight Zone

Vídeo: abertura do episódio piloto, na estréia em 02 de outubro de 1959

Publicado em Março - 21 - 2009

My Fair Lady / Uma Linda Mulher

Recentemente revi estes dois filmes e notei muitas semelhanças entre eles, tanto na história quanto em algumas cenas. Na verdade os dois filmes, além de várias outras obras, foram baseados na peça de George Bernard Shaw, Pigmalião.

A peça de Shaw (escrita em 1913), por sua vez, baseia-se vagamente no mito grego de Pigmalião e conta a história do Prof. Higgins, um professor de fonética que aposta com seu amigo, o Coronel Pickering, que pode transformar uma vendedora de flores (Eliza Doolittle) em uma dama da sociedade apenas ensinando-a a falar corretamente e ensinando a ela as regras de etiqueta. Durante o processo de treinamento, Higgins e Eliza se aproximam, mas por fim ela decide casar-se com Freddy Eynsford-Hill, um jovem e pobre cavalheiro.

Bernard Shaw insistia que o final não poderia ser mudado, pois era impossível que Eliza e Higgins se casassem. Contudo, a versão cinematográfica de 1938, a versão musical de 1956 e o filme de 1964 usaram outro final, em que Eliza volta para a casa de Higgins e faz as pazes com ele, subentendendo que ao final eles acabariam se casando.

Graças a Pigmalião, George Bernard Shaw foi a primeira pessoa a receber o Nobel de Literatura (1925) e um prêmio da Academia (Oscar de Melhor Roteiro adaptado, 1938).

Em 1938 foi feita uma adaptação da peça para o cinema (Pigmalião), com Leslie Howard (o Ashley Wilkes de E O Vento Levou) como Higgins e Wendy Hiller como Eliza. O musical da Broadway (My Fair Lady - 1956) foi composto por Lerner e Loewe e estrelado por Rex Harrison e Julie Andrews.

Devido ao sucesso do musical, que foi traduzido para muitos idiomas, a famosa frase usada por Higgins para ensinar Eliza, “The rain in Spain stays mainly in the plain“, foi traduzida para muitos idiomas; por exemplo:

  • Brasil: “O rei de Roma ruma a Madrid”
  • Portugal: “Atrás do trem as tropas vem trotando”
  • Espanhol: “La lluvia en Sevilla es una pura maravilla” / “La lluvia en España los bellos valles baña”
  • Francês: “Le ciel serein d’Espagne est sans embrun” / “La plaine madrilène plait à la reine” (Quebec)

Outros filmes baseados na peça foram Trocando as Bolas (Trading Places – 1983), com Eddie Murphy, Dan Ackroyd e Jamie Lee Curtis, Uma Linda Mulher e O Despertar de Rita (Educating Rita, 1983), com Michael Caine e Julie Walters.

Minha Bela Dama (1964)

Esta é a versão para o cinema do musical da Broadway de 1956. A história é a mesma, assim como as músicas. Aqui Eliza Doolittle é interpretada por Audrey Hepburn. O filme recebeu oito Oscars, incluindo os de Melhor Filme, Melhor Ator (Rex Harrison) e Melhor Diretor (George Cukor).

Audrey está ótima no papel; ela é muito engraçada na primeira parte, antes da transformação do patinho em cisne; e quando já é uma dama, demonstra  classe e sensibilidade; gostei em especial da cena depois do baile, em que Higgins e O Coronel congratulam-se por terem conseguido convencer a todos que Eliza era uma dama, enquanto a ignoram completamente; a expressão de desapontamento e frustração dela diz tudo.

Rex Harrison, como de costume, atua pouco e canta menos ainda; é impressionante como sua atuação aqui é idêntica à de Doutor Doolitle, outro musical (!) em que ele não canta, apenas fala. Surpreendentemente, recebeu o Oscar de melhor ator.

