Publicado em Fevereiro - 28 - 2009

A Mulher do Viajante do Tempo

O Rato de Biblioteca está participando da Blogagem Coletiva: Meu melhor livro do ano, organizada pelo escritor e blogueiro William Lial.

No meu caso foi uma releitura. Já havia lido “The Time Traveller´s Wife” e o reli este ano. Não sei se foi o melhor livro que li, mas certamente gostei muito dele, mais ainda na segunda leitura. Na primeira vez li rapidamente, envolvida pela história, que é mesmo muito interessante. Ao relê-lo, como eu já sabia o que iria acontecer, fui saboreando cada capítulo e a leitura foi ainda mais gostosa.

O livro é muito bem escrito e estruturado, com muitos detalhes que percebemos apenas da segunda vez que o lemos. Gostei muito do recurso de dividir a narrativa entre o casal; apesar de não ser um recurso narrativo inédito, funcionou muito bem neste caso, pois vemos os pontos de vista de ambos e podemos saber tudo o que acontece enquanto Henry está ausente, em outra época.

Boa leitura, e não deixem de conferir no blog do William Lial os links para os outros blogs participantes da Blogagem coletiva.

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“Clare: É duro ser deixada para trás. Espero por Henry, sem saber onde ele está, imaginando se ele está bem. É difícil ser aquela que fica. (…)

Há muito tempo, os homens partiam para o mar e as mulheres esperavam por eles, paradas junto à água, examinando o horizonte à procura de um pequenino navio. Agora espero por Henry. Ele desaparece involuntariamente, sem aviso. Eu espero por ele. Cada momento de espera parece um ano, uma eternidade. Cada momento é lento e transparente como vidro. Em cada momento posso ver infinitos momentos alinhados, esperando. Por que ele foi para onde não posso segui-lo?”

Este é o primeiro romance de Audrey Niffenegger, artista plástica, escritora e professora de arte em uma Universidade de Chicago. Como adoro histórias sobre viagens no tempo, quando li um comentário sobre este livro em um fórum sobre literatura, pensei: “Quero lê-lo”. E já o li duas vezes. Da primeira vez, rapidamente, mergulhada na história e querendo saber mais, saber como as coisas aconteceriam, como iriam terminar. Da segunda vez li devagar, saboreando a história, sem querer que tudo terminasse.

O personagem principal, Henry De Tamble, é um bibliotecário em Chicago e fã de punk rock. Ele tem uma disfunção genética que o faz viajar involuntariamente no tempo para momentos significativos de sua vida, no passado e no futuro. Apesar de viajar no tempo e no espaço, ele não leva nada consigo, como roupas, dinheiro, objetos ou obturações dentárias. Ou seja, após momentos de estresse ele se vê nu e sozinho, em local e época desconhecidos (ou não). E sua sobrevivência depende de ele roubar, arrombar, mentir, esconder-se e, principalmente, correr.

A mulher do viajante do tempo é Clare Abshire, escultora. Quando conhece Henry, ela tem 6 anos e ele, 36. Ela o encontra em uma clareira da Campina, que é parte da propriedade da família de Clare em Michigan. Ao longo da infância e adolescência de Clare ela recebe muitas visitas de Henry, que se torna seu melhor amigo, e acaba se apaixonando por ele.

“Henry: estou na Campina, esperando. Espero um pouco longe da clareira, nu, porque as roupas que Clare mantém para mim em uma caixa não estão lá; a caixa também não está lá, e sou grato por esta ser uma bela tarde, talvez no início de setembro, em um ano não identificado. (…) Clare está contente, absorta. Ela deve ter seis anos, e se estamos em setembro ela deve ter acabado de começar a primeira série. Ela obviamente não espera por mim, sou um estranho, e estou certo que a primeira coisa que se aprende na primeira série é não dar confiança para estranhos que aparecem nus no seu local secreto favorito e sabem seu nome e lhe dizem para não contar nada à mamãe e ao papai. Imagino se este é o dia em que nos encontramos pela primeira vez.”

Quando Henry conheceu Clare, ela tinha 20 anos e ele, 28. Ela já o amava durante toda sua vida; ele não sabia nada sobre ela.

“Henry!” Quase não consigo evitar enlaçá-lo em meus braços. É óbvio que ele nunca me viu antes em sua vida.

“Nós nos conhecemos? Desculpe, eu não…” (…)

Eu tento explicar. “Sou Clare Abshire, eu o conheci quando era uma garotinha…” Estou perdida porque estou apaixonada por um homem que está parado à minha frente, sem nenhuma lembrança a meu respeito. Tudo está no futuro para ele. Sinto vontade de rir da estranheza de tudo isto, estou inundada de conhecimentos sobre Henry, enquanto ele me olha perplexo e temeroso. “

O livro é narrado alternadamente por Clare e Henry, e segue uma sequência cronológica peculiar; após narrar os primeiros encontros, seguimos pelo cotidiano de Clare e Henry no presente, com capítulos que contam como foram as primeiras viagens no tempo de Henry, eventos significativos da infância de ambos, por exemplo como um Henry adulto ensinou truques de sobrevivência a um pequenino Henry que ainda não compreendia o que se passava com ele, a morte da mãe de Henry, e acontecimentos da adolescência de Clare.

Conhecemos também a família de Clare (seus pais Philip e Lucille, e seus irmãos, Mark e Alicia) e de Henry (seu pai Richard, violinista, e sua mãe, Annette Lyn Robinson, cantora lírica), seus amigos Gomez e Charisse, a ex-namorada de Henry, Ingrid, e outros personagens como Kimy, senhoria e amiga de Richard, pai de Henry, e Celia Atley, amiga de Ingrid.

