Publicado em Janeiro - 26 - 2009

Ray

O ano de 2004 ofereceu uma escolha difícil para o Oscar de melhor ator; entre os indicados estavam Jamie Foxx, que interpretou Ray Charles dos 19 aos 49 anos, na cinebiografia Ray, e Joaquin Phoenix, que viveu Johnny Cash no excelente Johnny e June (Walk the Line). Foxx levou a estatueta, mas ambos estavam excelentes interpretando dois grandes talentos da música norte-americana.

O filme Ray conta a vida de Ray Charles Robinson, nascido em 1930 em Albany, na Georgia, e que ficou cego aos sete anos por causas até hoje desconhecidas (suspeita-se de glaucoma ou de uma infecção não tratada). Sua mãe o enviou a uma escola para cegos e surdos, na Flórida, onde ele aprendeu música e a tocar vários instrumentos musicais. Durante seu período na escola sua mãe morreu, e em seguida seu pai também faleceu.

Antes de deixar a escola, Ray tocou em várias bandas e em 1947, mudou-se para Seattle, onde gravou suas primeiras canções de sucesso. Em 1952 ele assinou contrato com a Atlantic Records, onde ficou até 1959, quando mudou para a gravadora ABC Records.

Em 1965 Ray foi preso por porte de heroína, droga na qual foi viciado por quase 20 anos. No filme, ele teria pedido aos colegas de banda, usuários, para experimentar a droga. Vemos também a luta de Ray para se livrar do vício, quando sua esposa Della Bea lhe diz que a droga estava afastando-o de sua família, mas poderia fazer que ele perdesse o que mais amava na vida: sua música. Ray então interna-se em uma clínica de reablitação e consegue abandonar a heroína.

Após uma carreira de sucesso que durou mais de 50 anos, Ray Charles morreu devido ao câncer de fígado em 10 de junho de 2004. Ele deixou 12 filhos (de 10 mães diferentes), 21 netos e 5 bisnetos.  O filme mostra seu casamento com Della Bea Robinson, que na verdade foi sua segunda esposa (de 1955 a 1977) e mãe de 3 de seus filhos.

Ray estava doente durante as filmagens, mas conseguiu assistir a primeira edição do filme. Ele deveria estar presente na estréia do filme, mas morreu antes que o filme chegasse aos cinemas.

Jamie Foxx como Ray Charles

Antes do início das filmagens, o diretor Taylor Hackford levou Foxx para conhecer Charles, que insistiu que se sentassem a dois pianos e tocassem juntos. Por duas horas, Charles desafiou Foxx, que revelou seu grande talento, e finalmente Charles levantou-se, abraçou Foxx e deu-lhe sua bênção, dizendo “É este… ele pode fazê-lo”.

Jamie Foxx estudou Ray Charles para poder imitá-lo melhor, mas depois de algumas semanas parou de visitá-lo, dizendo que um Ray Charles de 73 anos não poderia ajudá-lo a interpretar um Ray Charles de 19 a 49 anos. Foxx, que toca piano em todas as cenas do filme, teve aulas de Braille e usou próteses nos olhos durante 14 horas por dia durante as filmagens.

Ray Charles

O diretor Taylor Hackford comprou os direitos de filmagem da biografia de Ray Charles em 1987, mas não encontrou um estúdio para financiar a produção. O filme foi produzido de forma independente e quando ficou pronto, a Universal ofereceu-se para distribuí-lo.

Ganhador de dois Oscars (Melhor Ator - Jamie Foxx, e melhor Edição de Som), o filme também foi indicado em mais 4 categorias pela Academia (melhor Filme, Direção, Edição e Figurino), e recebeu muitos outros prêmios naquele ano, inclusive o Grammy de Melhor Trilha Sonora.

Além de Jamie Foxx, o elenco é excelente. Sharon Warren retrata Aretha Robinson, mãe de Ray, que após perder o filho mais velho em um acidente doméstico, afogado em uma bacia, mostra sua fibra ao encorajar o caçula Ray, depois que este perde a visão, a ser independente e nunca deixar que o tornassem um aleijado. A cena em que ela deixa que ele se levante sozinho após um tombo e ache seu caminho dentro de casa é emocionante.

Também estão ótimas Kerry Washington (a esposa, Della Bea), e Regina King, que interpreta a ciumenta amante e cantora Margie Hendricks. A trilha sonora é envolvente,com sucessos como What´d I Say, Georgia on my Mind, Mess Around, Hit the Road Jack e Unchain my Heart.