Julie Andrews foi a primeira opção para o papel de Eliza, mas a Warner Brothers não queria arriscar uma atriz de teatro pouco conhecida em um filme de 17 milhões de dólares (eles haviam pago 5,5 milhões pelos direitos do musical); Andrews recusou-se a fazer um teste para o papel. No ano seguinte, Julie Andrews ganhou o Oscar de Melhor Atriz por “Mary Poppins” (1964), enquanto Audrey não chegou a ser indicada.

Apesar de Audrey Hepburn ter se preparado exaustivamente e ter cantado durante as filmagens, 90% de suas canções foram depois dubladas por Marni Nixon. A voz de Hepburn pode ser ouvida nas partes faladas de “The Rain in Spain” e no início de “Just you wait“. Audrey Hepburn mais tarde admitiu que nunca teria aceitado o papel de Eliza se soubesse que suas canções seriam dubladas. Ela chegou a dizer a Julie Andrews que preferia que ela tivesse sido escalada para o papel.

Uma Linda Mulher (1990)

Este filme também foi baseado em Pigmalião, mas também tem elementos de La Traviata e Cinderela. Na verdade, é um conto de fadas impossível. Uma comédia romântica divertida e adorável, mas não dá para ser levada a sério.

A idéia original para este filme era um drama sombrio sobre prostituição em Los Angeles no fim dos anos 80/início dos anos 90; Vivian seria uma viciada em cocaína, e o acordo seria que ela passasse uma semana com Edward, sem as drogas. Ao final, tudo daria errado e ele partiria sem ela.

Jeffrey Katzenberg, então presidente do Disney Studio, insistiu que a história fosse reescrita como uma comédia romântica. O filme foi um sucesso de crítica e tornou-se um dos filmes de maior bilheteria dos anos 90, e uma das comédias românticas de maior sucesso financeiro.

O empresário Edward Lewis (Richard Gere) está a negócios em Los Angeles. Ele compra empresas e as revende após dividi-las em empresas menores. Sem conseguir encontrar o caminho até seu hotel, ele aceita a ajuda de Vivian Ward (Julia Roberts), uma prostituta que se aproxima pensando tratar-se de um cliente em potencial. Por fim, ela passa a noite no hotel e ele propõe que ela seja sua acompanhante por uma semana. Graças ao cartão de crédito de Edward, Vivian toma um banho de loja e transforma-se em Cinderela. Uma Cinderela de coração de ouro, que chora ao assistir à ópera (La Traviata, claro). E por fim, o conto de fadas tem o final feliz esperado; Edward desiste de ser um pirata financeiro, Vivian torna-se uma mulher ‘honesta’ e todos vivem felizes para sempre.

Parece brega, mas é realmente um filme adorável. Na minha opinião, é um dos únicos dois filmes em que a interpretação de Julia Roberts é boa e convincente (o outro é Flores de Aço); Richard Gere está adequado como Edward, e Hector Elizondo rouba as cenas como Barnard, o gerente do hotel e ‘protetor’ de Vivian. Os diálogos são interessantes e a direção de Garry Marshall acerta em cheio (ele repetiria a dose em O Diário da Princesa, outro filme delicioso e com história similar à de Pigmalião).

(quando Edward propõe montar um apartamento para Vivian)
Vivian: E como seria isso?
Edward: Eu a tiraria das ruas.
Vivian: Isso é apenas geografia.

Como diria Eliza Doolittle, “A diferença entre uma florista e uma dama não é como ela se comporta, mas o modo como é tratada”. Ao ser tratada como uma dama Vivian desabrocha, assim como Eliza.

Os dois filmes têm cenas similares; a primeira ‘aparição pública’ de Eliza é nas corridas em Ascot; Vivian vai ao jogo de pólo com Edward, onde ele deve encontrar os outros empresários. O momento de gala de Eliza é no Baile da Embaixada, enquanto o de Vivian é a noite na ópera. Ambas desistem da nova vida quando são maltratadas pelo ‘protetor’; ambos sentem a falta delas. Mais tarde, Eliza decide voltar, enquanto Edward vai à procura de Vivian, como seu príncipe encantado.