Apesar das idas e vindas da narrativa através de vários pontos no tempo, a história segue num ritmo coerente e bem explicado e ficamos envolvidos com a vida e o destino dos personagens. Apesar de viajar pelo tempo, Henry não consegue alterar o rumo dos acontecimentos. Em uma cena interessante, Clare prova café pela primeira vez e não gosta. Henry comenta que ela gosta de café com muito creme e açúcar, ao que ela responde que ele a está transformando em uma aberração.

“Não estou”. Faço uma pausa. “O que quer dizer, estou transformando-a em uma aberração? Não estou fazendo nada”.

“Você sabe, me dizendo que eu gosto de café com creme e açúcar antes de eu o ter provado. Quer dizer, como vou descobrir se eu realmente gosto disso ou se eu gosto apenas por que você o disse?”

“Mas Clare, é apenas seu gosto pessoal. Você vai descobrir como gosta do café quer eu lhe diga ou não. Além do mais, você é quem sempre me perturba, querendo saber coisas sobre o futuro”.

“Contar coisas sobre o futuro é diferente de me dizer do que eu gosto”, diz Clare.

“Por quê? Tem tudo a ver com o livre arbítrio”.

Ao longo da narrativa vamos nos encantando com a história de amor de Henry e Clare, sua tentativa de viver uma vida normal, com trabalho, um lar, amigos, filhos, e como tudo é perturbado por uma condição que eles não conseguem controlar ou prever. Esta história de amor e ficção científica é ao mesmo tempo contemporânea e romântica, intensa e envolvente, e nos faz sorrir e chorar.

Em uma entrevista de 2003 (link no fim do artigo), Audrey Niffenegger fala sobre o livro:

Pergunta: “Havia um tema central ao qual os leitores deveriam se ater?

Audrey Niffenegger: Queria que as pessoas pensassem sobre a intimidade do amor, quão inefável ele é, e como ele nos molda. Eu queria escrever sobre a espera, mas como a espera é essencialmente negativa (tempo gasto na ausência de algo), escrevi sobre todas as coisas que acontecem ao redor da espera.”

Normalmente comento o livro todo, mas desta vez não vou falar muito para não estragar a surpresa para quem não o leu. Sorry, guys! (vão ler o livro!)

Filme

Os direitos de filmagem da história foram comprados pela Plan B,a produtora de Brad Pitt e Jennifer Anniston, que na época estavam juntos e pretendiam interpretar o casal de personagens principais. Mas então veio Angelina Jolie, e o resto é história.

Apesar dos direitos ainda pertencerem a Brad, que hoje é o único proprietário da Plan B, outro casal foi escolhido para interpretar Henry e Clare no filme que deve estrear em fevereiro de 2010; Eric Bana (de Tróia – 2004  e Munique – 2005  )  e Rachel McAdams (de O Retrato de Nossa Paixão e Meninas Malvadas, ambos de 2004).  O diretor do filme é o alemão Robert Schwentke , que dirigiu Plano de Voo (2005)  e o roteiro foi escrito por Bruce Joel Rubin, que também escreveu o roteiro de Ghost (1990),  pelo qual recebeu o Oscar.

O filme deveria ter estreado em 2008, mas foi adiado supostamente por causa de “O curioso caso de Benjamim Button”, que apesar de ter uma história diferente, também fala sobre a passagem do tempo.

No fórum sobre o filme no IMDb, alguns fãs reclamam de alguns personagens provavelmente serem deixados de fora do filme, como Kimy e Ingrid, cujos nomes não constam da lista do elenco. Outras reclamações são sobre o elenco escolhido; apesar de bons atores, não correspondem à descrição minuciosa que a autora faz no livro. Por exemplo, o Gomez do livro é loiro e magro, e o ator escolhido (Ron Livingston, de Band of Brothers)  é moreno.

Apesar das queixas dos fãs (algum fã de livro já ficou 100% feliz com o resultado de uma adaptação para o cinema?), acredito que podemos esperar um bom filme, sem efeitos especiais (desnecessários neste caso) e com uma boa história. Eu, pelo menos, estou esperando ansiosamente.

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Atualização: o filme estreia em 16 de outubro no Brasil, com o título de Te Amarei para Sempre. Confira o trailer no final do artigo; parece que será muito bom, apesar de terem se concentrado mais na parte romântica da história em vez do aspecto de ficção científica. Não vejo a hora!

Atualização 2: Uma boa crítica do filme, escrita por Valéria Fernandes (blog Shoujo Café)

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Livro: The Time Travellers´s Wife (A Mulher do Viajante do tempo) - Audrey Niffenegger

2003 – Mac Adam/Cage Publishers / 2004 – Ed. Objetiva / 2009 - Suma de Letras Brasileira

  • Entrada do filme no IMDB
  • Fórum de discussões sobre o livro e o filme
  • Site oficial de Audrey Niffenegger (ainda inacabado)
  • Entrada sobre o livro TTW na Wikipédia (em inglês)
  • Entrada sobre Audrey Niffenegger na Wikipédia (em inglês)
  • Entrevista de 2003 com Audrey Niffenegger

Linhas do tempo de TTW

Compiladas por Jack Humprey, que organizou os eventos do livro em ordem cronológica para compreender melhor a história. - (pdfs para download – não veja sem ter lido o livro - CONTÉM SPOILERS!)

