Publicado em Fevereiro - 21 - 2009

Across the Universe

O jovem inglês Jude (Jim Sturgess, de Quebrando a Banca) é um artista, mas trabalha como operário nas docas de (adivinhem!) Liverpool e quer ir para os Estados Unidos. A americana Lucy (Evan Rachel Wood, de Aos Treze e O Lutador) é a típica estudante de ‘high school’ e namora um rapaz que é convocado para o Vietnã. Estamos nos anos 60 e a história de amor de Jude e Lucy é contada ao som de canções dos Beatles neste musical colorido e bem produzido.

O filme começa com Jude cantando “Girl” e em seguida temos uma belíssima montagem de cenas de protesto e ondas quebrando ao som de “Helter Skelter”.

Ao chegar aos EUA em busca de seu pai (que voltou para casa após a guerra, deixando para trás uma mãe solteira) Jude conhece Maxwell (Joe Anderson), irmão de Lucy. Max é rebelde e resolve largar a universidade e ir para Nova York ‘curtir a vida’.

Típico e representativo da época é o diálogo durante o jantar de Ação de Graças na casa dos pais de Max e Lucy:

Pai de Max: Meu Deus, Max! Seja sério, pelo menos uma vez! O que você vai FAZER com sua vida?
Max: Por que é sempre o que eu vou fazer? “O que ele vai fazer”, “O que ele vai fazer” “Oh meu Deus, o que ele vai fazer”, fazer, fazer, fazer, fazer. Por que a questão aqui não é quem eu sou?
Tio Teddy: Porque, Maxwell, o que você faz define quem você é.
Max: Não, Tio Teddy. Quem você é define o que você faz. Certo, Jude?
Jude: [desajeitado] … Bem, com certeza não é o que você faz, mas,ahn… o modo como o faz.

O namorado de Lucy é morto no Vietnã e ela decide seguir o irmão e Jude em NY. Lá eles conhecem JoJo (Martin Luther), guitarrista que veio do sul do país em busca de seu sonho e uma vida melhor e Sadie (Dana Fuchs), que é cantora e que aluga quartos em seu apartamento. Além de Jude, Max e Lucy, lá também mora Prudence (T.V. Carpio), que fugiu de sua casa em Ohio.

A história desses jovens rebeldes e cheios de sonhos e vida é contada e cantada pelos atores, que interpretam (bem!) diversas canções dos Beatles. O filme, dirigido por Julie Taymor, é colorido e tem toques psicodélicos como em “I am the Walrus”, cantada por Bono, e a belíssima “Strawberry fields forever”, interpretada por Jim Sturgess e Joe Anderson.

Outros belos momentos musicais são o dueto de Sadie e JoJo em “Oh Darling”, que nos faz imaginar Jimi Hendrix e Janis Joplin cantando juntos, a divertida “I’ve just seen a face” (num colorido jogo de boliche – veja o vídeo abaixo) e “Come together”, cantada por Joe Cocker e Martin Luther, quando JoJo chega a Nova York.

Ainda assim, algumas músicas parecem ‘forçadas’ para caber na história, como ‘Dear Prudence’ e ‘Being for the benefit of Mr Kite’, enquanto outras encaixam direitinho no roteiro, como o pesadelo psicodélico de “I want you”, quando Max é convocado para o Vietnã.

O filme é cheio de referências aos Beatles; quando Prudence chega no apartamento de Sadie, que ao vê-la pela primeira vez, pergunta “De onde ela veio?” e Jude responde: Ela entrou pela janela do banheiro” (She came in through the bathroom window).

O logotipo da Apple é lembrado quando Jude tenta desenhar uma maçã verde e, insatisfeito com o resultado, corta-a ao meio. E o clube em que Jude e sua namorada inglesa (Molly) dançam no começo do filme é o Cavern Club, onde os Beatles tocavam em Liverpool.

Os personagens, é claro, têm nomes de músicas dos Beatles. Temos até um concerto no telhado (quando os atores cantam “Don´t let me down” e  “All you need is love” ) e o ônibus colorido de ‘Doctor Robert’. O selo da gravadora de Sadie é um morango, que dá o tema para o clipe de Strawberry fields, uma emocionante composição de imagens de arte e guerra.

As músicas são cantadas pelos atores que, apesar de terem gravado versões em estúdio para a trilha sonora, cantaram ao vivo durante as filmagens. Além do elenco, o filme conta com participações de artistas convidados como Bono, Joe Cocker e Salma Hayek.

O filme agradou e foi elogiado por Ringo Starr, Paul McCartney, Yoko Ono e Olivia Harrison, e foi lançado nos Estados Unidos no dia do aniversário de John Lennon (9 de outubro).

Outro motivo pelo qual o filme deve ter agradado à família Beatle é que, de acordo com o jornal Daily Variety, os produtores pagaram aos Beatles e à produtora ATV/Sony Music cerca de 10 milhões de dólares em direitos autorais para o uso das 30 músicas do filme (cerca de 300 mil dólares para cada música). Como condição para o uso das canções, os pôsteres de divulgação não poderiam mencionar “The Beatles” ou os nomes dos compositores.

Esta não foi a primeira adaptação de músicas dos Beatles no cinema: em 1978 os Bee Gees e Peter Frampton filmaram “Sgt Pepper” (que vi no cinema), e o resultado foi tão estranho que os próprios Bee Gees afirmaram que não gostam nem de lembrar da experiência. Por outro lado, o uso das músicas dos Fab Four em “I am Sam” (2001) serve como pano de fundo para uma linda história, e o resultado é tocante e delicado.

Mesmo sendo uma história criada para caber nas músicas (e não o contrário), o resultado é um filme divertido e a diretora soube captar o clima dos anos 60, com o idealismo inocente de uma juventude que acreditava que poderia mudar o mundo. Jude, Lucy, Max, Sadie, JoJo e Prudence são personagens dessa época, e o filme é uma fascinante experiência visual e um retrato musical fictício que diverte e de quebra, traz algumas das mais belas músicas das últimas décadas.

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Entrada do filme no IMDb (Across the Universe, 2007)

Entrada do filme na Wikipédia (em inglês), com lista de todas as músicas do filme

Entrada do filme na Wikipedia, em português

Site oficial do filme na Sony Pictures


Trailer
do filme:

Clipe do filme : “I’ve just seen a face

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