São dois filmes divertidos e leves, com boas músicas e boas atrizes; duas boas opções para a pipoca do fim de semana.

Algumas curiosidades:
  • Entre os atores considerados para o papel do prof. Higgins estavam Peter O´Toole, Cary Grant, Noel Coward, Michael Redgrave e George Sanders. Por fim, Rex Harrison foi chamado para repetir o papel que havia feito na Broadway, apesar de não conseguir cantar uma única nota; ele fala as letras das canções.
  • O papel de Eliza Doolittle também teve muitas candidatas: Julie Andrews (a preferida de Harrison), Elizabeth Taylor, Shirley Jones e Connie Stevens.
  • My Fair Lady foi uma das quatro produções a ganhar o Tony de Melhor Peça e o Oscar de Melhor Filme; as outras três foram A Noviça Rebelde, O Homem que não vendeu sua alma e Amadeus.
  • O título do filme “My Fair Lady” não aparece em nenhum momento, seja nas músicas ou nos diálogos.
  • Na cena em que Edward mostra o estojo de jóias a Vivian e o fecha rapidamente, quase prendendo os dedos dela, isso foi um improviso de Gere (foto acima). Como a reação e a risada de Julia foram naturais, os produtores decidiram manter a cena.
  • Christopher Reeve, Albert Brooks e Al Pacino foram considerados para o papel de Edward, mas recusaram. As candidatas ao papel de Vivian foram Valeria Golino, Molly Ringwald, Meg Ryan (a preferida da Disney), Michelle Pfeiffer, Jennifer Jason Leigh, Jodie Foster, Sarah Jessica Parker e Brooke Shields.
  • O casaco vermelho que Vivian usa no início do filme foi comprado por 30 dólares de um funcionário de cinema antes das filmagens; o colar que ela usa na ópera é uma jóia verdadeira e custa 250 mil dólares; havia um segurança da joalheria armado junto ao diretor durante toda a filmagem.
  • A Ferrari e a Porsche recusaram que seus carros fossem usados no filme, pois não queriam ser associados a uma história de prostituição. A Lotus Cars UK viu o valor potencial dessa oportunidade e aceitou. As vendas do Lotus Esprit triplicaram em 1990-1991.
  • A música que Richard Gere toca ao piano foi realmente composta e tocada por ele.

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Peça ‘Pigmalião’ na Wikipédia (em inglês)

Filme ‘My Fair Lady’ no IMDb e na Wikipédia (em inglês e em português)

Filme ‘Uma Linda Mulher’ no IMDb e na Wikipédia (em inglês e em português)

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Vídeo: My Fair Lady – The Rain in Spain

Vídeo: Trailer de Pretty Woman

Publicado em Março - 18 - 2009

Eu sou a Lenda

Eu sou a Lenda (1958)

Este romance de ficção científica/horror escrito por Richard Matheson em 1958 conta a história de Robert Neville, aparentemente o único sobrevivente de uma praga biológica que teria ocorrido após a terceira guerra mundial (os detalhes não são explicados), e cujos infectados apresentam sintomas de vampirismo.

A esposa de Neville foi infectada e morreu; após ser enterrada, ela voltou como vampiro e ele teve de matá-la com uma estaca; sua filha também sucumbiu à doença e foi jogada em um poço de fogo contínuo onde os corpos infectados eram queimados.

Estamos em 1975. Neville vive sozinho em Los Angeles; sua casa é uma fortaleza bem equipada com geradores, uma grande geladeira, muitos livros e alho e boas trancas nas janelas. Durante o dia ele circula pela cidade em sua caminhonete, cravando estacas nos vampiros em coma diurno, e à noite refugia-se em sua casa enquanto os infectados gritam do lado de fora, tentando atraí-lo a sair. Entre eles está o vizinho e ex-amigo de Neville, Ben Cortman.

Neville é imune ao vírus, e acredita que isso se deve a ele ter sido mordido por um morcego. Enquanto tenta sobreviver, este homem comum sem preparo científico pesquisa em livros e analisa as variáveis para compreender os mecanismos de contágio e tentar descobrir a cura. Neville aos poucos desenreda o mito do vampiro e analisa cada elemento à luz dos conhecimentos e da ciência. Mesmo que algumas das explicações pareçam imprecisas, a verossimilhança é aceitável.