(tradução de trechos do livro – Cristine Martin)

Bolsa Clare no Terracota Bolsas - aqui

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Trailer do filme A Mulher do Viajante do Tempo - legendado:

Publicado em Fevereiro - 26 - 2009

Cartas de Amor

Cartas de Amor (Love Letters, 1999)

Seria até estranho se esta história se passasse nos dias atuais, com comunicações instantâneas por e-mails, SMS e celulares; mas há não muito tempo, as cartas ainda eram um meio de comunicação pessoal muito usado e são a base desta linda história de amor, que acontece desde os anos 50 até o fim da década de 80.

O filme começa quando Andy volta do enterro de Melissa com uma caixa de cartas, cartas que ele havia escrito a ela durante quase toda sua vida. Ao chegar em casa, ele tranca-se em seu escritório/biblioteca e começa a reler as cartas dele e dela, em ordem cronológica. E nessa leitura, feita por Andy e por Melissa (presente ‘em espírito’, um interessante recurso narrativo) e com alguns flashbacks, que mostram cenas da infância, adolescência e alguns episódios não contados nas cartas, vamos acompanhando a história dos dois.

Melissa (Laura Linney)  e Andy (Steven Weber)  conheceram-se na segunda série. Desde aquela época e por toda a vida trocaram cartas, que a princípio eram cartas infantis durante as férias, e aos poucosevoluem para cartasde amizade e mais tarde, de amor. Andrew Makepeace Ladd II pertencia a uma família tradicional e conservadora, e absorveu os valores paternos, tornando-se ele próprio formal e conservador. A família de Melissa Gardner Cobb era problemática e, após o divórcio dos pais e o segundo casamento da mãe com um homem que, segundo ela, “costumava importuná-la”, tornou-se uma jovem rebelde e propensa a depressões. Mudava de colégio constantemente, e seu único ponto de estabilidade era a amizade e amor por Andy.

Por diversas circunstâncias, eles acabam casando-se com outras pessoas e previsivelmente, o casamento de Melissa fracassa, enquanto o de Andy torna-se uma sólida instituição familiar. Mesmo quando percebem que se amam, eles não podem ficar juntos, pois Andy é agora senador, e teme que um escândalo prejudique sua carreira política. Sem a perspectiva de um relacionamento estável com ele, Melissa entrega-se à depressão e aos comportamentos auto-destrutivos que periodicamente surgiam durante sua vida.

Devido à história ser contada alternadamente pelos dois personagens, podemos perceber desde o início a forte conexão emocional entre eles. O filme nos encanta e envolve, especialmente pela ótima interpretação de Laura Linney, que transmite toda a emoção da turbulenta Melissa, e de Steven Weber, cujo Andrew é sensível mas contido. Com a experiente direção de Stanley Donen,  que dirigiu filmes excelentes como Uma Estrada para Dois (1967 - com Audrey Hepburn e Albert Finney)  , Charada (1963)  , Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)  e o clássico Cantando na Chuva (1952) com Gene Kelly,  este é um filme delicioso e encantador.

Diferente da peça, o autor e roteirista decidiu começar o filme após o funeral, o que, aurpreendentemente, não estraga a surpresa, mas prende a atenção e a emoção do público desde o início. É um filme surpreendentemente bom , e mesmo as cenas mais emocionantes são equilibradas com a irreverência e o humor, às vezes cáustico, de Melissa.

Cartas de Amor é uma produção de 1999 feita para a TV americana, e aqui no Brasil tem sido exibido em diversos canais da TV por assinatura, como TNT, Fox Life e outros. O filme foi baseado na peça teatral homônima de A. R. Gurney,  que também escreveu o roteiro.

A Peça

Enquanto o filme se passa na biblioteca de Andy, mas utiliza vários flashbacks, a peça tem cenário minimalista: apenas duas mesas e duas cadeiras, onde o casal de atores lê as cartas em sequência, interpretando apenas com a voz e o rosto. Por exigência do diretor John Tillinger, os atores não deveriam olhar um para o outro em momento algum da peça.

A peça estreou em 1989 em Nova York e, durante oito meses, mais de 50 atores e atrizes interpretaram a história de Andy e Melissa. Entre eles estavam Stockard Channing, Joanna Gleason, John Rubinstein, Josef Sommer, Richard Thomas, Swoosie Kurtz, Blythe Danner, Edward Herrmann, William Hurt, Judith Ivey, Christine Lahti, Pamela Reed, Christopher Reeve, Jason Robards, Elaine Stritch, Kathleen Turner, Christopher Walken e dúzias de outros ótimos profissionais.

Os diálogos da peça, conforme instruções claras do autor, não deviam ser decorados. Não eram exigidos muito ensaios. Exceto pela entrada e saída do palco, não havia movimento; e nem mesmo seria necessário interpretá-la em um teatro. Para o diretor, cujo vocabulário normalmente inclui gestos, ação, cenário, iluminação e longas discussões com os atores sobre o personagem, motivação e o tema, estas circunstâncias apresentavam-se como uma camisa de força.

Apesar das palavras permanecerem as mesmas, cada ator dava sua própria interpretação ao texto. Tillinger explicou que cada ator tem suas peculiaridades e cada um trouxe sua contribuição específica à peça. Blythe Danner queria saber a idade exata de Melissa em cada carta. Quando Jason Robards lia uma carta de Andy após uma operação nas amídalas, sua voz era rouca. Alguns atores começavam inconscientemente a mover as pernas e os pés, e podia-se perceber a garotinha lendo a carta.