Na recente onda de cinebiografias, esta certamente é uma das melhores e vale a pena ser vista (e ouvida). E por fim, fiquem com o verdadeiro Ray Charles cantando sua mais bela canção (na minha opinião), Georgia on My Mind:

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Para saber mais:

Ray Charles na Wikipédia (em inglês) e em português

entrada do filme Ray no IMDb

Publicado em Janeiro - 24 - 2009

Super Size Me

Após a vitória do Oscar de melhor documentário por Bowling for Columbine (Tiros em Columbine), de Michael Moore, os documentários, que até há algum tempo eram aqueles filmes sem-graça que davam sono, passaram a ser filmes comercialmente viáveis, com produção caprichada e roteiro idem, que atraem pessoas ao cinema (coisa inimaginável tempos atrás), e estão ficando cada vez melhores. É o caso deste documentário, Super Size Me.

Morgan Spurlock resolveu realizar o filme após ver uma notícia sobre duas adolescentes obesas que estavam processando a rede de fast-food McDonald´s. Roteirista de sucesso, ele trabalhou em vídeo-clipes, comerciais e shows de TV. Este foi seu primeiro longa-metragem. (subtítulo em português - a Dieta do Palhaço). O produtor/diretor/cobaia (conforme ele se anuncia em seu site)

O filme começa mostrando fatos e dados sobre o crescente aumento da obesidade na América. 37% das crianças e adolescentes americanos são obesos, e 2 em cada 3 adultos estão acima do peso ou obesos. A Organização Mundial da Saúde declarou a obesidade como uma “epidemia global”. Se nada for feito, a obesidade irá superar o fumo como a maior causa evitável de morte da América. De quem é a culpa: da pessoas que não conseguem se controlar, ou das corporações de fast-food? Ele então anuncia sua decisão de passar um mês se alimentando exclusivamente de produtos vendidos em lojas doMcDonald´s. Ele determinou para si mesmo algumas regras:

  1. Sem opções: ele só poderia consumir o que viesse das lojas (incluindo a água);
  2. Só consumir as porções super size quando fossem oferecidas (e ele não as poderia recusar);
  3. Sem desculpas: ele deveria comer cada item do cardápio ao menos uma vez.

Antes de começar a maratona, ele visitou três médicos (um cardiologista, um gastro enterologista e um clínico geral) e uma nutricionista, que o monitorariam periodicamente durante o mês da experiência, e fez um check-up completo. Seu peso era normal, sua saúde boa, e todos os profissionais concordaram que a idéia era uma estupidez completa.

Durante o mês da “experiência”, ele visitou 20 cidades americanas (ou pelo menos seus McDonald´s), incluindo Houston, a “Cidade mais Gorda” da América. Das 9 vezes que as porções super size foram oferecidas, 5 foram no estado do Texas (e a primeira ele não agüentou comer inteira, depois de meia hora tentando acabar com o lanche, ele “devolveu” tudo). O estilo de vida americano, incluindo a dificuldade de se fazer as refeições em casa, fazem que 40% das refeições dos americanos sejam feitas fora de casa (1 em cada 4 americanos visitam um restaurante fast-food por dia. O McDonald’s representa 43% deste mercado). Vemos lojas McDonald´s até em um hospital (segundo Morgan, fica mais fácil conseguir auxílio médico quando sua saúde se estragar por causa da comida).

Além de acompanhar a “dieta” de Morgan (de 5000 kcal por dia, o dobro do recomendado para um adulto médio), somos apresentados a alguns programas de merenda, alguns deles caros e cheios de itens não nutritivos, e um programa implantado em uma escola de Michigan, com o apoio dos pais dos alunos, que oferece apenas refeições nutritivas (e por um preço mais baixo que os programas tipo fast-food). Além do mais, este programa de merenda é acompanhado de um incentivo à atividade física, o que normalmente não acontece nas escolas americanas.

O documentário mostra como a comida fast-food pode viciar, como uma droga (O McDonald´s chama as pessoas que consomem muito de seus alimentos de “Usuários Pesados”); mostra os muitos problemas sérios de saúde que podem ser causados pela obesidade (hipertensão, doença coronariana, diabetes adulto, derrame, doença na bexiga, osteoartrite, apnéia do sono, problemas respiratórios, câncer no endométrio, de mama, de próstata e de cólon, dislipidemia, esteatohepatite, resistência à insulina, falta de ar, asma, hiperuricemia, irregularidades hormonais, síndrome do ovário policístico, infertilidade e dor nas costas. Acham pouco?), e como algumas pessoas recorrem a cirurgias de estômago na tentativa de controlar uma obesidade mórbida.

Um mês depois, Morgan estava 11 quilos mais gordo, estava com disfunção hepática,com sintomas de depressão, seu nível de ácido úrico subiu às alturas e seu condicionamento físico e sua libido despencaram (ele “combinou” que não andaria mais que o americano médio consumidor de Big Macs anda por dia, o que reduziu sua atividade fisica quase a zero).