A princípio Robert ocupa-se com sua sobrevivência e defesa, mas aos poucos a solidão começa a tomar conta dele, e sua fuga é a bebida. Quando ele começa a pesquisar sobre a doença, descobre um objetivo em sua vida e para com os comportamentos autodestrutivos. Mas a solidão continua.

Um dia um cão aparece na rua, aparentemente saudável. Robert tenta atraí-lo com comida, e durante semanas ele tenta ganhar a confiança do animal. Quando consegue capturá-lo, o cão já está infectado. Neville tenta salvá-lo, mas o cão morre dali a alguns dias, junto com a esperança de uma companhia. A descrição deste trecho é simples, mas comovente. Conseguimos simpatizar com a necessidade de um homem solitário por algum tipo de companhia, e sentimos seu desespero quando essa possibilidade é perdida.

“Depois das últimas semanas, dava-se conta de que a esperança não era a resposta. Nunca havia se sentido assim. Naquele mundo de horror real não havia escapatória nos sonhos. Podia adaptar-se ao horror. Mas a monotonia era o pior obstáculo, compreendia agora. E essa descoberta o tranqüilizava; era como pôr todas as cartas sobre sua mesa mental e, as repassando, ordenar definitivamente o jogo.

A morte do cão não lhe havia alcançado o desespero que temia. De certo modo sentiu morrer as esperanças e as excitações vãs. Aceitando assim seu cárcere, sem tentar impossíveis fugas, nem golpear inutilmente os muros.

E assim, conformado, voltou para o trabalho.”

ATENÇÃO: SPOILER (não leia se não leu o livro)

Em 1978 ele encontra uma mulher, Ruth, caminhando à luz do dia e aparentemente saudável. Após o choque inicial, ela lhe conta sua história, que não convence Neville. Ele lhe pede para testar seu sangue e ela acaba concordando. Mas quando ele vê ao microscópio que ela está infectada, Ruth o acerta na cabeça e o deixa desacordado.

Ao acordar, Neville vê que Ruth se foi, deixando um bilhete. Ela fazia parte de um grupo de sobreviventes infectados que estavam lutando contra a doença e formando uma nova sociedade. Eles viam Neville como uma ameaça, pois ele matava tanto os vampiros mortos como os infectados vivos, e pretendiam exterminá-lo. Ruth pede que ele fuja.

Neville, percebendo mesmo sabendo o que o esperava, decide ficar, e é capturado pelos resistentes. Ao aguardar sua execução pública, Ruth o procura e lhe entrega algumas pílulas para que tudo ’seja breve’. Ele as toma.

“Tossiu pigarreando. Virou-se e se apoiou na parede enquanto tomava as pílulas.

O círculo se fechava. De sua morte nascia um novo terror, uma nova superstição penetrava a inexpugnável fortaleza da eternidade.

Eu sou lenda.”

FIM DO SPOILER

Eu sou a Lenda é uma narrativa pós-apocalíptica simples e direta, mas surpreendentemente seu tema subjacente não são os vampiros, mas a natureza humana diante da solidão. Neville passa por todos os estágios de perda, revolta, aceitação e reação; ele perde a família, sua rotina, sua noção de sociedade, suas próprias noções de ética (ao ter de matar os vampiros, e depois ao perceber que vinha matando também os infectados vivos), sua esperança e por fim, sua vida.

Ao final da história ele torna-se uma aberração aos olhos da ‘Nova Sociedade’ – enquanto eles são conformistas e tentam apenas sobreviver, ele é individualista e quer mudar as coisas, encontrar uma solução. A partir dali, os infectados sobreviventes seriam os normais e ele, o único imune, seria um monstro, um exemplar obsoleto da velha humanidade, um anátema, que teria de ser destruído.