John Tillinger conta que ficou atraído pela simplicidade de “Cartas de Amor”, “É o teatro em seu nível mais simples, a palavra falada. Ela estimula a imaginação do público, que acaba se tornando o terceiro personagem”. Swoosie Kurtz comentou que sentiu-se ‘estranhamente liberada’ pelas limitações da produção. “Tudo é muito concentrado, muito econômico. Você diz algo com uma inclinação da cabeça, o movimento da mão, até o modo como vira a página”.

Além disso, como as apresentações da peça não foram filmadas, os atores nunca viram a si mesmos, e devido à proibição do diretor, nem mesmo a seus parceiros. Swoosie Kurtz disse que era ‘bizarro’ não poder olhar para seu colega. “Após as primeiras apresentações eu saí com alguns amigos após a peça e perguntei, ‘Bem, como ele estava?’, e eles reponderam ‘Ele estava maravilhoso’, e eu disse, ‘Ótimo, por que eu não tenho a mínima idéia!’”.

(fonte: artigo do New York Times de 24/09/1989)

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Entrada do filme no IMDb

Artigo do New York Times sobre a peça de A.R.Gurney

Laura Linney na Wikipédia (em português)

Publicado em Fevereiro - 21 - 2009

Across the Universe

O jovem inglês Jude (Jim Sturgess, de Quebrando a Banca) é um artista, mas trabalha como operário nas docas de (adivinhem!) Liverpool e quer ir para os Estados Unidos. A americana Lucy (Evan Rachel Wood, de Aos Treze e O Lutador) é a típica estudante de ‘high school’ e namora um rapaz que é convocado para o Vietnã. Estamos nos anos 60 e a história de amor de Jude e Lucy é contada ao som de canções dos Beatles neste musical colorido e bem produzido.

O filme começa com Jude cantando “Girl” e em seguida temos uma belíssima montagem de cenas de protesto e ondas quebrando ao som de “Helter Skelter”.

Ao chegar aos EUA em busca de seu pai (que voltou para casa após a guerra, deixando para trás uma mãe solteira) Jude conhece Maxwell (Joe Anderson), irmão de Lucy. Max é rebelde e resolve largar a universidade e ir para Nova York ‘curtir a vida’.

Típico e representativo da época é o diálogo durante o jantar de Ação de Graças na casa dos pais de Max e Lucy:

Pai de Max: Meu Deus, Max! Seja sério, pelo menos uma vez! O que você vai FAZER com sua vida?
Max: Por que é sempre o que eu vou fazer? “O que ele vai fazer”, “O que ele vai fazer” “Oh meu Deus, o que ele vai fazer”, fazer, fazer, fazer, fazer. Por que a questão aqui não é quem eu sou?
Tio Teddy: Porque, Maxwell, o que você faz define quem você é.
Max: Não, Tio Teddy. Quem você é define o que você faz. Certo, Jude?
Jude: [desajeitado] … Bem, com certeza não é o que você faz, mas,ahn… o modo como o faz.

O namorado de Lucy é morto no Vietnã e ela decide seguir o irmão e Jude em NY. Lá eles conhecem JoJo (Martin Luther), guitarrista que veio do sul do país em busca de seu sonho e uma vida melhor e Sadie (Dana Fuchs), que é cantora e que aluga quartos em seu apartamento. Além de Jude, Max e Lucy, lá também mora Prudence (T.V. Carpio), que fugiu de sua casa em Ohio.

A história desses jovens rebeldes e cheios de sonhos e vida é contada e cantada pelos atores, que interpretam (bem!) diversas canções dos Beatles. O filme, dirigido por Julie Taymor, é colorido e tem toques psicodélicos como em “I am the Walrus”, cantada por Bono, e a belíssima “Strawberry fields forever”, interpretada por Jim Sturgess e Joe Anderson.

Outros belos momentos musicais são o dueto de Sadie e JoJo em “Oh Darling”, que nos faz imaginar Jimi Hendrix e Janis Joplin cantando juntos, a divertida “I’ve just seen a face” (num colorido jogo de boliche – veja o vídeo abaixo) e “Come together”, cantada por Joe Cocker e Martin Luther, quando JoJo chega a Nova York.

Ainda assim, algumas músicas parecem ‘forçadas’ para caber na história, como ‘Dear Prudence’ e ‘Being for the benefit of Mr Kite’, enquanto outras encaixam direitinho no roteiro, como o pesadelo psicodélico de “I want you”, quando Max é convocado para o Vietnã.

O filme é cheio de referências aos Beatles; quando Prudence chega no apartamento de Sadie, que ao vê-la pela primeira vez, pergunta “De onde ela veio?” e Jude responde: Ela entrou pela janela do banheiro” (She came in through the bathroom window).

O logotipo da Apple é lembrado quando Jude tenta desenhar uma maçã verde e, insatisfeito com o resultado, corta-a ao meio. E o clube em que Jude e sua namorada inglesa (Molly) dançam no começo do filme é o Cavern Club, onde os Beatles tocavam em Liverpool.

Os personagens, é claro, têm nomes de músicas dos Beatles. Temos até um concerto no telhado (quando os atores cantam “Don´t let me down” e  “All you need is love” ) e o ônibus colorido de ‘Doctor Robert’. O selo da gravadora de Sadie é um morango, que dá o tema para o clipe de Strawberry fields, uma emocionante composição de imagens de arte e guerra.

As músicas são cantadas pelos atores que, apesar de terem gravado versões em estúdio para a trilha sonora, cantaram ao vivo durante as filmagens. Além do elenco, o filme conta com participações de artistas convidados como Bono, Joe Cocker e Salma Hayek.