Ele levou um mês desintoxicando o organismo (com a ajuda da namorada, uma chef vegetariana, que criou uma dieta desintoxicante para ele), e mais 9 meses para retornar ao peso anterior (84 kg). Nas notas finais, ele explica que, após o filme ser exibido em Sundance (onde ganhou o prêmio de melhor Diretor), o McDonald´s retirou a porção super size dos cardápios. E as garotas que processaram o McDonald´s… bem, elas perderam o processo, pois não ficou provado que os problemas de saúde foram causados pelos Big Macs ingeridos.Ao final do documentário, ficamos com vontade de comer um grande prato… de salada.

Sério, as refeições desintoxicantes preparadas pela namorada de Morgan parecem muito mais atraentes que os inúmeros big macs, milk-shakes, mac chickens, quarteirões e fritas que vimos na última hora e meia. E são mesmo.

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Para saber mais:

(artigo originalmente publicado em 10/02/07)

Publicado em Janeiro - 20 - 2009

Blogs especiais… com sabor especial!

Hoje tive uma ótima surpresa! Recebi um recadinho da ‘titia Batata’, a Naomi do Pensamentos de uma Batata Transgênica, que o Rato de Bilbioteca havia sido indicado como um dos 10 Blogs com sabor especial, selecionados por ela. Uau! Meu ratinho, ainda engatinhando, ficou muito honrado e super feliz com a indicação! Obrigada Naomi!

Adorei a indicação por vários motivos:

1- Veio de uma pessoa amiga, simpática e que admiro muito;

2- Estou em ótima companhia; os blogs escolhidos por ela são muito bons!

3- Acabei conhecendo muitos blogs excelentes, inclusive o do autor do selo, o blog Café com Notícias;

4 - Café!! (hehe)

Outra  boa surpresa foi ver, na lista dos blogs escolhidos pela Naomi, o Indi(a)gestão, recomendadíssimo aqui no Rato. Ela conheceu o blog da Profª Sandra por aqui e gostou tanto que já o indicou para o selo e também o recomendou em outro (ótimo)  blog seu, o Televisão é Magia. O Indi(a)gestão merece!

O selo foi criado no blog Café com Notícias, do jornalista Wander Veroni, e é dedicado aos “blogueiros que possuem um trabalho de alto nível e de qualidade. Este selo pode e deve ser passado para frente, ok! Ah, lembrando que o ganhador do selo deve colocar o nome e o link do Café com Notícias no post que dará o selo ao outro possível blogueiro premiado. Sintam-se à vontade nas suas indicações.” [post]

Não conhecia o Café com Notícias, mas já fui lá conferir e adorei! Muitos artigos ótimos, com conteúdo e opinião. Já foi pros favoritos, pra lista de links do Rato e em breve vou falar mais sobre ele em um artigo.;-)

E vamos aos blogs escolhidos pelo Rato; são blogs com bom conteúdo, de qualidade, cuidados com carinho e que visito sempre e dos quais gosto muito. A todos, os meus parabéns!

Escreva Lola Escreva - e Lola escreve muito e bem, sobre filmes, comportamento,e muitos outros assuntos

Indi(a)gestão - vou dividir com a Naomi esta indicação, este é um ótimo blog sobre a verdadeira Índia

O Biscoito Fino e a Massa - O Prof. Idelber fala sobre política, livros, cultura, futebol e diversos assuntos, com opinião e profundidade.

Drops da Fal - comentários e impressões, relatórios de novelas e CPIs, neste blog pessoal e cativante da escritora e tradutora Fal Azevedo

Depokafé - Livros, cultura, ‘Hoje na História’, assuntos diversos, sempre com bom senso e bom humor.

Rainhas do Lar - Este blog é uma delícia! Faby e Katita trazem receitas maravilhosas, dicas e coisas lindas e de dar água na boca!

Um grande abraço, e bom café!

Cristine

Publicado em Janeiro - 17 - 2009

Casa de Areia e Névoa

Quando dos Oscars de 2004, ouvi falar deste filme; três indicações (melhor ator, Ben Kingsley; melhor atriz coadjuvante, Shohreh Aghdashloo,  e melhor trilha sonora), me pareceu muito bom. Mas como eu realmente não tenho pressa em assistir aos lançamentos, só fui assisti-lo quando passou na TV paga.  O filme realmente é muito bem feito, boa fotografia (o diretor, Vadim Perelman, era diretor de comerciais quando leu o livro, adorou e decidiu realizar seu primeiro filme de longa metragem; escreveu o roteiro em conjunto com o autor do livro e o resultado é um visual deslumbrante e um roteiro bem fiel ao livro), os atores estão ótimos… mas aí vem a história.

Kathy (Jennifer Connely) é uma mulher que foi abandonada pelo marido, ambos ex-viciados, e que após a separação deixou de abrir a correspondência, entre outras coisas típicas de quem passou por uma dessas.  Mas na correspondência descartada estava uma cobrança de taxas municipais (cobradas indevidamente), o que faz com que ela perca a casa e esta vá a leilão.