Este excelente livro de Richard Matheson termina com uma nota de tristeza e impotência, como se nada pudesse ser feito para voltar o mundo ao que era. Um panorama pós-apocalíptico que nos faz pensar sobre a natureza humana, os conceitos de normalidade e a solidão.

No prefácio da reedição de I Am Legend, Stephen King reconhece a influência de Matheson em sua obra:

“Dizer que Richard Matheson inventou a história de horror seria tão ridículo como dizer que Elvis Presley inventou o rock´n roll – mas, poderiam perguntar os puristas, e Chuck Berry, Little Richard, Stick McGhee, os Robins e dúzias de outros? O mesmo é verdadeiro no gênero de horror, que é o equivalente do rock´n roll – um golpe seco na cabeça que afeta seus nervos e torna a dor tão boa. (…)

Quando as pessoas falam sobre o gênero, acho que mencionam meu nome em primeiro lugar, mas sem Richard Matheson eu não estaria aqui. Ele é meu pai como Bessie Smith foi a mãe de Elvis Presley. Ele chegou quando era necessário, e essas histórias conservam todo seu apelo hipnótico.

Mas cuidado: vocês estão nas mãos de um escritor que não pede nem concede clemência. Ele irá esgotá-los… e quando fecharem este livro ele os deixará com o maior presente que um escritor pode dar: ele os deixará querendo mais”

The Last Man on Earth (1958)

Esta história foi adaptada três vezes para o cinema: a primeira versão, de 1964, teve o título de The Last Man on Earth (no Brasil, chamou-se Mortos que Matam), uma produção italiana com Vincent Price como o Dr Robert Morgan e dirigida por Ubaldo Ragona. Matheson escreveu o roteiro, mas depois de algumas alterações ele não quis que seu nome aparecesse nos créditos e usou o pseudônimo “Logan Swanson”.

Este filme está em domínio público e pode ser baixado ou assistido online aqui.

A Última Esperança da Terra (1971)

A segunda versão cinematográfica da história, A Última Esperança da Terra (The Omega Man - 1971), foi estrelada por Charlton Heston como Robert Neville. Matheson não teve qualquer influência no roteiro, que removeu todos os elementos de vampirismo, exceto a sensibilidade à luz. Os zumbis, liderados por Mathias (Anthony Zerbe) temtam destruir Neville, que representa os males da ciência e do militarismo. Neville caça os zumbis de dia e esconde-se à noite. O final é ligeiramente diferente, pois há a esperança de cura através do sangue de Neville, apesar de ele não sobreviver.

O filme pode ser visto no YouTube (em inglês): aqui está o link para a parte 1

Eu Sou a Lenda (2007)

A terceira versão traz o mesmo nome do livro, Eu Sou a Lenda, e foi estrelada por Will Smith e dirigida por Francis Lawrence. Esta versão tem algumas diferenças quanto ao livro: o que causou a epidemia (no livro são bactérias) foi o vírus do sarampo, modificado pelo homem para curar o câncer, e que se tornou incontrolável. Três anos depois, ele dizimou 90% da população mundial.

Os infectados parecem-se mais com zumbis que com vampiros; eles também não suportam a luz do sol, são extremamente agressivos, sem muita inteligência e aparentemente canibais. Eles foram criados com CGI, assim como os animais do filme e boa parte da vegetação que cobre Nova York. Sim, o cenário da catástrofe também mudou, pois a produção achou que NY vazia causaria maior impacto que uma Los Angeles desabitada. E causa mesmo, as cenas do início do filme são ótimas.

Apesar de alguns flashbacks que contam como algumas coisas aconteceram, certos detalhes não são explicados: por que Neville é imune? Por que os zumbis/vampiros perderam completamente a inteligência (realmente não parecem humanos)? Não pergunte, apenas assista.

Neville agora tem uma companhia: a cadela Samantha (Sam), que era o cãozinho da família e que fica com ele quando sua mulher e filha embarcam no helicóptero para sair de Nova York. O animal (a pastora alemã Abbey) é adorável, tanto que Will Smith quis adotá-la após as filmagens, mas o treinador não concordou.