O filme agradou e foi elogiado por Ringo Starr, Paul McCartney, Yoko Ono e Olivia Harrison, e foi lançado nos Estados Unidos no dia do aniversário de John Lennon (9 de outubro).

Outro motivo pelo qual o filme deve ter agradado à família Beatle é que, de acordo com o jornal Daily Variety, os produtores pagaram aos Beatles e à produtora ATV/Sony Music cerca de 10 milhões de dólares em direitos autorais para o uso das 30 músicas do filme (cerca de 300 mil dólares para cada música). Como condição para o uso das canções, os pôsteres de divulgação não poderiam mencionar “The Beatles” ou os nomes dos compositores.

Esta não foi a primeira adaptação de músicas dos Beatles no cinema: em 1978 os Bee Gees e Peter Frampton filmaram “Sgt Pepper” (que vi no cinema), e o resultado foi tão estranho que os próprios Bee Gees afirmaram que não gostam nem de lembrar da experiência. Por outro lado, o uso das músicas dos Fab Four em “I am Sam” (2001) serve como pano de fundo para uma linda história, e o resultado é tocante e delicado.

Mesmo sendo uma história criada para caber nas músicas (e não o contrário), o resultado é um filme divertido e a diretora soube captar o clima dos anos 60, com o idealismo inocente de uma juventude que acreditava que poderia mudar o mundo. Jude, Lucy, Max, Sadie, JoJo e Prudence são personagens dessa época, e o filme é uma fascinante experiência visual e um retrato musical fictício que diverte e de quebra, traz algumas das mais belas músicas das últimas décadas.

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Entrada do filme no IMDb (Across the Universe, 2007)

Entrada do filme na Wikipédia (em inglês), com lista de todas as músicas do filme

Entrada do filme na Wikipedia, em português

Site oficial do filme na Sony Pictures


Trailer
do filme:

Clipe do filme : “I’ve just seen a face

Publicado em Fevereiro - 20 - 2009

A Insustentável leveza do Ser

Nietzche afirma a idéia do eterno retorno, ou seja, que todos os acontecimentos da vida de cada um, e da história da humanidade, irão repetir-se inúmeras vezes; que tudo o que acontece já aconteceu antes e irá se repetir. Milan Kundera nega esta idéia, dizendo que o eterno retorno é o mais pesado dos fardos, e que a ausência total de fardo faz com que os movimentos humanos sejam tão livres quanto insignificantes. O que escolher? O peso ou a leveza? Este é o tema central deste romance.

Através da história de dois casais, Tomas e Tereza, e Franz e Sabina, ele mostra que todas as nossas ações não têm sentido, exatamente porque nossas ações não se repetem, e nossa vida não acontece senão uma vez. Isso confere leveza à nossa existência; nossos atos são leves porque suas conseqüências não importam; são insignificantes.

Tomas e Tereza são impelidos um ao outro por uma série de acasos, e estão condenados a viver juntos, embora causando um ao outro grande dor. Eles acreditam que estas coincidências são uma marca do destino; Tomas lembra uma frase de um quarteto de Beethoven que diz: “Muss es sein? Es muss sein! Es muss sein!” (Tem de ser assim? Tem de ser! Tem de ser!) Ele considerava que seu amor por Tereza era um es muss sein em sua vida, uma força que o impelia, o destino. Este es muss sein também o impele à profissão médica, às mulheres, e a abandonar sua profissão quando se recusa a se retratar por um artigo escrito por ele, e que é considerado subversivo pelas autoridades comunistas (estamos em Praga, após a invasão russa de 1968).

Tereza deseja libertar-se da invasão de sua privacidade simbolizada pela mãe, pelas limitações de sua vida, e encontra em Tomas os sinais do acaso ou destino: Beethoven, números coincidentes, livros. Ela acredita que somente o acaso tem voz; o que acontece todos os dias, e se repete, não é senão uma coisa muda. Os sinais que a ligaram a Tomas significavam para ela um outro mundo ao qual desejava pertencer, para escapar de sua vida sem sentido.

Sabina, pintora tcheca e uma das inúmeras amantes de Tomas, também deseja fugir das limitações de sua vida, e encontra na traição o meio de se libertar. Somente traindo ela pode, ao negar, escolher um outro caminho. “Trair é sair da ordem. Trair é sair da ordem e partir para o desconhecido. Sabina não conhece nada mais belo que partir para o desconhecido”.

Franz é um idealista; acredita que uma Grande Marcha da história irá levar a humanidade para a frente. Franz achava sua vida irreal, e desejava a vida “real” das revoluções, marchas e desfiles. Sabina representa, para ele, o ideal, simbolizado pela resistência de seu país ao domínio russo; conseqüentemente, representa seu ideal feminino; quando ela o abandona, ele toma coragem para mudar sua vida, mas tudo que faz é para os olhos de Sabina. Kundera mostra a futilidade dessas ações idealistas, especialmente no capítulo A Grande Marcha, onde vemos Franz em uma passeata na fronteira do Camboja, onde as ações idealistas não significam nada, pois são apenas palco para a vaidade humana, e não alteram o curso dos acontecimentos.

Todas essas vidas, unidas por acasos, simbolismos, e palavras incompreendidas, têm uma insustentável leveza, pois seja qual for a decisão que tomemos, só se tem uma vida e não se pode compará-la com as vidas anteriores nem corrigir uma decisão errada em outra vida; tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação, e como diz um provérbio alemão citado por Tomas, Einmal ist keinmal, ou seja, uma vez não conta, uma vez é nunca. Negando Nietzche, ele afirma que a vida não tem sentido, pois “não poder viver senão uma vida é como não viver nunca”.