Massoud Behrani (Ben Kingsley) é um ex-oficial iraniano que teve de abandonar seu país quando da queda do Xá; americano naturalizado, ele mora com a família em São Francisco, e trabalha como operário de limpeza de estradas durante o dia e de balconista em uma loja de conveniências, à noite. Mas a família e os conhecidos não sabem disto; ele mantém uma imagem de prosperidade, gastando aquilo que não pode para alugar um apartamento de luxo no bairro onde moram os iranianos ricos, e relacionar-se com pessoas prósperas, para que possa casar bem sua filha. Após o casamento dela, ele decide investir o pouco capital que lhe resta em uma casa comprada em leilão, revendê-la pelo preço de mercado e iniciar uma carreira de especulação imobiliária.

Acontece que a casa comprada em leilão é a de Kathy, que de repente se vê sem ter aonde ir, sem marido, sem amigos, e sem ter contado nada à família , nem mesmo sobre a separação. Um policial (Lester) aproxima-se dela e aos poucos surge um envolvimento entre eles, que cresce e faz que ele abandone sua família.

Nem Kathy abre mão de conseguir sua casa de volta (dela e do irmão, herança do falecido pai), nem Behrani abre mão de ficar com a casa e obter lucro (merecido, segundo ele) com sua venda. As coisas começam a se complicar quando Lester resolve intervir em defesa de Kathy, e a partir daí tudo acontece muito rápido, decisões, emoções e atitudes com conseqüências inesperadas e um final trágico.

Fiquei realmente sem fôlego ao fim do filme; como as pessoas, por teimosia, cobiça, preconceitos e medo, podem tomar atitudes que acabam levando a um caminho sem volta? Como as coisas poderiam ser diferentes se a cadeia de acontecimentos tivesse sido interrompida; como um mau julgamento ou uma impressão errada sobre os sentimentos de outra pessoa pode levar a uma atitude precipitada… É um daqueles filmes que nos deixa pensando por dias, sobre o que aconteceu e o que ‘poderia’ ter acontecido se… e graças a Deus que é apenas ficção.

Filme x Livro

Algum tempo depois li o livro, escrito por Andre Dubus III (em inglês; ainda não foi traduzido para o português). A primeira parte é narrada em primeira pessoa, alternadamente entre Kathy e Behrani; esse recurso mostra claramente o pensamento de cada um, os preconceitos e a negação que cada um faz de seus próprios defeitos ou problemas; ela, ao racionalizar seu vício (álcool, no filme, e cocaína e álcool, no livro), atribuindo boa parte da culpa ao ex-marido viciado; ele, ao atribuir sua decadência material às injustiças sofridas pela elite militar que ajudava o ex-Xá do Irã, e atribuindo a culpa de tudo ao serviço Secreto (SAVAK), que, com sua truculência, ajudou a causar a revolta que levou à queda do regime do Xá.

Ambos se sentem injustiçados, e não abrem mão do que crêem ser seu por direito.  Behrani não entende a revolta da esposa, e seu caráter melancólico desde que a família teve de deixar o Irã; afinal, ele não fez o possível para proteger a família?

“ Pois ela estava muito errada a respeito do meu envolvimento com a polícia secreta, SAVAK. Eu pouco tinha a ver com os assuntos deles. E é claro, ela nunca antes reclamou de todos os nossos privilégios; ela nunca reclamou das criadas e soldados que ela usava na manutenção da casa; ela nunca reclamou das viagens para esquiar nas montanhas do norte, ou de nosso bangalô, sobre o Mar Cáspio em Chahloose; ela nunca reclamou dos vestidos finos que ela podia usar nas festas dos generais e juízes e advogados e atores e cantores famosos; ela nunca reclamou quando numa tarde de domingo eu ordenava a Bahman para levar minha família ao cinema mais fino em Teerã e é claro havia uma longa fila de pessoas esperando, mas eu estava vestido em meu uniforme então nós nunca esperávamos, nós nem mesmo pagávamos; éramos conduzidos ao balcão reservado às Pessoas Muito Importantes, longe da multidão. E sim, eu via com freqüência o medo por trás dos sorrisos daqueles gerentes de cinema enquanto eles acenavam e nos conduziam pessoalmente aos nossos assentos, e sim, ninguém que esperasse na calçada ousava fazer uma queixa que eu pudesse ouvir; mas não havia sangue em meus dedos. Eu comprava jatos. Eu não era da SAVAK.”

No livro também é mais claro o preconceito dos personagens: Behrani pensa que os americanos são um povo fraco, sem disciplina, que não merecem a prosperidade que têm; em sua narrativa, ele se refere a Kathy como gendeh, prostituta, talvez pelas suas roupas, ou pela bebida. Em um momento de confronto com Kathy, ele lhe diz: “Em meu país, você não seria digna de erguer seus olhos para mim. Você é nada. Nada.”