Robert Neville é um virologista militar que decide ficar para trás (no ‘Marco Zero’ – expressão bem americana e sugestiva) quando Nova York é evacuada, para obstinadamente tentar descobrir a cura. Ele tem um laboratório super equipado em sua casa, e tenta superar a solidão com a companhia de Sam, sua pesquisa e alguns manequins que ele dispôs pela cidade para criar a ilusão de outras pessoas. A primeira metade do filme lembra muito o filme ‘Náufrago‘, apesar de Sam ser mais interessante que Wilson.

Mas as maiores mudanças na trama acontecem na segunda metade do filme. A mulher que surge, Anna (Alice Braga) não é o mesmo personagem que Ruth, e o desfecho do filme é diferente do livro. O significado do título também foi interpretado de forma diferente que no livro. Aqui a explicação parece uma justificativa para o final escolhido em vez de uma metáfora simbólica.

O filme termina com uma nota de esperança (o que não acontece na história original), apesar de lembrar o final de “O Profissional“. Mesmo com as falhas no roteiro e o excesso de efeitos especiais (ei, afinal estamos no século 21!), é um bom filme. Gostei dele, e mesmo não sendo uma adaptação fiel do livro, vale a pena assisti-lo. Mas se quiser um bom entretenimento que o fará pensar, com certeza recomendo o livro.

Algumas curiosidades:

  • O quadro de Van Gogh (Noite estrelada) que é visto na casa de Neville é mesmo um Van Gogh; os quadros que decoram a casa do personagem foram emprestados pelo Museu de Arte Moderna de Nova York.
  • O CD que Will Smith toca e que é ‘o melhor álbum já feito’ é a coletânea de sucessos de Bob Marley, “Legend”, lançada após a morte do cantor.
  • Arnold Schwarzenegger, Ted Levine, Tom Cruise e Nicholas Cage já foram considerados para o papel de Robert Neville; a produção com Schwarzenegger, que seria dirigida por Ridley Scott, foi cancelada pelo alto orçamento para a época.
  • Richard Matheson disse que ‘The Omega Man’ estava tão diferente do livro que isso nem chegava a incomodá-lo.
  • No filme de 1971 os sobreviventes são chamados de ‘A Família’, uma clara referência a Charles Manson e seus seguidores.

*    *    *

  • Richard Matheson na Wikipédia (em português)
  • Livro I Am Legend na Wikipédia (em inglês)
  • Resenha de Dan Schneider sobre I Am Legend
  • Crítica de Danel Griffin sobre o filme “The Last Man on Earth”
  • Artigo “The Legend that inspired me” - com prefácio de Stephen King para ‘I am Legend’

Vídeo: Trailer legendado de “Eu sou a Lenda”


Vídeo: Trailer de “The Omega Man”

Publicado em Março - 14 - 2009

O fascínio sobre a Índia

Quando publiquei o artigo Incredible India! percebi que o interesse por aquele país aumentou bastante, provavelmente devido à novela da Globo e ao Oscar recebido pelo filme “Quem quer ser um milionário?”. Vejo nas estatísticas do blog que muitos chegam aqui procurando informações sobre ‘costumes indianos’ (a pesquisa com maior incidência), ‘fotos da Índia e seus costumes’, ‘blogs sobre a Índia’, ‘como é a Índia realmente?’, ‘palavras sobre o pais indiano’, ‘qual o melhor livro sobre costumes sobre a Índia’ e até ‘bolsas artesanais da Índia’. Realmente, os brasileiros querem saber mais sobre a Índia.

Recebi por e-mail esta mensagem da Profª Sandra Bose, que tenta descobrir uma explicação para esse fascínio pela Índia. Realmente é um país interessantíssimo, com uma cultura muito rica e variada, e muito diferente da nossa. Admiro o trabalho da Profª, que em seu blog Indi(A)gestão mostra a verdadeira face da Índia.