Este é um romance sobre relacionamentos, mas que levanta questões filosóficas: será que a vida tem sentido? Ou será o niilismo defendido por Kundera a solução? Analisando o comportamento de seus personagens, ele levanta tais questões e deixa ao leitor a decisão final; afinal, ele mesmo defende que, qualquer que seja esta decisão, terá a leveza insustentável do ser.

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Livro: A Insustentável leveza do Ser - Milan Kundera

Ficha do filme no IMDB

Bolsas Tereza no Terracota Bolsas

(artigo originalmente publicado em maio de 2006)

Publicado em Fevereiro - 16 - 2009

Dicas de Reciclagem e Consumo Consciente

Reciclar, reciclar e reciclar! Taí algo que todos podem fazer e que tem um impacto muito positivo, sob todos os aspectos.

No site Planeta Sustentável, encontrei algumas dicas interessantes e práticas sobre a reciclagem nossa de todo dia. Aí estão elas:

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VALE A PENA FAZER

  • Separar o lixo seco de todos os restos orgânicos: um copo sujo de cafezinho pode inutilizar quilos de papel limpo - e reciclável.
  • Lavar as embalagens para retirar os resíduos dos alimentos e dos produtos de higiene e limpeza.

NÃO VALE A PENA FAZER

  • Separar o lixo seco por tipo de material. As empresas e cooperativas farão uma nova triagem - estando o lixo organizado ou não.
  • Amassar latas e garrafas PET ou desmontar as embalagens longa-vida. São medidas que não encurtam em nada o processo de reciclagem.

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O LIXO ESPECIAL

Lâmpadas
O que fazer: separar as fluorescentes num lixo à parte. Misturados aos outros restos, os cacos costumam ferir os catadores. Já as lâmpadas incandescentes não são recicladas, uma vez que, segundo mostram as pesquisas, não causam impacto negativo no meio ambiente - elas devem ser depositadas, portanto, no lixo comum.

Baterias
O que fazer: reciclam-se só as de telefones sem fio, filmadoras e celulares - as outras, assim como as pilhas, têm baixa concentração de metais pesados e por essa razão não são tidas como prejudiciais ao meio ambiente. Para reciclar, faça um lixo separado: como as baterias são frágeis, podem romper-se e contaminar o restante dos detritos.

Cacos de vidros planos e de espelhos
O que fazer: embalar em jornal e colocar num lixo separado. Seguirão para vidraçarias - e não para as tradicionais fábricas que reciclam vidro.

OS ESTRAGOS DO ÓLEO DE COZINHA

O óleo de cozinha é um dos alimentos mais nocivos ao meio ambiente. Jogado no ralo da pia, ele termina contaminando rios e mares. Eis o número:

1 LITRO de óleo de cozinha polui 1 MILHÃO DE LITROS de água.

Como reciclar: colocar o óleo em garrafas PET bem vedadas e entregá-las a uma das várias organizações especializadas nesse tipo de reciclagem (ver no site www.cempre.org.br).

Destinos do óleo usado: fábricas de sabão e produção de biodiesel.

RECICLAGEM: O QUE AINDA “NÃO PEGOU”:

A reciclagem dos três itens abaixo patina em índices ainda baixos no Brasil, de não mais do que 30% do que vai para o lixo. Os especialistas explicam por quê.

PLÁSTICO
Por que se recicla pouco: a maioria das pessoas não reconhece como plástico as resinas mais maleáveis, como as das sacolas de supermercado. Por isso elas acabam no lixo comum.

Benefícios ambientais: a versão reciclada consome apenas 10% do petróleo exigido na produção do plástico virgem.

LATAS DE AÇO
Por que se recicla pouco: pesquisas mostram que há resistência das pessoas em guardar essas latas no lixo de casa. Diz-se delas que são “volumosas” e “difíceis de amassar”.

Benefícios ambientais: cada tonelada de aço reciclado preserva 110 mil toneladas de minério de ferro.

CAIXAS LONGA-VIDA
Por que se recicla pouco: novas tecnologias já permitem separar as seis camadas que compõem a embalagem, mas, como é coisa recente, quase ninguém no Brasil o faz.

Benefícios ambientais: em 2006, com a reciclagem de 30 mil toneladas de papel provenientes dessas caixas, foram poupadas 600 mil árvores de áreas reflorestadas.

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Evite o desperdício de alimentos

O Instituto Akatu iniciou uma campanha de conscientização para evitar o desperdício de alimentos; 1/3 de tudo o que você compra vai para o lixo! Isso mesmo, é de assustar, não?

A iniciativa surgiu da constatação de que, no Brasil, aproximadamente um terço de todos os alimentos comprados em uma casa é desperdiçado. Junto com eles, todas as suas embalagens, toda a água e energia usadas na sua produção e no transporte são também jogados fora, gerando inúmeros impactos negativos para a sociedade, para a economia e para o meio ambiente. O número é ainda mais alarmante quando lembramos que estamos em um país onde 14 milhões de pessoas vivem em domicílios com insegurança alimentar grave (fonte: IBGE, 2004). O objetivo da campanha é alertar os brasileiros sobre este fato e mostrar que é possível mudar este quadro por meio de pequenos gestos diários.

A campanha também ganhou um hotsite. Um ambiente interativo onde você pode obter mais informações, calcular quanto perde com o desperdício de alimentos em sua casa e conferir dicas do que fazer para evitá-lo.