A atitude em relação às mulheres também se revela em seus comentários sobre a esposa, Nadereh (Shohreh Aghdashloo): “Minha esposa tem cinqüenta anos, mas ela falava como uma garotinha, uma recém-casada. Eu pensei que talvez ela estivesse desapontada comigo, mas então reparei em seu sorriso, no modo como ela mantinha seu queixo baixo, olhando para mim com aqueles olhos de gavehee, e enquanto ela tomava minha mão e me levava pelo corredor de volta a seu quarto, meu coração era uma pedra pesada caindo na água e minha respiração estava suspensa como a de um garoto que avalia sua boa fortuna.”

Outro episódio revelador é a morte da prima, Jasmine, morta com um tiro pelo pai quando este soube do caso amoroso da filha com um americano; Behrani diz que, apesar do comportamento impróprio da prima, nunca agiria como o tio, resolvendo as coisas com um revólver: “Eu odiei meu tio, acreditando que ele agiu arrebatadamente e com muita paixão. Nós somos uma família educada; não precisamos viver como a classe de camponeses, resolvendo nossas questões com sangue derramado”. Em outro momento ele admite que já “levantou a mão” para a esposa:

“Eu nunca aprovei a violência contra a mulher, apesar que sim, eu bati em minha esposa em uma ocasião, mas me arrependi profundamente do incidente. Uma vez em nossa casa em Teerã, eu bati na face de Nadi por erguer a voz para mim na presença de um jovem oficial. Seus olhos se encheram de tristeza e humilhação e ela saiu chorando da sala. Mais tarde naquela noite, quando ela ainda não falava comigo, eu levantei a manga de minha camisa, acendi um charuto turco e pressionei a brasa em minha carne. Eu queria chorar mas não o fiz. Acendi o charuto de novo e me queimei novamente. Fiz isto cinco vezes, e pedi perdão a Deus a cada queimadura da minha carne.”

O preconceito também fica evidente na pessoa de Lester, que considera o iraniano um cidadão de segunda categoria, que roubou a legítima propriedade de Kathy; e no modo como os trata e se sente a seu respeito:

“Lester estava com sede e queria beber do chá que a mulher do coronel lhe servira, mas fazê-lo naquele momento pareceria um movimento conciliatório, como se ele fosse um cão expondo sua garganta a um cão mais forte. Ele olhou novamente para a foto emoldurada na parede, de Behrani discursando para o Xá do Irã, um homem sobre quem Carol contara, há muitos anos, ter mandado fuzilar centenas, talvez milhares de pessoas em uma tarde por terem ousado um protesto desarmado contra ele e sua comitiva. ( … ) Ele começou a se sentir amedrontado, e quis chutar o coronel nos dentes, este amigo de ditadores, este homem que se recusou a vender de volta a Kathy sua casa “.

Na segunda parte do livro (talvez pelos fatos escaparem à ciência dos dois personagens principais), aparece um narrador em terceira pessoa, onisciente, nos momentos em que Lester conduz a ação e Kathy e Behrani não estão presentes. Essa mudança de foco narrativo  destoa um pouco do começo do livro, mas não estraga o rumo da história.  No filme, o final trágico é atenuado em parte por não mostrar as reais conseqüências para Kathy e Lester, focalizando apenas na tragédia em si. No livro, as conseqüências são mais claras, mostrando as perdas e danos de todos os personagens.

ATENÇÃO: SPOILER (não leia se você ainda não viu o filme ou não leu o livro)

Esta é uma história trágica porque todos os personagens perdem, de algum modo; alguns, a vida; outros, todo o resto. Vemos toda a família Behrani destruída, por causa do caráter controlador de Massoud; ele não admite perder a casa que tornou-se seu único investimento e chance de ascensão social; não admite ter de retornar à condição de trabalhador braçal, ou ter de iniciar uma carreira que não a anterior, na indústria aeronáutica (inviabilizada por seu passado no antigo regime iraniano). Por isso, em um momento de atitude impensada do filho, ele o encoraja a tomar a atitude que, agora sabemos, é a pior possível.

Depois da tragédia consumada, ele tenta ‘poupar’ Nadereh do trauma iminente, e tira-lhe a vida por ‘saber’ que ela não o suportaria, e por achar que é seu dever ‘protegê-la’. Por fim, antes de tirar a própria vida, deixa uma carta para a filha, dizendo a ela o que fazer com a casa. Interesante é sua atitude em relação a uma força superior; no momento do desespero, ele diz que vai fazer nazr, que vai entregar a casa a Kathy se a vida do filho for poupada. Quando isto não acontece, ele impede que a casa fique com Kathy, dizendo (em testamento) que a deixa para Soraya, a filha. É uma atitude curiosa, de tentar barganhar com Deus. Até neste momento ele tenta controlar o desenrolar das circunstâncias, como esteve acostumado toda sua vida. Lester, que aproveitou o incidente com Kathy para dar a virada em sua vida que sempre desejou fazer e nunca teve coragem, acaba perdendo a liberdade, Kathy, e a vida em família. Por suas atitudes em pressionar Behrani, mesmo infringindo a lei, ele acaba responsabilizado criminalmente pela tragédia.