Ao conhecermos um país com seus defeitos e qualidade, seus problemas e seu potencial, não deixaremos de gostar dele. Ao contrário, somente conhecendo todos os aspectos de uma cultura e um país podemos realmente apreciá-lo. Amamos o Brasil por termos nascido aqui, mas reconhecemos que ainda temos muitos problemas a superar. Não existe um país perfeito para morar, assim como não existem pessoas perfeitas. E a variedade de pessoas, costumes, tradições, culinária, músicas, produção cultural, tudo isso enriquece um país e é o que nos atrai a ele.

Estou publicando abaixo a mensagem da Profª Sandra Bose, e recomendo que visitem e leiam o blog Indi(A)gestão. Muitos fatos e imagens podem ser chocantes para quem espera uma Índia ‘de novela’, mas conhecer a verdadeira Índia não a tornará menos interessante e atraente. Depois do texto, algumas informações interessantes sobre o país.

Om Shanti

*   *   *

“Namaskar

Brasileiros e portugueses são igualmente atraídos pelos encantos da distante Índia.

Mas o que os leva a ter fascínio por um país sobre o qual não conhecem quase nada?

Não sabem quantos estados a Índia possui, qual é seu regime político, quais são suas religiões, tradições culturais, comidas, história, mitologia, geografia, línguas etc.

Mesmo assim, recebo diariamente dezenas de emails e comentários no meu blog Indiagestão dizendo, “sempre amei a Índia, não sei porque mas sempre tive vontade de conhece-la”; e isso muito antes da atual novela Caminho das Índias entrar no ar.

A questão é por que tantas pessoas nutrem um carinho por um país que mal conhecem?

Atribuo a explicação para este fato, às aulas de história do ensino fundamental. Quando somos crianças a primeira coisa que aprendemos na escola em relação a história de nosso país é que os portugueses ao tentarem descobrir uma rota marítima para a Índia acabaram por encontrar o Brasil.

Quando ouvimos isto, nossa imaginação infantil corre solta, e esta história acaba virando um fascínio para nós, pois tem além de tudo um sabor de aventura. Inconscientemente fica registrado que se os portugueses, nossos colonizadores e portanto seres superiores (é assim que funciona para o nosso inconsciente infantil), se deram ao trabalho de lançar tamanha empreitada já naquela época, para alcançar uma terra tão distante como a Índia, é porque com toda certeza valeria muito a pena!

A imaginação corre solta e cria-se uma imagem de um país fascinante e incrível. Assim nasce o fascínio brasileiro pela Índia. Este fascínio ficou no inconsciente coletivo e por isso mesmo todos dizem adorar a Índia, sem no entanto conhece-la.

Claro que há ainda pessoas que acreditam que aqui viveram em vidas passadas, mas este assunto eu deixo a encargo dos místicos.

Profª Sandra Bose”

www.indiagestao.blogspot.com

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Fatos sobre a Índia

Nome: República da Índia

Capital: Nova Delhi

Maior cidade: Mumbai (antiga Bombaim), com quase 14 milhões de habitantes

Área: 3.287.240 km2

População: 1.147.995.904 (estimativa em 2008)

Idiomas oficiais: hindi e inglês (além de mais 28 dialetos e idiomas oficiais)

Forma de governo: república federal parlamentar; tem 28 estados e 7 territórios federais

Com sua grande área e diversidade de clima, topografia e vegetação, a Índia tem características culturais diferentes em suas várias regiões. Quatro das principais religiões do mundo, hinduísmo, budismo, jainismo e sikhismo originaram-se lá, enquanto o zoroastrismo, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo chegaram no primeiro milênio da era cristã e deram forma à diversidade cultural da região.

A Índia é a 12ª maior economia do mundo, mas ainda sofre de altos níveis da pobreza, analfabetismo, e má nutrição. Uma sociedade pluralista, multilingue, e multi-étnica, a Índia é igualmente o berço de uma diversidade de animais selvagens em uma variedade de habitat protegidos. O país tem diversos parques e santuários de proteção da vida selvagem. Recomendo o artigo de Verônica Theulen sobre os contrastes da Índia.