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Dicas de Consumo consciente

Consumo consciente é consumir (o que todos temos de fazer, pois não conseguimos ser autosuficientes e prtover todas as nossas necessidades de roupas, alimentos, objetos, energia sozinhos) levando em consideração os impactos causados por esse consumo.

O consumo consciente pode ser praticado no dia-a-dia, por meio de gestos simples que levem em conta os impactos da compra, uso ou descarte de produtos ou serviços. Tais gestos incluem o uso e descarte de recursos naturais como a água, a compra, uso e descarte dos diversos produtos ou serviços, e a escolha das empresas das quais comprar, em função de sua responsabilidade  sócio-ambiental. Assim, o consumo consciente é uma contribuição voluntária, cotidiana e solidária para garantir a sustentabilidade da vida no planeta.

Estas dicas vieram do site do Instituto Akatu; para mais informações, clique nos links:

Água

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Alimentos

SimboloRecicalgem_redim.jpg

Reciclagem
Energia

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Para saber mais:

Site do Instituto Akatu

Site da campanha: 1/3 de tudo o que você compra vai direto para o lixo

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Artigo - A História das coisas.. e como isso nos afeta

Vídeo “A História das Coisas”, dublado em português

(artigo originalmente publicado em 12/11/07, e atualizado em 14/02/09)

Publicado em Fevereiro - 14 - 2009

Em algum lugar do passado

Esta bela história de amor e viagem no tempo foi um grande sucesso no Brasil desde seu lançamento, em 1980, mas curiosamente não fez tanto sucesso nos Estados Unidos. Apesar da fraca bilheteria e críticas desfavoráveis, ele conquistou uma legião de fãs quando foi lançado em vídeo e na TV, e hoje é considerado um clássico, tanto lá quanto aqui.

Filme

O jovem autor teatral Richard Collier (Christopher Reeve), durante a estréia de sua primeira peça na faculdade, recebe de uma velha senhora um relógio, e ela lhe diz: “Volte para mim”. Alguns anos depois, ao sair sem rumo, ele decide hospedar-se no Grand Hotel, e fica fascinado ao ver a foto de uma linda mulher na galeria do hotel. Ele descobre que ela é Elise MacKenna (Jane Seymour), atriz famosa que hospedou-se no hotel e lá encenou uma peça em 1912.

Richard fica mais intrigado ainda quando, ao pesquisar na biblioteca da cidade, descobre que ela é a senhora que havia lhe dado o relógio, e que havia morrido mais tarde naquela noite; que Elise era uma jovem cheia de vida e que isso mudou após sua apresentação no hotel, tornando-se reclusa e solitária.

Ele decide então usar as técnicas de auto-hipnotismo e fazer uma viagem de volta a 1912, para encontrá-la. Após muito esforço, ele é bem-sucedido e consegue encontrá-la. Ao vê-lo, Elise pergunta: ‘É você?”, ao que ele responde “Sim”.

Porém, William Robinson (Christopher Plummer), o empresário de Elise, teme que Richard a influencie negativamente e que ela deixe de atuar, e tenta afastá-lo dela. Mas Richard consegue convencer Elise a passear com ele, e aos poucos eles vão se aproximando. Durante a peça, ela improvisa um monólogo dirigido a Richard, na platéia. Isso enfurece Robinson, que faz uma armadilha para espancar e amordaçar Richard nos estábulos do hotel.

No dia seguinte ele consegue escapar e volta ao hotel, onde descobre que a companhia teatral já havia partido. Mas Elise volta e o encontra, e os dois passam sua primeira e única noite juntos. Após pedir Elise em casamento, numa brincadeira ele encontra uma moeda de 1979 no bolso e volta abruptamente ao presente.

Richard tenta em vão voltar a 1912, e vaga pelo hotel por algum tempo, até trancar-se no quarto, onde é encontrado em estado catatônico por Arthur, funcionário do hotel. Quando o médico chega, Richard vê a si mesmo pairando acima de seu corpo, e segue até a luz da janela, onde encontra Elise, que lhe estende a mão.

Livro

O roteiro do filme foi escrito por Richard Matheson, autor do livro ‘Bid Time Return‘, lançado em 1975 e que foi relançado após a estreia do filme com o mesmo título, ‘Somewhere in Time‘. Matheson afirmou que ” ‘Em algum lugar do passado‘ é a história de um amor que transcende o tempo, e ‘Amor além da vida‘ é a história de um amor que transcende a morte… Sinto que eles representam o melhor que escrevi em forma de romance”.

Richard também é o autor de vários livros e roteiros, como ‘Eu sou a lenda’ (filmado duas vezes, com Will Smith e Charlton Heston no papel principal), ‘Encurralado’, e diversos episódios de ‘Além da Imaginação’.

Durante uma viagem com sua família, Richard Matheson ficou encantado pelo retrato da atriz Maude Adams na Casa de Ópera Piper em Nevada. Maude era reclusa e misteriosa, e Matheson imaginou seu novo romance. Para escrevê-lo, ele hospedou-se por muitas semanas no Hotel del Coronado, cenário da história. Muitas informações biográficas de Elise MacKenna foram baseadas em Adams.

No livro, Richard Collier é um roteirista que sofre de tumor cerebral e decide passar seus últimos dias no Hotel Del Coronado. A maior parte do livro é o diário escrito por Richard em sua viagem. Richard fica fascinado pelo retrato de Elise MacKenna, que apresentou-se no hotel em 1896, quando teria tido um caso de amor com um homem misterioso que mudou sua vida. Richard se convence que pode voltar no tempo e ser esse homem misterioso.