Mais uma vez vemos o caráter controlador em ação. Ele acha que pode desviar um pouquinho a letra da lei, para cumprir o espírito da mesma (plantar evidências para ‘salvar’ uma mulher vítima de violência doméstica; não prender o menino filipino, por um sentimento paternal e por achar que este era vítima das circunstâncias; pressionar Behrani para ajudar Kathy por acreditar que ela estava sendo fraudada por ele na questão da casa, além do detalhe que a casa seria seu futuro lar com Kathy). Ao fazê-lo, acaba se enredando em uma situação cada vez mais sem saída.

Quanto a Kathy, não vemos um caráter controlador, mas uma pessoa que não tem coragem em tomar o controle de seu destino. Ficamos sabendo que ela acabou mergulhada no vício através da companhia de seus dois ex-maridos (e alguns namorados, mas isto é meio vago). Freqüentou o Grupo de Recuperação Racional acompanhando o marido; quando este a abandona, ela mergulha numa apatia e nada faz para mudar sua situação. Tem medo que a família saiba de seu ‘fracasso’  e a culpe por tudo, vício, abandono e, por fim, a perda da casa herdada do pai. Seu medo da responsabilidade por seu destino é tal que ela prefere perder tudo  a admitir a culpa, para a família. É interessante a cena final, em que ela decide continuar presa, fingindo ser “muda”, a ter de lutar por sua liberdade (mas culpando Lester por tudo). A viver sem ele, assumindo a responsabilidade por si dali por diante, ela escolhe continuar sem liberdade, sem voz e ‘protegida’ (desta vez pela detenta dominante do grupo que se apieda dela, ao pensar que esta é muda). É a vitória do medo.

Ambos, filme e livro, são tocantes, mostrando o desenrolar de um drama trágico, numa espiral crescente de mal-entendidos, ações impensadas e escolhas insensatas. Vemos os personagens tomarem a decisão errada, e nada podemos fazer para mudar seu destino.

(Tradução de trechos do livro - Cristine Martin)

(artigo originalmente publicado em 09/02/2007)

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  • Livro - Casa de Areia e Névoa (House of Sand and Fog - Andre Dubus III)
  • Página do filme no IMDB

Publicado em Janeiro - 15 - 2009

Incredible India!

A Índia sempre me encantou. Um país exotico, onde nasceram Gandhi, Yogananda e muitos outros gurus, com paisagens lindas, templos maravilhosos e uma grande variedade de climas, cores e sabores.

Então conheci o lado turístico da Índia, ao traduzir milhares de palavras sobre a Índia para um guia de viagem.  Muitas e muitas cidades, com características diversas, inúmeros templos, riquixás, praias, montanhas, ashrams, curry e pimenta.  E fiquei sabendo muito mais sobre esse belo país.

Ao pesquisar algo para uma das traduções, encontrei um site que me fascinou. Indi(a)gestão, o blog criado pela Profª Sandra Bose, uma brasileira que vive desde 1999 na Índia, para onde foi por amor, ao casar-se com um indiano.

Sandra quer mostrar a Índia como ela realmente é, com seus problemas, violência, costumes, tradições, coisas boas e ruins, para que as pessoas que visitam o país saibam o que esperar, e divulga notícias sobre o país que não chegam à imprensa internacional.

Por exemplo, ela fala abertamente sobre os atentados à bomba que matam muitos indianos e turistas estrangeiros, denuncia a prática de aborto seletivo de fetos femininos, os casamentos infantis,  a violência contra a mulher, e também conta detalhes do dia-a-dia neste país tão fascinante, como são os móveis, as roupas, as comidas, os costumes, os festivais. E dá sugestões de locais menos conhecidos que podem ser visitados, para os que estão indo conhecer o país.

O blog também fala sobre a música e o cinema indiano, exposições culturais, e recebe ‘guest posts’ de outros brasileiros que estiveram na Índia e contam suas impressões e experiências no país.

Nas palavras dela, o Indi(a)gestão é:

Um blog para quem realmente quer se informar e ficar a par dos fatos que ocorrem na India.

Este blog eh recomendado somente para pessoas honestas e corajosas que nao tem medo da verdade. Em resumo, um blog para pessoas sinceras e de bom senso.

Em 2008 Sandra foi procurada por Gloria Perez como consultora sobre a Índia, por ocasião de sua nova novela, Caminho das Índias. Ela foi convidada a visitar os bastidores da  gravação em Jaipur, e tirou muitas fotos por lá.