(…) “Natureza no seu estado primitivo, sagrada, total, plena, é rara de se ver por aqui. O mundo natural que se vê aqui é o reflexo da mente humana, tal qual como pode ser produzida por esta multidão. O que se encontra aqui é a realidade interior. É reflexo do que há na alma humana. Então, como não se surpreender que o mesmo país que se intitula como o mais espiritualizado do mundo, é o que também traz uma natureza totalmente destruída, como qualquer outro não espiritualizado. O que se vê é um completo colapso. Uma terra colapsada. Um lugar miserável em termos de políticas e ações em prol da conservação. É como ter em suas mãos um livro onde quase todas as páginas foram arrancadas, destruídas e profanadas. E quando se depara com algumas, esquecidas, últimas páginas sagradas dessa natureza selvagem, da vida silvestre abundante, da fauna exuberante, dos lugares extraordinários, é difícil conter a emoção. ” (…)

Texto de Verônica Theulen

Um dos aspectos da cultura indiana, apesar de oficialmente banido, é o sistema de castas da Índia, característico dos hindus, não só na Índia, mas também no Nepal. Apesar de a televisão atenuar bastante o problema, o preconceito contra as castas inferiores e os ‘dalits’ ainda é muito forte no páis; eles são proibidos de entrar nos templos; 60 milhões de dalits (de um total de 300 milhões) são explorados através do trabalho forçado; a maioria das pessoas de castas altas não querem que sua comida seja preparada por dalits, por medo de tornarem-se imundos; 66% dos dalits são analfabetos. Para mais informações, leia o artigo do Indi(a)gestão.

O país é o maior produtor mundial anual de filmes para o cinema. A produção cinematográfica local concentra-se em Bombaim, Noida, Madrasta e Hiderabade. Os filmes indianos geralmente incluem muitas cenas de música e dança. Estas músicas costumam expressar emoções e paixões, que variam entre o amor, tragédia, triunfo e celebração. Os filmes têm geralmente entre duas a três horas de duração, com intervalo. Para saber mais sobre o cinema indiano, visite o blog de Ibirá Machado, o Cinema Indiano.

Apesar de ser o berço de grandes figuras religiosas e humanitárias como Gandhi, Paramahansa Yogananda, Madre Teresa, Rabindranath Tagore e inúmeros santos e gurus, a Índia dos dias atuais sofre com a violência, fome, miséria, discriminações sociais, preconceitos, e dificilmente seu povo (ou pelo menos a maioria dele) pode ser considerado ‘espiritualizado’. Além dos dalits, as mulheres sofrem com a discriminação e a violência. Apesar de campanhas do governo para tentar evitar essa prática, é grande o número de abortos de fetos femininos, a ponto de os médicos evitarem divulgar o sexo da criança depois de exames de ultrassom. Poucas meninas vão à escola. Os pais não vêem necessidade em uma menina estudar visto que logo vai casar, procriar e cuidar dos filhos. Recomendo o artigo da Profª Sandra sobre a vida difícil da mulher na Índia.

E como ‘aperitivo’ para todas as informações que vocês encontrarão no Indi(a)gestão, não deixem de ler o ótimo (e bem-humorado) artigo de Lu Dias, Polianteia sobre a Índia, com uma ’síntese das coisas imagináveis e inimagináveis’ que ela encontrou no blog da Profª Sandra. Lu Dias é colaboradora do excelente blog Alma Carioca, do Paulo Afonso Teixeira. Lá você encontrará diversos artigos sobre a Índia, além de muitos outros assuntos interessantíssimos. Recomendo!

(PS: Você não sabe o que é polianteia? Vá descobrir no artigo da Lu!) ;-)

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Blog Indi(A)gestão

Blog Cinema Indiano

Blog Alma Carioca

Entrada sobre a Índia na Wikipédia (em português)

Cinema Indiano na Wikipédia (em português)

Site do Consulado Geral da Índia (em português), com muitas informações úteis

Artigo de Veronica Theulen: Índia, país do sagrado ao profano

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