O livro segue de maneira semelhante ao filme, e na parte final sabemos que Richard morre devido ao tumor, após voltar ao presente. Apesar do médico afirmar que a viagem ao passado acontecera apenas na mente de Richard o irmão dele, Robert Collier, decide publicar o diário em forma de romance.

No filme, Robinson havia dito a Elise que sabia que um homem surgiria na vida dela e a mudaria; no livro, essa informação é dada por duas videntes.

O relógio paradoxal

Se Richard recebeu o relógio de Elise em 1972, voltou a 1912 e o deu a ela, de onde veio o objeto? Esse paradoxo nunca é explicado, e existe apenas no filme (assim como o próprio relógio). Esse ‘furo’ é criticado por muitos fãs da história, mas ainda assim é perdoado.

EALDP e Titanic: coincidências demais

Estas duas histórias românticas têm muitas similaridades, que nos fazem duvidar de uma simples coincidência e imaginar até que ponto James Cameron era fã do romance e filme de Richard Matheson.

Nos dois casos a história começa com uma velha mulher, temos um retrato de um momento de felicidade, uma peça de jóia que faz um círculo completo no tempo, e uma tragédia que separa os dois amantes para sempre depois de uma única noite de amor. Até a cena final é bem parecida; após a morte de Rose, ela retorna ao Titanic e reencontra Jack, que lhe estende a mão enquanto a imagem dos dois dilui-se na luz; após a morte de Richard, ele vai em direção à luz, onde encontra Elise, que espera por ele e lhe dá a mão.

Outras coincidências:

  • Elise é atriz, e Rose será uma; ambas perdem o amor de suas vidas em circunstâncias dramáticas e suas vidas mudam radicalmente depois disso.
  • As duas atrizes, Kate Winslet e Jane Seymour, são inglesas e interpretam o papel de uma americana.
  • As duas posam para uma foto/retrato enquanto olham nos olhos do homem que amam.
  • Ambas devolvem a jóia (o relógio a Richard e o colar, ao mar) e morrem logo em seguida, cercadas por objetos e lembranças do passado.
  • Tanto Jack quanto Richard morrem jovens; ambos são artistas, e passam por dificuldades para ficar junto da mulher amada.
  • Ambos vestem roupas inadequadas ao ambiente social em que estão, na maior parte do tempo.
  • As duas histórias começam no presente, voltam ao passado, e terminam no presente.
  • As duas histórias acontecem no mesmo ano, 1912.

    Curiosidades sobre o filme

    • O Grand Hotel, onde foram feitas as filmagens, fica na Ilha Mackinac, onde não são permitidos automóveis; alguns carros foram levados para lá especialmente para as filmagens, mas não podiam ser usados pelos atores ou a equipe fora dos momentos da filmagem.
    • O diretor Jeannot Szwarc chamava tanto Christopher Reeve quanto Christopher Plummer de ‘Chris’, e ao dirigir aos dois em uma cena, ambos responderam ao mesmo tempo; para evitar confusões, ele passou a chamar Christopher Plummer de ‘Mr Plummer‘ e Chris Reeve de ‘Big Foot‘ (pé grande).
    • O momento em que Richard vê o retrato de Elise também foi a primeira vez que Chris Reeve o viu. O diretor quis obter uma reação verdadeira, e manteve o retrato escondido do ator até o momento da filmagem.
    • Foi perguntado às atrizes que fizeram teste para o papel de Elise se haviam se apaixonado antes; Jane Seymour foi a única que respondeu ‘não’. Ela compareceu ao teste vestindo um traje de 1912 e chegou dizendo: ‘Eu sou Elise McKenna e tenho de fazer este papel’.
    • O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Figurino, mas perdeu para Tess. EALDP ficou em cartaz nos cinemas americanos por apenas 3 semanas; hoje ele é um dos filmes mais alugados nos Estados Unidos, e quando estreou nos cinemas do Oriente em 1984, ficou em cartaz por 18 meses em um cinema de Hong Kong, com filas.
    • A trilha sonora, composta por John Barry, foi um sucesso de vendas e a mais vendida desse compositor, mais que o total de todas suas outras trilhas sonoras (que incluem sucessos como Perdidos na Noite, King Kong (1976), Entre Dois Amores, Dança com Lobos e vários filmes de James Bond, como Goldfinger, Dr No, Os diamantes são para sempre, Moonraker, Octopussy e outros).
    • Jane Seymour e Christopher Reeve tornaram-se grandes amigos após as filmagens, até a morte do ator, em 2004.
    • Fãs do filme organizaram o primeiro ‘Somewhere in Time Weekend‘ no Grand Hotel em 1991, com participação do autor, Richard Matheson, o diretor, Jeannot Szwarc, entre outros; em 1994 Christopher Reeve participou do encontro anual e em 2002, Jane Seymour voltou à ilha pela primeira vez após as filmagens, para participar da reunião.

    *   *   *

    Para saber mais:

    - Entrada do filme no IMDb

    - Entrada do filme na Wikipedia (em inglês)

    - Entrada do livro na Wikipédia (em inglês)

    - Website oficial dos fãs do filme

    - Artigos sobre EALDP e Titanic: aqui e aqui

    - Vídeo: coleção dos melhores momentos do filme, ao som de ‘Rapsódia sobre um tema de Paganini’, de Sergei Rachmaninoff, e ‘Somewhere in Time’, de John Barry, cantada por Martin Nieverra.

    *   *   *

    Bolsas Elise no Terracota Bolsas: aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

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