Gostei muito do blog e visito-o sempre; às vezes deixo comentários, e tive a grata surpresa quando Sandra respondeu a uma pergunta que fiz em um comentário, em um de seus posts de ‘Respostas’, quando explica dúvidas dos leitores e responde às suas perguntas. Sempre muito simpática, a Profª Sandra tem feito um trabalho imenso, detalhista e dedicado para mostrar a verdadeira face da Índia para os brasileiros e o mundo.

O blog é visitado por pessoas de mais de 100 países, e em 2008 recebeu a Medalha de Bronze como terceiro melhor Blog em Idioma Estrangeiro, no Bloggers Choice Awards.

Recomendo este blog para todos que se interessam pela Índia e querem conhecer mais sobre esse fantástico país.

Namastê!

Publicado em Janeiro - 11 - 2009

King Kong

Ontem finalmente assisti a King Kong, a versão de 2006 dirigida por Peter Jackson. Não se assustem, o Rato aqui é pacato e não tem pressa para ver os últimos lançamentos. Geralmente assisto aos filmes em DVD, ou quando passam na TV por assinatura, o que foi o caso aqui.

Infelizmente vi o filme na Warner, que tem o mau hábito de interromper o filme no meio de uma cena dramática, passar UM comercial e voltar ao fime sem aviso nem vinheta. Hmpff….

Mas mesmo com a ‘ajudinha’ da Warner, gostei muito do filme. Como já havia asistido às duas primeiras versões, vamos fazer uma análise dos três:

King Kong (1933)

Esta obra-prima do cinema foi um dos primeiros filmes americanos a usar a técnica de stop-motion. Willis O´Brien criou e animou bonecos estruturados cobertos de massa, pelos, espuma e pele de animais. Além de King Kong, O´Brien animou diversos filmes a partir de 1914, e suas técnicas e criatividade inspiraram gênios da animação e do cinema como Ray Harryhausen (que no início de sua carreira trabalhou com O´Brien em Mighty Joe Young, de 1949), George Lucas, Steven Spielberg, Tim Burton e outros.

Na história original, que pouco mudou nas versões posteriores, o ambicioso cineasta Carl Denham (Rober Armstrong), conhecido por seus filmes de animais exóticos em locações distantes, procura uma atriz para seu novo projeto e convence a iniciante e desempregada Ann Darrow (Fay Wray) a acompanhá-lo no navio Venture e estrelar sua nova produção. Apesar de reclamar da presença de uma mulher no navio, o imediato Jack Driscoll (Bruce Cabot) sente-se atraído por Ann. O navio ruma para a Indonésia, secretamente em busca da Ilha da Caveira, onde viveria uma enorme fera chamada de ‘Kong’ pelos nativos.

Ao chegar à  ilha cercada pela névoa, a tripulação ouve tambores ao longe e, ao desembarcar, presencia um ritual da tribo local, que está prestes a enviar uma jovem em sacrifício à fera. Ao ver a loira Ann, o chefe da tribo oferece seis jovens nativas em troca dela, o que é recusado por Denham. A tripulação retorna ao navio e durante a noite Ann é sequestrada pelos nativos. Ela é enfeitada e amarrada junto à entrada da enorme muralha que cerca o interior da ilha, e logo Kong aparece para buscá-la, e vemos que ele é um enorme gorila.

Metade da tripulação do navio sai à procura de Ann no interior da ilha, encontrando vários dinossauros (o que é seguido de várias mortes). Kong leva Ann para o alto de um penhasco e a protege do ataque dos dinossauros e outras feras. Jack consegue resgatá-la e Kong segue-os até a vila, matando metade dos nativos. Finalmente Denham consegue deixar a fera inconsciente com uma bomba de gás e anuncia suas intenções ao que restou da tripulação:

“Ele sempre foi o rei de seu mundo. Mas vamos ensiná-lo a ter medo! Somos milionários, rapazes! Dividirei tudo com vocês! Em alguns meses, seu nome estará nas luzes da Broadway! Kong! A Oitava Maravilha do Mundo!”

Kong é levado a Nova York e exibido ao público em um teatro. Quando Ann e Jack, agora seu noivo, são fotografados, Kong pensa que a moça está sendo ameaçada pelos flashes e consegue escapar para protegê-la. Ele a leva para o topo do Empire State e é atacado por aviões. Kong deixa Ann em segurança na plataforma de observação e sobe para a torre. Após ser alvejado por metralhadoras, ele é mortalmente ferido e cai até a rua. Denham atravessa a multidão e chega até o corpo do gorila; quando um policial comenta que  “Os aviões o pegaram” ele responde, “Não foram os aviões. Foi a bela que matou a fera”.

King Kong foi exibido várias vezes entre 1933 e 1952, e em cada uma dessas exibições diversas cenas foram cortadas por causa da censura, como quando o gorila mastigava pessoas ou pisava nelas, ou quando rasgava a roupa de Ann. Uma cópia sem cortes de boa qualidade encontrada no Reino Unido foi a base para o DVD de 2005, mas teve de ser restaurada antes da conversão para o novo formato. O filme também foi ‘vítima’ da onda de colorização de clássicos em preto e branco durante os anos 80.

King Kong (1976)

Esta refilmagem foi produzida por Dino de Laurentiis e dirigida por John Guillermin, e apesar das críticas desfavoráveis, foi um grande sucesso comercial. Lembro de tê-lo visto no cinema, e foi realmente impressionante.

Nesta versão, em vez de uma equipe de filmagem, a Ilha da Caveira é invadida por uma expedição de uma empresa petrolífera, que acredita haver depósitos de petróleo na ilha. O executivo Fred Wilson (Charles Grodin) lidera a expedição, que conta com a presença do palentólogo especializado em primatas Jack Prescott (Jeff Bridges). Durante o percurso até a ilha eles encontram uma balsa flutuando e nela está Dwan (Jessica lange); mais tarde ela explica que é uma atriz e estava a bordo do iate de um milionário e que o barco havia misteriosamente explodido, matando todos menos ela.

O restante do roteiro é similar ao original, exceto que o gorlia leva Gwen até o topo do World Trade Center e é atacado por helicópteros. O filme se passa numa época contemporânea (década de 70) e a mocinha também usa bem menos roupa nas cenas da ilha. Este foi o primeiro filme de Jessica Lange, que apesar de sua estréia duramente criticada, mais tarde provou seu talento com filmes como Frances, Cabo do Medo, Peixe Grande e a versão para TV de Sybil. A trilha sonora de King Kong foi composta por Jonh Barry, que compôs ótimas trilhas para clássicos como Perdidos na Noite (Midnight Cowboy) e Em Algum Lugar do Passado. O filme dividiu o Oscar de efeitos Especiais com Fuga do Século 23 (Logan´s Run).

King Kong (2006)

Esta é a versão mais longa da história (187 minutos), e ganhou três Oscars: efeitos visuais, mixagem de som  e edição de som. O filme foi dirigido por Peter Jackson (famoso por dirigir a trilogia O Senhor dos Anéis). Novamente ambientado na década de 30, e seguindo o roteiro original, o filme é um desfile de efeitos especiais, bichos assustadores e nojentos e cenas de tirar o fôlego! Excepcionalmente filmado, ele prende tanto a atenção que nem percebemos as três horas de exibição.

O cineasta Carl Denham (Jack Black), ambicioso e egoísta, busca nesta expedição de filmagem uma chance de escapar dos credores e da polícia. Jack Driscoll (Adrien Brody) é o roteirista contratado por Denham , e apaixona-se por Ann Darrow (Naomi Watts) que neste versão é uma mocinha confiante e sabe se defender.  É muito interessante a cena em que ela ‘faz amizade’ com Kong, dançando e fazendo malabarismos para ele, e quando ele começa a brincar com ela e lhe dá uns safanões, ela grita “Não! Agora chega disso”, ao que o gorila obedece.

No elenco também está Andy Serkis, que faz Kong (captura de movimentos e voz) e Lumpy, o cozinheiro do navio, que acaba morto por enormes sanguessugas (numa das cenas mais nojentas que já vi, a sequência dos insetos). Serkis trabalhou com Jackson em O Senhor dos Anéis, em que interpretou Gollum.

Neste versão temos de volta o Empire State e os aviões, e a famosa frase final de Denham. Os dinossauros são assustadores e realistas, comparáveis aos de Jurassic Park. Muito bem feita também é a expressão facial de Kong, fruto da perícia da equipe de efeitos especiais e da atuação de Serkis.

Apesar do Kong desta versão ser mais ‘realista’, e parecer-se com um gorila de verdade, ao comparar os três filmes percebemos que todos são frutos de suas épocas. O filme de 1933 inovou na animação stop-motion, que apesar de hoje parecer primitiva em comparação ao que estamos acostumados a ver, foi uma grande novidade e conquista ‘tecnológica’. O filme de 1976 é contemporâneo, como era costume então, e Jessica Lange tem a aparência esperada para um filme da década de 70.

Finalmente, a enxurrada de efeitos especiais (e a longa duração do filme) são mais que esperados em um filme de Peter Jackson pós-Senhor dos Anéis, com um grande orçamento à disposição e tendo feito um filme longo e bem-sucedido antes. Todos os filmes têm seu mérito, e todos merecem ser vistos. Qual merece ser revisto? Depende da opinião pessoal de cada um, mas seguramente o grande clássico aqui ainda é a versão original, tanto pelo filme em si quanto pelo valor histórico.

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  • IMDB: versões de 1933, de 1976, de 2006
  • Crítica da Lola sobre King Kong
  • Vídeo com o final da versão de 1933:

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